Lançado em 24 de abril 1990 para inaugurar uma era de imagens alta resolução capturadas em órbita, o Telescópio Espacial Hubble (HST) segue batendo recordes de longevidade e mantendo sua relevância científica, mesmo após telescópios gigantes em solo incorporarem tecnologias que permitem atingir e até superar a resolução das imagens do veterano em órbita.

O aniversário do HST é uma data tradicionalmente celebrada com a divulgação de uma imagem impactante, exibindo as capacidades do notável instrumento num perfeito cruzamento entre ciência e arte.
Em 2026, a imagem escolhida é um detalhe de uma das mais fotogênicas nebulosas difusas, a Nebulosa Trífida (M20). Localizada a aproximadamente 5000 anos luz na direção da constelação de Sagitário, a Trífida pode ser observada e fotografada com pequenos telescópios. O telescópio Hubble, no entanto, mergulha muito mais profundamente na nebulosa, revelando intrincados detalhes em um campo de apenas 2.7 minutos de arco (o equivalente a pouco menos de um décimo do diâmetro aparente da Lua Cheia). A figura abaixo compara a extensão do campo capturado pelo Hubble com uma visão mais familiar da nebulosa Trífida, capturada com telescópio inteligente Seestar S50 (Wandeclayt M./Projeto T05).

A imagem foi capturada utilizando a Wide Field Camera 3 (WFC3), um instrumento instalado em 2009, durante a quarta e última campanha de modernização do Hubble. Orbitando a Terra a 500 km de altitude, hoje, após o encerramento das atividades dos ônibus espaciais operados pela NASA, não há veículos com capacidade para transportar equipes para realização de novas manutenções no telescópio.
Como é usual em câmeras astronômicas de alto desempenho, a WFC3 é uma câmera monocromática, registrando apenas imagens em preto e branco. O processo para produzir imagens coloridas, como a imagem comemorativa nesta postagem, consiste em capturar separadamente as faixas do espectro luminoso e em seguida combiná-las em uma imagem colorida.
Como nasce uma imagem astronômica?
Bateu a curiosidade pra saber como nasceu essa imagem? Abaixo criamos uma composição usando três dos arquivos originais. Cada captura foi realizada utilizando um filtro que deixa passar apenas uma faixa muito estreita das frequências (ou comprimentos de onda) da luz emitida pela nebulosa. Embora as imagens resultantes sejam em preto e branco, podemos atribuir cores diferentes a cada captura e em seguida combiná-las numa única composição, obtendo uma imagem colorida.
Os filtros utilizados selecionam especificamente os comprimentos de onda emitidos pelo oxigênio ionizado (OII), hidrogênio (H alfa) e enxofre duplamente ionizado (SIII). Como usual, atribuímos os comprimentos de onda mais curtos à camada azul, os intermediários à camada verde e os mais longos, à vermelha. Isso causa um certo deslocamento nas cores originais, já que tanto o hidrogênio alfa (656 nm) e o SIII (673 nm) estão na parte do espectro que percebemos como vermelho, mas oferece a contrapartida de permitir separar mais claramente cada uma dessas emissões.

Se você quer também experimentar criar uma imagem a partir dos dados originais, o caminho para encontrar os dados é: https://archive.stsci.edu/proposal_search.php?mission=hst&id=18209
O software utilizado por nós é o SAO Image DS9, que pode ser baixado gratuitamente aqui para os principais sistemas operacionais atuais. Não deixe de conferir em nosso canal do youtube uma série de tutoriais sobre o uso do DS9 e a manipulação de imagens do Hubble:


Incrível!
Bela postagem! Vida longa ao Hubble! 👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