A Temporada de Cometas 2020 continua! C/2019 U6 (Lemmon)

Cometa C/2019 U6 (Lemmon) na direção da constelação de Lepus em 2020-05-17 [imagem: Wandeclayt M./N Palivanas. Siding Spring Observatory/Céu Profundo]

O ano de 2020 já tornou ilustres dois visitantes dos confins do Sistema Solar: O cometa C/2019 Y4 (ATLAS) chegava com a promessa de se tornar uma espetacular visão a olho nu, mas seu núcleo se fragmentou e junto com ele fragmentaram-se as esperanças de ver o ATLAS entregando o show que todos esperavam. Em seguida, o C/2020 F8 (SWAN) surpreendeu, ganhando brilho rapidamente e tornando-se visível nas madrugadas em pequenos binóculos ou a olho nu para observadores em céus livres de poluição luminosa. O SWAN atigirá o periélio (a posição mais próxima do Sol) no fim de maio, mas sua localização no céu já não favorece os observadores no hemisfério sul.

Mas parece que o melhor ainda está por vir. Nas últimas semanas o C/2019 U6 (Lemmon) tem ganhado brilho rapidamente e continuará em uma posição favorável para observadores em todo o Brasil pelos próximos meses, sendo visível a oeste logo após o pôr do Sol. O objeto foi inicialmente designado como A/2019 U6, antes que características cometárias fossem observadas no final de 2019.

Imagens tomadas no dia 17 de maio mostram uma cabeleira evidente e a presença de uma cauda iônica. Com um ganho de 2 magnitudes (correspondendo a um aumento de mais de 6 vezes em seu brilho) nos últimos 15 dias, é inevitável alimentar a expectativa de que este seja o cometa do ano!

Posição do cometa C/2019 U6 (Lemmon) em 18 de maio de 2020 (18h30), na região de São José dos Campos (SP) [imagem gerada no software Stellarium 0.20.0]

Vale lembrar que o comportamento do brilho dos cometas é imprevisível, uma vez que este depende de fatores complexos de serem estimados ainda sem dados, como a composição do seu núcleo. Observadores do céu são habituados com surpresas e frustrações, mas seguiremos acompanhando esperançosamente o Lemmon pelos próximos dias, na torcida por uma confirmação na tendência de ganho de brilho. Quem sabe uma longa cauda não estará ornando o horizonte oeste em nossas noites até o final do Outono?

Adicione o Cometa C/2020 F8 (SWAN) ao Stellarium

Cometa SWAN observado de região urbana na madrugada do dia 30/04/2020 em São José dos Campos.

Descoberto pela câmera SWAN, do observatório orbital solar SOHO (Solar and Heliospheric Observatory) no dia 25 de março de 2020, o cometa C/2020 F8 (SWAN) tem surpreendido os observadores e crescido rapidamente em brilho, tornando-se observável a olho nu na última semana de abril. Imagens telescópicas revelam uma exuberante cauda estendendo-se por 10 graus.

Cometa SWAN. Imagem de Luiz R. Silveira em 03/05/2020.

Se você é usuário do programa Stellarium, pode usá-lo para encontrar a posição do cometa SWAN e planejar suas observações. Mas por se tratar de objeto de descoberta recente, você não o encontrará na base de dados instalada com programa e não poderá visualizá-lo sem incluir manualmente seus parâmetros orbitais.

Mas essa é uma tarefa simples e vamos mostrar aqui como fazê-la.

  1. Acesse a janela de configurações no painel direito ou diretamente clicando F2. Na aba “Plugins” selecione “Solar System Editor” e clique no botão “Configure“.
  2. Selecione a aba “Solar System” e clique no botão “Import orbital elements in MPC format“.
  3. Você terá acesso à janela “import data”. Na aba “Lists” marque a o tipo de objeto “Comets”, selecione a fonte “MPC’s list of observable comets” e clique no botão “Get orbital elements“.
  4. Uma lista de objetos será exibida. Procure e marque na lista o objeto “C/2020 F8 (SWAN)” e clique no botão “Add objects“.
  5. Feche o editor e a janela de configuração.
  6. Você agora poderá localizar o cometa SWAN na janela de busca no painel direito (ou clicando diretamente F3).
Etapa 1: Janela de configurações e aba “plugins“.
Etapa 2: Aba “Solar System“.
Etapa 3: Janela “Import data“, aba “Lists“.
Etapa 4: Seleção e inclusão dos elementos orbitais do objeto na base de dados.
Etapa 6: Objeto disponível na janela de busca.

