Estão abertas as vagas para a nova turma do curso de introdução à observação do céu Primeira Luz! Esta é a terceira edição do curso ministrada no Observatório de Astronomia e Física Espacial da UNIVAP e oferece aos seus participantes um programa abrangente que inicia nos fundamentos do funcionamento de um telescópio e segue até a prática de reconhecer e localizar no céu objetos do Sistema Solar, estrelas duplas e objetos do céu profundo, como aglomerados estelares, nebulosas e galáxias.
O curso é gratuito, com dois encontros semanais no campus Urbanova da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP) em São José dos Campos – São Paulo.
O curso é recomendado para qualquer pessoa com interesse na observação do céu, independente de formação ou experiência prévia e é indicado para maiores de 13 anos.
Menores de 18 devem ser acompanhados por um adulto responsável.
As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas na plataforma Sympla, no link abaixo: INSCRIÇÕES
Programa do Curso
A Esfera Celeste – Movimentos, Constelações, Objetos de Céu Profundo.
O glorioso céu de inverno começa a se despedir e abre espaço para novos tesouros celestes em nosso calendário astronômico. A bandeirada final para a estação fria e a largada para a estação das flores é a passagem do Sol pelo equador celeste no dia 22 de setembro às 21:05h, marcando o equinócio de primavera no hemisfério sul e de outono no hemisfério norte.
É quando a noite e o dia claro tem exatamente a mesma duração e ambos os hemisférios estão igualmente iluminados pelo Sol.
Observe o nascer e o pôr do Sol entre os dias 22 e 23 para identificar os pontos cardeais leste e oeste! Apenas nos equinócios o Sol nasce exatamente nestes pontos.
E que tal inciar um projeto fotográfico registrando o nascer ou o pôr do Sol em diferentes estações? O resultado vai ser parecido com o quadro abaixo, composto por imagens que registramos em São José dos Campos (SP).
Pôr do Sol em São José dos Campos. Registrado a partir do mesmo ponto no início de cada uma das estações do ano. Imagens/Composição: Wandeclayt M./Projeto Céu Profundo.
Mas há muito mais que o equinócio para colocar na sua agenda em setembro! Confira abaixo nosso calendário astronômico e logo em seguida, os destaques do mês e a posição dos planetas do Sistema Solar durante o mês.
Calendário Astronômico – SETEMBRO/2026
Data e Hora | Evento
2026/09/02 04h | Vênus 1,5° S de Spica
2026/09/03 05h | Lua a 3° das Plêiades
2026/09/03 18h | Urano 5,4° S da Lua
2026/09/04 04h | Quarto minguante
2026/09/05 03h | Lua na máxima declinação norte (28,1°)
2026/09/06 16h | Marte 2,9° S da Lua
2026/09/06 17h | Lua no perigeu
2026/09/07 03h | Pollux 3,6° N da Lua
2026/09/08 15h | Júpiter 0,8° S da Lua (Ocultação)*
2026/09/09 16h | Regulus 0,5° N da Lua (Ocultação)*
2026/09/10 15h | Urano estacionário
2026/09/11 00h | Lua nova
2026/09/12 01h | Mercúrio 3,4° N da Lua
2026/09/13 16h | Spica 2,2° N da Lua
2026/09/14 08h | Vênus 0,5° S da Lua (Ocultação)*
2026/09/17 06h | Marte 5,9° S de Pollux
2026/09/17 09h | Antares 0,5° N da Lua (Ocultação)*
2026/09/18 15h | Lua na máxima declinação sul (-28,1°)
2026/09/18 17h | Quarto crescente
2026/09/18 23h | Lua no apogeu
2026/09/21 20h | Plutão 2,0° S da Lua
2026/09/22 21h | Equinócio
2026/09/25 22h | Netuno em oposição
2026/09/26 04h | Mercúrio 0,9° N de Spica
2026/09/26 12h | Netuno 4,3° S da Lua
2026/09/26 13h | Lua cheia
2026/09/30 23h | Urano 5,3° S da Lua
* Ocultação não visível do Brasil.
Destaques do Mês
A Lua
Ao percorrer sua órbita ao redor da Terra a Lua inevitavelmente proporciona encontros deslumbrantemente fotogênicos todos os meses. Em setembro, destacamos alguns desses encontros para você marcar na agenda:
Conjunção Lua-Plêiades (03/09)
Na madrugada do dia 3 de setembro a Lua passa a cerca de 3 graus do famoso aglomerado das Plêiades, na constelação de Touro. Observe pouco antes do nascer do Sol, já que a máxima aproximação acontecerá durante o dia.
Conjunção entre Lua e Plêiades em 03 de setembro de 2026. Simulação; Stellarium 26.2.0/Wandeclayt M./Projeto Céu Profundo.
Conjunção Vênus-Lua (14/09)
No entardecer de 14 de setembro, Vênus e a Lua decoram o horizonte oeste. Dica: tente identificar Vênus um pouco abaixo da Lua ainda com o dia claro.
Conjunção entre Lua e Vênus, em 14 de setembro de 2026. Simulação; Stellarium 26.2.0/Wandeclayt M./Projeto Céu Profundo.
Planetas
Nenhum alinhamento incomum acontecerá em setembro, mas isso não significa que os observadores de planetas passarão o mês sem se encantar com imagens do Sistema Solar!
