20 Anos de Ocupação Contínua da Estação Espacial Internacional

Estacão Espacial Internacional.

A cada 24h um laboratório científico, permanentemente tripulado, em órbita a 400 km de altitude, dá 16 voltas ao redor da Terra. Viajando a 27600 km/h, sua tripulação vê o Sol nascer e se pôr a cada 90 minutos enquanto conduz experimentos em microgravidade. Estamos falando da ISS, sigla em inglês da Estação Espacial Internacional, um ambicioso projeto de cooperação tecnológica, científica e política, envolvendo as agências espaciais dos EUA (NASA), da Europa (ESA), da Rússia (ROSCOSMOS), do Japão (JAXA) e do Canadá (CSA).

O módulo Zarya (Functional Cargo Block) foi o primeiro componente da ISS, lançado em 20/11/98 a bordo de um foguete russo Proton-K (imagem: NASA/ROSCOSMOS).

A ISS é a maior e mais complexa estrutura já colocada em órbita e é composta de módulos interligados, compondo um colossal laboratório espacial do tamanho de um campo de futebol que pode ser visto a olho nu da Terra!
Para enviar seus principais componentes ao espaço, foram necessários 37 voos dos ônibus espaciais norte-americanos e 5 voos dos foguetes russos Proton/Soyuz.

O início

Sua montagem se inicia com o lançamento do módulo Zarya em 20/11/98, por um foguete russo Proton-K, seguido pelo lançamento do módulo de conexão Unity em 04/12/98. Mas A construção passa a ser permanentemente habitável apenas no ano 2000, com o lançamento e instalação do módulo de serviço Zvezda, que forneceu acomodação, banheiros, áreas para exercícios e refeições, sistemas de armazenagem de comida e de reciclagem de água e canais de comando remoto e comunicação para dados, voz e vídeo para os centros de controle nos EUA e na Rússia.

A primeira configuração habitável da ISS. Da esquerda para a direita: 0s módulo de serviço Zvezda, o módulo Zarya (Functional Cargo Block/FGB) e a unidade de acoplamento Unity, em imagem registrada pela tripulação do ônibus espacial Endeavour em dezembro de 2000. À esquerda da imagem a espaçonave russa Soyuz aparece acoplada ao modulo Zvezda. (NASA)

E o Brasil?

Em 1997 o Brasil foi convidado a cooperar com o projeto, fornecendo componentes para a NASA. Como contrapartida, o Brasil teria acesso aos laboratórios em órbita e poderia enviar astronautas à Estação. O acordo bilateral previa a construção dos seguintes componentes (conforme o Diário Oficial da União de 07/11/1998):

  • – Instalação para Experimentos Tecnológicos (TEF)
  • – Janela de Observação para Pesquisa – Bloco 2 (WORF-2)
  • – Palete Expresso para Experimentos na Estação Espacial (EXPRESS)
  • – Container Despressurizado para Logística (ULC)
  • – Adaptador de Interface para Manuseio de Carga (CHIA)
  • – Sistema de Anexação ZI-ULC (ZI-ULC-AS)
O palete EXPRESS seria o principal componente fornecido pela indústria brasileira através da AEB (Agência Espacial Brasileira). O componente permite a conexão de cargas úteis ao exterior da ISS, compartilhando redes elétricas e de dados.

Após sucessivos atrasos e cortes no orçamento, pela parte do Brasil, ficou claro que não teríamos condições de honrar o acordo. E acabamos ficando de fora do consórcio de países com acesso à Estação. Sem cumprir o acordo com a NASA, a alternativa para enviar um brasileiro à ISS como parte da Missão Centenário – em celebração aos 100 anos do voo de Santos Dumont com o 14 Bis – foi pagar por uma vaga na espaçonave russa Soyuz em 2006.

Completando o Quebra-Cabeças.

A montagem da ISS foi interrompida após o desastre do ônibus espacial Columbia, em fevereiro de 2003. Com a frota de ônibus espaciais da NASA parada para revisões de segurança, o transporte de carga, passageiros e dos componentes da Estação passou a depender exclusivamente dos veículos russos Progress e Soyuz pelos dois anos e meio seguintes ao acidente. A catastrófica destruição da Columbia matando seus 7 tripulantes durante a reentrada na atmosfera aconteceu após uma missão sem relação com a ISS, mas seu impacto foi sentido no cronograma e na rotina da Estação. Além dos atrasos na conclusão da montagem, a tripulação permanente foi reduzida de 3 para 2 pessoas.