Lirídeos 2020 – Como observar.

Radiante da chuva de meteoros Lirídeos na noite de 21 para 22 de abril de 2020, às 4h00. [gráfico gerado no Stellarium v 0.20.0]

Tentar observar uma chuva de meteoros é uma atividade potencialmente frustrante para observadores menos experientes. Primeiro é preciso saber exatamente quando e para onde olhar. Segundo é preciso entender como variáveis ambientais como localização e poluição luminosa podem interferir em sua experiência.

Os Lirídeos são detritos do cometa C/1861 G1 Thatcher e há registros de sua observação desde o ano 687 a.C.

Aqui vão algumas dicas para garantir uma experiência minimamente recompensadora para você:

  1. O pico de atividade desta chuva ocorre entre os dias 20 e 22 de abril.
  2. A taxa horária zenital observada nos últimos anos estava em torno de 18 meteoros por hora. Isso significa que, se você conseguisse observar todo o céu e se o radiante estivesse diretamente acima da sua cabeça (no zênite), poderiam ser observados 18 meteoros em 1 hora (ou aproximadamente um meteoro a cada 3 minutos).
  3. Se você está no Brasil o radiante não vai estar sobre sua cabeça e se você estiver em uma área urbana, com poluição luminosa, não vai conseguir observar os meteoros menos brilhantes. Além disso, você não conseguirá observar todo o céu ao mesmo tempo. Então, na prática, nada de 18 meteoros por hora.
  4. O radiante culmina (culminação é o instante em que o ponto vai estar mais alto em relação ao horizonte) às 4 da manhã. É nesse horário que você deve observar o maior número de meteoros.
  5. O radiante fica próximo a Vega (alfa da constelação de Lira), a estrela mais brilhante naquela direção. Mas a dica é não olhar diretamente para o radiante. Os meteoros podem ser vistos em qualquer direção do céu e aparentam vir do ponto marcado pelo radiante, mas ao redor desse ponto os meteoros traçam trilhas menores. Olhando para outras direções do céu veremos rastros mais longos.
  6. A luz da Lua também costuma ser um obstáculo à observação de meteoros. Mas desta vez, com a Lua nova, teremos um obstáculo a menos.

A International Meteor Organization (IMO) oferece dados em tempo real, fornecidos por observadores espalhados pelo mundo. Consulte aqui.

Anuário Astronômico 2020

Março
01
02Lua – Quarto Crescente16h57
03
04
05
06
07
08
09Lua Cheia14h48
10
11
12
13
14
15
16Lua – Quarto Minguante06h34
17
18Lua em conjunção com Marte (1° N) e Júpiter (2° N) ao amanhecer.5h
19
20Equinócio de Outono
Marte em conjunção (1° S) com Júpiter
0h50
3h
21
22
23 Mercúrio em máxima elongação oeste (27°) 23h
24Lua Nova
Vênus em máxima elongação leste (45°)
06h28
19h
25
26
27
28
29
30
31Marte em conjunção (1° S) de Saturno9h

Trânsito de Mercúrio 2019: Como Observar

Em 11 de novembro de 2019, acontece o trânsito de Mercúrio pelo disco solar. Ou seja, do ponto de vista da Terra, Mercúrio poderá ser visto cruzando o Sol.

ATENÇÃO: A observação do Sol sem equipamentos adequados ou a olho nu é extremamente perigosa, podendo causar danos permanentes à visão. Por isso, compilamos eventos de observação segura do trânsito pelo Brasil e links de transmissão ao vivo. Clique na cidade para mais detalhes sobre o evento:

Composição fotográfica mostrando o trânsito de Mercúrio em 2006.
(Créditos: Solar and Heliospheric Observatory/NASA/ESA)

Transmissão Online ao vivo do Planetário e Cinedome Johannes Kepler + Núcleo de Observação do Céu

Outubro: Uma Torre de Planetas ao Entardecer.

Céu na latitude de São José dos Campos, no dia 12/out/2019 às 18h45.
[gráfico gerado no Stellarium 0.19.1]

Os fins de tarde de Outubro são o palco de um grande elenco planetário. Dos cinco planetas visíveis a olho nu, apenas Marte não aparece ao cair da noite.
Após o por do Sol, Vênus, Mercúrio, Júpiter e Saturno seguem em direção ao horizonte oeste, proporcionando um espetáculo que ficará em cartaz até o início de Novembro (Veja no mapa acima).

