Calendário Astronômico – Agosto 2025

A imagem tem como fundo o céu estrelado com um tom azulado. Ao centro, está o título em letras grandes e pretas: "O CÉU DE AGOSTO". Acima do título há a logo do Projeto Céu Profundo. Ao fundo da imagem, de maneira sutil, aparece um mapa celeste com constelações desenhadas em linha clara, quase translúcida. Na parte inferior, está o logotipo do Astropy.

Eventos Astronômicos de Agosto

As férias acabaram, mas temos certeza que você você aproveitou nossas dicas para observar todas as belezas do calendário astronômico de julho! E o céu de agosto segue apresentando um cardápio riquíssimo de formosuras celestes observáveis a olho nu e com pequenos telescópios.

Agosto também é o mês do injustificável sensacionalismo em torno da chuva de meteoros Perseídeos. Apesar de ser uma chuva de destaque para observadores no hemisfério norte, ocorrendo durando o verão daquele hemisfério e com um radiante que favorece observadores em latitudes da Europa e da América do Norte, aqui no hemisfério sul este é um evento pouco promissor e há outras chuvas muito mais prolíficas durante o ano (spoiler: em dezembro os Geminídeos não costumam decepcionar).

CALENDÁRIO ASTRONÔMICO - AGOSTO 2025
Data e Hora    | Evento

2025/08/01 09h | Quarto Crescente
2025/08/01 11h | X e V Lunares visíveis
2025/08/01 17h | Lua no apogeu
2025/08/04 01h | Antares 0.5°N da Lua
2025/08/05 10h | Lua mais ao sul (-28.5)
2025/08/08 02h | Plutão 0.0°N da Lua
2025/08/09 04h | Lua Cheia
2025/08/10 13h | Mercúrio estacionário
2025/08/12 02h | Vênus 0.9°S de Júpiter
2025/08/12 09h | Saturno 3.6°S da Lua
2025/08/12 10h | Netuno 2.5°S da Lua
2025/08/12-13  | Pico de Atividade dos Perseídeos 
2025/08/14 15h | Lua no perigeu
2025/08/16 02h | Quarto Minguante
2025/08/16 15h | Urano 5.2°S da Lua
2025/08/18 12h | Lua mais ao norte (28.6)
2025/08/19 07h | Mercúrio em maior elongação a oeste (18)
2025/08/19 19h | Júpiter 4.7°S da Lua
2025/08/20 08h | Pollux 2.4°N da Lua
2025/08/20 09h | Vênus 4.7°S da Lua
2025/08/21 15h | Mercúrio 3.5°S da Lua
2025/08/23 02h | Regulus 1.2°S da Lua
2025/08/23 03h | Lua Nova
2025/08/26 11h | Marte 2.5°N da Lua
2025/08/27 10h | Spica 1.0°N da Lua
2025/08/29 11h | Lua no apogeu
2025/08/31 03h | Quarto Crescente
2025/08/31 07h | Antares 0.6°N da Lua

Destaques do Mês

Um conjunção dupla decora o céu no fim da madrugada de 12 de agosto. Júpiter e Vênus se emparelham ao nascer do Sol enquanto a Lua passa ao lado de Saturno. Na mesma madrugada, em localidades mais escuras, são grandes as possibilidade de presenciar alguns dos meteoros da chuva Perseídeos, um dia antes do pico de atividade da chuva.

Visão do céu, mostrando a eclíptica e as constelações de gêmeos, órion, touro, peixes, aquário, cão maior e cão menor. Júpiter e Vênus estão juntos em gêmeos no canto superior esquerdo da imagem. A Lua e Saturno estão juntos em Peixes mais ao centro e à direita da imagem.
Simulação do céu na madrugada de 12 de agosto gerada no software Stellarium.

E os Meteoros?

Chuvas de meteoros ocorrem quando a Terra cruza regiões de sua órbita ricas em detritos. Esses detritos entram na atmosfera sofrendo atrito e se tornando incandescentes, assumindo um aspecto muito parecido com o das estrelas, por isso são também chamados de “estrelas cadentes“. Os detritos que geram a chuva de meteoros Perseídeos são associados ao cometa 109P/Swift-Tuttle e todos os anos, por volta do dia 12 de agosto a Terra cruza essa área, proporcionando um espetáculo para observadores atentos.

Veja bem, os Perseídeos são mesmo uma chuva de meteoros bastante produtiva. Mas tem um “depende” aí. Primeiro é preciso lembrar que a condição ideal para observar uma chuva de meteoros é ter o radiante no ponto mais alto do céu, em um local escuro e sem interferência da Lua.

O radiante é o ponto de onde os meteoros parecem se originar e isso varia para cada chuva de meteoros. No caso dos Perseídeos, esse ponto se localiza na direção da constelação de Perseu. E essa é uma constelação localizada muito ao norte… ou seja, o radiante não ficará alto no céu para quem mora no hemisfério sul. Isso nos coloca numa condição bem desfavorável para observá-los.

Outro ponto importante é estar em um local afastado da poluição luminosa. Ao tentar observar meteoros numa área urbana, veremos apenas os objetos mais brilhantes. Não espere ter a sensação de estar vendo realmente uma “chuva” com dezenas de meteoros por hora se você estiver em uma região iluminada.

Por último, além da interferência da poluição luminosa temos a interferência do brilho da Lua. E em 2025, a Lua vai estar a poucos dias da Lua Cheia e vai interferir bastante!!

Em resumo, todo o alarde que você vai ver na imprensa provavelmente tem origem na tradução de matérias publicadas por veículos do hemisfério norte e fazem pouco sentido pra quem está aqui no sul.

A Lua em Agosto

O desafio mensal de observar o X e o V lunares ganham um obstáculo a mais na Lua Crescente de primeiro de agosto: essas peculiares formações estarão visíveis no início da tarde, com o céu ainda claro.

Imagem da Lua em fase crescente, ocupando o centro da figura. Duas setas laranjas apontam para detalhes mais ampliados da superfície lunar.  A primeira ampliação mostra uma cratera com o formato da letra V; essa cratera está localizada mais ao centro da imagem. A segunda ampliação mostra uma cratera com o formato da letra X; essa cratera está localizada na imagem abaixo e a direita do centro. Na parte inferior da imagem há uma legenda com a seguinte descrição: "localizando o X e o V lunar"; e no canto superior direito está a logo do Projeto Céu Profundo.
Vista simulada da Lua crescente, exibindo o X e o V lunares, com dados do satélite LRO. Simulação: NASA-SVS. Infográfico: Projeto Céu Profundo.

Em agosto, o X e o V lunares estarão visíveis na tarde de 1/8. O melhor horário para visualização é entre as 13h e as 15h.

Destaques Telescópicos no Calendário

Em agosto conseguimos repetir o cardápio do calendário de julho, com alguns dos mais fascinantes objetos de céu profundo, mas temos algumas sugestões para seu banquete astronômico telescópico. O centro da Via Láctea continua visível durante toda a noite e é em torno dessa região que encontramos algumas de nossas sugestões: a Nebulosa da Lagoa (M8) e a nebulosa da Águia (M16).

