Atalhos do Stellarium – Cheat Sheet

O planetário virtual Stellarium é uma das mais poderosas ferramentas de simulação do céu, incorporando diversos catálogos e dotado de funcionalidades que o tornam ideal para para o planejamento de observações, para a ilustração de aulas e palestras ou para a mais pura diversão!

Tela capturada do planetário virtual Stellarium

Mas seu poder consegue ser ampliado quando nos tornamos fluentes no uso de seus muitos atalhos de teclado! E para ajudar você a ganhar essa fluência, elaboramos um cartão com atalhos úteis, prontinho pra ser seu companheiro em sua próxima sessão do Stellarium!

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Inscrições Abertas: Curso Primeira Luz 2026.2

Estão abertas as vagas para a nova turma do curso de introdução à observação do céu Primeira Luz! Esta é a terceira edição do curso ministrada no Observatório de Astronomia e Física Espacial da UNIVAP e oferece aos seus participantes um programa abrangente que inicia nos fundamentos do funcionamento de um telescópio e segue até a prática de reconhecer e localizar no céu objetos do Sistema Solar, estrelas duplas e objetos do céu profundo, como aglomerados estelares, nebulosas e galáxias.

O curso é gratuito, com dois encontros semanais no campus Urbanova da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP) em São José dos Campos – São Paulo.

O curso é recomendado para qualquer pessoa com interesse na observação do céu, independente de formação ou experiência prévia e é indicado para maiores de 13 anos.

Menores de 18 devem ser acompanhados por um adulto responsável.

As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas na plataforma Sympla, no link abaixo:
INSCRIÇÕES

Programa do Curso

  • A Esfera Celeste – Movimentos, Constelações, Objetos de Céu Profundo. 
  • Cartas Celestes – Coordenadas Celestes, Magnitudes, Catálogos Astronômicos. 
  • Sistema Solar – Sol, Planetas, Planetas Anões, Cometas, Asteroides, Órbitas.
  • Telescópios – Refletores, Refratores, Catadióptricos. Oculares. 
  • Prática Observacional: Lua, Planetas, Estrelas Duplas, Aglomerados Estelares. 
  • Lua – Reconhecimento de formações na superfície lunar.
  • Observação Solar.

Calendário Astronômico – Setembro 2026

Primavera nos céus do sul!

O glorioso céu de inverno começa a se despedir e abre espaço para novos tesouros celestes em nosso calendário astronômico. A bandeirada final para a estação fria e a largada para a estação das flores é a passagem do Sol pelo equador celeste no dia 22 de setembro às 21:05h, marcando o equinócio de primavera no hemisfério sul e de outono no hemisfério norte.

É quando a noite e o dia claro tem exatamente a mesma duração e ambos os hemisférios estão igualmente iluminados pelo Sol.

Observe o nascer e o pôr do Sol entre os dias 22 e 23 para identificar os pontos cardeais leste e oeste! Apenas nos equinócios o Sol nasce exatamente nestes pontos.

E que tal inciar um projeto fotográfico registrando o nascer ou o pôr do Sol em diferentes estações? O resultado vai ser parecido com o quadro abaixo, composto por imagens que registramos em São José dos Campos (SP).

Pôr do Sol no início das diferentes estações fotografado a partir do mesmo ponto em São José dos Campos - SP. Há quatro imagens alinhadas da mesma paisagem. A primeira imagem, do equinócio de março, mostra o Sol exatamente no ponto cardeal oeste. Em junho, o Sol aparece se pomdo 23 graus ao norte. Em setembro, no equinócio, o Sol se pões novamente no ponto cardeal oeste. Na imagem de dezembro, no solstício de verão, o Sol aparece se pondo 23 graus ao sul. Nosso calendário é sincronizado com esse ciclo.
Pôr do Sol em São José dos Campos. Registrado a partir do mesmo ponto no início de cada uma das estações do ano. Imagens/Composição: Wandeclayt M./Projeto Céu Profundo.

Mas há muito mais que o equinócio para colocar na sua agenda em setembro! Confira abaixo nosso calendário astronômico e logo em seguida, os destaques do mês e a posição dos planetas do Sistema Solar durante o mês.

Calendário Astronômico – SETEMBRO/2026

Data e Hora    | Evento

2026/09/02 04h | Vênus 1,5° S de Spica
2026/09/03 05h | Lua a 3° das Plêiades
2026/09/03 18h | Urano 5,4° S da Lua
2026/09/04 04h | Quarto minguante
2026/09/05 03h | Lua na máxima declinação norte (28,1°)
2026/09/06 16h | Marte 2,9° S da Lua
2026/09/06 17h | Lua no perigeu
2026/09/07 03h | Pollux 3,6° N da Lua
2026/09/08 15h | Júpiter 0,8° S da Lua (Ocultação)*
2026/09/09 16h | Regulus 0,5° N da Lua (Ocultação)*
2026/09/10 15h | Urano estacionário
2026/09/11 00h | Lua nova
2026/09/12 01h | Mercúrio 3,4° N da Lua
2026/09/13 16h | Spica 2,2° N da Lua
2026/09/14 08h | Vênus 0,5° S da Lua (Ocultação)*
2026/09/17 06h | Marte 5,9° S de Pollux
2026/09/17 09h | Antares 0,5° N da Lua (Ocultação)*
2026/09/18 15h | Lua na máxima declinação sul (-28,1°)
2026/09/18 17h | Quarto crescente
2026/09/18 23h | Lua no apogeu
2026/09/21 20h | Plutão 2,0° S da Lua
2026/09/22 21h | Equinócio
2026/09/25 22h | Netuno em oposição
2026/09/26 04h | Mercúrio 0,9° N de Spica
2026/09/26 12h | Netuno 4,3° S da Lua
2026/09/26 13h | Lua cheia
2026/09/30 23h | Urano 5,3° S da Lua

* Ocultação não visível do Brasil.