Tente observar a evolução da posição de cada planeta ao longo do mês. A mudança na posição dos planetas com relação às estrelas é um efeito combinado do movimento próprio dos planetas em torno do Sol e da mudança de nosso ponto de vista a medida que a própria Terra também segue sua órbita ao redor do Sol. No dia 30 de Outubro a configuração promete ser ainda mais interessante, quando a Lua – com apenas 9,5% de sua face visível iluminada – se juntará à composição (Veja o mapa abaixo).

Céu na latitude de São José dos Campos, no dia 30/out/2019 às 18h45.
[gráfico gerado no Stellarium 0.19.1]

A batalha das luas: Saturno 82 x 79 Júpiter. O Senhor dos Anéis passa à frente no placar.

Representação artística das órbitas das 20 luas de Saturno recém confirmadas. [gráfico: Carnegie Institution for Science/ imagem de Saturno: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute/imagem de fundo: Paolo Sartorio/Shutterstock.]

O anúncio nesta segunda (07/outubro) da confirmação de 20 novas luas pelo Minor Planet Center da União Astronômica Internacional coloca Saturno no topo do pódio na disputa pelo posto de planeta com o maior número de luas em nosso Sistema Solar.

Além de ostentar os mais exuberantes anéis do Sistema Solar, Saturno agora também é o novo recordista em número de luas, contabilizando 82 satélites com órbitas confirmadas, superando Júpiter (com 79 luas confirmadas).

Imagem de Saturno após ocultação pela Lua, registrada através de telescópio de 203 mm – 2019-10-05 [Wandeclayt Melo/Céu Profundo. SkyWatcher 203mm f/6, Canon EOS 7D]

As observações que levaram às descobertas foram lideradas por Scott S. Sheppard, do Instituto Carnegie, utilizando o telescópio de 8.2m Subaru no monte Mauna Kea, no Havaí. Completam o time de observadores David Jewitt da Universidade da California em Los Angeles (UCLA) e Jan Kleyna da Universidade do Havaí.

Continue lendo “A batalha das luas: Saturno 82 x 79 Júpiter. O Senhor dos Anéis passa à frente no placar.”

Lua e Saturno juntos: uma imagem que você não vai esquecer.

Saturno surgindo de trás da Lua, após ocultação – 2019-10-05

5 de outubro foi a data do evento anual de observação da Lua Observe the Moon Night. O evento global, idealizado pela NASA, conclama observadores em todo o mundo à realização de atividades de divulgação da astronomia e observação abertos ao público, com ênfase na observação da Lua e na divulgação da exploração lunar.

Mapa oficial da NASA para as atividades da edição 2019 do International Observe the Moon Night. [NASA/Google Maps]

Em São José dos Campos, a atividade foi coordenada pelo projeto Céu Profundo, em cooperação com os projetos Ciência no Parque e Núcleo de Observação Astronômica (NOA) e teve como sede o Parque Vicentina Aranha. A ação consta do mapa oficial de NASA de atividades ligadas ao International Observe the Moon Night.


A data escolhida não poderia ser mais especial para os observadores na porção mais ao sul das Américas: na tarde do dia 5, a Lua ocultou Saturno para observadores nessa região. O reaparecimento de Saturno no bordo iluminado da Lua produz uma visão impressionante ao telescópio: vemos ao mesmo tempo na ocular Saturno e seus anéis ao lado do bordo iluminado da Lua.

Conjunção entre Lua e Saturno

A noite de observação da Lua, conduzida pelo projeto Céu Profundo em parceria com o projeto Ciência no Parque, o Núcleo de Observação Astronômica e diversos astrônomos amadores de São José dos Campos, aconteceu no Parque Vicentina Aranha e teve público estimado em mais de 500 pessoas circulando pelos 5 telescópios colocados à disposição do público.

A ação foi um sucesso e promete estar de volta na edição 2020 do International Observe the Moon Night. Reserve a data: ano que vem o evento acontece no dia 26 de setembro. Mas se você está em São José dos Campos e não quer esperar até lá, fique de olho na programação de palestras e observações do projeto Ciência no Parque no site do Parque Vicentina Aranha e visite também os observatórios astronômicos do DCTA e da UNIVAP.


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Encontros Celestes: Lua Oculta Saturno neste Sábado.

