








Astronomia sem limites









O cometa C/2025 A6 (Lemmon) chega aos céus do hemisfério sul, mas é bom conter as expectativas. O Céu de novembro também tem super Lua, mas vamos revelar um grande segredo sobre isso: ao telescópio, toda Lua é super. Saturno decora o céu durante a noite e a constelação de Órion abre caminho para a chegada do verão. Nos acompanhe para não perder as atrações do céu de novembro!

A chuva de meteoros Orionídeos também chega em boa hora, culminando próximo à Lua nova, promete recompensar quem decidir atravessar a madrugada de 22 de outubro sob o céu estrelado!
Acompanhe esses e outros destaques em nosso calendário astronômico de Novembro.
Data e Hora | Evento 2025/11/02 04h | Vênus 3.5°N de Spica 2025/11/02 05h | Saturno 3.2°S da Lua 2025/11/02 12h | Netuno 2.5°S da Lua 2025/11/05 10h | Lua Cheia 2025/11/05 20h | Lua no perigeu 2025/11/06 12h | Urano 5.0°S da Lua 2025/11/08 08h | Lua mais ao norte (28.4°) 2025/11/09 16h | Mercúrio estacionário 2025/11/10 03h | Pollux 2.7°N da Lua 2025/11/10 06h | Júpiter 3.8°S da Lua 2025/11/11 16h | Júpiter estacionário 2025/11/12 02h | Quarto Minguante 2025/11/12 19h | Mercúrio 1.2°S de Marte 2025/11/12 21h | Regulus 0.9°S da Lua 2025/11/17 07h | Spica 1.0°N da Lua 2025/11/18 09h | Marte 4.0°N de Antares 2025/11/19 01h | Vênus 5.4°N da Lua 2025/11/20 00h | Lua no apogeu 2025/11/20 03h | Lua Nova 2025/11/20 04h | Mercúrio 5.3°N da Lua 2025/11/20 06h | Mercúrio em conjunção inferior 2025/11/21 03h | Antares 0.4°N da Lua 2025/11/21 08h | Marte 4.4°N da Lua 2025/11/21 09h | Urano em oposição 2025/11/22 14h | Lua mais ao sul (-28.3°) 2025/11/24 23h | Mercúrio 1.0°N de Vênus 2025/11/25 10h | Plutão 0.4°S da Lua 2025/11/28 03h | Quarto Crescente 2025/11/28 21h | Saturno estacionário 2025/11/29 13h | Saturno 3.3°S da Lua 2025/11/29 15h | Mercúrio estacionário 2025/11/29 21h | Netuno 2.7°S da Lua
A Lua Cheia do dia 5 de novembro ocorre durante a passagem da Lua pelo ponto mais próximo da Terra em sua órbita. O efeito mais perceptível disso não é exatamente nas observações do nosso satélite, mas na avalanche de manchetes nos portais de notícias e nas redes sociais anunciando uma Super Lua que nem é tão super assim.
Mas aqui está o grande segredo que qualquer astrônomo amador conhece com muita propriedade: não importa a fase ou a distância, vista através do telescópio, toda Lua é SUPER.
A olho nu, a Lua Cheia de perigeu (é um jeito um pouco mais técnico de dizer “super Lua”) aparece 12% maior e 0,24 magnitudes mais brilhante que uma Lua Cheia no ponto mais distante da órbita (a Lua Cheia de apogeu). Isso significa que se ninguém te contar, dificilmente alguma diferença vai ser percebida.
Por outro lado, não negligencie as outras fases da Lua ou a sua observação quando ela estiver mais distante. Ao telescópio, há sempre uma bela visão da Lua nos esperando. Inclusive nos dias imediatamente antes e depois da Lua Nova, quando nosso satélite é apenas um fino arco prateado no crepúsculo ao amanhecer (antes da Lua Nova) ou ao anoitecer (depois da Lua Nova).
O cometa C/2025 R2 (SWAN) afasta-se do centro do Sistema Solar, mas ainda é um alvo para telescópios em novembro. No entanto, os olhares se voltam em busca de outro cometa: o C/2025 A6 (Lemmon). A expectativa é de que este seja o cometa mais brilhante da estação, mas observadores mais ao sul estão em posição desfavorável para encontrá-lo no céu.

Como o hemisfério norte está favorecido para a observação, é de se esperar que os portais de notícia e influenciadores sociais com menos intimidade com a observação do céu sigam replicando a euforia dos observadores do norte, mas recomendamos alimentar pouco as expectativas. Com o cometa baixo no céu após o pôr do Sol, mesmo que ele torne-se muito brilhante, a experiência dos observadores ao sul do equador fica prejudicada pelo brilho do crepúsculo.
Planetas
Os anéis de Saturno, apesar de extensos, são estruturas delgadas, com apenas algumas dezenas de metros de espessura. É por isso que durante os equinócios de Saturno, quando a Terra cruza o plano dos anéis, eles se tornam virtualmente invisíveis.