Destaques do Mês

A Lua

Ao percorrer sua órbita ao redor da Terra a Lua inevitavelmente proporciona encontros deslumbrantemente fotogênicos todos os meses. Em setembro, destacamos alguns desses encontros para você marcar na agenda:

Conjunção Lua-Plêiades (03/09)

Na madrugada do dia 3 de setembro a Lua passa a cerca de 3 graus do famoso aglomerado das Plêiades, na constelação de Touro. Observe pouco antes do nascer do Sol, já que a máxima aproximação acontecerá durante o dia.

Conjunção entre Lua e Plêiades em 03 de setembro de 2026. Simulação; Stellarium 26.2.0/Wandeclayt M./Projeto Céu Profundo.

Conjunção Vênus-Lua (14/09)

No entardecer de 14 de setembro, Vênus e a Lua decoram o horizonte oeste. Dica: tente identificar Vênus um pouco abaixo da Lua ainda com o dia claro.

Conjunção entre Lua e Vênus, em 14 de setembro de 2026. Simulação; Stellarium 26.2.0/Wandeclayt M./Projeto Céu Profundo.

Planetas

Nenhum alinhamento incomum acontecerá em setembro, mas isso não significa que os observadores de planetas passarão o mês sem se encantar com imagens do Sistema Solar!

Conjunção Vênus e Spica (alfa da Virgem)

Iniciando as conjunções planetárias do mês, Vênus e Spica se encontram ao entardecer do dia 2 de setembro no horizonte oeste. O brilhante planeta passa a apenas 1,5° da estrela Spica (magnitude 0,97), a alfa da constelação de Virgem. É uma excelente oportunidade de observação a olho nu ou com binóculos.

Conjunção Mercúrio e Spica (alfa da Virgem)

Se você ainda não tiver companhia para a noite do sábado 26 de setembro, vai ficar com inveja desse date triplo. Mercúrio passa a menos de 1° da estrela Spica, a alfa da constelação de Virgem, mas Vênus está de olho na dupla e logo os seguirá em direção ao horizonte oeste. Lulu Santos já ensinou que “Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite“, mas agora aprendemos que isso também vale para planetas e estrelas.

Vênus, Mercúrio e a estrela Spica no entardecer de 26 de setembro. Simulação; Stellarium 26.2.0/Wandeclayt M./Projeto Céu Profundo.

Os gráficos abaixo mostram a separação entre o planeta Vênus e o Sol e entre o planeta Mercúrio e o Sol ao longo do ano de 2026. As linhas laranjas indicam que o planeta é visível ao anoitecer e as linhas azuis indicam visibilidade ao amanhecer. Quanto maior a separação, mais fácil a observação do planeta.

O planeta Vênus seguirá deslumbrante no início das noites, inclusive com brilho suficiente para ser observado ainda no céu diurno (se você ouber exatamente para onde olhar). Mas sua elongação (o ângulo de separação entre o Sol e o planeta) começa a diminuir, mergulhando o planeta cada vez mais cedo no horizonte oeste, até que ele ressurja no céu matutino em novembro.

Elongação do planeta Vênus ao longo do ano de 2026. Créditos: Wandeclayt M./Projeto Céu Profundo.

Enquanto Vênus ensaia sua despedida, Mercúrio volta aos céus vespertinos em setembro, caminhando para a máxima elongação leste em outubro.

Elongação do planeta Mercúrio ao longo do ano de 2026. Créditos: Wandeclayt M./Projeto Céu Profundo.

O Senhor dos Anéis está de volta.

Após uma temporada nos céus da madrugada, Saturno volta a aparecer na primeira metade da noite. É uma passagem de bastão de um horizonte ao outro: enquanto Vênus se despede, Saturno assume o protagonismo.

Se tem dúvida de onde encontrar Saturno, a Lua pode dar uma ajudinha no dia 26 de setembro, quando ela nasce escoltando o planeta na direção da constelação de Peixes.

Mapa do Mês – Setembro de 2026

Para identificar os planetas no céu durante o mês, use o mapa abaixo.

E no Céu Profundo?

O centro da Via Láctea segue bem posicionado para observação no início da noite, abrigando dezenas de aglomerados e nebulosas facilmentente localizáveis e observáveis com pequenos instrumentos. O grande aglomerado globular 47 Tucanae também ergue-se no céu ainda na primeira metade da noite. O cardápio de objetos de céu profundo segue farto, mas isso pede um post dedicado a essas maravilhas distantes! E esperamos você aqui de volta para as dicas de como localizar e observar essas joias no mês de setembro.

Todos os textos neste portal são escritos por humanos, sem uso de inteligência artificial generativa. As efemérides são construídas utilizando os software Occult V4.0, Stellarium e o pacote Astroquery em um notebook Python.
Se você encontrou algo errado ou inconsistente, a falha é, orgulhosamente, inteiramente humana.


Nancy Grace Roman – Um novo super telescópio no espaço.

O time de grandes telescópios da NASA ganha um novo e poderoso reforço com o lançamento do telescópio Roman. Um telescópio de 2,4 m de abertura, com a missão de mapear extensas áreas do céu no infravermelho próximo!

renderização 3D mostrando o telescópio Roman contra o céu escuro e estrelado, simulando sua posição em órbita.
Simulação do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman em órbita, no ponto lagrangeano L2. (Créditos: NASA/SVS)

O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman tem um espelho primário com as mesmas dimensões do utilizado pelo veterano Telescópio Espacial Hubbble, mas com detectores sensíveis em uma faixa mais extensa do infravermelho e com um campo significativamente mais extenso.

Mas nesta quadra da história, em que telescópios terrestres com espelhos entre 8 m e 10 m estão em plena operação e que telescópios gigantes de 25 m e 39 m estão sendo construídos, todos dotados de sistemas que neutralizam os efeitos da turbulência atmosférica, faz sentido colocar no espaço um telescópio de meros 2,4 m de diâmetro?

Em construção no Chile, com participação brasileira, o Telescópio Gigante Magalhães (Giant Magellan Telescope – GMT) integrará 7 espelhos de 8,4 m para compor seu espelho primário de 25 m. (Créditos: Giant Magellan Telescope – GMTO Corporation.)