Conjunção Vênus e Spica (alfa da Virgem)
Iniciando as conjunções planetárias do mês, Vênus e Spica se encontram ao entardecer do dia 2 de setembro no horizonte oeste. O brilhante planeta passa a apenas 1,5° da estrela Spica (magnitude 0,97), a alfa da constelação de Virgem. É uma excelente oportunidade de observação a olho nu ou com binóculos.
Conjunção Mercúrio e Spica (alfa da Virgem)
Se você ainda não tiver companhia para a noite do sábado 26 de setembro, vai ficar com inveja desse date triplo. Mercúrio passa a menos de 1° da estrela Spica, a alfa da constelação de Virgem, mas Vênus está de olho na dupla e logo os seguirá em direção ao horizonte oeste. Lulu Santos já ensinou que “Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite“, mas agora aprendemos que isso também vale para planetas e estrelas.
Vênus, Mercúrio e a estrela Spica no entardecer de 26 de setembro. Simulação; Stellarium 26.2.0/Wandeclayt M./Projeto Céu Profundo.
Os gráficos abaixo mostram a separação entre o planeta Vênus e o Sol e entre o planeta Mercúrio e o Sol ao longo do ano de 2026. As linhas laranjas indicam que o planeta é visível ao anoitecer e as linhas azuis indicam visibilidade ao amanhecer. Quanto maior a separação, mais fácil a observação do planeta.
O planeta Vênus seguirá deslumbrante no início das noites, inclusive com brilho suficiente para ser observado ainda no céu diurno (se você ouber exatamente para onde olhar). Mas sua elongação (o ângulo de separação entre o Sol e o planeta) começa a diminuir, mergulhando o planeta cada vez mais cedo no horizonte oeste, até que ele ressurja no céu matutino em novembro.
Elongação do planeta Vênus ao longo do ano de 2026. Créditos: Wandeclayt M./Projeto Céu Profundo.
Enquanto Vênus ensaia sua despedida, Mercúrio volta aos céus vespertinos em setembro, caminhando para a máxima elongação leste em outubro.
Elongação do planeta Mercúrio ao longo do ano de 2026. Créditos: Wandeclayt M./Projeto Céu Profundo.
O Senhor dos Anéis está de volta.
Após uma temporada nos céus da madrugada, Saturno volta a aparecer na primeira metade da noite. É uma passagem de bastão de um horizonte ao outro: enquanto Vênus se despede, Saturno assume o protagonismo.
Se tem dúvida de onde encontrar Saturno, a Lua pode dar uma ajudinha no dia 26 de setembro, quando ela nasce escoltando o planeta na direção da constelação de Peixes.
Mapa do Mês – Setembro de 2026
Para identificar os planetas no céu durante o mês, use o mapa abaixo.
Planetas do Sistema Solar durante o mês de agosto. Clique no mapa para ampliar.
Planetas do Sistema Solar durante o mês de agosto. Clique no mapa para ampliar.
Planetas do Sistema Solar durante o mês de agosto. Clique no mapa para ampliar.
E no Céu Profundo?
O centro da Via Láctea segue bem posicionado para observação no início da noite, abrigando dezenas de aglomerados e nebulosas facilmentente localizáveis e observáveis com pequenos instrumentos. O grande aglomerado globular 47 Tucanae também ergue-se no céu ainda na primeira metade da noite. O cardápio de objetos de céu profundo segue farto, mas isso pede um post dedicado a essas maravilhas distantes! E esperamos você aqui de volta para as dicas de como localizar e observar essas joias no mês de setembro.
Todos os textos neste portal são escritos por humanos, sem uso de inteligência artificial generativa. As efemérides são construídas utilizando os software Occult V4.0, Stellarium e o pacote Astroquery em um notebook Python. Se você encontrou algo errado ou inconsistente, a falha é, orgulhosamente, inteiramente humana.
O time de grandes telescópios da NASA ganha um novo e poderoso reforço com o lançamento do telescópio Roman. Um telescópio de 2,4 m de abertura, com a missão de mapear extensas áreas do céu no infravermelho próximo!
Simulação do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman em órbita, no ponto lagrangeano L2. (Créditos: NASA/SVS)
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman tem um espelho primário com as mesmas dimensões do utilizado pelo veterano Telescópio Espacial Hubbble, mas com detectores sensíveis em uma faixa mais extensa do infravermelho e com um campo significativamente mais extenso.
Mas nesta quadra da história, em que telescópios terrestres com espelhos entre 8 m e 10 m estão em plena operação e que telescópios gigantes de 25 m e 39 m estão sendo construídos, todos dotados de sistemas que neutralizam os efeitos da turbulência atmosférica, faz sentido colocar no espaço um telescópio de meros 2,4 m de diâmetro?
Em construção no Chile, com participação brasileira, o Telescópio Gigante Magalhães (Giant Magellan Telescope – GMT) integrará 7 espelhos de 8,4 m para compor seu espelho primário de 25 m. (Créditos: Giant Magellan Telescope – GMTO Corporation.)
Faz todo sentido se o objetivo é observar em regiões do espectro em que a atmosfera terrestre é opaca!
Felizmente a atmosfera terrestre bloqueia a radiação nas faixas do ultravioleta e dos raios x, mas além dessas faixas absolutamente nocivas à nossa saúde, a atmosfera também não é transparente para a maior parte da radiação infravermelha. E é na região do infravermelho próximo, com comprimento de onda de até 2300 nanometros, que o Telescópio Roman vasculhará o céu, produzindo dados valiosos para o estudo de alguns dos temas centrais da astronomia atual: matéria escura, energia escura e detecção de exoplanetas.