Visível a olho nu na direção da constelação de Sagitário, a nebulosa M8 é um alvo fácil para binóculos e pequenos telescópios em regiões afastadas da poluição luminosa. Embora esteja cercada por outros objetos de aspecto nebuloso, M8 se destaca por seu brilho e você não terá dificuldade de localizá-la com binóculos.

Não muito distante de M8, a Nebulosa da Águia (M16) é famosa por uma das mais célebres imagens do telescópio Hubble: os Pilares da Criação. Os Pilares são apenas um recorte da região central da nebulosa, no pequeno campo coberto pelo Hubble. Numa visão mais aberta, em telescópios de maior campo, é possível ver toda a extensão da nebulosa, como na imagem acima.

Localize no mapa abaixo cada um dos objetos que indicamos.

Mapa do céu com destaque para a constelação de escorpião, há outras constelações ao redor como sagitário. As linhas azuis delineiam as figuras de cada constelação. Estão marcados objetos do catálogo Messier: M4 e M80 próximos à estrela alaranjada Antares; M6 e M7 mais abaixo da constelação; e M8 (Nebulosa da Lagoa) e M20 (Nebulosa Trífida), próximas uma da outra, mais abaixo e a esquerda de M6 e M7. Outras estrelas notáveis também estão nomeadas, como Shaula, Sargas e Kaus Australis. Círculos brancos destacam as posições dos objetos observáveis. O logo do Projeto Céu Profundo está no canto superior direito.
Mapa da região em torno do centro da Via Láctea, indicando a posição de objetos brilhantes do céu profundo. Simulação gerada no Stellarium.

Mapa do Mês

Clique no mapa para expandir. O mapa traz uma projeção retangular do céu, com o equador celeste posicionado horizontalmente no centro do gráfico. Imagine o céu como um cilindro envolvendo a Terra. O mapa apresenta esse cilindro “desenrolado”.

Os planetas e o Sol estão representados como setas, indicando seu movimento ao longo do mês em relação às estrelas ao fundo.

A imagem é dividida em dois gráficos circulares, representando a posição dos planetas ao redor do Sol em agosto de 2025, com o Sol no centro. 
Gráfico superior: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte: O Sol é representado por um ponto amarelo no centro do gráfico, Quatro arcos coloridos representam as órbitas e posições dos planetas; Mercúrio – traço fino azul, mais próximo do Sol; Vênus – arco laranja, em órbita um pouco maior que Mercúrio; Terra – arco verde, mais distante do centro; Marte – arco vermelho, o mais afastado neste gráfico.
Cada planeta tem uma pequena seta colorida no final do arco, indicando o sentido do movimento orbital.
Gráfico inferior: Terra, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Também tem o Sol no centro (amarelo) e a Terra representada por um pequeno ponto verde. As órbitas dos planetas exteriores são mostradas com setas coloridas mais distantes: Terra- Azul, Júpiter- Laranja, Saturno- Verde, Urano- Vermelho, Netuno- Roxo.
Os arcos mostram apenas trechos das órbitas, com pequenas setas indicando a posição e direção orbital de cada planeta. As órbitas dos planetas gasosos são muito mais afastadas do centro do que as dos planetas rochosos (Terra).

3I/ATLAS – Observamos o Visitante Interestelar

O cometa C/2025 N1 (ATLAS), ou I3/ATLAS, aparece circulado em meio a incontáveis estrelas.

O Minor Planet Center (MPC), da União Astronômica Internacional (IAU), emitiu em circular a confirmação do objeto A11pl3Z como um visitante interestelar, conferindo a nomenclatura definitiva 3I/ATLAS. O objeto, no entanto, exibe características cometárias, o que lhe confere um segunda designação: C/2025 N1 (ATLAS), seguindo a regra para nomenclatura de cometas.

O diagrama abaixo mostra a trajetória e a posição atual do 3I/ATLAS, baseadas nos dados disponíveis até 2 de julho. O objeto se aproxima rapidamente, a uma velocidade de mais de 60 km/s e atingirá sua menor distância ao Sol em 29 de outubro, numa posição entre as órbitas de Marte e da Terra.

O cometa interestelar C/2025 N1 (ATLAS), ou 3I/ATLAS, recebeu suas designações definitivas do Minor Planet Center da União Astronômica Internacional.

Nossa Caçada ao 3I/ATLAS

Desnecessário dizer que o entusiasmo entre toda a comunidade de observadores é grande neste momento. E não ficamos de fora dessa euforia. A meteorologia estava desfavorável na noite de 2 de julho em São José dos Campos, mas sempre há a alternativa do uso de telescópios robóticos em sítios mais favorecidos.

Através da plataforma iTelescope, acessamos um telescópio instalado no Chile para programar uma sequência de tomada de imagens da região onde as efemérides previam a passagem do 3I/ATLAS.

A uma distância de aproximadamente 5 unidades astronômicas (1 unidade astronômica equivale à distância média entre a Terra e o Sol, ou aproximadamente 150 milhões de km) e medindo algo em torno de 20 km, a tarefa é desafiadora. Além disso, estaríamos observando uma área do céu repleta de estrelas, na direção da região mais central da Via Láctea, em busca de um objeto de brilho muito tênue ( magnitude 18). É algo um pouco mais complicado que encontrar uma agulha num palheiro (se quer mesmo achar uma agulha num palheiro, fica a dica: use um ímã).

A Detecção

E lá fomos nós, operando remotamente o telescópio T75, com 250 mm de abertura instalado em Rio Hurtado, no Chile, em busca do terceiro objeto conhecido com origem fora do nosso Sistema Solar.

Programamos 5 exposições sucessivas de 180 segundos e o resultado foi um conjunto de imagens com este aspecto:

Um par de imagens capturadas através do telescópio T75, instalado no Chile, da área em torno da posição do objeto interestelar 3I/ATLAS. Créditos: Wandeclayt M./@ceuprofundo.

No meio desse palheiro, e sem um ímã, a melhor maneira de encontrar nossa agulha é criar uma animação entre os frames, na esperança de detectar um ponto se deslocando no campo.

Com um deslocamento no céu de aproximadamente 1,3″ por minuto, seria possível, no intervalo entre as exposições, detectar o cometa como um ponto móvel.

E lá estava ele! O tímido 3I/ATLAS passeando em frente as estrelas da região central da Via Láctea.

O objeto 3I/ATLAS, ou C/2025 N1 (ATLAS), aparece como um minúsculo ponto se deslocando entre duas imagens que se alternam. As imagens são escuras, repletas de pontos brilhantes, que são estrelas na direção do centro da Via Láctea.
Detecção do objeto interplanetário 3I/ATLAS em imagens capturadas com telescópio robótico remoto. Créditos: Wandeclayt M./@ceuprofundo.

Como Observar?

Com magnitude em torno de 18, esse é um alvo proibitivo para a observação visual em telescópios mais modestos, mas é possível capturá-lo com câmeras CCD.

Se você também quer se aventurar imageando este célebre visitante, o primeiro passo é encontrar sua posição no céu.

As coordenadas do objeto podem ser acessadas através do sistema JPL Horizons. Além das coordenadas celestes (Ascenção Reta e Declinação) o sistema informa parâmetros como distância, taxa de deslocamento (em segundos de arco por minuto) e magnitude estimada. Durante a primeira metade do mês de julho, transitando pelas constelações de Sagitário e Ofiúco, há uma dificuldade a mais, proporcionada pelo excesso de estrelas de nossa galáxia visível nessa região do céu. A maioria, mais brilhantes que o próprio cometa.