Aproveite o mês de novembro para apreciar essa incomum visão de um Saturno sem anéis, antes que passemos a ver o majestoso planeta mais uma vez ostentando sua marca registrada.



O destaque do céu de Outubro é o cometa C/2025 R2 (SWAN). Apesar de não atingir brilho suficiente para ser visto a olho nu, sua posição favorece a observação com binóculos e telescópios a partir do hemisfério sul.

A chuva de meteoros Orionídeos também chega em boa hora, culminando próximo à Lua nova, promete recompensar quem decidir atravessar a madrugada de 22 de outubro sob o céu estrelado!
Acompanhe esses e outros destaques em nosso calendário astronômico de outubro.
Eventos Astronômicos de Outubro Data e Hora | Evento 2025/10/01 19h | Plutão 0.0°N da Lua (Ocultação) 2025/10/02 19h | Mercúrio 1.7°N de Spica 2025/10/05 21h | Saturno 3.3°S da Lua 2025/10/06 02h | Netuno 2.5°S da Lua 2025/10/07 00h | Lua Cheia 2025/10/08 10h | Lua no perigeu 2025/10/10 03h | Urano 5.1°S da Lua 2025/10/12 00h | Lua mais ao norte (28.5°) 2025/10/13 15h | Quarto Minguante 2025/10/13 20h | Júpiter 4.2°S da Lua 2025/10/13 20h | Pollux 2.5°N da Lua 2025/10/14 04h | Plutão estacionário 2025/10/16 15h | Regulus 1.1°S da Lua 2025/10/19 15h | Vênus 3.2°N da Lua 2025/10/20 04h | Mercúrio 2.0°S de Marte 2025/10/21 01h | Spica 1.0°N da Lua 2025/10/21 09h | Lua Nova 2025/10/21-22 | Pico dos Orionídeos (ZHR=20) 2025/10/23 07h | Marte 4.3°N da Lua 2025/10/23 11h | Mercúrio 2.1°N da Lua 2025/10/23 20h | Lua no apogeu 2025/10/24 21h | Antares 0.5°N da Lua 2025/10/26 09h | Lua mais ao sul (-28.5°) 2025/10/29 03h | Plutão 0.1°S da Lua 2025/10/29 13h | Quarto Crescente 2025/10/29 16h | Mercúrio em maior elongação a leste (24°)
O cometa C/2025 R2 (SWAN) atinge seu brilho máximo entre os dias 19 e 23 de outubro, quando passará pelo ponto mais próximo da Terra em sua órbita, a uma distância mínima de 39 milhões de km. Embora não seja possível observá-lo a olho nu, pequenos telescópios e binóculos podem ser usados para perceber seu aspecto esfumaçado e levemente esverdeado. Como em toda observação de objetos de pouco brilho, tente usar sua visão periférica, olhando com o canto do olho para perceber com mais facilidade o fraco brilho do cometa.

Na madrugada de 21 para 22 ocorre o pico de uma excelente chuva de meteoros. Ao contrário dos Perseídeos em agosto, que favorecem os observadores no hemisfério norte, os Orionídeos parecem irradiar de um ponto na constelação de Órion, alto o suficiente no céu do hemisfério sul para que todo o Brasil possa observar. Outro aspecto positivo nos Orionídeos de 2025 é a ocorrência de seu pico durante a Lua nova, garantindo que a luz de nosso satélite natural não vai interferir na experiência de quem conseguir madrugar para observar o pico desta chuva. A atividade esperada é de 20 meteoros por hora, nas condições mais favoráveis. Condições mais favoráveis neste caso significa céu escuro, vista adaptada (ou seja, nada de olhar pra tela de celular ou qualquer luz branca) e com o radiante no alto do céu. O radiante é um ponto na constelação de Órion (por isso esses meteoros se chamam Orionídeos) e quanto mais alto, mais meteoros veremos acima do horizonte.


Mais do que uma conjunção, teremos um verdadeiro congestionamento de cometas no céu no dia 20 de setembro! E vai ser lindo!

O recém descoberto cometa C/2025 R2 (SWAN), fotografado de São José dos Campos na noite de 16 de setembro na região da estrela Spica. Créditos: Wandeclayt M./@ceuprofundo
Mas o cardápio é ainda mais completo! Além de dois cometas, em um campo com menos de 3º teremos também o planeta Marte. Isso equivale a uma largura aparente no céu de aproximadamente 6 vezes o diâmetro da Lua Cheia

Mas infelizmente a beleza desse encontro não pode ser vista tão facilmente. Mesmo com a evolução do brilho dos cometas pelos próximos dias, observadores sob céus urbanos terão dificuldade até para observar a conjunção através de binóculos. O recurso ideal para o evento é a fotografia, com objetivas abertas o suficiente para cobrir o campo de 3º que emoldurará a conjunção!