Wide Field Instrument (WFI)
O coração do Telescópio Roman é o Wide Field Instrument (WFI), uma câmera de 300 megapixels, com capacidade de imageamento no infravermelho próximo e em parte do espectro visível. A câmera é baseada em um conjunto de 18 detectores de 4096×4096 pixels, que cobrirá um campo de 0,8ºx0,4º, correspondendo a 200 vezes o campo coberto pelo canal infravermelho da câmera WFC3 do Telescópio Hubble!
A matriz de 18 sensores no plano focal (Focal Plane Array) do telescópio Nancy Gracy Roman, numa composição que totaliza 300 Megapixels. (Créditos: Detector Characterization Laboratory/Goddard Space Flight Center).
Nunca antes na história deste universo, um telescópio espacial teve uma visão tão ampla!
Lançado em 1990, mas modernizado e reparado em 4 ocasiões (a última delas durante a Service Mission 4, em 2009), o Hubble segue desempenhando um importante papel observando pequenas regiões do céu em alta resolução. Mas cobrir grandes áreas de maneira eficiente é uma tarefa que escapa de suas capacidades. A imagem abaixo compara o campo integrado do Roman com o campo do Hubble e deixa clara a extensão do panorama produzido pelo novo telescópio.
Comparação entre os campo sdo telescópio Nancy Grace Roman e Hubble. Créditos: NASA/GSFC/STScI
Três Grandes Levantamentos
A missão central do Telescópio Roman tira vantagem de seu amplo campo de visão para produzir três grandes levantamentos. Um levantamento (ou survey) é grande projeto de mapeamento. Uma espécie de censo astronômico.
O primeiro deles é o Galactic Bulge Time-Domain Survey (Levantamento do Bojo Galáctico no Domínio do Tempo). Neste levantamento, durante 438 dias, uma área de 1,7º quadrados do bojo galáctico será imageada a cada 12 minutos. O objetivo é a detecção de exoplanetas, buracos negros e fenômenos transientes.
No High-Latitude Time-Domain Survey (Levantamento de Alta Latitude no Domínio do Tempo), o “Alta Latitude” se refere a um campo afastado do plano galáctico. Observando na direção do plano da Via Láctea, a visão de outras galáxias é obstruída pela poeira no meio interestelar. É olhando para regiões mais afastadas desse plano que podemos enxergar regiões mais distantes do universo. Neste levantamento, 30h serão dedicadas à observação de uma área de 18º quadrados a cada 5 dias. Ao observar repetidamente a mesma região do céu, espera-se uma massiva detecção de fenômenos transientes, especialmente de um tipo específico de estrelas cataclísmicas: as supernovas tipo Ia. A detecção desse tipo de estrela é importante para a determinação de distâncias em escala cosmológica, permitindo calibrar parâmetros relacionados à velocidade de expansão do universo. Esse é um passo importante para fornecer pistas para o entendimento da energia escura, uma espécie de pressão interna que que parece acelerar a expansão do universo. Este é um dos maiores desafios atuais da astrofísica e da cosmologia.
O High-Latitude Wide-Area Survey (Levantamento de Alta Latitude de Grande Área) cobrirá uma área correspondente a 12% do céu, combinando imageamento e espectroscopia. Estas observações contribuirão principalmente para a compreensão da formação e evolução de galáxias distantes, da distribuição da matéria escura no universo e dos processos de formação estelar.
Os dados desses três levantamentos serão públicos, o que garante que além dos objetivos científicos planejados, a comunidade astronômica poderá vasculhá-los para produzir ciência além dos objetivos iniciais, utilizando dados de alta qualidade que podem avançar outras áreas da pesquisa em astrofísica.
Ciência Cidadã
Ter dados públicos significa que fora da comunidade científica profissional, também é possível acessar e trabalhar livremente com esses dados. Assim como os dados produzidos pelo telescópio Roman, os dados dos telescópios James Webb e Hubble também são livremente acessíveis e podem inclusive ser usados de forma lúdica para a produção de imagens inéditas, utilizando ferramentas gratuitas e de código aberto.
Quer saber como acessar e trabalhar esses dados? A gente te ajuda. Confira essa postagem: https://ceuprofundo.com/2021/01/17/um-hubble-pra-chamar-de-seu/ e também essa playlist em nosso canal do youtube, onde mostramos em detalhes como você também pode ter um telescópio espacial para chamar de seu!
Em agosto, os portais de notícias não economizarão no entusiasmo para anunciar uma série de eventos no calendário astronômico, mas é bom conter as expectativas: muitos deles não sou observáveis do hemisfério sul e outros sequer são realmente eventos observáveis.
Um eclipse solar total no dia 12 de agosto está completamente fora do alcance dos olhares em solo brasileiro. A chuva de meteoros Perseídeos, embora tenha uma previsão de atividade abaixo da média em 2026, é uma das chuvas mais prolíficas para o hemisfério norte. No entanto, seu radiante fica muito baixo para observação em latitudes ao sul do equador, ou seja: não espere um fluxo espetacular de meteoros observados do Brasil.