Mas não se intimide! Saia à caça desse visitante antes que ele acelere em seu passeio pelo Sistema Solar e nos deixe para nunca mais voltar!

A11pl3Z: Mais um Visitante Interestelar?

Pela terceira vez na história, um objeto passando pelo Sistema Solar pode ter origem em outro sistema planetário. O objeto batizado provisoriamente como A11pl3Z é o mais recente candidato ao carimbo de rocha interestelar no passaporte.

Antes de tudo: não há qualquer risco de colisão desse objeto com a Terra! Os dados preliminares mostram sua trajetória cruzando a órbita de Marte, mas também sem se aproximar do Planeta Vermelho.

Visualização da óribta do objeto A11pl3Z com dados preliminares, gerada na ferramenta Orbit Viewer do programa Catalina Sky Survey.

A Descoberta

O objeto foi descoberto em observações realizadas por um telescópio da rede ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) a partir do Chile, com magnitude aparente 18 e localizado a 4 unidades astronômicas da Terra (1 unidade astronômica é uma medida de distância equivalente à distância média da Terra ao Sol, ou aproximadamente 150 milhões de km).

Os telescópios da rede ATLAS enxergam uma grande área do céu, um campo total de 7,5°, ou o equivalente a 15 vezes o diâmetro da Lua Cheia. Isso permite uma grande cobertura do céu em sucessivas varreduras em busca de asteroides.

Em seguida aos alertas de novas detecções, outros telescópios confirmam a presença dos objetos e produzem novos dados de posição, alimentando os programas para determinação de órbitas.

A rede Deep Random Survey foi uma das que colaborou com a produção de dados de posição do A11pl3Z.

Imagem do objeto interestelar A11pl3Z capturada por telescópio da rede Deep Random Survey. Créditos: K Ly/Deep Random Survey.


Novas observações são necessárias e a astronomia amadora pode contribuir com dados de posição e brilho, ajudando a conhecer com mais precisão a órbita do A11pl3Z. Efemérides para observação do objeto podem ser geradas pelo Center for Near Earth Objects Studies (CNEOS) do Jet Propulsion Laboratory (JPL).

Dados recuperados de observações de arquivo permitiram localizar o A11pl3Z em imagens capturadas anteriormente, ajudando a refinar os parâmetros orbitais iniciais. Com os dados disponíveis na manhã de 2 de julho, é possível determinar que a máxima aproximação do objeto ao Sol ocorrerá em outubro, passando a uma distância 36% maior que a distância média da Terra ao Sol. Infelizmente, a Terra e o A11pl3Z estarão em posições diametralmente opostas, dificultando a observação do objeto durante o periélio.

Visitas Anteriores

Anteriormente, os objetos 1I/Oumuamua e 2I/Borisov também tiveram suas trajetórias traçadas com origem no espaço interestelar. Este é também um campo onde o Observatório Vera Rubin poderá contribuir aumentando o censo de objetos detectados. Sua câmera de 3200 Megapixels, durante uma primeira rodada de demonstração, descobriu impressionantes 2104 asteróides, mostrando seu potencial como um rastreador de objetos do Sistema Solar. Na imagem abaixo, um pequeno recorte de uma das primeiras imagens publicadas pelo Observatório Rubin, cada traço colorido é um asteróide detectado.

Asteróides detectados pelo Observatório Vera Rubin em campo na direção da constelação de Virgem. NSF-DOE Vera C. Rubin Observatory.

Elementos Orbitais Provisórios

Elementos Orbitais (provisórios):  A11pl3Z

Perihelion 2025 Oct 29.66294 +/- 0.219 TT = 15:54:38 (JD 2460978.16294)
Epoch 2025 Jul  2.0 TT = JDT 2460858.5   Earth MOID: 0.3557   Ju: 0.2478
q   1.34709127 +/- 0.0135           Ma: 0.0199   Sa: 0.4081      AutoNEOCP
H   11.92 G 0.15                    Peri.  128.10518 +/- 0.14
z  -3.7599875674 +/- 0.0381         Node   322.07493 +/- 0.10
e   6.0650464 +/- 0.102             Incl.  175.10957 +/- 0.0045

106 of 108 observations 2025 June 14-July 2; mean residual 0".38

Calendário Astronômico – Julho 2025

A imagem tem como fundo o céu estrelado com um tom azulado. Ao centro, está o título em letras grandes e pretas: "O CÉU DE JULHO". Acima do título há a logo do Projeto Céu Profundo. Ao fundo da imagem, de maneira sutil, aparece um mapa celeste com constelações desenhadas em linha clara, quase translúcida. Na parte inferior, está o logotipo do Astropy.

Eventos Astronômicos de Julho

As belezas do céu não tiram férias em julho!

O mês traz um rara conjunção entre planetas gigantes, observável em binóculos e pequenos telescópios. Para os amantes dos objetos de céu profundo, a região do centro da Via Láctea permanece visível durante toda a noite, exibindo as coloridas joias que ornam o céu de inverno!

Data e Hora    | Evento

2025/07/02 19h | Quarto Crescente
2025/07/02 22h | X e V Lunar visíveis
2025/07/03 21h | Spica 0.7°N da Lua
2025/07/03 23h | Terra no afélio
2025/07/04 02h | Mercúrio em maior elongação a leste (26°)
2025/07/04 12h | Vênus 2.4°S de Urano
2025/07/05 02h | Lua no apogeu
2025/07/05 14h | Netuno estacionário
2025/07/07 18h | Antares 0.4°N da Lua
2025/07/09 05h | Lua mais ao sul (-28.4°)
2025/07/10 20h | Lua Cheia
2025/07/11 22h | Plutão 0.0°N da Lua
2025/07/13 18h | Vênus 3.2°N de Aldebaran
2025/07/14 08h | Saturno estacionário
2025/07/16 07h | Saturno 3.4°S da Lua
2025/07/16 08h | Netuno 2.4°S da Lua
2025/07/17 07h | Mercúrio estacionário
2025/07/18 00h | Quarto Minguante
2025/07/20 11h | Urano 5.0°S da Lua
2025/07/20 13h | Lua no perigeu
2025/07/22 09h | Lua mais ao norte (28.5°)
2025/07/23 04h | Júpiter 4.9°S da Lua
2025/07/24 04h | Pollux 2.5°N da Lua
2025/07/24 19h | Lua Nova
2025/07/25 06h | Plutão em oposição
2025/07/26 21h | Regulus 1.2°S da Lua
2025/07/28 18h | Marte 1.1°N da Lua
2025/07/31 05h | Spica 0.9°N da Lua
2025/07/31 23h | Mercúrio em conjunção inferior

Destaques do Mês

A Lua em Julho

Um desafio mensal para os observadores da Lua é o registro de duas curiosas formações, visíveis somente durante algumas horas nas proximidades do início da fase crescente.

O X e o V lunares são uma peculiar combinação de luzes e sombras produzidas pelo relevo lunar quando a luz do Sol incide sobre elas no ângulo correto. É possível observar e registrar esses marcos no relevo com pequenos telescópios, mas é preciso estar atento ao horário da observação.