Faz todo sentido se o objetivo é observar em regiões do espectro em que a atmosfera terrestre é opaca!

Felizmente a atmosfera terrestre bloqueia a radiação nas faixas do ultravioleta e dos raios x, mas além dessas faixas absolutamente nocivas à nossa saúde, a atmosfera também não é transparente para a maior parte da radiação infravermelha. E é na região do infravermelho próximo, com comprimento de onda de até 2300 nanometros, que o Telescópio Roman vasculhará o céu, produzindo dados valiosos para o estudo de alguns dos temas centrais da astronomia atual: matéria escura, energia escura e detecção de exoplanetas.

Wide Field Instrument (WFI)

O coração do Telescópio Roman é o Wide Field Instrument (WFI), uma câmera de 300 megapixels, com capacidade de imageamento no infravermelho próximo e em parte do espectro visível. A câmera é baseada em um conjunto de 18 detectores de 4096×4096 pixels, que cobrirá um campo de 0,8ºx0,4º, correspondendo a 200 vezes o campo coberto pelo canal infravermelho da câmera WFC3 do Telescópio Hubble!

A matriz de 18 sensores no plano focal (Focal Plane Array) do telescópio Nancy Gracy Roman, numa composição que totaliza 300 Megapixels. (Créditos: Detector Characterization Laboratory/Goddard Space Flight Center).

Nunca antes na história deste universo, um telescópio espacial teve uma visão tão ampla!

Lançado em 1990, mas modernizado e reparado em 4 ocasiões (a última delas durante a Service Mission 4, em 2009), o Hubble segue desempenhando um importante papel observando pequenas regiões do céu em alta resolução. Mas cobrir grandes áreas de maneira eficiente é uma tarefa que escapa de suas capacidades. A imagem abaixo compara o campo integrado do Roman com o campo do Hubble e deixa clara a extensão do panorama produzido pelo novo telescópio.

Comparaçnao entre os campos dos telescópios Nacy Grace Roman e Hubble.
Comparação entre os campo sdo telescópio Nancy Grace Roman e Hubble. Créditos: NASA/GSFC/STScI

Três Grandes Levantamentos

A missão central do Telescópio Roman tira vantagem de seu amplo campo de visão para produzir três grandes levantamentos. Um levantamento (ou survey) é grande projeto de mapeamento. Uma espécie de censo astronômico.

O primeiro deles é o Galactic Bulge Time-Domain Survey (Levantamento do Bojo Galáctico no Domínio do Tempo). Neste levantamento, durante 438 dias, uma área de 1,7º quadrados do bojo galáctico será imageada a cada 12 minutos. O objetivo é a detecção de exoplanetas, buracos negros e fenômenos transientes.

No High-Latitude Time-Domain Survey (Levantamento de Alta Latitude no Domínio do Tempo), o “Alta Latitude” se refere a um campo afastado do plano galáctico. Observando na direção do plano da Via Láctea, a visão de outras galáxias é obstruída pela poeira no meio interestelar. É olhando para regiões mais afastadas desse plano que podemos enxergar regiões mais distantes do universo. Neste levantamento, 30h serão dedicadas à observação de uma área de 18º quadrados a cada 5 dias. Ao observar repetidamente a mesma região do céu, espera-se uma massiva detecção de fenômenos transientes, especialmente de um tipo específico de estrelas cataclísmicas: as supernovas tipo Ia. A detecção desse tipo de estrela é importante para a determinação de distâncias em escala cosmológica, permitindo calibrar parâmetros relacionados à velocidade de expansão do universo. Esse é um passo importante para fornecer pistas para o entendimento da energia escura, uma espécie de pressão interna que que parece acelerar a expansão do universo. Este é um dos maiores desafios atuais da astrofísica e da cosmologia.

O High-Latitude Wide-Area Survey (Levantamento de Alta Latitude de Grande Área) cobrirá uma área correspondente a 12% do céu, combinando imageamento e espectroscopia. Estas observações contribuirão principalmente para a compreensão da formação e evolução de galáxias distantes, da distribuição da matéria escura no universo e dos processos de formação estelar.

Os dados desses três levantamentos serão públicos, o que garante que além dos objetivos científicos planejados, a comunidade astronômica poderá vasculhá-los para produzir ciência além dos objetivos iniciais, utilizando dados de alta qualidade que podem avançar outras áreas da pesquisa em astrofísica.

Ciência Cidadã

Ter dados públicos significa que fora da comunidade científica profissional, também é possível acessar e trabalhar livremente com esses dados. Assim como os dados produzidos pelo telescópio Roman, os dados dos telescópios James Webb e Hubble também são livremente acessíveis e podem inclusive ser usados de forma lúdica para a produção de imagens inéditas, utilizando ferramentas gratuitas e de código aberto.

Quer saber como acessar e trabalhar esses dados? A gente te ajuda. Confira essa postagem: https://ceuprofundo.com/2021/01/17/um-hubble-pra-chamar-de-seu/ e também essa playlist em nosso canal do youtube, onde mostramos em detalhes como você também pode ter um telescópio espacial para chamar de seu!

Calendário astronômico – Novembro 2025

O cometa C/2025 A6 (Lemmon) chega aos céus do hemisfério sul, mas é bom conter as expectativas. O Céu de novembro também tem super Lua, mas vamos revelar um grande segredo sobre isso: ao telescópio, toda Lua é super. Saturno decora o céu durante a noite e a constelação de Órion abre caminho para a chegada do verão. Nos acompanhe para não perder as atrações do céu de novembro!

Cometa C/2025 R2 (SWAN) em imagem capturada através de telescópio Seestar S50, em São José dos Campos (SP), em 2025-10-21. (Créditos: Wandeclayt M./Céu Profundo/Observatório UNIVAP).


A chuva de meteoros Orionídeos também chega em boa hora, culminando próximo à Lua nova, promete recompensar quem decidir atravessar a madrugada de 22 de outubro sob o céu estrelado!

Acompanhe esses e outros destaques em nosso calendário astronômico de Novembro.