Para observar, ou registrar, olhe para o poente, assim que a noite cair no dia 20 de setembro. A estrela mais brilhante, imediatamente acima do horizonte, é Spica, a alfa da constelação de Virgem. Um pouco mais alto no céu, você encontrará o planeta Marte. E mesmo que você não os veja, aponte sua câmera e experimente diferentes tempos de exposição. Você eventualmente encontrará dois pontos borrados que claramente não terão o aspecto de estrelas. Você também provavelmente vai perceber uma tonalidade azul esverdeada nesses pequenos borrões! É isso! Você encontrou os cometas C/2025 K1 (ATLAS) e C/2025 R2 (SWAN).
E se os novos cometas ainda não aparecem em seu Stellarium, siga este nosso guia para incluí-los na base de dados do aplicativo: https://ceuprofundo.com/2023/09/19/o-cometa-da-estacao-adicione-o-cometa-nishimura-ao-stellarium/

As férias acabaram, mas temos certeza que você você aproveitou nossas dicas para observar todas as belezas do calendário astronômico de julho! E o céu de agosto segue apresentando um cardápio riquíssimo de formosuras celestes observáveis a olho nu e com pequenos telescópios.
Agosto também é o mês do injustificável sensacionalismo em torno da chuva de meteoros Perseídeos. Apesar de ser uma chuva de destaque para observadores no hemisfério norte, ocorrendo durando o verão daquele hemisfério e com um radiante que favorece observadores em latitudes da Europa e da América do Norte, aqui no hemisfério sul este é um evento pouco promissor e há outras chuvas muito mais prolíficas durante o ano (spoiler: em dezembro os Geminídeos não costumam decepcionar).
CALENDÁRIO ASTRONÔMICO - AGOSTO 2025 Data e Hora | Evento 2025/08/01 09h | Quarto Crescente 2025/08/01 11h | X e V Lunares visíveis 2025/08/01 17h | Lua no apogeu 2025/08/04 01h | Antares 0.5°N da Lua 2025/08/05 10h | Lua mais ao sul (-28.5) 2025/08/08 02h | Plutão 0.0°N da Lua 2025/08/09 04h | Lua Cheia 2025/08/10 13h | Mercúrio estacionário 2025/08/12 02h | Vênus 0.9°S de Júpiter 2025/08/12 09h | Saturno 3.6°S da Lua 2025/08/12 10h | Netuno 2.5°S da Lua 2025/08/12-13 | Pico de Atividade dos Perseídeos 2025/08/14 15h | Lua no perigeu 2025/08/16 02h | Quarto Minguante 2025/08/16 15h | Urano 5.2°S da Lua 2025/08/18 12h | Lua mais ao norte (28.6) 2025/08/19 07h | Mercúrio em maior elongação a oeste (18) 2025/08/19 19h | Júpiter 4.7°S da Lua 2025/08/20 08h | Pollux 2.4°N da Lua 2025/08/20 09h | Vênus 4.7°S da Lua 2025/08/21 15h | Mercúrio 3.5°S da Lua 2025/08/23 02h | Regulus 1.2°S da Lua 2025/08/23 03h | Lua Nova 2025/08/26 11h | Marte 2.5°N da Lua 2025/08/27 10h | Spica 1.0°N da Lua 2025/08/29 11h | Lua no apogeu 2025/08/31 03h | Quarto Crescente 2025/08/31 07h | Antares 0.6°N da Lua
Um conjunção dupla decora o céu no fim da madrugada de 12 de agosto. Júpiter e Vênus se emparelham ao nascer do Sol enquanto a Lua passa ao lado de Saturno. Na mesma madrugada, em localidades mais escuras, são grandes as possibilidade de presenciar alguns dos meteoros da chuva Perseídeos, um dia antes do pico de atividade da chuva.