Mas feita essa advertência, vamos partir para o que realmente está no esperando no céu do mês! Tem eclipse lunar visível de todo o Brasil, belas conjunções e até a colisão de um foguete com a Lua!
Calendário Astronômico – AGOSTO/2026
Data e Hora | Evento
2026/08/02 08h | Mercúrio em máxima elongação oeste (19°)
2026/08/03 04h | Netuno 4,4° S da Lua
2026/08/06 02h | Quarto minguante
2026/08/07 14h | Urano 5,3° S da Lua
2026/08/08 23h | Lua na máxima declinação norte (28,1°)
2026/08/09 05h | Marte 4,4° S da Lua
2026/08/10 11h | Lua no perigeu
2026/08/10 22h | Pollux 3,6° N da Lua
2026/08/11 13h | Mercúrio 2,0° S da Lua
2026/08/12 00h | Júpiter 1,4° S da Lua
2026/08/12 17h | Lua nova (Eclipse) *
2026/08/13 --- | Pico de atividade dos Perseídeos ***
2026/08/13 10h | Regulus 0,5° N da Lua (Ocultação) **
2026/08/15 05h | Vênus em máxima elongação leste (46°)
2026/08/15 10h | Mercúrio 0,5° N de Júpiter
2026/08/16 07h | Vênus 1,8° N da Lua
2026/08/17 10h | Spica 2,2° N da Lua
2026/08/20 02h | Quarto crescente
2026/08/21 04h | Antares 0,6° N da Lua (Ocultação)*
2026/08/22 08h | Lua no apogeu
2026/08/22 10h | Lua na máxima declinação sul (-28,1°)
2026/08/25 13h | Mercúrio 1,3° N de Regulus
2026/08/25 16h | Plutão 2,0° S da Lua
2026/08/27 17h | Mercúrio em conjunção superior
2026/08/28 04h | Lua cheia (Eclipse)
2026/08/30 09h | Netuno 4,3° S da Lua
* Evento não visível do Brasil.
** Evento diurno.
*** Observação desfavorável no hemisfério sul.
Destaques do Mês
A Lua
A Lua e o Sol protagonizam dois encontros durante o mês. O primeiro deles é um eclipse total visível do ártico e de parte da Península Ibérica, ou seja, nada observável do Brasil.
O segundo encontro sim precisa estar marcado em sua agenda: o eclipse lunar na noite de 27 para 28 de agosto poderá ser observado de todo o Brasil. Apesar de parcial, a fração da Lua que entrará na parte mais escura da sombra terrestre, a umbra, é de mais de 96%. O máximo do eclipse ocorre pouco depois da primeira hora da madrugada no dia 28 de agosto. A entrada na fase parcial inicia pouco depois das 23:30h do dia 27. A tabela abaixo traz os principais instantes do eclipse, tudo no horário de Brasília.
Lua entra na penumbra (inicio da fase penumbral)
22:23h
Lua entra na umbra (inicio da fase parcial)
23:33h
Máximo do eclipse
01:12h
Lua sai da umbra (fim da fase parcial)
02:52h
Lua sai da penumbra (fim da fase penumbral)
04:02h
Simulação da entrada na umbra, máximo do eclipse e saída umbra, para o eclipse de 27 para 28 de agosto de 2026. Simulação: Stellarium 26.2/Wandeclayt M.
Planetas
Não há nenhum agrupamento incomum de planetas em agosto. Apesar disso, já vimos postagens alardeando um desfile de 6 planetas agrupados durante o mês. Aparentemente postar isso virou garantia de cliques e engajamento para produtores conteúdo não especializados em astronomia.
De qualquer forma, é bom lembrar que apenas 5 planetas são visíveis a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.
Destes 5 planetas, Júpiter está numa posição especialmente desfavorável para observação durante agosto, inconvenientemente muito próximo do Sol ao amanhecer. Isso reduz o cardápio de planetas observáveis a olho nu para 4 durante a maior parte do mês.
A responsabilidade de embelezar o céu vepertino acaba ficando inteiramente a cargo de Vênus, brilhante intensamente no anoitecer e podendo inclusive ser vista A OLHO NU durante o dia, se você olhar na direção correta. Atingindo no dia 15 a máxima elongação a leste, a posição em que vemos Vênus mais afastado do Sol no céu do anoitecer, seu brilho, durante todo o mês, é tão intenso que, mesmo com plena luz do dia, é possível perceber um ponto brilhante no céu azul! Se você aceitar o desafio de procurar o brilhante Vênus durante o dia, a Lua pode dar uma ajudinha nos dias 15 e 16 e servir de referência. Nas imagens abaixo, a linha vertical verde é o meridiano locale a linha alaranjada é a eclíptica. As imagens foram geradas no planetário digital Stellarium, para as coordenadas de São José dos Campos.
Vênus e a Lua, durante a passagem meridiana de Vênus, no dia 15 de agosto (aproximadamente às 14:50h BRT, para observação em São José dos Campos – SP) – Simulação: Stellarium 26.2/Wandeclayt M.Vênus e a Lua, durante a passagem meridiana de Vênus, no dia 16 de agosto (aproximadamente às 14:50h BRT, para observação em São José dos Campos – SP) – Simulação: Stellarium 26.2/Wandeclayt M.
Perseídeos
Esta é provavelmente a mais famosa chuva de meteoros. Ocasionalmente atingindo taxas de 100 meteoros por hora, tem espaço garantido nas manchetes da imprensa tradicional ou nas postagens de influenciadores de mídias digitais. Mas a verdade é que todo esse destaque vem de uma tradução quase que automática das publicações do hemisfério norte.