Data e Hora    | Evento

2025/11/02 04h | Vênus 3.5°N de Spica
2025/11/02 05h | Saturno 3.2°S da Lua
2025/11/02 12h | Netuno 2.5°S da Lua
2025/11/05 10h | Lua Cheia
2025/11/05 20h | Lua no perigeu
2025/11/06 12h | Urano 5.0°S da Lua
2025/11/08 08h | Lua mais ao norte (28.4°)
2025/11/09 16h | Mercúrio estacionário
2025/11/10 03h | Pollux 2.7°N da Lua
2025/11/10 06h | Júpiter 3.8°S da Lua
2025/11/11 16h | Júpiter estacionário
2025/11/12 02h | Quarto Minguante
2025/11/12 19h | Mercúrio 1.2°S de Marte
2025/11/12 21h | Regulus 0.9°S da Lua
2025/11/17 07h | Spica 1.0°N da Lua
2025/11/18 09h | Marte 4.0°N de Antares
2025/11/19 01h | Vênus 5.4°N da Lua
2025/11/20 00h | Lua no apogeu
2025/11/20 03h | Lua Nova
2025/11/20 04h | Mercúrio 5.3°N da Lua
2025/11/20 06h | Mercúrio em conjunção inferior
2025/11/21 03h | Antares 0.4°N da Lua
2025/11/21 08h | Marte 4.4°N da Lua
2025/11/21 09h | Urano em oposição
2025/11/22 14h | Lua mais ao sul (-28.3°)
2025/11/24 23h | Mercúrio 1.0°N de Vênus
2025/11/25 10h | Plutão 0.4°S da Lua
2025/11/28 03h | Quarto Crescente
2025/11/28 21h | Saturno estacionário
2025/11/29 13h | Saturno 3.3°S da Lua
2025/11/29 15h | Mercúrio estacionário
2025/11/29 21h | Netuno 2.7°S da Lua

Destaques do Mês

A Lua

A Lua Cheia do dia 5 de novembro ocorre durante a passagem da Lua pelo ponto mais próximo da Terra em sua órbita. O efeito mais perceptível disso não é exatamente nas observações do nosso satélite, mas na avalanche de manchetes nos portais de notícias e nas redes sociais anunciando uma Super Lua que nem é tão super assim.

Mas aqui está o grande segredo que qualquer astrônomo amador conhece com muita propriedade: não importa a fase ou a distância, vista através do telescópio, toda Lua é SUPER.

A olho nu, a Lua Cheia de perigeu (é um jeito um pouco mais técnico de dizer “super Lua”) aparece 12% maior e 0,24 magnitudes mais brilhante que uma Lua Cheia no ponto mais distante da órbita (a Lua Cheia de apogeu). Isso significa que se ninguém te contar, dificilmente alguma diferença vai ser percebida.

Por outro lado, não negligencie as outras fases da Lua ou a sua observação quando ela estiver mais distante. Ao telescópio, há sempre uma bela visão da Lua nos esperando. Inclusive nos dias imediatamente antes e depois da Lua Nova, quando nosso satélite é apenas um fino arco prateado no crepúsculo ao amanhecer (antes da Lua Nova) ou ao anoitecer (depois da Lua Nova).

Cometas

O cometa C/2025 R2 (SWAN) afasta-se do centro do Sistema Solar, mas ainda é um alvo para telescópios em novembro. No entanto, os olhares se voltam em busca de outro cometa: o C/2025 A6 (Lemmon). A expectativa é de que este seja o cometa mais brilhante da estação, mas observadores mais ao sul estão em posição desfavorável para encontrá-lo no céu.

Curva de brilho do cometa C/2025 A6 (Lemmon) plotada a partir de dados observacionais da rede COBS. O Cometa está acima do limite de visibilidade a olho nu desde meados do mês de novembro, mas com observação prejudicada para observadores ao sul da linha do equador. Créditos: COBS

Como o hemisfério norte está favorecido para a observação, é de se esperar que os portais de notícia e influenciadores sociais com menos intimidade com a observação do céu sigam replicando a euforia dos observadores do norte, mas recomendamos alimentar pouco as expectativas. Com o cometa baixo no céu após o pôr do Sol, mesmo que ele torne-se muito brilhante, a experiência dos observadores ao sul do equador fica prejudicada pelo brilho do crepúsculo.

Planetas

Os anéis de Saturno, apesar de extensos, são estruturas delgadas, com apenas algumas dezenas de metros de espessura. É por isso que durante os equinócios de Saturno, quando a Terra cruza o plano dos anéis, eles se tornam virtualmente invisíveis.

Simulação da visão do planeta Saturno no início de novembro de 2025. Créditos: PDS Rings

Aproveite o mês de novembro para apreciar essa incomum visão de um Saturno sem anéis, antes que passemos a ver o majestoso planeta mais uma vez ostentando sua marca registrada.

Mapa do Mês – Novembro de 2025


Calendário Astronômico – Outubro 2025

O destaque do céu de Outubro é o cometa C/2025 R2 (SWAN). Apesar de não atingir brilho suficiente para ser visto a olho nu, sua posição favorece a observação com binóculos e telescópios a partir do hemisfério sul.

Cometa C/2025 R2 (SWAN) em imagem capturada através de telescópio Seestar S50, em São José dos Campos (SP), em 2025-10-21. (Créditos: Wandeclayt M./Céu Profundo/Observatório UNIVAP).


A chuva de meteoros Orionídeos também chega em boa hora, culminando próximo à Lua nova, promete recompensar quem decidir atravessar a madrugada de 22 de outubro sob o céu estrelado!

Acompanhe esses e outros destaques em nosso calendário astronômico de outubro.