ISS em 2011, com todos os principais componentes integrados. (NASA)

A atual configuração da ISS foi completada em 2011, mas componentes menores continuaram sendo adicionados e modernizados.

Observando a ISS

Com seus atuais 109m de comprimento e seus vastos painéis solares é possível ver a olho nu a ISS cruzando os céus. É possível ver a localização em tempo real ou consultar a previsão de passagem da ISS sobre sua cidade acessando serviços como Spot the Station e Heavens-Above. A olho nu, sua aparência é de uma estrela brilhante, atravessando céu pouco após o pôr do Sol ou pouco antes do amanhecer, lembrando que o que vemos, é o reflexo da luz do Sol na Estação. Bem mais complicado é observar e registrar sua passagem através do telescópio, mas é um desafio que atrai astrofotógrafos e amadores da astronomia em todo o mundo e já fizemos também nossas tentativas. A imagem abaixo é nossa registro da passagem da ISS sobre São José dos Campos (SP) em 09/09/2020.

Celebração

A ISS não é o primeiro laboratório orbital tripulado. Os EUA converteram o último estágio de um dos foguetes Saturn V herdado do cancelamento das últimas missões Apollo na estação Skylab ainda nos anos 1970. A Rússia também acumulava décadas de experiência com suas estações Salyut e MIR.
Também não é novidade a cooperação entre estados normalmente antagonistas em outras questões: também nos anos 1970 a missão Apollo-Soyuz uniu norte-americanos e soviéticos no espaço.
Mas a escala de integração, o número de nações participantes e as perspectivas de longo prazo colocam a ISS além de todas as iniciativas anteriores!

Celebrar os 20 anos de ocupação da ISS é celebrar o sucesso de uma iniciativa de incomparável sucesso no uso pacífico e sustentável do espaço. É celebrar a cooperação internacional e o progresso da ciência. E como parte de nossa celebração montaremos ao vivo o kit comemorativo LEGO IDEAS da ISS em nosso canal do Youtube. Se você também vê motivos para comemoração, junte-se a nós!

Efemérides de novembro de 2020

Horizonte leste no amanhecer de 13 de novembro de 2020. A Lua aparece cercada pelos planetas Vênus e Mercúrio e pela estrela Spica - a mais brilhante na constelação da Virgem.
Amanhecer do dia 13 de novembro de 2020. A Lua surge acompanhada dos planetas Vênus e Mercúrio e da estrela Spica – a mais brilhante da constelação de Virgem.

Novembro chegou, o ano está acabando e trouxemos pra vocês uma lista bem legal de efemérides pra observar no céu noturno ao longo do mês! Tem conjunções entre a Lua e os planetas, chuvas de meteoros e até um eclipse penumbral. Mas vamos gerenciar as expectativas! A gente explica tudo pra você.

Atenção: todos os fenômenos listados podem ser observados a olho nu. Os horários são aproximados e estão na hora oficial de Brasília e se referem ao momento a partir do qual a observação é possível, e não necessariamente do pico do fenômeno em si (a menos quando informado). O horário exato e qualidade da observação dependem da latitude do observador. 

03/11 – Lua começando a minguar próxima à estrela Aldebarã, a mais brilhante da constelação do Touro, e também dos aglomerados abertos da Plêiades e das Híades após as 20:00

06-07/11 – Lua minguante próxima às estrelas Castor e Pollux (alfa e beta da constelação de Gêmeos) nascendo no horizonte leste no início da madrugada 

08/11 – Lua em quarto minguante visível a partir da 01:00 nascendo no horizonte leste

09/11 – Lua minguante próxima à estrela Regulus, a mais brilhante da constelação do Leão, após 01:30 nascendo no horizonte leste

12/11 – Máxima atividade da chuva de meteoros Taurídeos Boreais a partir da 01:00 da manhã na região da constelação do Touro. ATENÇÃO: a previsão é de cerca de 5 meteoros por hora. 

12/11 – Conjunção entre a Lua minguante e o planeta Vênus visível no horizonte leste a partir das 04:00 da madrugada

13/11 – Conjunção entre a Lua minguante, os planetas Vênus e Mercúrio e a estrela Spica, a mais brilhante da constelação da Virgem, visível brevemente nascendo no horizonte leste entre as 4:30 e o nascer do Sol

15/11 – Lua nova, não visível no céu noturno

16/11 – Conjunção entre o planeta Vênus e a estrela Espica, a mais brilhante da constelação da Virgem, visível brevemente nascendo no horizonte leste entre as 4:30 e o nascer do Sol

17/11 – Máxima atividade da chuva de meteoros Leonídeos ao longo da madrugada na região da constelação do Leão. ATENÇÃO: a previsão é de cerca de 15 meteoros por hora. 

18-19/11 – Conjunção entre a Lua crescente e os planetas Júpiter e Saturno ao anoitecer

21-22/11 – Máxima atividade da chuva de meteoros Alfa-Monocerotídeos ao longo da madrugada na região da constelação do Unicórnio. ATENÇÃO: a taxa de meteoros por hora é variável. 

22/11 – Lua em quarto crescente visível após o por do Sol

25/11 – Conjunção entre a Lua crescente e o planeta Marte ao anoitecer

28/11 – Máxima atividade da chuva de meteoros Orionídeos de Novembro visível ao final da noite. ATENÇÃO: a previsão é de cerca de 3 meteoros por hora. 

29/11 – Conjunção entre a Lua quase cheia, a estrela Aldebarã (a mais brilhante da constelação do Touro) e os aglomerados abertos da Plêiades e das Híades ao anoitecer

30/11 – Lua cheia visível no céu ao longo de toda a noite e madrugada

30/11 – Eclipse penumbral da Lua ao fim da madrugada e início da manhã. ATENÇÃO: eclipses penumbrais NÃO SÃO perceptíveis a olho nu. 

Observe o fenômeno da luz cinérea da Lua minguante entre os dias 10 e 13, do início da madrugada até o amanhecer, e da Lua crescente entre os dias 17 e 20, ao anoitecer.

Mercúrio está pouco visível pouco antes do nascer do Sol, a depender da localização do observador.

Júpiter e Saturno podem ser observados no alto do céu, próximos ao zênite, a partir do anoitecer e até cerca de 22:00 da madrugada ao longo de todo o mês. 

Marte nasce ao por do Sol e pode ser visto até cerca de 03:00 da madrugada. Procure pelo ponto mais brilhante do céu, de cor avermelhada.

Vênus é visível nascendo no horizonte leste após as 04:00 da madrugada.

Tem alguma dúvida de observação? Viu algo estranho no céu? Quer entender melhor como começar a observar? Mande sua dúvida ou comentários para nossa equipe através das nossas redes sociais!

Planetário Virtual na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Numa parceria com o Centro de Estudos Astronômicos (CEA) transmitiremos dentro da programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia sessões diárias de planetário virtual e de observação telescópica em nosso canal do Youtube.
As atividades acontecem de segunda a sexta (19 a 23/10) e terão participação de astrônomos convidados, professores e divulgadores da astronomia.
Acompanhe:

Segunda 19/10
10:00h – Observação Solar: https://youtu.be/yklEpZP_mTQ
15:00h – Planetário Virtual: https://youtu.be/bEJIGogZKDQ
20:00h – Observação de Júpiter: https://youtu.be/WX_OcNIcXx0

Terça 20/10

9:00h – Planetário Virtual: https://youtu.be/XbKD1eJu4xQ
20:00h – Observação de Saturno: https://youtu.be/kdjoux14gtE

Quarta 21/10

10:15h – Observação Solar: https://youtu.be/V4-g1Bn2ZwE
15:00h – Planetário Virtual: https://youtu.be/XGRtM3QD7-8
20:00h – Observação de Marte: https://youtu.be/Urb1yUXE5u0

Quinta 22/10

20:00h – Observação Lunar: Observação Cancelada (Meteorologia)

Sexta 23/10

13:30h – Planetário Virtual: https://youtu.be/pGzmf–VktA
15:00h – Observação Solar: https://youtu.be/nr579-eq3OY
20:00h – Observação Lunar: https://youtu.be/C2UnazyrMK4