Com um radiante posicionado muito ao norte para a maior parte do território brasileiro, a taxa de metoros observada por hora é severamente reduzida para observadores mais ao sul do equador. Na latitude de São José dos Campos (~23ºS), o radiante em seu ponto mais alto, não excede os 10º de elevação.
Ainda assim, fica a dica para observação de qualquer chuva de meteoros: nenhum instrumento é necessário. Basta uma acomodação confortável, alguma proteção para o frio da madrugada e a persistência de manter os olhos no céu. Não há posição provilegiada. Não é preciso olhar para o radiante. Escolha uma região do céu, recline-se e comece a contar os meteoros! Procure identificar as trajetórias, as cores, o tamanho e a persistência dos rastros. Seguindo o caminho inverso das trajetórias, você deverá chegar ao radiante. Se por um acaso o meteoro observado veio de outra direção, você observou um meteoro esporádico e não um componente da chuva.
Radiante da cuva de meteoros Perseídeos na madrugada de 13 de agosto de 2026 na latitude 22.8º (São José dos Campos). Simulação: Stellarium 26.2/Wandeclayt M.
Mapa do Mês – Agosto de 2026
Para identificar os planetas no céu durante o mês, use o mapa abaixo.
Planetas do Sistema Solar durante o mês de agosto. Clique no mapa para ampliar.
Planetas do Sistema Solar durante o mês de agosto. Clique no mapa para ampliar.
Planetas do Sistema Solar durante o mês de agosto. Clique no mapa para ampliar.
Todos os textos neste portal são escritos por humanos, sem uso de inteligência artificial generativa. As efemérides são construídas utilizando os software Occult V4.0, Stellarium e o pacote Astroquery em um notebook Python. Se você encontrou algo errado ou inconsistente, a falha é, com muito orgulho, inteiramente humana.
Cometa C/2025 R3 (PanSTARRS) fotografado em São José dos Campos em 1º de maio de 2026. Telescópio Seestar S50 (exposição 11x 10s). [Wandeclayt M./Projeto Ceu Profundo]
Embora esteja longe de ser um espetáculo a olho nu, ou mesmo em binóculos (como o Tsuchinshan-ATLAS em 2024), o cometa C/2025 R3 (PanSTARRS) é o cometa mais brilhante da temporada e já se posiciona favoravelmente para observadores no Brasil.
Na primeira quinzena de maio, o C/2025 R3 pode ser fotografado e observado com pequenos instrumentos no horizonte oeste ao anoitecer. Sua trajetória facilita a localização, numa região onde constelações familiares como Órion pode ser facilmente reconhecida mesmo por observadores menos experientes.
Após passar pelo periélio no dia 19 de abril, o cometa segue se afastando do Sol e perdendo brilho, mas proporcionando um maior contraste contra o céu ao se elevar no horizonte oeste a cada noite. A figura abaixo mostra a posição do C/2025 R3 entre os dias 1º e 11 de maio. O símbolo azulado marca a posição exata a cada noite, às 18h, no céu de São José dos Campos. Para a sua cidade, o horário não é a informação mais relevante. Apenas espere que Vênus esteja visível no crepúsculo e busque se orientar pelas estrelas mais brilhantes na constelação de Órion. Betelgeuse e Rígel (veja o mapa abaixo) são as primeiras a aparecer.
A marcação mais baixa no mapa corresponde ao dia 1º e a mais alta ao dia 11. Entre os dias 7 e 8, a estrela Rígel, na constelação de Órion, é uma excelente referência e no dia 10 as imagens são promissoras: o cometa passa ligeiramente ao sul da grande nebulosa de Órion (M42).
Esperamos seus registros e relatos e esperamos mais ainda que você se junte ao nosso time dos grandes admiradores destes visitantes dos confins gelados do Sistema Solar.
Curso Primeira Luz (2025). Aula prática de observação no Observatório da UNIVAP. Imagem: Wandeclayt M./Projeto céu Profundo.
O Projeto Céu Profundo e o Observatório de Astronomia e Física Espacial da UNIVAP, oferecem a partir do dia 5 de maio mais um edição do curso Primeira Luz – Uma Introdução à Observação do Céu, com aulas teóricas e práticas de reconhecimento do céu, manuseio de telescópios e fundamentos de astronomia.
O curso é gratuito e oferecido na modalidade presencial, compreendendo 10 encontros com 2 horas de duração (cada) em que abordaremos o seguintes tópicos.
A Esfera Celeste – Movimentos, Constelações, Objetos de Céu Profundo.
Observando na Cidade. Lua, Planetas, Estrelas Duplas, Aglomerados Estelares.
Observação Solar.
Encontros extras, opcionais, podem ser agendados para observação do céu, fora da programação.
As aulas são ministradas por Wandeclayt Melo, astrônomo amador e divulgador científico no Projeto Céu Profundo, com 30 anos de experiência em atividades de divulgação da astronomia e observação astronômica.
Lançado em 24 de abril 1990 para inaugurar uma era de imagens alta resolução capturadas em órbita, o Telescópio Espacial Hubble (HST) segue batendo recordes de longevidade e mantendo sua relevância científica, mesmo após telescópios gigantes em solo incorporarem tecnologias que permitem atingir e até superar a resolução das imagens do veterano em órbita.
Detalhe da Nebulosa Trífida (M20) em imagem comemorativa dos 36 anos de lançamento do Telescópio Espacial Hubble (NASA, ESA, STScI; Processamento: Joseph DePasquale (STScI)).
O aniversário do HST é uma data tradicionalmente celebrada com a divulgação de uma imagem impactante, exibindo as capacidades do notável instrumento num perfeito cruzamento entre ciência e arte.
Em 2026, a imagem escolhida é um detalhe de uma das mais fotogênicas nebulosas difusas, a Nebulosa Trífida (M20). Localizada a aproximadamente 5000 anos luz na direção da constelação de Sagitário, a Trífida pode ser observada e fotografada com pequenos telescópios. O telescópio Hubble, no entanto, mergulha muito mais profundamente na nebulosa, revelando intrincados detalhes em um campo de apenas 2.7 minutos de arco (o equivalente a pouco menos de um décimo do diâmetro aparente da Lua Cheia). A figura abaixo compara a extensão do campo capturado pelo Hubble com uma visão mais familiar da nebulosa Trífida, capturada com telescópio inteligente Seestar S50 (Wandeclayt M./Projeto T05).
Detalhe capturado pelo Telescópio Hubble em comparação com o campo do telescópio Seestar S50. (Wandeclayt M.(Projeto T05); NASA, ESA, STScI; Joseph DePasquale (STScI))
A imagem foi capturada utilizando a Wide Field Camera 3 (WFC3), um instrumento instalado em 2009, durante a quarta e última campanha de modernização do Hubble. Orbitando a Terra a 500 km de altitude, hoje, após o encerramento das atividades dos ônibus espaciais operados pela NASA, não há veículos com capacidade para transportar equipes para realização de novas manutenções no telescópio.
Como é usual em câmeras astronômicas de alto desempenho, a WFC3 é uma câmera monocromática, registrando apenas imagens em preto e branco. O processo para produzir imagens coloridas, como a imagem comemorativa nesta postagem, consiste em capturar separadamente as faixas do espectro luminoso e em seguida combiná-las em uma imagem colorida.
Como nasce uma imagem astronômica?
Bateu a curiosidade pra saber como nasceu essa imagem? Abaixo criamos uma composição usando três dos arquivos originais. Cada captura foi realizada utilizando um filtro que deixa passar apenas uma faixa muito estreita das frequências (ou comprimentos de onda) da luz emitida pela nebulosa. Embora as imagens resultantes sejam em preto e branco, podemos atribuir cores diferentes a cada captura e em seguida combiná-las numa única composição, obtendo uma imagem colorida.
Os filtros utilizados selecionam especificamente os comprimentos de onda emitidos pelo oxigênio ionizado (OII), hidrogênio (H alfa) e enxofre duplamente ionizado (SIII). Como usual, atribuímos os comprimentos de onda mais curtos à camada azul, os intermediários à camada verde e os mais longos, à vermelha. Isso causa um certo deslocamento nas cores originais, já que tanto o hidrogênio alfa (656 nm) e o SIII (673 nm) estão na parte do espectro que percebemos como vermelho, mas oferece a contrapartida de permitir separar mais claramente cada uma dessas emissões.
Composição colorida dos dados do telescópio HST de detalhe da nebulosa Trífida. (Wandeclayt M./Projeto Céu Profundo).
O software utilizado por nós é o SAO Image DS9, que pode ser baixado gratuitamente aqui para os principais sistemas operacionais atuais. Não deixe de conferir em nosso canal do youtube uma série de tutoriais sobre o uso do DS9 e a manipulação de imagens do Hubble:
O cometa C/2025 A6 (Lemmon) chega aos céus do hemisfério sul, mas é bom conter as expectativas. O Céu de novembro também tem super Lua, mas vamos revelar um grande segredo sobre isso: ao telescópio, toda Lua é super. Saturno decora o céu durante a noite e a constelação de Órion abre caminho para a chegada do verão. Nos acompanhe para não perder as atrações do céu de novembro!
Cometa C/2025 R2 (SWAN) em imagem capturada através de telescópio Seestar S50, em São José dos Campos (SP), em 2025-10-21. (Créditos: Wandeclayt M./Céu Profundo/Observatório UNIVAP).
A chuva de meteoros Orionídeos também chega em boa hora, culminando próximo à Lua nova, promete recompensar quem decidir atravessar a madrugada de 22 de outubro sob o céu estrelado!
Acompanhe esses e outros destaques em nosso calendário astronômico de Novembro.
Data e Hora | Evento
2025/11/02 04h | Vênus 3.5°N de Spica
2025/11/02 05h | Saturno 3.2°S da Lua
2025/11/02 12h | Netuno 2.5°S da Lua
2025/11/05 10h | Lua Cheia
2025/11/05 20h | Lua no perigeu
2025/11/06 12h | Urano 5.0°S da Lua
2025/11/08 08h | Lua mais ao norte (28.4°)
2025/11/09 16h | Mercúrio estacionário
2025/11/10 03h | Pollux 2.7°N da Lua
2025/11/10 06h | Júpiter 3.8°S da Lua
2025/11/11 16h | Júpiter estacionário
2025/11/12 02h | Quarto Minguante
2025/11/12 19h | Mercúrio 1.2°S de Marte
2025/11/12 21h | Regulus 0.9°S da Lua
2025/11/17 07h | Spica 1.0°N da Lua
2025/11/18 09h | Marte 4.0°N de Antares
2025/11/19 01h | Vênus 5.4°N da Lua
2025/11/20 00h | Lua no apogeu
2025/11/20 03h | Lua Nova
2025/11/20 04h | Mercúrio 5.3°N da Lua
2025/11/20 06h | Mercúrio em conjunção inferior
2025/11/21 03h | Antares 0.4°N da Lua
2025/11/21 08h | Marte 4.4°N da Lua
2025/11/21 09h | Urano em oposição
2025/11/22 14h | Lua mais ao sul (-28.3°)
2025/11/24 23h | Mercúrio 1.0°N de Vênus
2025/11/25 10h | Plutão 0.4°S da Lua
2025/11/28 03h | Quarto Crescente
2025/11/28 21h | Saturno estacionário
2025/11/29 13h | Saturno 3.3°S da Lua
2025/11/29 15h | Mercúrio estacionário
2025/11/29 21h | Netuno 2.7°S da Lua
Destaques do Mês
A Lua
A Lua Cheia do dia 5 de novembro ocorre durante a passagem da Lua pelo ponto mais próximo da Terra em sua órbita. O efeito mais perceptível disso não é exatamente nas observações do nosso satélite, mas na avalanche de manchetes nos portais de notícias e nas redes sociais anunciando uma Super Lua que nem é tão super assim.
Mas aqui está o grande segredo que qualquer astrônomo amador conhece com muita propriedade: não importa a fase ou a distância, vista através do telescópio, toda Lua é SUPER.
A olho nu, a Lua Cheia de perigeu (é um jeito um pouco mais técnico de dizer “super Lua”) aparece 12% maior e 0,24 magnitudes mais brilhante que uma Lua Cheia no ponto mais distante da órbita (a Lua Cheia de apogeu). Isso significa que se ninguém te contar, dificilmente alguma diferença vai ser percebida.
Por outro lado, não negligencie as outras fases da Lua ou a sua observação quando ela estiver mais distante. Ao telescópio, há sempre uma bela visão da Lua nos esperando. Inclusive nos dias imediatamente antes e depois da Lua Nova, quando nosso satélite é apenas um fino arco prateado no crepúsculo ao amanhecer (antes da Lua Nova) ou ao anoitecer (depois da Lua Nova).
Cometas
O cometa C/2025 R2 (SWAN) afasta-se do centro do Sistema Solar, mas ainda é um alvo para telescópios em novembro. No entanto, os olhares se voltam em busca de outro cometa: o C/2025 A6 (Lemmon). A expectativa é de que este seja o cometa mais brilhante da estação, mas observadores mais ao sul estão em posição desfavorável para encontrá-lo no céu.
Curva de brilho do cometa C/2025 A6 (Lemmon) plotada a partir de dados observacionais da rede COBS. O Cometa está acima do limite de visibilidade a olho nu desde meados do mês de novembro, mas com observação prejudicada para observadores ao sul da linha do equador. Créditos: COBS
Como o hemisfério norte está favorecido para a observação, é de se esperar que os portais de notícia e influenciadores sociais com menos intimidade com a observação do céu sigam replicando a euforia dos observadores do norte, mas recomendamos alimentar pouco as expectativas. Com o cometa baixo no céu após o pôr do Sol, mesmo que ele torne-se muito brilhante, a experiência dos observadores ao sul do equador fica prejudicada pelo brilho do crepúsculo.
Planetas
Os anéis de Saturno, apesar de extensos, são estruturas delgadas, com apenas algumas dezenas de metros de espessura. É por isso que durante os equinócios de Saturno, quando a Terra cruza o plano dos anéis, eles se tornam virtualmente invisíveis.
Simulação da visão do planeta Saturno no início de novembro de 2025. Créditos: PDS Rings
Aproveite o mês de novembro para apreciar essa incomum visão de um Saturno sem anéis, antes que passemos a ver o majestoso planeta mais uma vez ostentando sua marca registrada.
Mapa do Mês – Novembro de 2025
Os planetas e o cometa C/2025 A6 (Lemmon) durante o mês de novembro/2025. Clique na imagem para ampliar.
Os planetas e o cometa C/2025 A6 (Lemmon) durante o mês de novembro/2025. Clique na imagem para ampliar.
Os planetas e o cometa C/2025 A6 (Lemmon) durante o mês de novembro/2025. Clique na imagem para ampliar.
O destaque do céu de Outubro é o cometa C/2025 R2 (SWAN). Apesar de não atingir brilho suficiente para ser visto a olho nu, sua posição favorece a observação com binóculos e telescópios a partir do hemisfério sul.
Cometa C/2025 R2 (SWAN) em imagem capturada através de telescópio Seestar S50, em São José dos Campos (SP), em 2025-10-21. (Créditos: Wandeclayt M./Céu Profundo/Observatório UNIVAP).
A chuva de meteoros Orionídeos também chega em boa hora, culminando próximo à Lua nova, promete recompensar quem decidir atravessar a madrugada de 22 de outubro sob o céu estrelado!
Acompanhe esses e outros destaques em nosso calendário astronômico de outubro.
Eventos Astronômicos de Outubro
Data e Hora | Evento
2025/10/01 19h | Plutão 0.0°N da Lua (Ocultação)
2025/10/02 19h | Mercúrio 1.7°N de Spica
2025/10/05 21h | Saturno 3.3°S da Lua
2025/10/06 02h | Netuno 2.5°S da Lua
2025/10/07 00h | Lua Cheia
2025/10/08 10h | Lua no perigeu
2025/10/10 03h | Urano 5.1°S da Lua
2025/10/12 00h | Lua mais ao norte (28.5°)
2025/10/13 15h | Quarto Minguante
2025/10/13 20h | Júpiter 4.2°S da Lua
2025/10/13 20h | Pollux 2.5°N da Lua
2025/10/14 04h | Plutão estacionário
2025/10/16 15h | Regulus 1.1°S da Lua
2025/10/19 15h | Vênus 3.2°N da Lua
2025/10/20 04h | Mercúrio 2.0°S de Marte
2025/10/21 01h | Spica 1.0°N da Lua
2025/10/21 09h | Lua Nova
2025/10/21-22 | Pico dos Orionídeos (ZHR=20)
2025/10/23 07h | Marte 4.3°N da Lua
2025/10/23 11h | Mercúrio 2.1°N da Lua
2025/10/23 20h | Lua no apogeu
2025/10/24 21h | Antares 0.5°N da Lua
2025/10/26 09h | Lua mais ao sul (-28.5°)
2025/10/29 03h | Plutão 0.1°S da Lua
2025/10/29 13h | Quarto Crescente
2025/10/29 16h | Mercúrio em maior elongação a leste (24°)
Destaques do Mês
O cometa C/2025 R2 (SWAN) atinge seu brilho máximo entre os dias 19 e 23 de outubro, quando passará pelo ponto mais próximo da Terra em sua órbita, a uma distância mínima de 39 milhões de km. Embora não seja possível observá-lo a olho nu, pequenos telescópios e binóculos podem ser usados para perceber seu aspecto esfumaçado e levemente esverdeado. Como em toda observação de objetos de pouco brilho, tente usar sua visão periférica, olhando com o canto do olho para perceber com mais facilidade o fraco brilho do cometa.
Na madrugada de 21 para 22 ocorre o pico de uma excelente chuva de meteoros. Ao contrário dos Perseídeos em agosto, que favorecem os observadores no hemisfério norte, os Orionídeos parecem irradiar de um ponto na constelação de Órion, alto o suficiente no céu do hemisfério sul para que todo o Brasil possa observar. Outro aspecto positivo nos Orionídeos de 2025 é a ocorrência de seu pico durante a Lua nova, garantindo que a luz de nosso satélite natural não vai interferir na experiência de quem conseguir madrugar para observar o pico desta chuva. A atividade esperada é de 20 meteoros por hora, nas condições mais favoráveis. Condições mais favoráveis neste caso significa céu escuro, vista adaptada (ou seja, nada de olhar pra tela de celular ou qualquer luz branca) e com o radiante no alto do céu. O radiante é um ponto na constelação de Órion (por isso esses meteoros se chamam Orionídeos) e quanto mais alto, mais meteoros veremos acima do horizonte.
Mapa do Mês – Outubro de 2025
Os planetas e o cometa C/2025 R2 (SWAN) durante o mês de outubro/2025. Clique na imagem para ampliar.
Os planetas e o cometa C/2025 R2 (SWAN) durante o mês de outubro/2025. Clique na imagem para ampliar.
Os planetas e o cometa C/2025 R2 (SWAN) durante o mês de outubro/2025. Clique na imagem para ampliar.
Mais do que uma conjunção, teremos um verdadeiro congestionamento de cometas no céu no dia 20 de setembro! E vai ser lindo!
O recém descoberto cometa C/2025 R2 (SWAN), fotografado de São José dos Campos na noite de 16 de setembro na região da estrela Spica. Créditos: Wandeclayt M./@ceuprofundo
Mas o cardápio é ainda mais completo! Além de dois cometas, em um campo com menos de 3º teremos também o planeta Marte. Isso equivale a uma largura aparente no céu de aproximadamente 6 vezes o diâmetro da Lua Cheia
Simulação da conjunção entre Marte e os cometas C/2025 R2 (SWAN) e C/2025 K1 (ATLAS).
Mas infelizmente a beleza desse encontro não pode ser vista tão facilmente. Mesmo com a evolução do brilho dos cometas pelos próximos dias, observadores sob céus urbanos terão dificuldade até para observar a conjunção através de binóculos. O recurso ideal para o evento é a fotografia, com objetivas abertas o suficiente para cobrir o campo de 3º que emoldurará a conjunção!
Simulação de vista do horizonte oeste, na latitude de São Jsé dos Campos, ao entardecer do dia 20 de setembro.
Para observar, ou registrar, olhe para o poente, assim que a noite cair no dia 20 de setembro. A estrela mais brilhante, imediatamente acima do horizonte, é Spica, a alfa da constelação de Virgem. Um pouco mais alto no céu, você encontrará o planeta Marte. E mesmo que você não os veja, aponte sua câmera e experimente diferentes tempos de exposição. Você eventualmente encontrará dois pontos borrados que claramente não terão o aspecto de estrelas. Você também provavelmente vai perceber uma tonalidade azul esverdeada nesses pequenos borrões! É isso! Você encontrou os cometas C/2025 K1 (ATLAS) e C/2025 R2 (SWAN).