Eventos Astronômicos de Outubro
Data e Hora    | Evento

2025/10/01 19h | Plutão 0.0°N da Lua (Ocultação)
2025/10/02 19h | Mercúrio 1.7°N de Spica
2025/10/05 21h | Saturno 3.3°S da Lua
2025/10/06 02h | Netuno 2.5°S da Lua
2025/10/07 00h | Lua Cheia
2025/10/08 10h | Lua no perigeu
2025/10/10 03h | Urano 5.1°S da Lua
2025/10/12 00h | Lua mais ao norte (28.5°)
2025/10/13 15h | Quarto Minguante
2025/10/13 20h | Júpiter 4.2°S da Lua
2025/10/13 20h | Pollux 2.5°N da Lua
2025/10/14 04h | Plutão estacionário
2025/10/16 15h | Regulus 1.1°S da Lua
2025/10/19 15h | Vênus 3.2°N da Lua
2025/10/20 04h | Mercúrio 2.0°S de Marte
2025/10/21 01h | Spica 1.0°N da Lua
2025/10/21 09h | Lua Nova
2025/10/21-22  | Pico dos Orionídeos (ZHR=20)
2025/10/23 07h | Marte 4.3°N da Lua
2025/10/23 11h | Mercúrio 2.1°N da Lua
2025/10/23 20h | Lua no apogeu
2025/10/24 21h | Antares 0.5°N da Lua
2025/10/26 09h | Lua mais ao sul (-28.5°)
2025/10/29 03h | Plutão 0.1°S da Lua
2025/10/29 13h | Quarto Crescente
2025/10/29 16h | Mercúrio em maior elongação a leste (24°)

Destaques do Mês

O cometa C/2025 R2 (SWAN) atinge seu brilho máximo entre os dias 19 e 23 de outubro, quando passará pelo ponto mais próximo da Terra em sua órbita, a uma distância mínima de 39 milhões de km. Embora não seja possível observá-lo a olho nu, pequenos telescópios e binóculos podem ser usados para perceber seu aspecto esfumaçado e levemente esverdeado. Como em toda observação de objetos de pouco brilho, tente usar sua visão periférica, olhando com o canto do olho para perceber com mais facilidade o fraco brilho do cometa.

Órbita da cometa C/2025 R2 (SWAN) mostrando o ponto de maior proximidade com a Terra. Créditos: https://ssd.jpl.nasa.gov/tools/orbit_viewer.html

Na madrugada de 21 para 22 ocorre o pico de uma excelente chuva de meteoros. Ao contrário dos Perseídeos em agosto, que favorecem os observadores no hemisfério norte, os Orionídeos parecem irradiar de um ponto na constelação de Órion, alto o suficiente no céu do hemisfério sul para que todo o Brasil possa observar. Outro aspecto positivo nos Orionídeos de 2025 é a ocorrência de seu pico durante a Lua nova, garantindo que a luz de nosso satélite natural não vai interferir na experiência de quem conseguir madrugar para observar o pico desta chuva. A atividade esperada é de 20 meteoros por hora, nas condições mais favoráveis. Condições mais favoráveis neste caso significa céu escuro, vista adaptada (ou seja, nada de olhar pra tela de celular ou qualquer luz branca) e com o radiante no alto do céu. O radiante é um ponto na constelação de Órion (por isso esses meteoros se chamam Orionídeos) e quanto mais alto, mais meteoros veremos acima do horizonte.

Mapa do Mês – Outubro de 2025


Congestionamento de Cometas no Céu!

Mais do que uma conjunção, teremos um verdadeiro congestionamento de cometas no céu no dia 20 de setembro! E vai ser lindo!

O recém descoberto cometa C/2025 R2 (SWAN), fotografado de São José dos Campos na noite de 16 de setembro na região da estrela Spica. Créditos: Wandeclayt M./@ceuprofundo

Mas o cardápio é ainda mais completo! Além de dois cometas, em um campo com menos de 3º teremos também o planeta Marte. Isso equivale a uma largura aparente no céu de aproximadamente 6 vezes o diâmetro da Lua Cheia

Simulação da conjunção entre Marte e os cometas C/2025 R2 (SWAN) e C/2025 K1 (ATLAS).

Mas infelizmente a beleza desse encontro não pode ser vista tão facilmente. Mesmo com a evolução do brilho dos cometas pelos próximos dias, observadores sob céus urbanos terão dificuldade até para observar a conjunção através de binóculos. O recurso ideal para o evento é a fotografia, com objetivas abertas o suficiente para cobrir o campo de 3º que emoldurará a conjunção!

Simulação de vista do horizonte oeste, na latitude de São Jsé dos Campos, ao entardecer do dia 20 de setembro.

Para observar, ou registrar, olhe para o poente, assim que a noite cair no dia 20 de setembro. A estrela mais brilhante, imediatamente acima do horizonte, é Spica, a alfa da constelação de Virgem. Um pouco mais alto no céu, você encontrará o planeta Marte. E mesmo que você não os veja, aponte sua câmera e experimente diferentes tempos de exposição. Você eventualmente encontrará dois pontos borrados que claramente não terão o aspecto de estrelas. Você também provavelmente vai perceber uma tonalidade azul esverdeada nesses pequenos borrões! É isso! Você encontrou os cometas C/2025 K1 (ATLAS) e C/2025 R2 (SWAN).

E se os novos cometas ainda não aparecem em seu Stellarium, siga este nosso guia para incluí-los na base de dados do aplicativo: https://ceuprofundo.com/2023/09/19/o-cometa-da-estacao-adicione-o-cometa-nishimura-ao-stellarium/

Calendário Astronômico – Agosto 2025

A imagem tem como fundo o céu estrelado com um tom azulado. Ao centro, está o título em letras grandes e pretas: "O CÉU DE AGOSTO". Acima do título há a logo do Projeto Céu Profundo. Ao fundo da imagem, de maneira sutil, aparece um mapa celeste com constelações desenhadas em linha clara, quase translúcida. Na parte inferior, está o logotipo do Astropy.

Eventos Astronômicos de Agosto

As férias acabaram, mas temos certeza que você você aproveitou nossas dicas para observar todas as belezas do calendário astronômico de julho! E o céu de agosto segue apresentando um cardápio riquíssimo de formosuras celestes observáveis a olho nu e com pequenos telescópios.