Chuvas de meteoros ocorrem quando a Terra cruza regiões de sua órbita ricas em detritos. Esses detritos entram na atmosfera sofrendo atrito e se tornando incandescentes, assumindo um aspecto muito parecido com o das estrelas, por isso são também chamados de “estrelas cadentes“. Os detritos que geram a chuva de meteoros Perseídeos são associados ao cometa 109P/Swift-Tuttle e todos os anos, por volta do dia 12 de agosto a Terra cruza essa área, proporcionando um espetáculo para observadores atentos.
Veja bem, os Perseídeos são mesmo uma chuva de meteoros bastante produtiva. Mas tem um “depende” aí. Primeiro é preciso lembrar que a condição ideal para observar uma chuva de meteoros é ter o radiante no ponto mais alto do céu, em um local escuro e sem interferência da Lua.
O radiante é o ponto de onde os meteoros parecem se originar e isso varia para cada chuva de meteoros. No caso dos Perseídeos, esse ponto se localiza na direção da constelação de Perseu. E essa é uma constelação localizada muito ao norte… ou seja, o radiante não ficará alto no céu para quem mora no hemisfério sul. Isso nos coloca numa condição bem desfavorável para observá-los.
Outro ponto importante é estar em um local afastado da poluição luminosa. Ao tentar observar meteoros numa área urbana, veremos apenas os objetos mais brilhantes. Não espere ter a sensação de estar vendo realmente uma “chuva” com dezenas de meteoros por hora se você estiver em uma região iluminada.
Por último, além da interferência da poluição luminosa temos a interferência do brilho da Lua. E em 2025, a Lua vai estar a poucos dias da Lua Cheia e vai interferir bastante!!
Em resumo, todo o alarde que você vai ver na imprensa provavelmente tem origem na tradução de matérias publicadas por veículos do hemisfério norte e fazem pouco sentido pra quem está aqui no sul.
O desafio mensal de observar o X e o V lunares ganham um obstáculo a mais na Lua Crescente de primeiro de agosto: essas peculiares formações estarão visíveis no início da tarde, com o céu ainda claro.

Em agosto, o X e o V lunares estarão visíveis na tarde de 1/8. O melhor horário para visualização é entre as 13h e as 15h.
Em agosto conseguimos repetir o cardápio do calendário de julho, com alguns dos mais fascinantes objetos de céu profundo, mas temos algumas sugestões para seu banquete astronômico telescópico. O centro da Via Láctea continua visível durante toda a noite e é em torno dessa região que encontramos algumas de nossas sugestões: a Nebulosa da Lagoa (M8) e a nebulosa da Águia (M16).


Visível a olho nu na direção da constelação de Sagitário, a nebulosa M8 é um alvo fácil para binóculos e pequenos telescópios em regiões afastadas da poluição luminosa. Embora esteja cercada por outros objetos de aspecto nebuloso, M8 se destaca por seu brilho e você não terá dificuldade de localizá-la com binóculos.
Não muito distante de M8, a Nebulosa da Águia (M16) é famosa por uma das mais célebres imagens do telescópio Hubble: os Pilares da Criação. Os Pilares são apenas um recorte da região central da nebulosa, no pequeno campo coberto pelo Hubble. Numa visão mais aberta, em telescópios de maior campo, é possível ver toda a extensão da nebulosa, como na imagem acima.
Localize no mapa abaixo cada um dos objetos que indicamos.

Clique no mapa para expandir. O mapa traz uma projeção retangular do céu, com o equador celeste posicionado horizontalmente no centro do gráfico. Imagine o céu como um cilindro envolvendo a Terra. O mapa apresenta esse cilindro “desenrolado”.
Os planetas e o Sol estão representados como setas, indicando seu movimento ao longo do mês em relação às estrelas ao fundo.


O Minor Planet Center (MPC), da União Astronômica Internacional (IAU), emitiu em circular a confirmação do objeto A11pl3Z como um visitante interestelar, conferindo a nomenclatura definitiva 3I/ATLAS. O objeto, no entanto, exibe características cometárias, o que lhe confere um segunda designação: C/2025 N1 (ATLAS), seguindo a regra para nomenclatura de cometas.
O diagrama abaixo mostra a trajetória e a posição atual do 3I/ATLAS, baseadas nos dados disponíveis até 2 de julho. O objeto se aproxima rapidamente, a uma velocidade de mais de 60 km/s e atingirá sua menor distância ao Sol em 29 de outubro, numa posição entre as órbitas de Marte e da Terra.

Desnecessário dizer que o entusiasmo entre toda a comunidade de observadores é grande neste momento. E não ficamos de fora dessa euforia. A meteorologia estava desfavorável na noite de 2 de julho em São José dos Campos, mas sempre há a alternativa do uso de telescópios robóticos em sítios mais favorecidos.
Através da plataforma iTelescope, acessamos um telescópio instalado no Chile para programar uma sequência de tomada de imagens da região onde as efemérides previam a passagem do 3I/ATLAS.
A uma distância de aproximadamente 5 unidades astronômicas (1 unidade astronômica equivale à distância média entre a Terra e o Sol, ou aproximadamente 150 milhões de km) e medindo algo em torno de 20 km, a tarefa é desafiadora. Além disso, estaríamos observando uma área do céu repleta de estrelas, na direção da região mais central da Via Láctea, em busca de um objeto de brilho muito tênue ( magnitude 18). É algo um pouco mais complicado que encontrar uma agulha num palheiro (se quer mesmo achar uma agulha num palheiro, fica a dica: use um ímã).
E lá fomos nós, operando remotamente o telescópio T75, com 250 mm de abertura instalado em Rio Hurtado, no Chile, em busca do terceiro objeto conhecido com origem fora do nosso Sistema Solar.
Programamos 5 exposições sucessivas de 180 segundos e o resultado foi um conjunto de imagens com este aspecto:

No meio desse palheiro, e sem um ímã, a melhor maneira de encontrar nossa agulha é criar uma animação entre os frames, na esperança de detectar um ponto se deslocando no campo.
Com um deslocamento no céu de aproximadamente 1,3″ por minuto, seria possível, no intervalo entre as exposições, detectar o cometa como um ponto móvel.
E lá estava ele! O tímido 3I/ATLAS passeando em frente as estrelas da região central da Via Láctea.

Com magnitude em torno de 18, esse é um alvo proibitivo para a observação visual em telescópios mais modestos, mas é possível capturá-lo com câmeras CCD.
Se você também quer se aventurar imageando este célebre visitante, o primeiro passo é encontrar sua posição no céu.
As coordenadas do objeto podem ser acessadas através do sistema JPL Horizons. Além das coordenadas celestes (Ascenção Reta e Declinação) o sistema informa parâmetros como distância, taxa de deslocamento (em segundos de arco por minuto) e magnitude estimada. Durante a primeira metade do mês de julho, transitando pelas constelações de Sagitário e Ofiúco, há uma dificuldade a mais, proporcionada pelo excesso de estrelas de nossa galáxia visível nessa região do céu. A maioria, mais brilhantes que o próprio cometa.
Mas não se intimide! Saia à caça desse visitante antes que ele acelere em seu passeio pelo Sistema Solar e nos deixe para nunca mais voltar!
Pela terceira vez na história, um objeto passando pelo Sistema Solar pode ter origem em outro sistema planetário. O objeto batizado provisoriamente como A11pl3Z é o mais recente candidato ao carimbo de rocha interestelar no passaporte.
Antes de tudo: não há qualquer risco de colisão desse objeto com a Terra! Os dados preliminares mostram sua trajetória cruzando a órbita de Marte, mas também sem se aproximar do Planeta Vermelho.

O objeto foi descoberto em observações realizadas por um telescópio da rede ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) a partir do Chile, com magnitude aparente 18 e localizado a 4 unidades astronômicas da Terra (1 unidade astronômica é uma medida de distância equivalente à distância média da Terra ao Sol, ou aproximadamente 150 milhões de km).
Os telescópios da rede ATLAS enxergam uma grande área do céu, um campo total de 7,5°, ou o equivalente a 15 vezes o diâmetro da Lua Cheia. Isso permite uma grande cobertura do céu em sucessivas varreduras em busca de asteroides.
Em seguida aos alertas de novas detecções, outros telescópios confirmam a presença dos objetos e produzem novos dados de posição, alimentando os programas para determinação de órbitas.
A rede Deep Random Survey foi uma das que colaborou com a produção de dados de posição do A11pl3Z.

Novas observações são necessárias e a astronomia amadora pode contribuir com dados de posição e brilho, ajudando a conhecer com mais precisão a órbita do A11pl3Z. Efemérides para observação do objeto podem ser geradas pelo Center for Near Earth Objects Studies (CNEOS) do Jet Propulsion Laboratory (JPL).
Dados recuperados de observações de arquivo permitiram localizar o A11pl3Z em imagens capturadas anteriormente, ajudando a refinar os parâmetros orbitais iniciais. Com os dados disponíveis na manhã de 2 de julho, é possível determinar que a máxima aproximação do objeto ao Sol ocorrerá em outubro, passando a uma distância 36% maior que a distância média da Terra ao Sol. Infelizmente, a Terra e o A11pl3Z estarão em posições diametralmente opostas, dificultando a observação do objeto durante o periélio.
Anteriormente, os objetos 1I/Oumuamua e 2I/Borisov também tiveram suas trajetórias traçadas com origem no espaço interestelar. Este é também um campo onde o Observatório Vera Rubin poderá contribuir aumentando o censo de objetos detectados. Sua câmera de 3200 Megapixels, durante uma primeira rodada de demonstração, descobriu impressionantes 2104 asteróides, mostrando seu potencial como um rastreador de objetos do Sistema Solar. Na imagem abaixo, um pequeno recorte de uma das primeiras imagens publicadas pelo Observatório Rubin, cada traço colorido é um asteróide detectado.

