O cometa NEOWISE vem aí! Você está pronto para observá-lo?

Cometa C/2020 F3 (NEOWISE) sobre Utah (EUA) em 09/07/2020 [créditos: NASA/Bill Dunford]

Um cometa descoberto em 27 de março de 2020 em imagens do telescópio espacial infravermelho NEOWISE tem impressionado observadores no hemisfério norte. É impossível garantir que ele continue visível a olho nu pelas próximas semanas, mas a partir de 24 de julho ele vai estar alto o suficiente no céu após o pôr do Sol para permitir que, no pior dos casos, seja visto através de binóculos no hemisfério sul.

O cometa C/2020 F3 NEOWISE evoluiu de maneira impressionante a partir do final do mês de junho e se tornou um objeto visível a olho nu pouco antes do nascer do Sol (para observadores no hemisfério norte). Sua exuberante cauda amarela formada pela poeira refletindo a luz do Sol tem proporcionado um verdadeiro espetáculo no mês de julho e uma cauda iônica tem sido registrada fotograficamente. Mas antes do fim de julho sua posição é desfavorável para observadores ao sul da linha do equador, permanecendo ofuscado no brilho do Sol nascente.

Cometa C/2020 F3 NEOWISE observado pelo telescópio espacial Parker Solar Probe em 05/07/2020. [Créditos: NASA/Johns Hopkins APL/Naval Research Lab/Parker Solar Probe/Brendan Gallagher]

Apenas na última semana de julho as condições passam a favorecer os observadores no hemisfério austral, quando o C/2020 F3 se posiciona sobre o horizonte noroeste após o pôr do Sol. Apesar do NEOWISE já estar se afastando do Sol, sua máxima aproximação com a Terra acontece no dia 23 de julho o que alimenta esperanças de que ele ainda possa ser visto a olho nu. Mas mesmo no pior caso, teremos um cometa observável com binóculos e pequenos telescópios e vamos mostrar onde você pode encontrá-lo!

Posição do Cometa c/2020 F3 (NEOWISE) após o pôr do Sol de 23 a 31 de Julho, para a latitude de São Paulo. [arte: Natália Palivanas/Céu Profundo, sobre simulação do Stellarium]

Para encontrar o NEOWISE, olhe na direção NOROESTE após o pôr do Sol. Nos dias 23 e 24, com o cometa ainda muito próximo ao horizonte, a observação pode ser bastante desafiadora. As chances de encontrá-lo aumentam a partir do dia 25, quando, apesar de se esperar que seu brilho comece a decair, o NEOWISE permanecerá mais tempo no céu após o pôr do Sol. Binóculos são os instrumentos ideais para a busca de objetos difusos como os cometas. Seu campo de visão é grande e as imagens proporcionadas são brilhantes. Caso tenha um à disposição, não deixe de usá-lo.

O diagrama acima mostra a posição aparente do cometa em relação as estrelas. Se não estiver familiarizado com as constelações, use seu aplicativo preferido para se localizar. Identifique primeiro a constelação de Leão e a partir dela siga as indicações em nosso mapa.

Ao longo da semana atualizaremos esse post com informações sobre a evolução do cometa e a variação de seu brilho. Fique de olho aqui e em nossas redes sociais e não perca nenhuma novidade sobre o cometa C/2020 F3 (NEOWISE)!

www.twitter.com/ceuprofundo

www.instagram.com/ceuprofundo

ATUALIZAÇÃO (19/jul/2020): O brilho do cometa segue caindo. A magnitude estimada é 3 (ainda visível a olho nu de locais escuros). Recomendamos enfaticamente o uso de binóculos.

Cometa I2/Borisov – Hubble observa o visitante interestelar.

Cometa I2/Borisov. Primeiro cometa observado com origem em outro sistema solar. [imagem: NASA/ESA/STScI/D. Jewitt (UCLA)]

O telescópio espacial Hubble obteve as melhores imagens até o momento do cometa 2I/Borisov. A imagem capturada no dia 12/out/2019 pelo Hubble revela a região de concentração de poeira em torno do núcleo cometário.

A trajetória e a velocidade do 2I/Borisov indicam que o cometa teve origem fora do sistema solar, em outro sistema planetário, fazendo dele o segundo objeto interestelar a ser observado cruzando o sistema solar.

Time lapse de 7h de observação do cometa I2/Borisov [imagem: NASA/ESA/STScI/D Jewitt (UCLA)]

Em 2017, o asteróide batizado oficialmente como ‘Oumuamua, chegou a menos de 40 milhões de km do Sol, vindo de fora do sistema solar, tornando-se o primeiro objeto interestelar detectado em nossas vizinhanças. ‘Oumuama aparentava ser um corpo rochoso, enquando I2/Borisov apresenta um núcleo com atividade, assemelhando-se aos cometas com origem em nosso sistema solar.

Trajetória do cometa I2/Borisov [NASA/ESA/D Jewitt (UCLA)]

O cometa foi descoberto na Criméia pelo astrônomo amador Gennady Borisov no dia 30 de agosto e é o oitavo na lista de descobertas de Borisov. Após uma semana de observações por astrônomos profissionais e amadores, o Minor Planet Center da União Astronômica Internacional (IAU) e o Center for Near-Earth Object Studies [Centro para Estudos de Objetos Próximos à Terra] no JPL/NASA computaram sua trajetória, confirmando sua origem no espaço interestelar.

I2/Borisov atingirá o periélio – o ponto de sua órbita mais próximo ao Sol – em dezembro, chegando a uma distância mínima do Sol de aproximadamente 2 UA (Unidades Astronômicas) – duas vezes a distância da Terra ao Sol. Essa distância também é maior que a distância média de Marte ao Sol (1.52 UA).

Hoje, o cometa se encontra na direção da constelação de Leão, com magnitude 16.9 (fora do alcance de pequenos telescópios, sobretudo em céus urbanos) e espera-se que se torne até 2 magnitudes mais brilhante em Janeiro de 2020 – ainda fora do alcance da maioria dos telescópios amadores.

Mas cometas são corpos surpreendentes e podem evoluir de maneira imprevisível, com rupturas e aumentos inesperados de brilho que podem trazê-lo para o alcance de telescópios mais modestos. Mas se isso não acontecer, imagens mais detalhadas do I2/Borisov estão garantidas: novas observações do Hubble para o cometa estão planejadas para Janeiro de 2020 e novas propostas de observação estão sendo submetidas.

Até agora, todos os cometas catalogados tinham origem num cinturão de objetos gelados na periferia de nosso Sistema Solar, chamado Cinturão de Kuiper ou na Nuvem de Oort – uma hipotética nuvem de cometas envolvendo o Sistema Solar a cerca de um ano-luz de distância.


Leia Também