Agosto também é o mês do injustificável sensacionalismo em torno da chuva de meteoros Perseídeos. Apesar de ser uma chuva de destaque para observadores no hemisfério norte, ocorrendo durando o verão daquele hemisfério e com um radiante que favorece observadores em latitudes da Europa e da América do Norte, aqui no hemisfério sul este é um evento pouco promissor e há outras chuvas muito mais prolíficas durante o ano (spoiler: em dezembro os Geminídeos não costumam decepcionar).

CALENDÁRIO ASTRONÔMICO - AGOSTO 2025
Data e Hora    | Evento

2025/08/01 09h | Quarto Crescente
2025/08/01 11h | X e V Lunares visíveis
2025/08/01 17h | Lua no apogeu
2025/08/04 01h | Antares 0.5°N da Lua
2025/08/05 10h | Lua mais ao sul (-28.5)
2025/08/08 02h | Plutão 0.0°N da Lua
2025/08/09 04h | Lua Cheia
2025/08/10 13h | Mercúrio estacionário
2025/08/12 02h | Vênus 0.9°S de Júpiter
2025/08/12 09h | Saturno 3.6°S da Lua
2025/08/12 10h | Netuno 2.5°S da Lua
2025/08/12-13  | Pico de Atividade dos Perseídeos 
2025/08/14 15h | Lua no perigeu
2025/08/16 02h | Quarto Minguante
2025/08/16 15h | Urano 5.2°S da Lua
2025/08/18 12h | Lua mais ao norte (28.6)
2025/08/19 07h | Mercúrio em maior elongação a oeste (18)
2025/08/19 19h | Júpiter 4.7°S da Lua
2025/08/20 08h | Pollux 2.4°N da Lua
2025/08/20 09h | Vênus 4.7°S da Lua
2025/08/21 15h | Mercúrio 3.5°S da Lua
2025/08/23 02h | Regulus 1.2°S da Lua
2025/08/23 03h | Lua Nova
2025/08/26 11h | Marte 2.5°N da Lua
2025/08/27 10h | Spica 1.0°N da Lua
2025/08/29 11h | Lua no apogeu
2025/08/31 03h | Quarto Crescente
2025/08/31 07h | Antares 0.6°N da Lua

Destaques do Mês

Um conjunção dupla decora o céu no fim da madrugada de 12 de agosto. Júpiter e Vênus se emparelham ao nascer do Sol enquanto a Lua passa ao lado de Saturno. Na mesma madrugada, em localidades mais escuras, são grandes as possibilidade de presenciar alguns dos meteoros da chuva Perseídeos, um dia antes do pico de atividade da chuva.

Visão do céu, mostrando a eclíptica e as constelações de gêmeos, órion, touro, peixes, aquário, cão maior e cão menor. Júpiter e Vênus estão juntos em gêmeos no canto superior esquerdo da imagem. A Lua e Saturno estão juntos em Peixes mais ao centro e à direita da imagem.
Simulação do céu na madrugada de 12 de agosto gerada no software Stellarium.

E os Meteoros?

Chuvas de meteoros ocorrem quando a Terra cruza regiões de sua órbita ricas em detritos. Esses detritos entram na atmosfera sofrendo atrito e se tornando incandescentes, assumindo um aspecto muito parecido com o das estrelas, por isso são também chamados de “estrelas cadentes“. Os detritos que geram a chuva de meteoros Perseídeos são associados ao cometa 109P/Swift-Tuttle e todos os anos, por volta do dia 12 de agosto a Terra cruza essa área, proporcionando um espetáculo para observadores atentos.

Veja bem, os Perseídeos são mesmo uma chuva de meteoros bastante produtiva. Mas tem um “depende” aí. Primeiro é preciso lembrar que a condição ideal para observar uma chuva de meteoros é ter o radiante no ponto mais alto do céu, em um local escuro e sem interferência da Lua.

O radiante é o ponto de onde os meteoros parecem se originar e isso varia para cada chuva de meteoros. No caso dos Perseídeos, esse ponto se localiza na direção da constelação de Perseu. E essa é uma constelação localizada muito ao norte… ou seja, o radiante não ficará alto no céu para quem mora no hemisfério sul. Isso nos coloca numa condição bem desfavorável para observá-los.

Outro ponto importante é estar em um local afastado da poluição luminosa. Ao tentar observar meteoros numa área urbana, veremos apenas os objetos mais brilhantes. Não espere ter a sensação de estar vendo realmente uma “chuva” com dezenas de meteoros por hora se você estiver em uma região iluminada.

Por último, além da interferência da poluição luminosa temos a interferência do brilho da Lua. E em 2025, a Lua vai estar a poucos dias da Lua Cheia e vai interferir bastante!!

Em resumo, todo o alarde que você vai ver na imprensa provavelmente tem origem na tradução de matérias publicadas por veículos do hemisfério norte e fazem pouco sentido pra quem está aqui no sul.

A Lua em Agosto

O desafio mensal de observar o X e o V lunares ganham um obstáculo a mais na Lua Crescente de primeiro de agosto: essas peculiares formações estarão visíveis no início da tarde, com o céu ainda claro.

Imagem da Lua em fase crescente, ocupando o centro da figura. Duas setas laranjas apontam para detalhes mais ampliados da superfície lunar.  A primeira ampliação mostra uma cratera com o formato da letra V; essa cratera está localizada mais ao centro da imagem. A segunda ampliação mostra uma cratera com o formato da letra X; essa cratera está localizada na imagem abaixo e a direita do centro. Na parte inferior da imagem há uma legenda com a seguinte descrição: "localizando o X e o V lunar"; e no canto superior direito está a logo do Projeto Céu Profundo.
Vista simulada da Lua crescente, exibindo o X e o V lunares, com dados do satélite LRO. Simulação: NASA-SVS. Infográfico: Projeto Céu Profundo.

Em agosto, o X e o V lunares estarão visíveis na tarde de 1/8. O melhor horário para visualização é entre as 13h e as 15h.