Conjunção Lua e Saturno em Junho/2019 [imagem: Ceu Profundo / Dobsoniano 203mm f/6, Canon EOS 7D, Projeção de Ocular]

Observadores na região Sul e em partes das regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil poderão testemunhar um tipo diferente de Eclipse ao entardecer deste sábado (05/10/2019).

Céu ao entardecer de 05/10/2019 – Latitude de São José dos Campos (São Paulo) [imagem: Stellarium v0.19.1]

O movimento de translação da Lua ao redor da Terra faz com que nosso satélite natural oculte diversos objetos celestes ao longo de sua trajetória. Os eclipse solares são, sem dúvida, o tipo de ocultação mais conhecido – e certamente o mais impressionante – mas estrelas, asteróides e planetas também podem se esconder por trás da Lua! A observação de ocultações é uma atividade que mobiliza astrônomos amadores no mundo inteiro, não apenas pela beleza e raridade do fenômeno, mas porque está é uma importante fonte de dados que podem ser úteis também para a ciência profissional. A observação de ocultações de estrelas por asteróides, por exemplo, pode revelar a presença de satélites e anéis e ajudar a determinar a geometria do objeto que produz a ocultação.

[imagem: USNO/United States Naval Observatory]

Assim como acontece com os eclipses solares, a observação das ocultações depende da posição geográfica do observador. Para a ocultação de Saturno pela Lua neste sábado, o fenômeno será visível na região demarcada no mapa acima. O instante central da ocultação é 17h37m32s (horário de Brasília) e o céu claro dificultará a observação do início do evento, mas observar o reaparecimento do planeta no bordo oposto da Lua não será um problema.

Você não está na faixa contemplada pela ocultação? Não desanime! Mesmo para observadores mais ao norte o espetáculo será formidável. Para ter uma ideia: a partir de Recife a separação entre Saturno e a Lua será de menos de 0.5º no instante da conjunção (o diâmetro aparente da Lua é de 0.5º).

Não deixe de observar, fotografar, compartilhar e comparar suas observações com os registros de outros observadores. Podemos falar com tranquilidade: será um espetáculo inesquecível!


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Saturno e Júpiter coroam o entardecer de Setembro.

Júpiter e Saturno já não aparecem tão brilhantes quanto há alguns meses, quando atingiram a posição e estavam mais próximos da Terra, mas seguem proporcionando um espetáculo para observadores a olho nu ou munidos de telescópios.

Céu na latitude de São José dos Campos por volta das 19h00 do dia 14 de setembro. A Lua cheia surge no horizonte enquanto Saturno e Júpiter estão altos no céu. [imagem: Stellarium]

A imagem acima representa o céu na latitude de São José dos Campos por volta das 19h00 do dia 14 de setembro (2019). A Lua cheia surge no horizonte leste enquanto, no alto, Saturno e Júpiter reinam imponentes.
É tempo de aproveitar para observar estes gigantes gasosos que começam a se por cada vez mais cedo.

Visão telescópica de Júpiter e seus satélites às 19h00 do dia 14 de setembro de 2019. [simulação: Stellarium]
Visão telescópica de Saturno e seus satélites às 19h00 do dia 14 de setembro de 2019. [simulação: Stellarium]

Mesmo em pequenos telescópios é possível distinguir detalhes nos planetas e identificar suas maiores luas. Use as imagens acima para identificá-las.

Cruzeiro do Sul (Crux). Identifique a constelação no entardecer das noites de setembro.
Escorpião – Identifique a constelação a partir da posição de Júpiter, o astro mais brilhante no céu antes do nascer da Lua.

Se você está começando a conhecer o céu agora, aproveite para tentar reconhecer algumas constelações. O Escorpião e o Cruzeiro do Sul são alguns dos asterismos mais fáceis de identificar. Procure também Rigil Kent (Alpha Centauri) e Hadar (Beta Centauri), entre Escorpião e Cruzeiro do Sul.
Siga observando em dias sucessivos e perceba que a posição relativa entre as estrelas não muda, mas que a cada dia elas se põem 4 minutos mais cedo.

Conhecer o céu não é uma tarefa mais complicada do que conhecer as ruas da sua cidade. Comece identificando uma ou duas constelações e observando sua vizinhança. Logo você reconhecerá mais padrões e montará um mapa mental do céu. Continue nos acompanhando e seguindo as dicas de observação. O universo é vasto, mas observar o céu está ao alcance de todos.


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