
Em agosto, os portais de notícias não economizarão no entusiasmo para anunciar uma série de eventos no calendário astronômico, mas é bom conter as expectativas: muitos deles não sou observáveis do hemisfério sul e outros sequer são realmente eventos observáveis.
Um eclipse solar total no dia 12 de agosto está completamente fora do alcance dos olhares em solo brasileiro.
A chuva de meteoros Perseídeos, embora tenha uma previsão de atividade abaixo da média em 2026, é uma das chuvas mais prolíficas para o hemisfério norte. No entanto, seu radiante fica muito baixo para observação em latitudes ao sul do equador, ou seja: não espere um fluxo espetacular de meteoros observados do Brasil.
Mas feita essa advertência, vamos partir para o que realmente está no esperando no céu do mês! Tem eclipse lunar visível de todo o Brasil, belas conjunções e até a colisão de um foguete com a Lua!
Calendário Astronômico – AGOSTO/2026
Data e Hora | Evento 2026/08/02 08h | Mercúrio em máxima elongação oeste (19°) 2026/08/03 04h | Netuno 4,4° S da Lua 2026/08/06 02h | Quarto minguante 2026/08/07 14h | Urano 5,3° S da Lua 2026/08/08 23h | Lua na máxima declinação norte (28,1°) 2026/08/09 05h | Marte 4,4° S da Lua 2026/08/10 11h | Lua no perigeu 2026/08/10 22h | Pollux 3,6° N da Lua 2026/08/11 13h | Mercúrio 2,0° S da Lua 2026/08/12 00h | Júpiter 1,4° S da Lua 2026/08/12 17h | Lua nova (Eclipse) * 2026/08/13 --- | Pico de atividade dos Perseídeos *** 2026/08/13 10h | Regulus 0,5° N da Lua (Ocultação) ** 2026/08/15 05h | Vênus em máxima elongação leste (46°) 2026/08/15 10h | Mercúrio 0,5° N de Júpiter 2026/08/16 07h | Vênus 1,8° N da Lua 2026/08/17 10h | Spica 2,2° N da Lua 2026/08/20 02h | Quarto crescente 2026/08/21 04h | Antares 0,6° N da Lua (Ocultação)* 2026/08/22 08h | Lua no apogeu 2026/08/22 10h | Lua na máxima declinação sul (-28,1°) 2026/08/25 13h | Mercúrio 1,3° N de Regulus 2026/08/25 16h | Plutão 2,0° S da Lua 2026/08/27 17h | Mercúrio em conjunção superior 2026/08/28 04h | Lua cheia (Eclipse) 2026/08/30 09h | Netuno 4,3° S da Lua * Evento não visível do Brasil. ** Evento diurno. *** Observação desfavorável no hemisfério sul.
Destaques do Mês
A Lua
A Lua e o Sol protagonizam dois encontros durante o mês. O primeiro deles é um eclipse total visível do ártico e de parte da Península Ibérica, ou seja, nada observável do Brasil.
O segundo encontro sim precisa estar marcado em sua agenda: o eclipse lunar na noite de 27 para 28 de agosto poderá ser observado de todo o Brasil. Apesar de parcial, a fração da Lua que entrará na parte mais escura da sombra terrestre, a umbra, é de mais de 96%.
O máximo do eclipse ocorre pouco depois da primeira hora da madrugada no dia 28 de agosto. A entrada na fase parcial inicia pouco depois das 23:30h do dia 27. A tabela abaixo traz os principais instantes do eclipse, tudo no horário de Brasília.
| Lua entra na penumbra (inicio da fase penumbral) | 22:23h |
| Lua entra na umbra (inicio da fase parcial) | 23:33h |
| Máximo do eclipse | 01:12h |
| Lua sai da umbra (fim da fase parcial) | 02:52h |
| Lua sai da penumbra (fim da fase penumbral) | 04:02h |

Planetas
Não há nenhum agrupamento incomum de planetas em agosto. Apesar disso, já vimos postagens alardeando um desfile de 6 planetas agrupados durante o mês. Aparentemente postar isso virou garantia de cliques e engajamento para produtores conteúdo não especializados em astronomia.
De qualquer forma, é bom lembrar que apenas 5 planetas são visíveis a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.
Destes 5 planetas, Júpiter está numa posição especialmente desfavorável para observação durante agosto, inconvenientemente muito próximo do Sol ao amanhecer. Isso reduz o cardápio de planetas observáveis a olho nu para 4 durante a maior parte do mês.
A responsabilidade de embelezar o céu vepertino acaba ficando inteiramente a cargo de Vênus, brilhante intensamente no anoitecer e podendo inclusive ser vista A OLHO NU durante o dia, se você olhar na direção correta. Atingindo no dia 15 a máxima elongação a leste, a posição em que vemos Vênus mais afastado do Sol no céu do anoitecer, seu brilho, durante todo o mês, é tão intenso que, mesmo com plena luz do dia, é possível perceber um ponto brilhante no céu azul! Se você aceitar o desafio de procurar o brilhante Vênus durante o dia, a Lua pode dar uma ajudinha nos dias 15 e 16 e servir de referência. Nas imagens abaixo, a linha vertical verde é o meridiano locale a linha alaranjada é a eclíptica. As imagens foram geradas no planetário digital Stellarium, para as coordenadas de São José dos Campos.


Perseídeos
Esta é provavelmente a mais famosa chuva de meteoros. Ocasionalmente atingindo taxas de 100 meteoros por hora, tem espaço garantido nas manchetes da imprensa tradicional ou nas postagens de influenciadores de mídias digitais. Mas a verdade é que todo esse destaque vem de uma tradução quase que automática das publicações do hemisfério norte.
Com um radiante posicionado muito ao norte para a maior parte do território brasileiro, a taxa de metoros observada por hora é severamente reduzida para observadores mais ao sul do equador. Na latitude de São José dos Campos (~23ºS), o radiante em seu ponto mais alto, não excede os 10º de elevação.
Ainda assim, fica a dica para observação de qualquer chuva de meteoros: nenhum instrumento é necessário. Basta uma acomodação confortável, alguma proteção para o frio da madrugada e a persistência de manter os olhos no céu. Não há posição provilegiada. Não é preciso olhar para o radiante. Escolha uma região do céu, recline-se e comece a contar os meteoros! Procure identificar as trajetórias, as cores, o tamanho e a persistência dos rastros. Seguindo o caminho inverso das trajetórias, você deverá chegar ao radiante. Se por um acaso o meteoro observado veio de outra direção, você observou um meteoro esporádico e não um componente da chuva.
E se você fez um registro sistemático, pode submeter suas observações à International Meteor Organization!

Mapa do Mês – Agosto de 2026
Para identificar os planetas no céu durante o mês, use o mapa abaixo.

Todos os textos neste portal são escritos por humanos, sem uso de inteligência artificial generativa. As efemérides são construídas utilizando os software Occult V4.0, Stellarium e o pacote Astroquery em um notebook Python.
Se você encontrou algo errado ou inconsistente, a falha é, com muito orgulho, inteiramente humana.



