Elementos Orbitais (provisórios): A11pl3Z
Perihelion 2025 Oct 29.66294 +/- 0.219 TT = 15:54:38 (JD 2460978.16294)
Epoch 2025 Jul 2.0 TT = JDT 2460858.5 Earth MOID: 0.3557 Ju: 0.2478
q 1.34709127 +/- 0.0135 Ma: 0.0199 Sa: 0.4081 AutoNEOCP
H 11.92 G 0.15 Peri. 128.10518 +/- 0.14
z -3.7599875674 +/- 0.0381 Node 322.07493 +/- 0.10
e 6.0650464 +/- 0.102 Incl. 175.10957 +/- 0.0045
106 of 108 observations 2025 June 14-July 2; mean residual 0".38
Com um intervalo de menos de um mês, duas estrelas do hemisfério sul celeste resolveram dar um show pirotécnico ao alcance de pequenos telescópios e binóculos! Faltou só mais uma erupção para o time das variáveis cataclísmicas poder pedir música no Fantástico.
As erupções detectadas foram do tipo nova, nas constelações do Lobo e da Vela e ambas estão ao alcance de pequenos telescópios e binóculos e são facilmente fotografáveis com câmeras DSLR.
As novas fazem parte de uma classe de estrelas variáveis conhecidas como cataclísmicas.
Pra saber mais sobre o que gera essas erupções das novas, conversamos com um especialista em variáveis cataclísmicas, o astrofísico Alexandre Oliveira, pesquisador e professor no Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento na UNIVAP, que nos contou:
“Uma nova ocorre em sistemas binários compostos por uma estrela compacta, uma anã branca, e uma companheira, que é uma estrela comum. E elas estão tão próximas entre si que há transferência de massa da companheira para a anã branca. Quando essa massa que vai se acumulando na anã branca atinge certas condições de temperatura e pressão, ela é lançada para o espaço na forma de uma erupção, que aumenta drasticamente o brilho do sistema.“
A primeira erupção foi detectada na constelação de Lobo (Lupus), no dia 12 de junho, pela rede de telescópios All Sky Automated Survey for SuperNovae (ASAS-SN) enquanto seu brilho ainda crescia (mag g=8,7). O objeto foi anunciado como uma nova galáctica clássica no Astronomer’s Telegram ATel #17228.
A nova, que também tem as designações V462 Lupi e Nova Lupi 2025, atingiu um brilho no limite da visibilidade a olho nu em locais menos afetados pela poluição luminosa, mas idealmente utilize binóculos e pequenos telescópios para encontrá-la em meio ao rico campo galáctico na constelação do Lobo.
O diagrama abaixo mostra um campo com 2° de largura (o equivalente a 4 Luas Cheias), com o norte para cima e o leste à esquerda, coincidindo com a orientação do campo de binóculos.

Ao telescópio, a Nova Lupi 2025 é um alvo fácil. A imagem abaixo foi capturada com um telescópio inteligente Seestar S50, na noite de 26 de junho. A Nova é o objeto mais brilhante no campo de aproximadamente 1° de largura.

Mas uma erupção de nova não foi suficiente e teve dobradinha no mês de junho! A nova brilhante V572 Velorum foi descoberta simultaneamente por dois observadores na Austrália, utilizando câmeras do tipo DSLR no dia 25 de junho, com magnitude visual estimada pelos descobridores entre 5,6 e 5,7. No dia 26 de junho, K. Youshimoto, no japão reportou magnitude 4,9 em observações com CCD, bem dentro do limite de visibilidade a olho nu! [ ATel #17254].
Abaixo vemos a posição da V572 Vel num chart da AAVSO e em seguida em uma simulação do Stellarium.


A imagem abaixo foi capturada através de um telescópio Seestar S50. A Nova V572 Vel é o objeto mais brilhante no campo.