Imagem da Lua em fase crescente, ocupando o centro da figura. Duas setas laranjas apontam para detalhes mais ampliados da superfície lunar.  A primeira ampliação mostra uma cratera com o formato da letra V; essa cratera está localizada mais ao centro da imagem. A segunda ampliação mostra uma cratera com o formato da letra X; essa cratera está localizada na imagem abaixo e a direita do centro. Na parte inferior da imagem há uma legenda com a seguinte descrição: "localizando o X e o V lunar"; e no canto superior direito está a logo do Projeto Céu Profundo.
Vista simulada da Lua em 2025-07-02 22h, com dados do satélite LRO. Simulação: NASA-SVS. Infográfico: Projeto Céu Profundo.

Em julho, o X e o V lunares estarão visíveis na noite de 2/7. O melhor horário para visualização é entre as 22h e a meia-noite.

Um Encontro Raro

Saturno protagoniza ao lado de Netuno um dueto raro durante todo o mês de julho. Utilizando binóculos ou um pequeno telescópio com baixo aumento, será possível observar ambos os planetas simultaneamente.

Os planetas exteriores movem-se lentamente em suas órbitas pelo Sistema Solar. Saturno completa uma volta aproximadamente a cada 30 anos. Netuno, ainda mais distante do Sol, tem um período orbital de longos 163 anos. Mas atenção, coloque na agenda!! Com esse lento movimento, o próximo alinhamento entre Saturno e Netuno ocorrerá apenas em 2061! Mas não adianta deixar pra observar em 2061. Apesar do encontro ser ainda mais cerrado, com os planetas a uma distância aparente de apenas 7 minutos de arco (isso equivale a um quarto do diâmetro aparente da Lua Cheia), ele ocorre ao amanhecer com o céu já claro.

Simulação do campo de visão em uma ocular de 26mm em um telescópio com 400mm de distância focal, mostrando os planetas Saturno e Netuno. Saturno aparece como um ponto branco bem brilhante à direita do centro, enquanto Netuno aparece um pouco à esquerda e mais abaixo do centro como um ponto mais azulado e menos brilhante. Ao fundo escuro, há algumas estrelas espalhadas pelo campo. Na parte inferior da imagem, há a legenda informando as especificações do equipamento utilizado para gerar a visualização. No canto superior direito está o logotipo do "Projeto Céu Profundo". Simulação gerada no Stellarium.
Saturno e Netuno poderão ser observados simultaneamente pela ocular do telescópio durante todo o mês de Julho. Simulação gerado no Stellarium 25.1 por Wandeclayt Melo/@ceuprofundo.

Este o tipo de evento ideal para observação com binóculos, instrumentos que apresentam um grande e luminoso campo de visão. Ao observar com telescópio, lembre que o afastamento entre Saturno e Netuno será de aproximadamente 1°, o equivalente a duas vezes o diâmetro da Lua. Por isso, é preciso usar ampliações fracas. Use sua ocular mais longa nessa observação. O campo que simulamos aqui é de um pequeno telescópio de 80 mm de abertura e 400 mm de distância focal, com ocular de 26 mm. Abaixo, compare a aparência do campo observando a Lua e a conjunção.

O Veloz Mensageiro

Mercúrio recebe seu nome do veloz deus romano, mensageiro dos deuses do Olimpo. E a velocidade de Mercúrio estará evidente no mês de julho. No dia 4 de julho, o pequeno planeta estará em condições ideais para observação, atingindo sua máxima elongação a leste. Neste ponto, o planeta estará em seu máximo afastamento do Sol ao anoitecer. Ainda assim, ele não é um alvo tão fácil. É preciso ter um horizonte desobstruído para observá-lo sobre o horizonte oeste após o pôr do Sol.

Mas logo após a elongação, Mercúrio volta a mergulhar em direção ao poente e voltará a se alinhar com o Sol, na configuração que chamamos de conjunção inferior (quando mercúrio se posiciona entre a Terra e o Sol) no dia 31.

Destaques Telescópicos

Se a meteorologia ajudar, seu telescópio também pode não tirar férias em julho. E tem objeto pra todo gosto e todo tamanho de telescópio.

O mapa abaixo mostra a região das constelações do Escorpião e de Sagitário. Esse é um verdadeiro parque de diversões para pequenos telescópios e binóculos. Vamos levar você agora por um pequeno tour por 6 objetos do catálogo Messier, passando por aglomerados estelares abertos, aglomerados globulares e nebulosas!

Mapa do céu com destaque para a constelação de escorpião, há outras constelações ao redor como sagitário. As linhas azuis delineiam as figuras de cada constelação. Estão marcados objetos do catálogo Messier: M4 e M80 próximos à estrela alaranjada Antares; M6 e M7 mais abaixo da constelação; e M8 (Nebulosa da Lagoa) e M20 (Nebulosa Trífida), próximas uma da outra, mais abaixo e a esquerda de M6 e M7. Outras estrelas notáveis também estão nomeadas, como Shaula, Sargas e Kaus Australis. Círculos brancos destacam as posições dos objetos observáveis. O logo do Projeto Céu Profundo está no canto superior direito.
Região central da Via Láctea, rica em objetos de céu profundo, na direção das constelações de Sagitário e Escorpião. Créditos: Stellarium/Wandeclayt M.

Aglomerados Abertos

A primeira dica é um par de aglomerados estelares abertos, facilmente localizáveis, na direção da cauda da constelação do escorpião. Os objetos M6 e M7, também conhecidos por seus apelidos Aglomerado da Borboleta e Aglomerado de Ptolomeu são um baú do tesouro de estrelas coloridas. As imagens abaixo foram capturadas com um telescópio inteligente Seestar S50 e são muito similares ao que se pode ver através da ocular de um pequeno telescópio:

Aglomerados Globulares

Aglomerados abertos são compostos por estrelas jovens, somando de algumas dezenas até poucas centenas de estrelas. Mas há aglomerados muito mais ricos: os aglomerados globulares! Esses são verdadeiros fósseis de uma época em que a matéria prima para formar estrelas era muito mais abundante em nossa galáxia. Aglomerados globulares podem chegar a agregar mais de um milhão de estrelas, todas ligadas gravitacionalmente entre si. Na constelação do escorpião você pode encontrar facilmente os aglomerados M4 e M80. Os aglomerados globulares parecem pequenos amontoados de sal sobre um pano preto, se seu telescópio tiver abertura suficiente para resolver individualmente as estrelas. Em instrumentos menores, eles se parecem com pequenos borrões desfocados.

Nebulosas

E por fim, vem o desafio maior! As nebulosas na direção de Escorpião e Sagitário são belíssimas, mas também são as mais vulneráveis ao terror da poluição luminosa. Observadores em centros urbanos terão dificuldade para resolver essas pequenas manchinhas na ocular dos seus telescópios em meio ao excesso de luz lançado ao céu. Outro lembrete é que mesmo em condições ideais, esses objetos não emitem luz suficiente para que possamos perceber cor ao observá-los. É sempre possível fazer imagens que registrem suas nuances de cor, mas com o olho na ocular, não passarão de nuvenzinhas acinzentadas difusas (mas ainda assim fascinantes).

Imagem da Nebulosa M20, também conhecida como Nebulosa de Trífida, localizada na constelação de sagitário.  No centro da imagem, a nebulosa se destaca com sua coloração rosa, à direita, e azul, à esquerda. Ao fundo escuro, há uma grande quantidade de estrelas alaranjadas e azuladas espalhadas. No canto inferior direito, lê-se: “Nebulosa Trífida (M20), const: Sagittarius, telescópio: Seestar S50 – 42 min, Observatório da UNIVAP / @ceuprofundo”. Logotipos do observatório e do Projeto Céu Profundo estão presentes nos cantos superior esquerdo e direito.

Mapa do Mês

Clique no mapa para expandir. O mapa traz uma projeção retangular do céu, com o equador celeste posicionado horizontalmente no centro do gráfico. Imagine o céu como um cilindro envolvendo a Terra. O mapa apresenta esse cilindro “desenrolado”.

Os planetas e o Sol estão representados como setas, indicando seu movimento ao longo do mês em relação às estrelas ao fundo.

A imagem é dividida em dois gráficos circulares, representando a posição dos planetas ao redor do Sol em julho de 2025, com o Sol no centro. 
Gráfico superior: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte: O Sol é representado por um ponto amarelo no centro do gráfico, Quatro arcos coloridos representam as órbitas e posições dos planetas; Mercúrio – traço fino azul, mais próximo do Sol; Vênus – arco laranja, em órbita um pouco maior que Mercúrio; Terra – arco verde, mais distante do centro; Marte – arco vermelho, o mais afastado neste gráfico.
Cada planeta tem uma pequena seta colorida no final do arco, indicando o sentido do movimento orbital.
Gráfico inferior: Terra, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Também tem o Sol no centro (amarelo) e a Terra representada por um pequeno ponto verde. As órbitas dos planetas exteriores são mostradas com setas coloridas mais distantes: Terra- Azul, Júpiter- Laranja, Saturno- Verde, Urano- Vermelho, Netuno- Roxo.
Os arcos mostram apenas trechos das órbitas, com pequenas setas indicando a posição e direção orbital de cada planeta. As órbitas dos planetas gasosos são muito mais afastadas do centro do que as dos planetas rochosos (Terra).

Solstício: O Sol Estacionado

Às 23:42 h do dia 20 de junho de 2025, o inverno astronômico iniciou para os habitantes do hemisfério sul. No hemisfério norte, era o início do verão.

Mas como determinamos com precisão de minutos quando cada estação inicia? E que evento astronômico determina o início das estações?

O Calendário Astronômico

As 24h que correspondem ao dia civil são determinados por um fenômeno astronômico: as passagens sucessivas do Sol pelo meridiano local. Traduzindo: se você cronometrar a passagem do Sol pelo ponto mais alto de sua trajetória diurna entre dois dias sucessivos, durante todo o ano, vai encontrar um período médio de 24h.

A duração do ano civil e o início das estações do ano também se baseiam em fenômenos astronômicos. E esses fenômenos estão ilustrados na série de imagens abaixo!

Além da beleza do pôr do Sol, as imagens revelam que ao longo do ano o Sol não se põe sempre no mesmo ponto.

Um Ano em Quatro Imagens

  • Na primeira imagem, o Sol aparece se pondo exatamente no ponto cardeal oeste. Quando este evento acontece em março, temos o início do outono no hemisfério sul e da primavera no hemisfério norte.
  • A segunda imagem mostra o Sol se pondo no ponto mais extremo ao norte. Esse é o solstício de junho, o evento que marca o início do inverno no hemisfério sul.
  • Na terceira imagem, o Sol se põe novamente exatamente sobre o ponto cardeal oeste, no equinócio de setembro. É o início da primavera no hemisfério sul e do outono no hemisfério norte.
  • Na última imagem o Sol se põe no ponto mais extremo ao sul, no solstício de dezembro, marcando o início do verão no hemisfério sul e do inverno no hemisfério norte.
A figura é composta de 4 imagens do pôr do Sol de São José dos Campos nas 4 estações do ano, as imagens são compostas por montanhas ao fundo e árvores em primeiro plano. A primeira imagem, ao topo, mostra o pôr do Sol no Equinócio de Março, o Sol se põe mais ao centro da figura. A segunda imagem, abaixo da anterior, mostra o pôr do Sol no Solstício de Junho, o Sol se põe mais ao canto direito. Na terceira imagem, abaixo da anterior, mostra o pôr do Sol no equinócio de Setembro, o Sol se põe também mais ao centro da imagem. Na quarta e última imagem, abaixo da anterior, mostra o pôr do Sol no Solstício de Dezembro, o Sol se põe mais ao canto esquerdo da imagem.
O pôr do Sol em São José dos campos em diferentes meses do ano. Imagens: Wandeclayt M./@ceuprofundo.

O Sol realiza esse movimento oscilatório, nascendo (e se pondo) cada dia em um ponto diferente, indo de um extremo no sul até um extremo no norte e em seguida retornando.

O início de cada uma das estações, do ponto de vista astronômico, é determinado pela passagem do Sol por coordenadas celestes bem específicas. Quando o Sol cruza o equador celeste, o dia claro e a noite tem a mesma duração em ambos os hemisférios. É o que chamamos de EQUINÓCIOS. Os equinócios marcam o início do outono e da primavera.

Quando o Sol atinge os pontos extremos, ao norte ou ao sul, e para de avançar, temos os SOLSTÍCIOS. Nos solstícios temos uma grande diferença de iluminação entre os hemisférios, com o hemisfério mais iluminado experimentando temperaturas mais altas e recebendo mais energia do Sol enquanto o hemisfério oposto experimenta o contrário, temperaturas usualmente mais baixas e menos energia recebida do Sol.

O diagrama abaixo mostra a diferença de iluminação entre os hemisférios em cada um dos solstícios e equinócios.

Formando a figura há 4 imagens do mapa do planeta Terra para representar a diferença de iluminação entre os hemisférios em cada um dos solstícios e equinócios. A primeira imagem mostra o equinócio em março, no mapa há duas barras escuras laterais, que cobrem verticalmente até aproximadamente a Guatemala e a outra barra até aproximadamente Blangladesh, à leste da Índia, o restante do mapa é representado na cor branca. 
A segunda imagem mostra o solstício de junho, a região escura forma uma espécie de senoide com concavidade para cima mais ao centro do mapa e concavidade para baixo mais próximo às laterais. Ou seja, região escura está mais ao sul.
A terceira imagem mostra o equinócio em setembro, no mapa há duas barras escuras laterais, que cobrem verticalmente, dessa vez, uma região um pouco mais a esquerda da Guatemala do que o último equinócio e um pouco mais a esquerda também de Bangladesh.
A quarta imagem mostra o solstício de dezembro, a região escura forma uma espécie de senoide com concavidade para baixo mais ao centro do mapa e concavidade para cima mais próximo às laterais. Ou seja, região mais escura está mais ao norte.
As porções iluminadas e sombreadas da Terra nos solstícios e nos equinócios. Gráficos gerados em CartoPy. Créditos: Wandeclayt M./@ceuprofundo.

Sitios arqueológicos como Stonehenge na Inglaterra, ou Calçoene, no Amapá, eram provavelmente grandes calendários astronômicos usados pelos povos originários nessas regiões para marcar a passagem do tempo a partir dos locais de nascimento e ocaso do Sol.

E a Duração do Ano?

Esse ciclo das estações define o Ano Trópico, com duração média de 365,2422 dias.

É esse o período que adotamos para definir o ano civil. Mas perceba que temos uma inconveniente fração de dias envolvida. É por isso que precisamos eventualmente somar um dia ao calendário, criando os anos bissextos. A regra atual é acrescentar um dia ao mês de fevereiro caso o ano seja divisível por 4. Mas temos as exceções: se o ano for divisível por 100, não acrescentamos esse dia. E temos a exceção da exceção: Se ano for divisível por 400, voltamos a colocar o dia extra!

Quer saber com mais detalhes como essa regra surgiu? Confere esse outro post onde contamos tudinho:

O Guia do Mochileiro da Galáxia ensina: Não Entre em Pânico!

A frase que estampa em letras garrafais a capa do fictício guia que dá nome à série de livros O Guia do Mochileiro da Galáxia (The Hitchhiker’s Guide to The Galaxy) muitas vezes beira o insustentável e o instinto parece nos recomendar entrar em pânico e jogar a toalha!

Na parte inferior da imagem há um modelo em miniatura do foguete Saturn V montado sobre suportes azuis e exposto em uma prateleira preta. Acima dele, na parede branca, há dois quadros emoldurados. O da esquerda exibe uma arte colorida com uma mão segurando um planeta com anéis e os dizeres “DON’T PANIC” em letras grandes. O quadro da direita mostra uma foto da superfície lunar.
Nosso estúdio orgulhosamente ostenta o lema do guia: Não Entre em Pânico!. Imagem: Wandeclayt M.

Mas a sabedoria de Douglas Adams nos ensina que nunca devemos nos afastar de nossa toalha:

“A toalha”, diz o guia, “é indiscutivelmente o objeto mais incrivelmente útil que um mochileiro interestelar pode ter.”
Em parte, seu valor é prático: você pode enrolá-la no corpo para se aquecer enquanto atravessa as luas geladas de Jaglan Beta; deitá-la sobre as areias brilhantes e marmóreas das praias de Santraginus V, respirando os vapores intoxicantes do mar; usá-la como cobertor sob as estrelas rubras do deserto de Kakrafoon; ou como vela de um minibarco descendo o lento e pesado rio Moth; umedecê-la para usar como uma arma em combate corporal; cobrir a cabeça para se proteger de fumaça tóxica — ou para escapar do olhar da Fera Bugblatter Devoradora de Traal (um animal absurdamente estúpido, que acha que, se você não pode vê-la, ela também não pode vê-lo — burra como uma porta, mas extremamente faminta). Em emergências, você pode agitá-la como sinal de socorro e, claro, secar-se com ela… se ainda estiver minimamente limpa.


Mas o mais importante é o valor psicológico da toalha. Se um strag (strag: não-mochileiro) descobre que um mochileiro está com sua toalha, ele automaticamente presume que o sujeito também possui escova de dentes, toalhinha de rosto, sabonete, lata de biscoitos, cantil, bússola, mapa, novelo de barbante, repelente de insetos, roupa para chuva, traje espacial etc. Além disso, o strag ficará feliz em emprestar qualquer um desses itens (ou uma dúzia de outros que o mochileiro talvez tenha “perdido” acidentalmente). Porque o strag raciocina assim: se um homem é capaz de pegar carona de um extremo ao outro da galáxia, enfrentar privações, superar adversidades terríveis, triunfar e, mesmo assim, ainda sabe onde está sua toalha… esse é um homem com quem se deve contar.”

O Guia do Mochileiro da Galáxia, Douglas Adams.

A vida, o Universo e tudo mais…

É com esse tom nonsense que os cinco livros da série cômica de ficção científica “O Guia do Mochileiro da Galáxia” nos conduzem por uma narrativa com ritmo frenético, reviravoltas mirabolantes e um humor que só poderia ter vindo de um britânico colaborador do grupo Monty Python. Por algum motivo que desconhecemos, as traduções em português escrevem “Galáxias” no plural, apesar do Guia pretender ser uma referência de planetas em nossa Via Láctea.

A obra já esteve presente em múltiplos meios: programa de rádio, série de TV, cinema… mas sua encarnação mais deliciosa talvez seja na literatura, onde Douglas Adams se permite inescrupulosamente alongar suas descrições e diálogos potencializando o clímax que nos espera na piada no fim do parágrafo.

Pessoa segura um exemplar do livro The Ultimate Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, de Douglas Adams. Ao fundo vê-se dois teclados e dois sintetizadores.
Versão “ultimate” em inglês, reunindo os cinco volumes originais da saga. Imagem: Wandeclayt M.

O mote da história entrou para os anais da cultura pop: um super computador foi construído por uma raça alienígena para descobrir a resposta para a questão fundamental da vida, do universo e tudo o mais… e o computador, após milhões de anos de cálculos, chega a esse tão almejado objetivo: a resposta é 42!

Só então fica óbvio que embora agora saibamos sua resposta, ninguém sabe qual é essa questão fundamental e um computador ainda mais poderoso precisa ser construído.

A história tem como protagonistas Ford Prefect, um mochileiro que trabalha escrevendo para o Guia, uma obra que pretende ser a fonte definitiva de informação para aqueles que se aventuram a mochilar pela galáxia e Arthur Dent, um terráqueo pouco afortunado, amigo de Ford, que acaba sendo arrastado pelos acontecimentos.

A aventura tem início quando Arthur, resgatado por Ford, escapa da demolição da Terra!

Enquanto isso, somos apresentados a uma muito peculiar fauna de personagens. Marvin, o androide depressivo que rouba a cena e muitas passagens do livro, o hedonista e irresponsável, embora carismático, Zaphod Beeblebrox, e por fim, Tricia McMillian, ou Trillian, uma matemática e astrofísica terráquea que também havia deixado a Terra antes da demolição.

O Dia da Toalha

Para celebrar a influência dessa obra prima da literatura universal, o dia 25 de maio é, desde 2001, lembrado como o Dia da Toalha, ou mais genericamente, como o Dia do Orgulho Nerd.
Não se espante se nesse dia você encontrar fãs de Adams e do Guia caminhando pelas ruas com uma inseparável toalha sobre o ombro. Afinal, este é o objeto mais incrivelmente útil que um mochileiro interestelar pode ter.

Cena do filme Guia do Mochileiro da Galáxia (2005), ambientada em um cenário futurista com iluminação suave e design arredondado. Em primeiro plano, um homem com capacete branco e casaco marrom segura um pequeno objeto com correntes, apontando-o para frente de forma dramática. Atrás dele, três pessoas observam a ação com expressões de surpresa e curiosidade.
A controversa versão cinematográfica do Guia do Mochileiro da Galáxia (2005). Spyglass/Buena Vista Pictures.

O Guia do Mochileiro da Galáxia – Versões

Surgindo como um programa de rádio na BBC em 1978, a saga do Guia migrou para a literatura e deu origem a cinco livros publicados entre 1979 e 1992.

  • O Guia do Mochileiro da Galáxia (1979)
  • O Restaurante no Fim do Universo (1980)
  • A Vida, o Universo e tudo o mais (1982)
  • Até Mais e Obrigado pelos Peixes (1984)
  • Praticamente Inofensiva (1992).

Uma adaptação para o cinema, estreou em 2005, com participação de Douglas Adams no roteiro, com um elenco estelar, mas longe de atingir a aclamação unânime dos fãs.

Calendário Astronômico: Fevereiro 2025

Calendário Astronômico

Efemérides foram computadas usando as bibliotecas astropy e astroquery em Python e o software Occult v4.

Data e Hora   | Evento

2025/02/01 01h | Saturno 1.0°S da Lua (Ocultação)*
2025/02/01 13h | Vênus 3.3°N de Netuno
2025/02/01 18h | Netuno 1.2°S da Lua (Ocultação)*
2025/02/01 19h | Vênus 2.1°N da Lua
2025/02/02 00h | Lua no perigeu
2025/02/04 10h | Júpiter estacionário
2025/02/05 05h | QUARTO CRESCENTE
2025/02/05 16h | Urano 4.5°S da Lua
2025/02/06 23h | Júpiter 5.4°S da Lua
2025/02/08 07h | Lua no ponto mais ao Norte (28.6°)
2025/02/09 08h | Mercúrio em conjunção superior
2025/02/09 16h | Marte 0.7°S da Lua (Ocultação)*
2025/02/10 02h | Pólux 2.0°N da Lua
2025/02/12 10h | LUA CHEIA
2025/02/12 22h | Régulo 1.9°S da Lua
2025/02/17 09h | Espica 0.3°N da Lua (Ocultação)
2025/02/17 22h | Lua no apogeu
2025/02/20 14h | QUARTO MINGUANTE
2025/02/21 05h | Antares 0.4°N da Lua (Ocultação)
2025/02/22 19h | Lua no ponto mais ao Sul (-28.7°)
2025/02/24 06h | Marte estacionário
2025/02/25 07h | Plutão 0.9°N da Lua (Ocultação)
2025/02/25 09h | Mercúrio 1.5°N de Saturno
2025/02/27 21h | LUA NOVA
2025/02/28 00h | Vênus estacionário
2025/02/28 15h | Saturno 1.3°S da Lua

* Ocultação não visível do Brasil.
** Visível de parte do Brasil. Consulte mapa abaixo.

O Céu em Fevereiro – Destaques do Mês.

Janeiro se encerra com a Lua compondo o fim da tarde ao lado de Saturno e Vênus. Olhe para o horizonte oeste a´pos o pôr do Sol para contemplar o trio. Simulação no aplicativo Stellarium. Créditos: Wandeclayt M./@ceuprofundo

Após a intensa circulação de vídeos anunciando um falso alinhamento dos planetas no dia 25/1, disseminados pelas redes sociais e nos fazendo gastar bastante energia para desmentir esse boato, é hora de falarmos de alinhamentos que REALMENTE acontecerão!

Mas antes vamos chamar a sua atenção para o fato de que alinhamentos entra a Lua e os planetas NÃO SÃO RAROS. Claro, são belíssimos e merecem nossos olhares, mas acontecem a cada mês a medida que a Lua percorre sua órbita em torno da Terra.

E para começar a série de conjunções lunares, comecemos olhando para o oeste, ao anoitecer do dia 31/1 para testemunhar a Lua enfileirada com Saturno e Vênus. Mas não se preocupe se as nuvens frustrarem sua observação. Nas duas noites seguintes, teremos também belas configurações a oeste, como vemos nas imagens abaixo.

No primeiro anoitecer de fevereiro, A Lua e Vênus aparecem emparelhadas no horizonte oeste. Saturno, um pouco mais baixo, completa a composição.
A Lua se despede de Saturno e Vênus no anoitecer de 2 de fevereiro. Esta bela composição poderá ser vista no início da noite, no horizonte oeste, em todo o Brasil.

Mas as belas conjunções não param por aí. Nos dias 5, 6 e 9/2, respectivamente, a Lua faz belas aparições nas constelações de Touro e Gêmeos, encontrando-se com as Plêiades, com Júpiter e, por último, com o planeta Marte.

Lua em conjunção com o aglomerado das Plêiades no anoitecer de 5 de fevereiro.
Lua em conjunção com Júpiter no anoitecer de 6 de fevereiro.
Lua em conjunção com Marte no anoitecer de 5 de fevereiro.

Os Planetas em Fevereiro/2025

Marte, Júpiter, Vênus e Saturno estarão em condições muito favoráveis para a observação durante todo o mês de Janeiro. Para observadores munidos de telescópios, Urano e Netuno também manterão um bom afastamento do Sol durante todo o mês. Vênus, Saturno, Júpiter e Marte poderão ser vistos simultaneamente no céu. Isso não é uma configuração especialmente rara e nem de longe corresponde ao super alinhamento alardeado em vídeos virais em redes sociais. Na verdade, os planetas estarão bem separados angularmente entre si, com apenas uma conjunção mútua merecendo atenção: Vênus estará a pouco mais de 2º Saturno no dia 18/01.

Para acompanhar a movimentação de todos os planetas durante o mês, clique na imagem para ampliar.

Configurações do Sistema Solar em Fevereiro/2025

Os diagramas abaixo mostram a configuração dos planetas interiores e exteriores do Sistema Solar ao longo do mês de fevereiro, em coordenadas heliocêntricas. Os gráficos apresentam o Sistema Solar visto do norte do plano da órbita terrestre.

Satélites de Júpiter

Configuração dos satélites galileanos em fevereiro/2025 [https://pds-rings.seti.org/tools/tracker3_jup.shtml]

Anéis de Saturno

Configuração dos anéis de Saturno em 15 de fevereiro. [https://pds-rings.seti.org/tools/viewer3_sat.shtml]

Calendário Astronômico – Dezembro 2024

Calendário Astronômico

Efemérides foram computadas usando as bibliotecas astropy e astroquery em Python e o software Occult v4.

Data e Hora    | Evento

2024/12/01 03h | LUA NOVA
2024/12/01 04h | Antares 0.0°N da Lua (Ocultação)*
2024/12/01 22h | Mercúrio 4.9°N da Lua
2024/12/02 19h | Lua mais ao sul (-28.5°)
2024/12/04 20h | Vênus 2.2°N da Lua
2024/12/05 01h | Plutão 1.2°N da Lua
2024/12/05 23h | Mercúrio em conjunção inferior
2024/12/07 11h | Vênus 0.9°N de Plutão
2024/12/07 17h | Júpiter em oposição
2024/12/07 17h | Marte estacionário
2024/12/08 05h | Saturno 0.3°S da Lua (Ocultação)*
2024/12/08 07h | Netuno estacionário
2024/12/08 12h | QUARTO CRESCENTE
2024/12/09 05h | Netuno 0.7°S da Lua (Ocultação)*
2024/12/12 10h | Lua no perigeu
2024/12/13 04h | Urano 4.1°S da Lua
2024/12/13~14  | Pico dos Geminídeos
2024/12/14 15h | Júpiter 5.4°S da Lua
2024/12/15 06h | LUA CHEIA
2024/12/15 17h | Lua mais ao norte (28.4°)
2024/12/15 19h | Mercúrio estacionário
2024/12/17 09h | Pólux 2.0°N da Lua
2024/12/18 06h | Marte 0.8°S da Lua (Ocultação)*
2024/12/20 05h | Régulo 2.2°S da Lua
2024/12/21 06h | Solstício
2024/12/22 19h | QUARTO MINGUANTE
2024/12/24 04h | Lua no apogeu
2024/12/24 17h | Spica 0.2°S da Lua (Ocultação)*
2024/12/25 06h | Mercúrio na máxima elongação a oeste (22°)
2024/12/28 12h | Antares 0.1°N da Lua (Ocultação)**
2024/12/30 01h | Lua mais ao sul (-28.4°)
2024/12/30 19h | LUA NOVA

* Não visível do Brasil.
** Visível de parte do Brasil. Consulte mapa abaixo.

Os Céu em Dezembro

O cair das noites de dezembro vem ornado com três planetas brilhantes. De oeste para leste, você encontrará em sequência Vênus, Saturno e Júpiter. Um pouco mais tarde, Marte surge seguindo o trio. Note na imagem abaixo a linha alaranjada marcando a eclíptica, o plano da órbita terrestre em torno do Sol. Como as órbitas dos maiores corpos do Sistema Solar estão todas aproximadamente neste mesmo plano, é ao longo dessa linha que você sempre encontrará os planetas. Perceba como Vênus, Saturno e Júpiter estão alinhados seguindo a eclíptica. Ao nascer, um pouco mais tarde, Marte também mantém esse alinhamento.

Vênus, Saturno e Júpiter no céu do início da noite em dezembro. A simulação corresponde ao céu da cidade de Natal (RN) em primeiro de dezembro de 2024. [simulação no Stellarium por Wandeclayt M./Projeto Céu Profundo].

O céu de verão traz também uma das chuvas de meteoros mais ativas do ano, os Geminídeos, podendo atingir um pico de mais de 100 meteoros por hora entre os dias 13 e 14 de dezembro. No entanto, em 2024, a Lua cheia reduz drasticamente o número de meteoros observáveis.

Para os observadores de objetos de céu profundo, é a temporada de observar a deslumbrante M42 (a Grande Nebulosa de Órion), M31 (a Galáxia de Andrômeda) e de desfrutar a olho nu da visão dos aglomerados Plêiades e Híades, na constelação do Touro.

A região das constelações de Órion e Touro, povoada de objetos de céu profundo. Simulação: Stellarium.

Os planetas em Dezembro/2024

Clique na imagem para ampliar.

Configurações do Sistema Solar em dezembro/2024

Os diagramas abaixo mostram a configuração dos planetas interiores e exteriores do Sistema Solar ao longo do mês de dezembro, em coordenadas heliocêntricas.

Satélites de Júpiter

Configuração dos satélites galileanos em dezembro/2024 [https://pds-rings.seti.org/tools/tracker3_jup.shtml]

Anéis de Saturno

Configuração dos anéis de Saturno em 15 de novembro. [https://pds-rings.seti.org/tools/viewer3_sat.shtml]

Pesquisadores do INPE Lançam Livro Gratuito de Astronomia e Astrofísica

Coleção Introdução à Astronomia e Astrofísica (2024)

Desde 1998, a Divisão de Astrofísica do Instituto Nacional de Atividades Espaciais (INPE) organiza o Curso de Introdução à Astronomia e Astrofísica (CIAA), voltado para professores do ensino fundamental e médio e para estudantes de graduação em Ciências Exatas.

Em suas 25 edições, o CIAA se consolidou como um importante curso de formação e atualização para professores e futuros cientistas em um ambiente imersivo, em contato com pesquisadores envolvidos em alguns dos mais importantes projetos de pesquisa e desenvolvimento em Astronomia do Brasil.

Com um conteúdo atual e abrangente, o curso desperta grande interesse por suas vagas a cada edição. Suas notas de aula são uma valiosa referência e vê-las lançadas em formato de livro, com organização do Dr. André Milone (Divisão de Astrofísica/INPE), é motivo de alegria para os interessados no tema que carecem de literatura em português.

Os três volumes da coleção Introdução à Astronomia e Astrofísica lançados nesta quinta-feira (31/10) cobrem todo o programa do CIAA e estão disponíveis gratuitamente em formato PDF. Baixe nos links abaixo:

  • Volume 1 – Astronomia no dia a dia, Astrofísica Observacional, O Sistema Solar, Habitabilidade Cósmica e a Possibilidade de Vida em Outros Locais do Universo.
  • Volume 2 – O Sol, Formação de Estrelas, A Vida das Estrelas, Estágios Finais de Estrelas
  • Volume 3 – Galáxias, Cosmologia, Astrofísica de Ondas Gravitacionais.

Personalizando Paisagens do Stellarium

O planetário virtual Stellarium é um software gratuito e de código aberto, disponível para Linux, Mac OS e Windows, capaz de gerar visualizações realistas do céu em posições e instantes definidos pelo usuário. Essas visualizações criam uma experiência imersiva que pode ficar ainda mais interessante quando criamos uma cenário personalizado retratando uma paisagem conhecida ou seu local de observação preferido.

Paisagem personalizada do Museu Interativo de Ciências de São José dos Campos (SP) [Wandeclayt M./Céu Profundo].

Essa personalização é simples e pode ser gerada em poucos passos. É preciso ter alguma familiaridade com edição de imagens e com as funções do Stellarium, mas nenhuma ferramenta complexa é necessária.

  1. Crie uma imagem panorâmica de 360º. Não é preciso incluir todo o céu. É possível criar a imagem fundindo duas imagens panorâmicas de 180º (ou conjuntos de imagens menores, desde que cubram os 360º de horizonte) num programa de edição de imagens (Photoshop, Gimp). Uma opção gratuita é a ferramenta de montagem de panoramas Hugin.
  2. Remova o céu (a área do céu deve ficar transparente em um arquivo png).
  3. A relação de aspecto da imagem deve ser 2:1. 2048×1024 funciona bem.
  4. Crie um arquivo “landscape.ini” com os dados de sua paisagem. Este é um exemplo de arquivo:
Exemplo de arquivo landscape.ini
[landscape]
name = MIC
author = Wandeclayt M/@ceuprofundo
description = Museu Interativo de Ciências de São José dos Campos - SP - Brasil.
type = spherical
maptex = mic_sjc2k.png
angle_rotatez = 150

[location]
planet = Earth
country = Brazil
timezone = America/Sao_Paulo
latitude = -23d10'59"
longitude = -45d51'31"
altitude = 650

Você pode precisar ajustar o azimute de sua imagem para que os pontos cardeais coincidam com a paisagem. Esse ajuste pode ser feito pelo parâmetro “angle_rotatez” no arquivo landscape.ini.
Depois destes passos, compacte seu arquivo de imagem png e seu arquivo landscape.ini em um único arquivo zipado. A instalação será feita a partir do arquivo zip.

Para instalar, acesse o menu de paisagens na barra esquerda da interface do Stellarium, ou use a tecla de função F4. Na aba paisagem você encontrará a opção de adicionar/remover paisagens. Selecione seu arquivo Zip e a nova paisagem será incorporada ao aplicativo.

Instalação de um novo pacote de paisagem.
Stellarium com a nova paisagem instalada e selecionada.

Para Saber Mais.

O blog Astrocamera de Dave Kodama também descreve o procedimento de criação/instalação de paisagens. E documentação do Stellarium voltada a desenvolvedores pode ser encontrada em http://stellarium.org/doc/head/index.html