Destaques Telescópicos no Calendário

Em agosto conseguimos repetir o cardápio do calendário de julho, com alguns dos mais fascinantes objetos de céu profundo, mas temos algumas sugestões para seu banquete astronômico telescópico. O centro da Via Láctea continua visível durante toda a noite e é em torno dessa região que encontramos algumas de nossas sugestões: a Nebulosa da Lagoa (M8) e a nebulosa da Águia (M16).

Visível a olho nu na direção da constelação de Sagitário, a nebulosa M8 é um alvo fácil para binóculos e pequenos telescópios em regiões afastadas da poluição luminosa. Embora esteja cercada por outros objetos de aspecto nebuloso, M8 se destaca por seu brilho e você não terá dificuldade de localizá-la com binóculos.

Não muito distante de M8, a Nebulosa da Águia (M16) é famosa por uma das mais célebres imagens do telescópio Hubble: os Pilares da Criação. Os Pilares são apenas um recorte da região central da nebulosa, no pequeno campo coberto pelo Hubble. Numa visão mais aberta, em telescópios de maior campo, é possível ver toda a extensão da nebulosa, como na imagem acima.

Localize no mapa abaixo cada um dos objetos que indicamos.

Mapa do céu com destaque para a constelação de escorpião, há outras constelações ao redor como sagitário. As linhas azuis delineiam as figuras de cada constelação. Estão marcados objetos do catálogo Messier: M4 e M80 próximos à estrela alaranjada Antares; M6 e M7 mais abaixo da constelação; e M8 (Nebulosa da Lagoa) e M20 (Nebulosa Trífida), próximas uma da outra, mais abaixo e a esquerda de M6 e M7. Outras estrelas notáveis também estão nomeadas, como Shaula, Sargas e Kaus Australis. Círculos brancos destacam as posições dos objetos observáveis. O logo do Projeto Céu Profundo está no canto superior direito.
Mapa da região em torno do centro da Via Láctea, indicando a posição de objetos brilhantes do céu profundo. Simulação gerada no Stellarium.

Mapa do Mês

Clique no mapa para expandir. O mapa traz uma projeção retangular do céu, com o equador celeste posicionado horizontalmente no centro do gráfico. Imagine o céu como um cilindro envolvendo a Terra. O mapa apresenta esse cilindro “desenrolado”.

Os planetas e o Sol estão representados como setas, indicando seu movimento ao longo do mês em relação às estrelas ao fundo.

A imagem é dividida em dois gráficos circulares, representando a posição dos planetas ao redor do Sol em agosto de 2025, com o Sol no centro. 
Gráfico superior: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte: O Sol é representado por um ponto amarelo no centro do gráfico, Quatro arcos coloridos representam as órbitas e posições dos planetas; Mercúrio – traço fino azul, mais próximo do Sol; Vênus – arco laranja, em órbita um pouco maior que Mercúrio; Terra – arco verde, mais distante do centro; Marte – arco vermelho, o mais afastado neste gráfico.
Cada planeta tem uma pequena seta colorida no final do arco, indicando o sentido do movimento orbital.
Gráfico inferior: Terra, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Também tem o Sol no centro (amarelo) e a Terra representada por um pequeno ponto verde. As órbitas dos planetas exteriores são mostradas com setas coloridas mais distantes: Terra- Azul, Júpiter- Laranja, Saturno- Verde, Urano- Vermelho, Netuno- Roxo.
Os arcos mostram apenas trechos das órbitas, com pequenas setas indicando a posição e direção orbital de cada planeta. As órbitas dos planetas gasosos são muito mais afastadas do centro do que as dos planetas rochosos (Terra).

3I/ATLAS – Observamos o Visitante Interestelar

O cometa C/2025 N1 (ATLAS), ou I3/ATLAS, aparece circulado em meio a incontáveis estrelas.

O Minor Planet Center (MPC), da União Astronômica Internacional (IAU), emitiu em circular a confirmação do objeto A11pl3Z como um visitante interestelar, conferindo a nomenclatura definitiva 3I/ATLAS. O objeto, no entanto, exibe características cometárias, o que lhe confere um segunda designação: C/2025 N1 (ATLAS), seguindo a regra para nomenclatura de cometas.

O diagrama abaixo mostra a trajetória e a posição atual do 3I/ATLAS, baseadas nos dados disponíveis até 2 de julho. O objeto se aproxima rapidamente, a uma velocidade de mais de 60 km/s e atingirá sua menor distância ao Sol em 29 de outubro, numa posição entre as órbitas de Marte e da Terra.

O cometa interestelar C/2025 N1 (ATLAS), ou 3I/ATLAS, recebeu suas designações definitivas do Minor Planet Center da União Astronômica Internacional.

Nossa Caçada ao 3I/ATLAS

Desnecessário dizer que o entusiasmo entre toda a comunidade de observadores é grande neste momento. E não ficamos de fora dessa euforia. A meteorologia estava desfavorável na noite de 2 de julho em São José dos Campos, mas sempre há a alternativa do uso de telescópios robóticos em sítios mais favorecidos.

Através da plataforma iTelescope, acessamos um telescópio instalado no Chile para programar uma sequência de tomada de imagens da região onde as efemérides previam a passagem do 3I/ATLAS.

A uma distância de aproximadamente 5 unidades astronômicas (1 unidade astronômica equivale à distância média entre a Terra e o Sol, ou aproximadamente 150 milhões de km) e medindo algo em torno de 20 km, a tarefa é desafiadora. Além disso, estaríamos observando uma área do céu repleta de estrelas, na direção da região mais central da Via Láctea, em busca de um objeto de brilho muito tênue ( magnitude 18). É algo um pouco mais complicado que encontrar uma agulha num palheiro (se quer mesmo achar uma agulha num palheiro, fica a dica: use um ímã).

A Detecção

E lá fomos nós, operando remotamente o telescópio T75, com 250 mm de abertura instalado em Rio Hurtado, no Chile, em busca do terceiro objeto conhecido com origem fora do nosso Sistema Solar.