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As belezas do céu não tiram férias em julho!
O mês traz um rara conjunção entre planetas gigantes, observável em binóculos e pequenos telescópios. Para os amantes dos objetos de céu profundo, a região do centro da Via Láctea permanece visível durante toda a noite, exibindo as coloridas joias que ornam o céu de inverno!
Data e Hora | Evento 2025/07/02 19h | Quarto Crescente 2025/07/02 22h | X e V Lunar visíveis 2025/07/03 21h | Spica 0.7°N da Lua 2025/07/03 23h | Terra no afélio 2025/07/04 02h | Mercúrio em maior elongação a leste (26°) 2025/07/04 12h | Vênus 2.4°S de Urano 2025/07/05 02h | Lua no apogeu 2025/07/05 14h | Netuno estacionário 2025/07/07 18h | Antares 0.4°N da Lua 2025/07/09 05h | Lua mais ao sul (-28.4°) 2025/07/10 20h | Lua Cheia 2025/07/11 22h | Plutão 0.0°N da Lua 2025/07/13 18h | Vênus 3.2°N de Aldebaran 2025/07/14 08h | Saturno estacionário 2025/07/16 07h | Saturno 3.4°S da Lua 2025/07/16 08h | Netuno 2.4°S da Lua 2025/07/17 07h | Mercúrio estacionário 2025/07/18 00h | Quarto Minguante 2025/07/20 11h | Urano 5.0°S da Lua 2025/07/20 13h | Lua no perigeu 2025/07/22 09h | Lua mais ao norte (28.5°) 2025/07/23 04h | Júpiter 4.9°S da Lua 2025/07/24 04h | Pollux 2.5°N da Lua 2025/07/24 19h | Lua Nova 2025/07/25 06h | Plutão em oposição 2025/07/26 21h | Regulus 1.2°S da Lua 2025/07/28 18h | Marte 1.1°N da Lua 2025/07/31 05h | Spica 0.9°N da Lua 2025/07/31 23h | Mercúrio em conjunção inferior
Um desafio mensal para os observadores da Lua é o registro de duas curiosas formações, visíveis somente durante algumas horas nas proximidades do início da fase crescente.
O X e o V lunares são uma peculiar combinação de luzes e sombras produzidas pelo relevo lunar quando a luz do Sol incide sobre elas no ângulo correto. É possível observar e registrar esses marcos no relevo com pequenos telescópios, mas é preciso estar atento ao horário da observação.

Em julho, o X e o V lunares estarão visíveis na noite de 2/7. O melhor horário para visualização é entre as 22h e a meia-noite.
Saturno protagoniza ao lado de Netuno um dueto raro durante todo o mês de julho. Utilizando binóculos ou um pequeno telescópio com baixo aumento, será possível observar ambos os planetas simultaneamente.
Os planetas exteriores movem-se lentamente em suas órbitas pelo Sistema Solar. Saturno completa uma volta aproximadamente a cada 30 anos. Netuno, ainda mais distante do Sol, tem um período orbital de longos 163 anos. Mas atenção, coloque na agenda!! Com esse lento movimento, o próximo alinhamento entre Saturno e Netuno ocorrerá apenas em 2061! Mas não adianta deixar pra observar em 2061. Apesar do encontro ser ainda mais cerrado, com os planetas a uma distância aparente de apenas 7 minutos de arco (isso equivale a um quarto do diâmetro aparente da Lua Cheia), ele ocorre ao amanhecer com o céu já claro.

Este o tipo de evento ideal para observação com binóculos, instrumentos que apresentam um grande e luminoso campo de visão. Ao observar com telescópio, lembre que o afastamento entre Saturno e Netuno será de aproximadamente 1°, o equivalente a duas vezes o diâmetro da Lua. Por isso, é preciso usar ampliações fracas. Use sua ocular mais longa nessa observação. O campo que simulamos aqui é de um pequeno telescópio de 80 mm de abertura e 400 mm de distância focal, com ocular de 26 mm. Abaixo, compare a aparência do campo observando a Lua e a conjunção.


Mercúrio recebe seu nome do veloz deus romano, mensageiro dos deuses do Olimpo. E a velocidade de Mercúrio estará evidente no mês de julho. No dia 4 de julho, o pequeno planeta estará em condições ideais para observação, atingindo sua máxima elongação a leste. Neste ponto, o planeta estará em seu máximo afastamento do Sol ao anoitecer. Ainda assim, ele não é um alvo tão fácil. É preciso ter um horizonte desobstruído para observá-lo sobre o horizonte oeste após o pôr do Sol.
Mas logo após a elongação, Mercúrio volta a mergulhar em direção ao poente e voltará a se alinhar com o Sol, na configuração que chamamos de conjunção inferior (quando mercúrio se posiciona entre a Terra e o Sol) no dia 31.
Se a meteorologia ajudar, seu telescópio também pode não tirar férias em julho. E tem objeto pra todo gosto e todo tamanho de telescópio.
O mapa abaixo mostra a região das constelações do Escorpião e de Sagitário. Esse é um verdadeiro parque de diversões para pequenos telescópios e binóculos. Vamos levar você agora por um pequeno tour por 6 objetos do catálogo Messier, passando por aglomerados estelares abertos, aglomerados globulares e nebulosas!

