Calendário Astronômico – AGOSTO 2026

Em agosto, os portais de notícias não economizarão no entusiasmo para anunciar uma série de eventos no calendário astronômico, mas é bom conter as expectativas: muitos deles não sou observáveis do hemisfério sul e outros sequer são realmente eventos observáveis.

Um eclipse solar total no dia 12 de agosto está completamente fora do alcance dos olhares em solo brasileiro.
A chuva de meteoros Perseídeos, embora tenha uma previsão de atividade abaixo da média em 2026, é uma das chuvas mais prolíficas para o hemisfério norte. No entanto, seu radiante fica muito baixo para observação em latitudes ao sul do equador, ou seja: não espere um fluxo espetacular de meteoros observados do Brasil.

Mas feita essa advertência, vamos partir para o que realmente está no esperando no céu do mês! Tem eclipse lunar visível de todo o Brasil, belas conjunções e até a colisão de um foguete com a Lua!

Calendário Astronômico – AGOSTO/2026

Data e Hora    | Evento

2026/08/02 08h | Mercúrio em máxima elongação oeste (19°)
2026/08/03 04h | Netuno 4,4° S da Lua
2026/08/06 02h | Quarto minguante
2026/08/07 14h | Urano 5,3° S da Lua
2026/08/08 23h | Lua na máxima declinação norte (28,1°)
2026/08/09 05h | Marte 4,4° S da Lua
2026/08/10 11h | Lua no perigeu
2026/08/10 22h | Pollux 3,6° N da Lua
2026/08/11 13h | Mercúrio 2,0° S da Lua
2026/08/12 00h | Júpiter 1,4° S da Lua
2026/08/12 17h | Lua nova (Eclipse) *
2026/08/13 --- | Pico de atividade dos Perseídeos ***
2026/08/13 10h | Regulus 0,5° N da Lua (Ocultação) **
2026/08/15 05h | Vênus em máxima elongação leste (46°)
2026/08/15 10h | Mercúrio 0,5° N de Júpiter
2026/08/16 07h | Vênus 1,8° N da Lua
2026/08/17 10h | Spica 2,2° N da Lua
2026/08/20 02h | Quarto crescente
2026/08/21 04h | Antares 0,6° N da Lua (Ocultação)*
2026/08/22 08h | Lua no apogeu
2026/08/22 10h | Lua na máxima declinação sul (-28,1°)
2026/08/25 13h | Mercúrio 1,3° N de Regulus
2026/08/25 16h | Plutão 2,0° S da Lua
2026/08/27 17h | Mercúrio em conjunção superior
2026/08/28 04h | Lua cheia (Eclipse)
2026/08/30 09h | Netuno 4,3° S da Lua

* Evento não visível do Brasil.
** Evento diurno.
*** Observação desfavorável no hemisfério sul.

Destaques do Mês

A Lua

A Lua e o Sol protagonizam dois encontros durante o mês. O primeiro deles é um eclipse total visível do ártico e de parte da Península Ibérica, ou seja, nada observável do Brasil.

O segundo encontro sim precisa estar marcado em sua agenda: o eclipse lunar na noite de 27 para 28 de agosto poderá ser observado de todo o Brasil. Apesar de parcial, a fração da Lua que entrará na parte mais escura da sombra terrestre, a umbra, é de mais de 96%.
O máximo do eclipse ocorre pouco depois da primeira hora da madrugada no dia 28 de agosto. A entrada na fase parcial inicia pouco depois das 23:30h do dia 27. A tabela abaixo traz os principais instantes do eclipse, tudo no horário de Brasília.

Lua entra na penumbra (inicio da fase penumbral)22:23h
Lua entra na umbra (inicio da fase parcial)23:33h
Máximo do eclipse01:12h
Lua sai da umbra (fim da fase parcial)02:52h
Lua sai da penumbra (fim da fase penumbral)04:02h
Simulação da entrada na umbra, máximo do eclipse e saída umbra, para o eclipse de 27 para 28 de agosto de 2026. Simulação: Stellarium 26.2/Wandeclayt M.

Planetas

Não há nenhum agrupamento incomum de planetas em agosto. Apesar disso, já vimos postagens alardeando um desfile de 6 planetas agrupados durante o mês. Aparentemente postar isso virou garantia de cliques e engajamento para produtores conteúdo não especializados em astronomia.

De qualquer forma, é bom lembrar que apenas 5 planetas são visíveis a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.

Destes 5 planetas, Júpiter está numa posição especialmente desfavorável para observação durante agosto, inconvenientemente muito próximo do Sol ao amanhecer. Isso reduz o cardápio de planetas observáveis a olho nu para 4 durante a maior parte do mês.

A responsabilidade de embelezar o céu vepertino acaba ficando inteiramente a cargo de Vênus, brilhante intensamente no anoitecer e podendo inclusive ser vista A OLHO NU durante o dia, se você olhar na direção correta. Atingindo no dia 15 a máxima elongação a leste, a posição em que vemos Vênus mais afastado do Sol no céu do anoitecer, seu brilho, durante todo o mês, é tão intenso que, mesmo com plena luz do dia, é possível perceber um ponto brilhante no céu azul! Se você aceitar o desafio de procurar o brilhante Vênus durante o dia, a Lua pode dar uma ajudinha nos dias 15 e 16 e servir de referência. Nas imagens abaixo, a linha vertical verde é o meridiano locale a linha alaranjada é a eclíptica. As imagens foram geradas no planetário digital Stellarium, para as coordenadas de São José dos Campos.

Vênus e a Lua, durante a passagem meridiana de Vênus, no dia 15 de agosto (aproximadamente às 14:50h BRT, para observação em São José dos Campos – SP) – Simulação: Stellarium 26.2/Wandeclayt M.
Vênus e a Lua, durante a passagem meridiana de Vênus, no dia 16 de agosto (aproximadamente às 14:50h BRT, para observação em São José dos Campos – SP) – Simulação: Stellarium 26.2/Wandeclayt M.

Perseídeos

Esta é provavelmente a mais famosa chuva de meteoros. Ocasionalmente atingindo taxas de 100 meteoros por hora, tem espaço garantido nas manchetes da imprensa tradicional ou nas postagens de influenciadores de mídias digitais. Mas a verdade é que todo esse destaque vem de uma tradução quase que automática das publicações do hemisfério norte.

Com um radiante posicionado muito ao norte para a maior parte do território brasileiro, a taxa de metoros observada por hora é severamente reduzida para observadores mais ao sul do equador. Na latitude de São José dos Campos (~23ºS), o radiante em seu ponto mais alto, não excede os 10º de elevação.

Ainda assim, fica a dica para observação de qualquer chuva de meteoros: nenhum instrumento é necessário. Basta uma acomodação confortável, alguma proteção para o frio da madrugada e a persistência de manter os olhos no céu. Não há posição provilegiada. Não é preciso olhar para o radiante. Escolha uma região do céu, recline-se e comece a contar os meteoros! Procure identificar as trajetórias, as cores, o tamanho e a persistência dos rastros. Seguindo o caminho inverso das trajetórias, você deverá chegar ao radiante. Se por um acaso o meteoro observado veio de outra direção, você observou um meteoro esporádico e não um componente da chuva.

E se você fez um registro sistemático, pode submeter suas observações à International Meteor Organization!

Radiante da cuva de meteoros Perseídeos na madrugada de 13 de agosto de 2026 na latitude 22.8º (São José dos Campos). Simulação: Stellarium 26.2/Wandeclayt M.

Mapa do Mês – Agosto de 2026

Para identificar os planetas no céu durante o mês, use o mapa abaixo.

Todos os textos neste portal são escritos por humanos, sem uso de inteligência artificial generativa. As efemérides são construídas utilizando os software Occult V4.0, Stellarium e o pacote Astroquery em um notebook Python.
Se você encontrou algo errado ou inconsistente, a falha é, com muito orgulho, inteiramente humana.


Em cartaz: C/2025 R3 (PanSTARRS), o cometa da estação.

Cometa C/2025 R3 (PanSTARRS) fotografado em São José dos Campos em 1º de maio de 2026. Telescópio Seestar S50 (exposição 11x 10s). [Wandeclayt M./Projeto Ceu Profundo]

Embora esteja longe de ser um espetáculo a olho nu, ou mesmo em binóculos (como o Tsuchinshan-ATLAS em 2024), o cometa C/2025 R3 (PanSTARRS) é o cometa mais brilhante da temporada e já se posiciona favoravelmente para observadores no Brasil.

Na primeira quinzena de maio, o C/2025 R3 pode ser fotografado e observado com pequenos instrumentos no horizonte oeste ao anoitecer. Sua trajetória facilita a localização, numa região onde constelações familiares como Órion pode ser facilmente reconhecida mesmo por observadores menos experientes.

Após passar pelo periélio no dia 19 de abril, o cometa segue se afastando do Sol e perdendo brilho, mas proporcionando um maior contraste contra o céu ao se elevar no horizonte oeste a cada noite. A figura abaixo mostra a posição do C/2025 R3 entre os dias 1º e 11 de maio. O símbolo azulado marca a posição exata a cada noite, às 18h, no céu de São José dos Campos. Para a sua cidade, o horário não é a informação mais relevante. Apenas espere que Vênus esteja visível no crepúsculo e busque se orientar pelas estrelas mais brilhantes na constelação de Órion. Betelgeuse e Rígel (veja o mapa abaixo) são as primeiras a aparecer.

A marcação mais baixa no mapa corresponde ao dia 1º e a mais alta ao dia 11. Entre os dias 7 e 8, a estrela Rígel, na constelação de Órion, é uma excelente referência e no dia 10 as imagens são promissoras: o cometa passa ligeiramente ao sul da grande nebulosa de Órion (M42).

Esperamos seus registros e relatos e esperamos mais ainda que você se junte ao nosso time dos grandes admiradores destes visitantes dos confins gelados do Sistema Solar.

Inscrições abertas para o curso Primeira Luz – uma Introdução à Observação do Céu

Curso Primeira Luz (2025). Aula prática de observação no Observatório da UNIVAP. Imagem: Wandeclayt M./Projeto céu Profundo.

O Projeto Céu Profundo e o Observatório de Astronomia e Física Espacial da UNIVAP, oferecem a partir do dia 5 de maio mais um edição do curso Primeira Luz – Uma Introdução à Observação do Céu, com aulas teóricas e práticas de reconhecimento do céu, manuseio de telescópios e fundamentos de astronomia.

O curso é gratuito e oferecido na modalidade presencial, compreendendo 10 encontros com 2 horas de duração (cada) em que abordaremos o seguintes tópicos.

  • A Esfera Celeste – Movimentos, Constelações, Objetos de Céu Profundo.
  • Cartas Celestes – Coordenadas Celestes, Magnitudes, Catálogos Astronômicos.
  • Sistema Solar – Sol, Planetas, Planetas Anões, Cometas, Asteroides, Orbitas.
  • Telescópios – Refletores, Refratores, Catadióptricos. Oculares.
  • Observando na Cidade. Lua, Planetas, Estrelas Duplas, Aglomerados Estelares.
  • Observação Solar.

Encontros extras, opcionais, podem ser agendados para observação do céu, fora da programação.

As aulas são ministradas por Wandeclayt Melo, astrônomo amador e divulgador científico no Projeto Céu Profundo, com 30 anos de experiência em atividades de divulgação da astronomia e observação astronômica.

INSCRIÇÕES

A inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo link: https://www.sympla.com.br/evento/primeira-luz—curso-pratico-de-observacao-do-ceu-turma-2026—univap/3405008

Telescópio Hubble – 36 anos de ciência e deslumbramento!

Lançado em 24 de abril 1990 para inaugurar uma era de imagens alta resolução capturadas em órbita, o Telescópio Espacial Hubble (HST) segue batendo recordes de longevidade e mantendo sua relevância científica, mesmo após telescópios gigantes em solo incorporarem tecnologias que permitem atingir e até superar a resolução das imagens do veterano em órbita.

Detalhe da Nebulosa Trífida (M20) em imagem comemorativa dos 36 anos de lançamento do Telescópio Espacial Hubble (NASA, ESA, STScI; Processamento: Joseph DePasquale (STScI)).

O aniversário do HST é uma data tradicionalmente celebrada com a divulgação de uma imagem impactante, exibindo as capacidades do notável instrumento num perfeito cruzamento entre ciência e arte.

Em 2026, a imagem escolhida é um detalhe de uma das mais fotogênicas nebulosas difusas, a Nebulosa Trífida (M20). Localizada a aproximadamente 5000 anos luz na direção da constelação de Sagitário, a Trífida pode ser observada e fotografada com pequenos telescópios. O telescópio Hubble, no entanto, mergulha muito mais profundamente na nebulosa, revelando intrincados detalhes em um campo de apenas 2.7 minutos de arco (o equivalente a pouco menos de um décimo do diâmetro aparente da Lua Cheia). A figura abaixo compara a extensão do campo capturado pelo Hubble com uma visão mais familiar da nebulosa Trífida, capturada com telescópio inteligente Seestar S50 (Wandeclayt M./Projeto T05).

Detalhe capturado pelo Telescópio Hubble em comparação com o campo do telescópio Seestar S50. (Wandeclayt M.(Projeto T05); NASA, ESA, STScI; Joseph DePasquale (STScI))

A imagem foi capturada utilizando a Wide Field Camera 3 (WFC3), um instrumento instalado em 2009, durante a quarta e última campanha de modernização do Hubble. Orbitando a Terra a 500 km de altitude, hoje, após o encerramento das atividades dos ônibus espaciais operados pela NASA, não há veículos com capacidade para transportar equipes para realização de novas manutenções no telescópio.

Como é usual em câmeras astronômicas de alto desempenho, a WFC3 é uma câmera monocromática, registrando apenas imagens em preto e branco. O processo para produzir imagens coloridas, como a imagem comemorativa nesta postagem, consiste em capturar separadamente as faixas do espectro luminoso e em seguida combiná-las em uma imagem colorida.

Como nasce uma imagem astronômica?

Bateu a curiosidade pra saber como nasceu essa imagem? Abaixo criamos uma composição usando três dos arquivos originais. Cada captura foi realizada utilizando um filtro que deixa passar apenas uma faixa muito estreita das frequências (ou comprimentos de onda) da luz emitida pela nebulosa. Embora as imagens resultantes sejam em preto e branco, podemos atribuir cores diferentes a cada captura e em seguida combiná-las numa única composição, obtendo uma imagem colorida.

Os filtros utilizados selecionam especificamente os comprimentos de onda emitidos pelo oxigênio ionizado (OII), hidrogênio (H alfa) e enxofre duplamente ionizado (SIII). Como usual, atribuímos os comprimentos de onda mais curtos à camada azul, os intermediários à camada verde e os mais longos, à vermelha. Isso causa um certo deslocamento nas cores originais, já que tanto o hidrogênio alfa (656 nm) e o SIII (673 nm) estão na parte do espectro que percebemos como vermelho, mas oferece a contrapartida de permitir separar mais claramente cada uma dessas emissões.

Composição colorida dos dados do telescópio HST de detalhe da nebulosa Trífida. (Wandeclayt M./Projeto Céu Profundo).

Se você quer também experimentar criar uma imagem a partir dos dados originais, o caminho para encontrar os dados é: https://archive.stsci.edu/proposal_search.php?mission=hst&id=18209

O software utilizado por nós é o SAO Image DS9, que pode ser baixado gratuitamente aqui para os principais sistemas operacionais atuais. Não deixe de conferir em nosso canal do youtube uma série de tutoriais sobre o uso do DS9 e a manipulação de imagens do Hubble:

Calendário astronômico – Novembro 2025

O cometa C/2025 A6 (Lemmon) chega aos céus do hemisfério sul, mas é bom conter as expectativas. O Céu de novembro também tem super Lua, mas vamos revelar um grande segredo sobre isso: ao telescópio, toda Lua é super. Saturno decora o céu durante a noite e a constelação de Órion abre caminho para a chegada do verão. Nos acompanhe para não perder as atrações do céu de novembro!

Cometa C/2025 R2 (SWAN) em imagem capturada através de telescópio Seestar S50, em São José dos Campos (SP), em 2025-10-21. (Créditos: Wandeclayt M./Céu Profundo/Observatório UNIVAP).


A chuva de meteoros Orionídeos também chega em boa hora, culminando próximo à Lua nova, promete recompensar quem decidir atravessar a madrugada de 22 de outubro sob o céu estrelado!

Acompanhe esses e outros destaques em nosso calendário astronômico de Novembro.

Data e Hora    | Evento

2025/11/02 04h | Vênus 3.5°N de Spica
2025/11/02 05h | Saturno 3.2°S da Lua
2025/11/02 12h | Netuno 2.5°S da Lua
2025/11/05 10h | Lua Cheia
2025/11/05 20h | Lua no perigeu
2025/11/06 12h | Urano 5.0°S da Lua
2025/11/08 08h | Lua mais ao norte (28.4°)
2025/11/09 16h | Mercúrio estacionário
2025/11/10 03h | Pollux 2.7°N da Lua
2025/11/10 06h | Júpiter 3.8°S da Lua
2025/11/11 16h | Júpiter estacionário
2025/11/12 02h | Quarto Minguante
2025/11/12 19h | Mercúrio 1.2°S de Marte
2025/11/12 21h | Regulus 0.9°S da Lua
2025/11/17 07h | Spica 1.0°N da Lua
2025/11/18 09h | Marte 4.0°N de Antares
2025/11/19 01h | Vênus 5.4°N da Lua
2025/11/20 00h | Lua no apogeu
2025/11/20 03h | Lua Nova
2025/11/20 04h | Mercúrio 5.3°N da Lua
2025/11/20 06h | Mercúrio em conjunção inferior
2025/11/21 03h | Antares 0.4°N da Lua
2025/11/21 08h | Marte 4.4°N da Lua
2025/11/21 09h | Urano em oposição
2025/11/22 14h | Lua mais ao sul (-28.3°)
2025/11/24 23h | Mercúrio 1.0°N de Vênus
2025/11/25 10h | Plutão 0.4°S da Lua
2025/11/28 03h | Quarto Crescente
2025/11/28 21h | Saturno estacionário
2025/11/29 13h | Saturno 3.3°S da Lua
2025/11/29 15h | Mercúrio estacionário
2025/11/29 21h | Netuno 2.7°S da Lua

Destaques do Mês

A Lua

A Lua Cheia do dia 5 de novembro ocorre durante a passagem da Lua pelo ponto mais próximo da Terra em sua órbita. O efeito mais perceptível disso não é exatamente nas observações do nosso satélite, mas na avalanche de manchetes nos portais de notícias e nas redes sociais anunciando uma Super Lua que nem é tão super assim.

Mas aqui está o grande segredo que qualquer astrônomo amador conhece com muita propriedade: não importa a fase ou a distância, vista através do telescópio, toda Lua é SUPER.

A olho nu, a Lua Cheia de perigeu (é um jeito um pouco mais técnico de dizer “super Lua”) aparece 12% maior e 0,24 magnitudes mais brilhante que uma Lua Cheia no ponto mais distante da órbita (a Lua Cheia de apogeu). Isso significa que se ninguém te contar, dificilmente alguma diferença vai ser percebida.

Por outro lado, não negligencie as outras fases da Lua ou a sua observação quando ela estiver mais distante. Ao telescópio, há sempre uma bela visão da Lua nos esperando. Inclusive nos dias imediatamente antes e depois da Lua Nova, quando nosso satélite é apenas um fino arco prateado no crepúsculo ao amanhecer (antes da Lua Nova) ou ao anoitecer (depois da Lua Nova).

Cometas

O cometa C/2025 R2 (SWAN) afasta-se do centro do Sistema Solar, mas ainda é um alvo para telescópios em novembro. No entanto, os olhares se voltam em busca de outro cometa: o C/2025 A6 (Lemmon). A expectativa é de que este seja o cometa mais brilhante da estação, mas observadores mais ao sul estão em posição desfavorável para encontrá-lo no céu.

Curva de brilho do cometa C/2025 A6 (Lemmon) plotada a partir de dados observacionais da rede COBS. O Cometa está acima do limite de visibilidade a olho nu desde meados do mês de novembro, mas com observação prejudicada para observadores ao sul da linha do equador. Créditos: COBS

Como o hemisfério norte está favorecido para a observação, é de se esperar que os portais de notícia e influenciadores sociais com menos intimidade com a observação do céu sigam replicando a euforia dos observadores do norte, mas recomendamos alimentar pouco as expectativas. Com o cometa baixo no céu após o pôr do Sol, mesmo que ele torne-se muito brilhante, a experiência dos observadores ao sul do equador fica prejudicada pelo brilho do crepúsculo.

Planetas

Os anéis de Saturno, apesar de extensos, são estruturas delgadas, com apenas algumas dezenas de metros de espessura. É por isso que durante os equinócios de Saturno, quando a Terra cruza o plano dos anéis, eles se tornam virtualmente invisíveis.

Simulação da visão do planeta Saturno no início de novembro de 2025. Créditos: PDS Rings

Aproveite o mês de novembro para apreciar essa incomum visão de um Saturno sem anéis, antes que passemos a ver o majestoso planeta mais uma vez ostentando sua marca registrada.

Mapa do Mês – Novembro de 2025


Calendário Astronômico – Outubro 2025

O destaque do céu de Outubro é o cometa C/2025 R2 (SWAN). Apesar de não atingir brilho suficiente para ser visto a olho nu, sua posição favorece a observação com binóculos e telescópios a partir do hemisfério sul.

Cometa C/2025 R2 (SWAN) em imagem capturada através de telescópio Seestar S50, em São José dos Campos (SP), em 2025-10-21. (Créditos: Wandeclayt M./Céu Profundo/Observatório UNIVAP).


A chuva de meteoros Orionídeos também chega em boa hora, culminando próximo à Lua nova, promete recompensar quem decidir atravessar a madrugada de 22 de outubro sob o céu estrelado!

Acompanhe esses e outros destaques em nosso calendário astronômico de outubro.

Eventos Astronômicos de Outubro
Data e Hora    | Evento

2025/10/01 19h | Plutão 0.0°N da Lua (Ocultação)
2025/10/02 19h | Mercúrio 1.7°N de Spica
2025/10/05 21h | Saturno 3.3°S da Lua
2025/10/06 02h | Netuno 2.5°S da Lua
2025/10/07 00h | Lua Cheia
2025/10/08 10h | Lua no perigeu
2025/10/10 03h | Urano 5.1°S da Lua
2025/10/12 00h | Lua mais ao norte (28.5°)
2025/10/13 15h | Quarto Minguante
2025/10/13 20h | Júpiter 4.2°S da Lua
2025/10/13 20h | Pollux 2.5°N da Lua
2025/10/14 04h | Plutão estacionário
2025/10/16 15h | Regulus 1.1°S da Lua
2025/10/19 15h | Vênus 3.2°N da Lua
2025/10/20 04h | Mercúrio 2.0°S de Marte
2025/10/21 01h | Spica 1.0°N da Lua
2025/10/21 09h | Lua Nova
2025/10/21-22  | Pico dos Orionídeos (ZHR=20)
2025/10/23 07h | Marte 4.3°N da Lua
2025/10/23 11h | Mercúrio 2.1°N da Lua
2025/10/23 20h | Lua no apogeu
2025/10/24 21h | Antares 0.5°N da Lua
2025/10/26 09h | Lua mais ao sul (-28.5°)
2025/10/29 03h | Plutão 0.1°S da Lua
2025/10/29 13h | Quarto Crescente
2025/10/29 16h | Mercúrio em maior elongação a leste (24°)

Destaques do Mês

O cometa C/2025 R2 (SWAN) atinge seu brilho máximo entre os dias 19 e 23 de outubro, quando passará pelo ponto mais próximo da Terra em sua órbita, a uma distância mínima de 39 milhões de km. Embora não seja possível observá-lo a olho nu, pequenos telescópios e binóculos podem ser usados para perceber seu aspecto esfumaçado e levemente esverdeado. Como em toda observação de objetos de pouco brilho, tente usar sua visão periférica, olhando com o canto do olho para perceber com mais facilidade o fraco brilho do cometa.

Órbita da cometa C/2025 R2 (SWAN) mostrando o ponto de maior proximidade com a Terra. Créditos: https://ssd.jpl.nasa.gov/tools/orbit_viewer.html

Na madrugada de 21 para 22 ocorre o pico de uma excelente chuva de meteoros. Ao contrário dos Perseídeos em agosto, que favorecem os observadores no hemisfério norte, os Orionídeos parecem irradiar de um ponto na constelação de Órion, alto o suficiente no céu do hemisfério sul para que todo o Brasil possa observar. Outro aspecto positivo nos Orionídeos de 2025 é a ocorrência de seu pico durante a Lua nova, garantindo que a luz de nosso satélite natural não vai interferir na experiência de quem conseguir madrugar para observar o pico desta chuva. A atividade esperada é de 20 meteoros por hora, nas condições mais favoráveis. Condições mais favoráveis neste caso significa céu escuro, vista adaptada (ou seja, nada de olhar pra tela de celular ou qualquer luz branca) e com o radiante no alto do céu. O radiante é um ponto na constelação de Órion (por isso esses meteoros se chamam Orionídeos) e quanto mais alto, mais meteoros veremos acima do horizonte.

Mapa do Mês – Outubro de 2025


Congestionamento de Cometas no Céu!

Mais do que uma conjunção, teremos um verdadeiro congestionamento de cometas no céu no dia 20 de setembro! E vai ser lindo!

O recém descoberto cometa C/2025 R2 (SWAN), fotografado de São José dos Campos na noite de 16 de setembro na região da estrela Spica. Créditos: Wandeclayt M./@ceuprofundo

Mas o cardápio é ainda mais completo! Além de dois cometas, em um campo com menos de 3º teremos também o planeta Marte. Isso equivale a uma largura aparente no céu de aproximadamente 6 vezes o diâmetro da Lua Cheia

Simulação da conjunção entre Marte e os cometas C/2025 R2 (SWAN) e C/2025 K1 (ATLAS).

Mas infelizmente a beleza desse encontro não pode ser vista tão facilmente. Mesmo com a evolução do brilho dos cometas pelos próximos dias, observadores sob céus urbanos terão dificuldade até para observar a conjunção através de binóculos. O recurso ideal para o evento é a fotografia, com objetivas abertas o suficiente para cobrir o campo de 3º que emoldurará a conjunção!

Simulação de vista do horizonte oeste, na latitude de São Jsé dos Campos, ao entardecer do dia 20 de setembro.

Para observar, ou registrar, olhe para o poente, assim que a noite cair no dia 20 de setembro. A estrela mais brilhante, imediatamente acima do horizonte, é Spica, a alfa da constelação de Virgem. Um pouco mais alto no céu, você encontrará o planeta Marte. E mesmo que você não os veja, aponte sua câmera e experimente diferentes tempos de exposição. Você eventualmente encontrará dois pontos borrados que claramente não terão o aspecto de estrelas. Você também provavelmente vai perceber uma tonalidade azul esverdeada nesses pequenos borrões! É isso! Você encontrou os cometas C/2025 K1 (ATLAS) e C/2025 R2 (SWAN).

E se os novos cometas ainda não aparecem em seu Stellarium, siga este nosso guia para incluí-los na base de dados do aplicativo: https://ceuprofundo.com/2023/09/19/o-cometa-da-estacao-adicione-o-cometa-nishimura-ao-stellarium/

Calendário Astronômico – Agosto 2025

A imagem tem como fundo o céu estrelado com um tom azulado. Ao centro, está o título em letras grandes e pretas: "O CÉU DE AGOSTO". Acima do título há a logo do Projeto Céu Profundo. Ao fundo da imagem, de maneira sutil, aparece um mapa celeste com constelações desenhadas em linha clara, quase translúcida. Na parte inferior, está o logotipo do Astropy.

Eventos Astronômicos de Agosto

As férias acabaram, mas temos certeza que você você aproveitou nossas dicas para observar todas as belezas do calendário astronômico de julho! E o céu de agosto segue apresentando um cardápio riquíssimo de formosuras celestes observáveis a olho nu e com pequenos telescópios.

Agosto também é o mês do injustificável sensacionalismo em torno da chuva de meteoros Perseídeos. Apesar de ser uma chuva de destaque para observadores no hemisfério norte, ocorrendo durando o verão daquele hemisfério e com um radiante que favorece observadores em latitudes da Europa e da América do Norte, aqui no hemisfério sul este é um evento pouco promissor e há outras chuvas muito mais prolíficas durante o ano (spoiler: em dezembro os Geminídeos não costumam decepcionar).

CALENDÁRIO ASTRONÔMICO - AGOSTO 2025
Data e Hora    | Evento

2025/08/01 09h | Quarto Crescente
2025/08/01 11h | X e V Lunares visíveis
2025/08/01 17h | Lua no apogeu
2025/08/04 01h | Antares 0.5°N da Lua
2025/08/05 10h | Lua mais ao sul (-28.5)
2025/08/08 02h | Plutão 0.0°N da Lua
2025/08/09 04h | Lua Cheia
2025/08/10 13h | Mercúrio estacionário
2025/08/12 02h | Vênus 0.9°S de Júpiter
2025/08/12 09h | Saturno 3.6°S da Lua
2025/08/12 10h | Netuno 2.5°S da Lua
2025/08/12-13  | Pico de Atividade dos Perseídeos 
2025/08/14 15h | Lua no perigeu
2025/08/16 02h | Quarto Minguante
2025/08/16 15h | Urano 5.2°S da Lua
2025/08/18 12h | Lua mais ao norte (28.6)
2025/08/19 07h | Mercúrio em maior elongação a oeste (18)
2025/08/19 19h | Júpiter 4.7°S da Lua
2025/08/20 08h | Pollux 2.4°N da Lua
2025/08/20 09h | Vênus 4.7°S da Lua
2025/08/21 15h | Mercúrio 3.5°S da Lua
2025/08/23 02h | Regulus 1.2°S da Lua
2025/08/23 03h | Lua Nova
2025/08/26 11h | Marte 2.5°N da Lua
2025/08/27 10h | Spica 1.0°N da Lua
2025/08/29 11h | Lua no apogeu
2025/08/31 03h | Quarto Crescente
2025/08/31 07h | Antares 0.6°N da Lua

Destaques do Mês

Um conjunção dupla decora o céu no fim da madrugada de 12 de agosto. Júpiter e Vênus se emparelham ao nascer do Sol enquanto a Lua passa ao lado de Saturno. Na mesma madrugada, em localidades mais escuras, são grandes as possibilidade de presenciar alguns dos meteoros da chuva Perseídeos, um dia antes do pico de atividade da chuva.

Visão do céu, mostrando a eclíptica e as constelações de gêmeos, órion, touro, peixes, aquário, cão maior e cão menor. Júpiter e Vênus estão juntos em gêmeos no canto superior esquerdo da imagem. A Lua e Saturno estão juntos em Peixes mais ao centro e à direita da imagem.
Simulação do céu na madrugada de 12 de agosto gerada no software Stellarium.

E os Meteoros?

Chuvas de meteoros ocorrem quando a Terra cruza regiões de sua órbita ricas em detritos. Esses detritos entram na atmosfera sofrendo atrito e se tornando incandescentes, assumindo um aspecto muito parecido com o das estrelas, por isso são também chamados de “estrelas cadentes“. Os detritos que geram a chuva de meteoros Perseídeos são associados ao cometa 109P/Swift-Tuttle e todos os anos, por volta do dia 12 de agosto a Terra cruza essa área, proporcionando um espetáculo para observadores atentos.

Veja bem, os Perseídeos são mesmo uma chuva de meteoros bastante produtiva. Mas tem um “depende” aí. Primeiro é preciso lembrar que a condição ideal para observar uma chuva de meteoros é ter o radiante no ponto mais alto do céu, em um local escuro e sem interferência da Lua.

O radiante é o ponto de onde os meteoros parecem se originar e isso varia para cada chuva de meteoros. No caso dos Perseídeos, esse ponto se localiza na direção da constelação de Perseu. E essa é uma constelação localizada muito ao norte… ou seja, o radiante não ficará alto no céu para quem mora no hemisfério sul. Isso nos coloca numa condição bem desfavorável para observá-los.

Outro ponto importante é estar em um local afastado da poluição luminosa. Ao tentar observar meteoros numa área urbana, veremos apenas os objetos mais brilhantes. Não espere ter a sensação de estar vendo realmente uma “chuva” com dezenas de meteoros por hora se você estiver em uma região iluminada.

Por último, além da interferência da poluição luminosa temos a interferência do brilho da Lua. E em 2025, a Lua vai estar a poucos dias da Lua Cheia e vai interferir bastante!!

Em resumo, todo o alarde que você vai ver na imprensa provavelmente tem origem na tradução de matérias publicadas por veículos do hemisfério norte e fazem pouco sentido pra quem está aqui no sul.

A Lua em Agosto

O desafio mensal de observar o X e o V lunares ganham um obstáculo a mais na Lua Crescente de primeiro de agosto: essas peculiares formações estarão visíveis no início da tarde, com o céu ainda claro.

Imagem da Lua em fase crescente, ocupando o centro da figura. Duas setas laranjas apontam para detalhes mais ampliados da superfície lunar.  A primeira ampliação mostra uma cratera com o formato da letra V; essa cratera está localizada mais ao centro da imagem. A segunda ampliação mostra uma cratera com o formato da letra X; essa cratera está localizada na imagem abaixo e a direita do centro. Na parte inferior da imagem há uma legenda com a seguinte descrição: "localizando o X e o V lunar"; e no canto superior direito está a logo do Projeto Céu Profundo.
Vista simulada da Lua crescente, exibindo o X e o V lunares, com dados do satélite LRO. Simulação: NASA-SVS. Infográfico: Projeto Céu Profundo.

Em agosto, o X e o V lunares estarão visíveis na tarde de 1/8. O melhor horário para visualização é entre as 13h e as 15h.

Destaques Telescópicos no Calendário

Em agosto conseguimos repetir o cardápio do calendário de julho, com alguns dos mais fascinantes objetos de céu profundo, mas temos algumas sugestões para seu banquete astronômico telescópico. O centro da Via Láctea continua visível durante toda a noite e é em torno dessa região que encontramos algumas de nossas sugestões: a Nebulosa da Lagoa (M8) e a nebulosa da Águia (M16).

Visível a olho nu na direção da constelação de Sagitário, a nebulosa M8 é um alvo fácil para binóculos e pequenos telescópios em regiões afastadas da poluição luminosa. Embora esteja cercada por outros objetos de aspecto nebuloso, M8 se destaca por seu brilho e você não terá dificuldade de localizá-la com binóculos.

Não muito distante de M8, a Nebulosa da Águia (M16) é famosa por uma das mais célebres imagens do telescópio Hubble: os Pilares da Criação. Os Pilares são apenas um recorte da região central da nebulosa, no pequeno campo coberto pelo Hubble. Numa visão mais aberta, em telescópios de maior campo, é possível ver toda a extensão da nebulosa, como na imagem acima.

Localize no mapa abaixo cada um dos objetos que indicamos.

Mapa do céu com destaque para a constelação de escorpião, há outras constelações ao redor como sagitário. As linhas azuis delineiam as figuras de cada constelação. Estão marcados objetos do catálogo Messier: M4 e M80 próximos à estrela alaranjada Antares; M6 e M7 mais abaixo da constelação; e M8 (Nebulosa da Lagoa) e M20 (Nebulosa Trífida), próximas uma da outra, mais abaixo e a esquerda de M6 e M7. Outras estrelas notáveis também estão nomeadas, como Shaula, Sargas e Kaus Australis. Círculos brancos destacam as posições dos objetos observáveis. O logo do Projeto Céu Profundo está no canto superior direito.
Mapa da região em torno do centro da Via Láctea, indicando a posição de objetos brilhantes do céu profundo. Simulação gerada no Stellarium.

Mapa do Mês

Clique no mapa para expandir. O mapa traz uma projeção retangular do céu, com o equador celeste posicionado horizontalmente no centro do gráfico. Imagine o céu como um cilindro envolvendo a Terra. O mapa apresenta esse cilindro “desenrolado”.

Os planetas e o Sol estão representados como setas, indicando seu movimento ao longo do mês em relação às estrelas ao fundo.

A imagem é dividida em dois gráficos circulares, representando a posição dos planetas ao redor do Sol em agosto de 2025, com o Sol no centro. 
Gráfico superior: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte: O Sol é representado por um ponto amarelo no centro do gráfico, Quatro arcos coloridos representam as órbitas e posições dos planetas; Mercúrio – traço fino azul, mais próximo do Sol; Vênus – arco laranja, em órbita um pouco maior que Mercúrio; Terra – arco verde, mais distante do centro; Marte – arco vermelho, o mais afastado neste gráfico.
Cada planeta tem uma pequena seta colorida no final do arco, indicando o sentido do movimento orbital.
Gráfico inferior: Terra, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Também tem o Sol no centro (amarelo) e a Terra representada por um pequeno ponto verde. As órbitas dos planetas exteriores são mostradas com setas coloridas mais distantes: Terra- Azul, Júpiter- Laranja, Saturno- Verde, Urano- Vermelho, Netuno- Roxo.
Os arcos mostram apenas trechos das órbitas, com pequenas setas indicando a posição e direção orbital de cada planeta. As órbitas dos planetas gasosos são muito mais afastadas do centro do que as dos planetas rochosos (Terra).

3I/ATLAS – Observamos o Visitante Interestelar

O cometa C/2025 N1 (ATLAS), ou I3/ATLAS, aparece circulado em meio a incontáveis estrelas.

O Minor Planet Center (MPC), da União Astronômica Internacional (IAU), emitiu em circular a confirmação do objeto A11pl3Z como um visitante interestelar, conferindo a nomenclatura definitiva 3I/ATLAS. O objeto, no entanto, exibe características cometárias, o que lhe confere um segunda designação: C/2025 N1 (ATLAS), seguindo a regra para nomenclatura de cometas.

O diagrama abaixo mostra a trajetória e a posição atual do 3I/ATLAS, baseadas nos dados disponíveis até 2 de julho. O objeto se aproxima rapidamente, a uma velocidade de mais de 60 km/s e atingirá sua menor distância ao Sol em 29 de outubro, numa posição entre as órbitas de Marte e da Terra.

O cometa interestelar C/2025 N1 (ATLAS), ou 3I/ATLAS, recebeu suas designações definitivas do Minor Planet Center da União Astronômica Internacional.

Nossa Caçada ao 3I/ATLAS

Desnecessário dizer que o entusiasmo entre toda a comunidade de observadores é grande neste momento. E não ficamos de fora dessa euforia. A meteorologia estava desfavorável na noite de 2 de julho em São José dos Campos, mas sempre há a alternativa do uso de telescópios robóticos em sítios mais favorecidos.

Através da plataforma iTelescope, acessamos um telescópio instalado no Chile para programar uma sequência de tomada de imagens da região onde as efemérides previam a passagem do 3I/ATLAS.

A uma distância de aproximadamente 5 unidades astronômicas (1 unidade astronômica equivale à distância média entre a Terra e o Sol, ou aproximadamente 150 milhões de km) e medindo algo em torno de 20 km, a tarefa é desafiadora. Além disso, estaríamos observando uma área do céu repleta de estrelas, na direção da região mais central da Via Láctea, em busca de um objeto de brilho muito tênue ( magnitude 18). É algo um pouco mais complicado que encontrar uma agulha num palheiro (se quer mesmo achar uma agulha num palheiro, fica a dica: use um ímã).

A Detecção

E lá fomos nós, operando remotamente o telescópio T75, com 250 mm de abertura instalado em Rio Hurtado, no Chile, em busca do terceiro objeto conhecido com origem fora do nosso Sistema Solar.

Programamos 5 exposições sucessivas de 180 segundos e o resultado foi um conjunto de imagens com este aspecto:

Um par de imagens capturadas através do telescópio T75, instalado no Chile, da área em torno da posição do objeto interestelar 3I/ATLAS. Créditos: Wandeclayt M./@ceuprofundo.

No meio desse palheiro, e sem um ímã, a melhor maneira de encontrar nossa agulha é criar uma animação entre os frames, na esperança de detectar um ponto se deslocando no campo.

Com um deslocamento no céu de aproximadamente 1,3″ por minuto, seria possível, no intervalo entre as exposições, detectar o cometa como um ponto móvel.

E lá estava ele! O tímido 3I/ATLAS passeando em frente as estrelas da região central da Via Láctea.

O objeto 3I/ATLAS, ou C/2025 N1 (ATLAS), aparece como um minúsculo ponto se deslocando entre duas imagens que se alternam. As imagens são escuras, repletas de pontos brilhantes, que são estrelas na direção do centro da Via Láctea.
Detecção do objeto interplanetário 3I/ATLAS em imagens capturadas com telescópio robótico remoto. Créditos: Wandeclayt M./@ceuprofundo.

Como Observar?

Com magnitude em torno de 18, esse é um alvo proibitivo para a observação visual em telescópios mais modestos, mas é possível capturá-lo com câmeras CCD.

Se você também quer se aventurar imageando este célebre visitante, o primeiro passo é encontrar sua posição no céu.

As coordenadas do objeto podem ser acessadas através do sistema JPL Horizons. Além das coordenadas celestes (Ascenção Reta e Declinação) o sistema informa parâmetros como distância, taxa de deslocamento (em segundos de arco por minuto) e magnitude estimada. Durante a primeira metade do mês de julho, transitando pelas constelações de Sagitário e Ofiúco, há uma dificuldade a mais, proporcionada pelo excesso de estrelas de nossa galáxia visível nessa região do céu. A maioria, mais brilhantes que o próprio cometa.

Mas não se intimide! Saia à caça desse visitante antes que ele acelere em seu passeio pelo Sistema Solar e nos deixe para nunca mais voltar!

A11pl3Z: Mais um Visitante Interestelar?

Pela terceira vez na história, um objeto passando pelo Sistema Solar pode ter origem em outro sistema planetário. O objeto batizado provisoriamente como A11pl3Z é o mais recente candidato ao carimbo de rocha interestelar no passaporte.

Antes de tudo: não há qualquer risco de colisão desse objeto com a Terra! Os dados preliminares mostram sua trajetória cruzando a órbita de Marte, mas também sem se aproximar do Planeta Vermelho.

Visualização da óribta do objeto A11pl3Z com dados preliminares, gerada na ferramenta Orbit Viewer do programa Catalina Sky Survey.

A Descoberta

O objeto foi descoberto em observações realizadas por um telescópio da rede ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) a partir do Chile, com magnitude aparente 18 e localizado a 4 unidades astronômicas da Terra (1 unidade astronômica é uma medida de distância equivalente à distância média da Terra ao Sol, ou aproximadamente 150 milhões de km).

Os telescópios da rede ATLAS enxergam uma grande área do céu, um campo total de 7,5°, ou o equivalente a 15 vezes o diâmetro da Lua Cheia. Isso permite uma grande cobertura do céu em sucessivas varreduras em busca de asteroides.

Em seguida aos alertas de novas detecções, outros telescópios confirmam a presença dos objetos e produzem novos dados de posição, alimentando os programas para determinação de órbitas.

A rede Deep Random Survey foi uma das que colaborou com a produção de dados de posição do A11pl3Z.

Imagem do objeto interestelar A11pl3Z capturada por telescópio da rede Deep Random Survey. Créditos: K Ly/Deep Random Survey.


Novas observações são necessárias e a astronomia amadora pode contribuir com dados de posição e brilho, ajudando a conhecer com mais precisão a órbita do A11pl3Z. Efemérides para observação do objeto podem ser geradas pelo Center for Near Earth Objects Studies (CNEOS) do Jet Propulsion Laboratory (JPL).

Dados recuperados de observações de arquivo permitiram localizar o A11pl3Z em imagens capturadas anteriormente, ajudando a refinar os parâmetros orbitais iniciais. Com os dados disponíveis na manhã de 2 de julho, é possível determinar que a máxima aproximação do objeto ao Sol ocorrerá em outubro, passando a uma distância 36% maior que a distância média da Terra ao Sol. Infelizmente, a Terra e o A11pl3Z estarão em posições diametralmente opostas, dificultando a observação do objeto durante o periélio.

Visitas Anteriores

Anteriormente, os objetos 1I/Oumuamua e 2I/Borisov também tiveram suas trajetórias traçadas com origem no espaço interestelar. Este é também um campo onde o Observatório Vera Rubin poderá contribuir aumentando o censo de objetos detectados. Sua câmera de 3200 Megapixels, durante uma primeira rodada de demonstração, descobriu impressionantes 2104 asteróides, mostrando seu potencial como um rastreador de objetos do Sistema Solar. Na imagem abaixo, um pequeno recorte de uma das primeiras imagens publicadas pelo Observatório Rubin, cada traço colorido é um asteróide detectado.

Asteróides detectados pelo Observatório Vera Rubin em campo na direção da constelação de Virgem. NSF-DOE Vera C. Rubin Observatory.

Elementos Orbitais Provisórios

Elementos Orbitais (provisórios):  A11pl3Z

Perihelion 2025 Oct 29.66294 +/- 0.219 TT = 15:54:38 (JD 2460978.16294)
Epoch 2025 Jul  2.0 TT = JDT 2460858.5   Earth MOID: 0.3557   Ju: 0.2478
q   1.34709127 +/- 0.0135           Ma: 0.0199   Sa: 0.4081      AutoNEOCP
H   11.92 G 0.15                    Peri.  128.10518 +/- 0.14
z  -3.7599875674 +/- 0.0381         Node   322.07493 +/- 0.10
e   6.0650464 +/- 0.102             Incl.  175.10957 +/- 0.0045

106 of 108 observations 2025 June 14-July 2; mean residual 0".38