Programamos 5 exposições sucessivas de 180 segundos e o resultado foi um conjunto de imagens com este aspecto:

Um par de imagens capturadas através do telescópio T75, instalado no Chile, da área em torno da posição do objeto interestelar 3I/ATLAS. Créditos: Wandeclayt M./@ceuprofundo.

No meio desse palheiro, e sem um ímã, a melhor maneira de encontrar nossa agulha é criar uma animação entre os frames, na esperança de detectar um ponto se deslocando no campo.

Com um deslocamento no céu de aproximadamente 1,3″ por minuto, seria possível, no intervalo entre as exposições, detectar o cometa como um ponto móvel.

E lá estava ele! O tímido 3I/ATLAS passeando em frente as estrelas da região central da Via Láctea.

O objeto 3I/ATLAS, ou C/2025 N1 (ATLAS), aparece como um minúsculo ponto se deslocando entre duas imagens que se alternam. As imagens são escuras, repletas de pontos brilhantes, que são estrelas na direção do centro da Via Láctea.
Detecção do objeto interplanetário 3I/ATLAS em imagens capturadas com telescópio robótico remoto. Créditos: Wandeclayt M./@ceuprofundo.

Como Observar?

Com magnitude em torno de 18, esse é um alvo proibitivo para a observação visual em telescópios mais modestos, mas é possível capturá-lo com câmeras CCD.

Se você também quer se aventurar imageando este célebre visitante, o primeiro passo é encontrar sua posição no céu.

As coordenadas do objeto podem ser acessadas através do sistema JPL Horizons. Além das coordenadas celestes (Ascenção Reta e Declinação) o sistema informa parâmetros como distância, taxa de deslocamento (em segundos de arco por minuto) e magnitude estimada. Durante a primeira metade do mês de julho, transitando pelas constelações de Sagitário e Ofiúco, há uma dificuldade a mais, proporcionada pelo excesso de estrelas de nossa galáxia visível nessa região do céu. A maioria, mais brilhantes que o próprio cometa.

Mas não se intimide! Saia à caça desse visitante antes que ele acelere em seu passeio pelo Sistema Solar e nos deixe para nunca mais voltar!

A11pl3Z: Mais um Visitante Interestelar?

Pela terceira vez na história, um objeto passando pelo Sistema Solar pode ter origem em outro sistema planetário. O objeto batizado provisoriamente como A11pl3Z é o mais recente candidato ao carimbo de rocha interestelar no passaporte.

Antes de tudo: não há qualquer risco de colisão desse objeto com a Terra! Os dados preliminares mostram sua trajetória cruzando a órbita de Marte, mas também sem se aproximar do Planeta Vermelho.

Visualização da óribta do objeto A11pl3Z com dados preliminares, gerada na ferramenta Orbit Viewer do programa Catalina Sky Survey.

A Descoberta

O objeto foi descoberto em observações realizadas por um telescópio da rede ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) a partir do Chile, com magnitude aparente 18 e localizado a 4 unidades astronômicas da Terra (1 unidade astronômica é uma medida de distância equivalente à distância média da Terra ao Sol, ou aproximadamente 150 milhões de km).

Os telescópios da rede ATLAS enxergam uma grande área do céu, um campo total de 7,5°, ou o equivalente a 15 vezes o diâmetro da Lua Cheia. Isso permite uma grande cobertura do céu em sucessivas varreduras em busca de asteroides.

Em seguida aos alertas de novas detecções, outros telescópios confirmam a presença dos objetos e produzem novos dados de posição, alimentando os programas para determinação de órbitas.

A rede Deep Random Survey foi uma das que colaborou com a produção de dados de posição do A11pl3Z.

Imagem do objeto interestelar A11pl3Z capturada por telescópio da rede Deep Random Survey. Créditos: K Ly/Deep Random Survey.


Novas observações são necessárias e a astronomia amadora pode contribuir com dados de posição e brilho, ajudando a conhecer com mais precisão a órbita do A11pl3Z. Efemérides para observação do objeto podem ser geradas pelo Center for Near Earth Objects Studies (CNEOS) do Jet Propulsion Laboratory (JPL).

Dados recuperados de observações de arquivo permitiram localizar o A11pl3Z em imagens capturadas anteriormente, ajudando a refinar os parâmetros orbitais iniciais. Com os dados disponíveis na manhã de 2 de julho, é possível determinar que a máxima aproximação do objeto ao Sol ocorrerá em outubro, passando a uma distância 36% maior que a distância média da Terra ao Sol. Infelizmente, a Terra e o A11pl3Z estarão em posições diametralmente opostas, dificultando a observação do objeto durante o periélio.

Visitas Anteriores

Anteriormente, os objetos 1I/Oumuamua e 2I/Borisov também tiveram suas trajetórias traçadas com origem no espaço interestelar. Este é também um campo onde o Observatório Vera Rubin poderá contribuir aumentando o censo de objetos detectados. Sua câmera de 3200 Megapixels, durante uma primeira rodada de demonstração, descobriu impressionantes 2104 asteróides, mostrando seu potencial como um rastreador de objetos do Sistema Solar. Na imagem abaixo, um pequeno recorte de uma das primeiras imagens publicadas pelo Observatório Rubin, cada traço colorido é um asteróide detectado.

Asteróides detectados pelo Observatório Vera Rubin em campo na direção da constelação de Virgem. NSF-DOE Vera C. Rubin Observatory.

Elementos Orbitais Provisórios

Elementos Orbitais (provisórios):  A11pl3Z

Perihelion 2025 Oct 29.66294 +/- 0.219 TT = 15:54:38 (JD 2460978.16294)
Epoch 2025 Jul  2.0 TT = JDT 2460858.5   Earth MOID: 0.3557   Ju: 0.2478
q   1.34709127 +/- 0.0135           Ma: 0.0199   Sa: 0.4081      AutoNEOCP
H   11.92 G 0.15                    Peri.  128.10518 +/- 0.14
z  -3.7599875674 +/- 0.0381         Node   322.07493 +/- 0.10
e   6.0650464 +/- 0.102             Incl.  175.10957 +/- 0.0045

106 of 108 observations 2025 June 14-July 2; mean residual 0".38