A primeira dica é um par de aglomerados estelares abertos, facilmente localizáveis, na direção da cauda da constelação do escorpião. Os objetos M6 e M7, também conhecidos por seus apelidos Aglomerado da Borboleta e Aglomerado de Ptolomeu são um baú do tesouro de estrelas coloridas. As imagens abaixo foram capturadas com um telescópio inteligente Seestar S50 e são muito similares ao que se pode ver através da ocular de um pequeno telescópio:


Aglomerados abertos são compostos por estrelas jovens, somando de algumas dezenas até poucas centenas de estrelas. Mas há aglomerados muito mais ricos: os aglomerados globulares! Esses são verdadeiros fósseis de uma época em que a matéria prima para formar estrelas era muito mais abundante em nossa galáxia. Aglomerados globulares podem chegar a agregar mais de um milhão de estrelas, todas ligadas gravitacionalmente entre si. Na constelação do escorpião você pode encontrar facilmente os aglomerados M4 e M80. Os aglomerados globulares parecem pequenos amontoados de sal sobre um pano preto, se seu telescópio tiver abertura suficiente para resolver individualmente as estrelas. Em instrumentos menores, eles se parecem com pequenos borrões desfocados.


E por fim, vem o desafio maior! As nebulosas na direção de Escorpião e Sagitário são belíssimas, mas também são as mais vulneráveis ao terror da poluição luminosa. Observadores em centros urbanos terão dificuldade para resolver essas pequenas manchinhas na ocular dos seus telescópios em meio ao excesso de luz lançado ao céu. Outro lembrete é que mesmo em condições ideais, esses objetos não emitem luz suficiente para que possamos perceber cor ao observá-los. É sempre possível fazer imagens que registrem suas nuances de cor, mas com o olho na ocular, não passarão de nuvenzinhas acinzentadas difusas (mas ainda assim fascinantes).

Clique no mapa para expandir. O mapa traz uma projeção retangular do céu, com o equador celeste posicionado horizontalmente no centro do gráfico. Imagine o céu como um cilindro envolvendo a Terra. O mapa apresenta esse cilindro “desenrolado”.
Os planetas e o Sol estão representados como setas, indicando seu movimento ao longo do mês em relação às estrelas ao fundo.

Às 23:42 h do dia 20 de junho de 2025, o inverno astronômico iniciou para os habitantes do hemisfério sul. No hemisfério norte, era o início do verão.
Mas como determinamos com precisão de minutos quando cada estação inicia? E que evento astronômico determina o início das estações?
As 24h que correspondem ao dia civil são determinados por um fenômeno astronômico: as passagens sucessivas do Sol pelo meridiano local. Traduzindo: se você cronometrar a passagem do Sol pelo ponto mais alto de sua trajetória diurna entre dois dias sucessivos, durante todo o ano, vai encontrar um período médio de 24h.
A duração do ano civil e o início das estações do ano também se baseiam em fenômenos astronômicos. E esses fenômenos estão ilustrados na série de imagens abaixo!
Além da beleza do pôr do Sol, as imagens revelam que ao longo do ano o Sol não se põe sempre no mesmo ponto.

O Sol realiza esse movimento oscilatório, nascendo (e se pondo) cada dia em um ponto diferente, indo de um extremo no sul até um extremo no norte e em seguida retornando.
O início de cada uma das estações, do ponto de vista astronômico, é determinado pela passagem do Sol por coordenadas celestes bem específicas. Quando o Sol cruza o equador celeste, o dia claro e a noite tem a mesma duração em ambos os hemisférios. É o que chamamos de EQUINÓCIOS. Os equinócios marcam o início do outono e da primavera.
Quando o Sol atinge os pontos extremos, ao norte ou ao sul, e para de avançar, temos os SOLSTÍCIOS. Nos solstícios temos uma grande diferença de iluminação entre os hemisférios, com o hemisfério mais iluminado experimentando temperaturas mais altas e recebendo mais energia do Sol enquanto o hemisfério oposto experimenta o contrário, temperaturas usualmente mais baixas e menos energia recebida do Sol.
O diagrama abaixo mostra a diferença de iluminação entre os hemisférios em cada um dos solstícios e equinócios.

Sitios arqueológicos como Stonehenge na Inglaterra, ou Calçoene, no Amapá, eram provavelmente grandes calendários astronômicos usados pelos povos originários nessas regiões para marcar a passagem do tempo a partir dos locais de nascimento e ocaso do Sol.
Esse ciclo das estações define o Ano Trópico, com duração média de 365,2422 dias.
É esse o período que adotamos para definir o ano civil. Mas perceba que temos uma inconveniente fração de dias envolvida. É por isso que precisamos eventualmente somar um dia ao calendário, criando os anos bissextos. A regra atual é acrescentar um dia ao mês de fevereiro caso o ano seja divisível por 4. Mas temos as exceções: se o ano for divisível por 100, não acrescentamos esse dia. E temos a exceção da exceção: Se ano for divisível por 400, voltamos a colocar o dia extra!
Quer saber com mais detalhes como essa regra surgiu? Confere esse outro post onde contamos tudinho: