Delta Aquáridas do Sul 2020

O radiante da chuva Delta Aquáridas do Sul sobre a Serra Mantiqueira (SP) enquanto Marte surge no horizonte leste, em 27/07/2020 [imagem: Wandeclayt M./Céu Profundo]

Ao longo de sua órbita, a Terra atravessa regiões do Sistema Solar onde cometas deixaram detritos. São esses detritos que ao entrar em nossa atmosfera tornam-se incandescentes e criam o espetáculo das chuvas de meteoros.

Chuva talvez seja um nome exagerado, considerando que, no melhor dos casos, observamos no máximo algumas dezenas de meteoros por hora. E isso se estivermos em locais realmente escuros e com o radiante (calma, a gente explica daqui a pouco o que é o radiante) bem em cima de nossas cabeças.

Acontece que nem todas as famosas chuvas de meteoros anuais podem ser bem observadas aqui no Brasil, por isso a chuva Delta Aquáridas do Sul merece atenção especial. Os meteoros associados à essa chuva parecem se originar em um ponto na direção das estrela delta da constelação de Aquário (esse ponto é o que chamamos de radiante!) que aparece bem alto no céu para observadores no Brasil, facilitando nossa observação!

Seu pico de atividade acontece nas noites de 28 e 29 de julho. A “chuva” será visível das 21h ao amanhecer, atingindo sua maior intensidade entre 1h e 3h da madrugada, quando a constelação de Aquário estiver em seu ponto mais alto no céu.

Como observar?

Não são necessários instrumentos como telescópio ou binóculos. Como meteoros são fenômenos rápidos e imprevisíveis, a melhor experiência para esse tipo de evento é obtida a olho nu – basta reservar um tempo para observar o céu.

É recomendável deixar o ambiente o mais escuro possível, evitando inclusive o uso de celulares e outros aparelhos luminosos durante a observação. Se precisar de uma lanterna, tente usar uma com luz vermelha ou usar papel celofane vermelho como filtro em uma lanterna de luz branca. Se possível, aguarde até que a Lua se ponha no horizonte.

Você não precisa olhar para o radiante. O meteoros podem surgir em qualquer parte do céu, mas sua trajetória vai parecer ter origem ali perto da delta de Aquário. Se parecer vir de outra direção, é um meteoro esporádico, que não pertence à chuva.

O que esperar?

Como dissemos, as “chuvas” de meteoro talvez se pareçam mais com uma lenta goteira. Num céu limpo e longe de poluição luminosa, a Delta Aquáridas do Sul pode produzir cerca de 16 meteoros por hora. Dentro das cidades, a iluminação pode tornar a observação completamente inviável! Portanto, é preciso tempo e céus escuros para conseguir ver uma quantidade razoável de meteoros.

O que NÃO esperar?

Imagens como essa mostrando vários meteoros são lindas e válidas, mas não representam uma chuva de meteoros vista a olho nu. Elas são fruto de horas de exposição e várias fotografias sobrepostas.

Imagem mostrando um céu escuro com parte da Via Láctea e vários rastros deixados por meteoros.
(Crédito: NASA)

E se nublar?

Esta é uma chuva que perdura até meados de agosto. Se na data do pico estiver nublado na sua região, ainda é possível tentar observá-la nas próximas noites.

Como toda observação astronômica, esse é um exercício de paciência e calma. Desejamos céus limpos e uma boa observação =)

Muito além do NEOWISE.

Cometa NEOWISE registrado no sertão de Pernambuco
Cometa NEOWISE registrado sobre o sertão pernambucano em 23-jul-2020 pela astrofotógrafa Alycia Monteiro.

Após a aproximação máxima com o Sol em 2 de Julho, o cometa C/2020 F3 (NEOWISE) cruzou o ponto de sua órbita mais próximo da Terra no dia 23 de Julho. A partir de agora, com o cometa se afastando da Terra e do Sol, menos gás e poeira são produzidos pela sublimação do gelo em seu núcleo, refletindo menos luz solar e diminuindo seu brilho aparente. Isso dificulta sua visualização, sobretudo para os observadores nas regiões Sul e Sudeste, onde o cometa aparece mais baixo sobre o horizonte noroeste ao longo dos próximos dias. Observadores no Norte, Nordeste e Centro-oeste seguirão com condições mais favoráveis para visualização e para fotografia do NEOWISE. Se precisa de ajuda para localizar o cometa, consulte nosso guia AQUI, com orientações para todo o Brasil.

Evolução do brilho do cometa NEOWISE após a passagem pelo periélio. [crédito: Comet Observation Database]

Os dados de luminosidade do cometa enviados ao Comet Observation Database (COBS) até a noite do dia 23/07 apontavam brilho ao redor de magnitude 4. Valor que torna-o um alvo difícil (impossível se você não estiver numa região escura, afastado da poluição luminosa) para observação a olho nu. Binóculos são o instrumento ideal para observação, produzindo uma imagem brilhante e com um campo grande o suficiente para exibir a longa cauda (onde o céu for escuro o suficiente).

Registro do Cometa NEOWISE em São José dos Campos (SP) em 23.jul.2020. A pequena elevação do cometa sobre o horizonte nesta primeira noite e seu baixo brilho impediram a observação a olho nu ou com binóculos para observadores no Sudeste. [imagem: Céu Profundo / Observatório da UNIVAP / NOA]

Mas o cometa NEOWISE não é a única atração no céu do entardecer deste fim de semana. A leste, Júpiter surge radiante e é um excelente alvo para os binóculos que já estarão a postos em busca do cometa. Ele é o astro mais brilhante nascendo no horizonte leste após o pôr do Sol. Os quatro satélites de Júpiter descobertos por Galileu Galilei são facilmente encontrados com pequenos instrumentos.

A oeste, uma delgada Lua também enfeita o início da noite e merece ser investigada por binóculos, telescópios e teleobjetivas.

A Lua também adorna o Céu sobre o horizonte oeste ao entardecer deste fim de semana. Imagem de 23/07/2020.
Aproveite a ocasião para se familiarizar com o céu e para explorar regiões celestes densamente estreladas, como esta área do plano da Via Láctea ao redor do Cruzeiro do Sul, rica em nebulosidade e abundante em aglomerados estelares. Binóculos revelarão verdadeiros tesouros nesta área.

E se a busca pelo NEOWISE lhe parecer um desafio desanimador, lembre-se que o universo é um lugar bem grande e abriga muito mais belezas no céu noturno esperando para fascinar os observadores. Aproveite a oportunidade. Explore, descubra, fascine-se. O único risco é se apaixonar pelo céu e pela observação. Mas esse é um risco que recomendamos que todos corram! 😉

Dois é demais! Imagens diretas de dois exoplanetas ao redor de estrela análoga ao Sol.

TYC 8998-760-1b e c, gigantes gasosos em torno de uma estrela jovem de massa similar ao Sol. [imagem: Alexander J. Bohn, et al.]

O trabalho liderado por Alexander J. Bohn (Observatório de Leiden, Holanda) submetido ao periódico Astrophysical Journal Letters confirma a presença de um sistema multiplanetário em torno de uma estrela de massa equivalente a do Sol, através de imagens diretas. Apesar da similaridade de massa, a estrela de idade estimada em 17 milhões de anos é muito mais jovem que o nosso Sol, uma estrela de meia idade curtindo o esplendor de seus 5 bilhões de anos.

Uma nova geração de instrumentos e técnicas de processamento capazes de reduzir as distorções atmosféricas nas observações de grandes telescópios em terra tem aumentado a resolução das imagens e permitido o imageamento direto de planetas extrassolares, mas até o momento apenas dois sistemas com mais de um planeta haviam sido confirmados por imagens diretas.

O novo estudo confirmou a presença de mais um planeta gigante ao redor da estrela TYC 8998-760-1, com massa aproximadamente 6 vezes maior que a de Júpiter orbitando a estrela a 320 vezes a distância da Terra ao Sol (Vamos facilitar a vida e concordar em chamar a distância da Terra ao Sol de Unidade Astronômica (UA)? Afinal é essa mesmo a definição de Unidade Astronômica), somando-se a um planeta já conhecido, de 14 vezes a massa de Júpiter com órbita de 162 UA. Essas distâncias são bem grandes para um sistema planetário. 162 UA é mais que 3 vezes a distância de Plutão ao Sol (48 UA é a distância de Plutão no afélio) e a questão aberta é “Como eles chegaram lá?”. A resposta para esta questão pode vir de observações feitas pelo ansiosamente aguardado James Webb Space Telescope, o próximo grande telescópio espacial a ser lançado pela NASA.

O estudo faz parte do levantamento YSES (Young Suns Exoplanet Survey), um censo que analisa um grupo de 70 estrelas jovens de massa similar a do Sol, numa região do céu austral a 300 anos luz de distância. Os dados vem do instrumento SPHERE (Spectro-Polarimetric High-contrast Exoplanet REsearch) instalado no monumental complexo de telescópios VLT (Very Large Telescope) do European Southern Observatory (ESO) no Deserto do Atacama (Chile).

O conjunto de telescópios de 8.2m de diâmetro Very Large Telescope (VLT) no Cerro Paranal (Chile). O laser visível na imagem cria uma estrela artificial de calibração a uma altitude de 90km na mesosfera. O laser é parte do sistema que permite compensar os efeitos da turbulência atmosférica, produzindo imagens com resolução similar as de um telescópio no espaço.
[Crédito da imagem: ESO/Serge Brunier]

Cometa Neowise: Um guia para observadores no Brasil.

O cometa C/2020 F3 (NEOWISE) já é o evento astronômico do ano no hemisfério norte e agora se ergue sobre o horizonte noroeste logo após o pôr do Sol para observadores ao sul da linha do equador.

Descoberto em 27 de março através de imagens do telescópio espacial infravermelho NEOWISE (Near-Earth Object Wide-field Infrared Survey Explorer), o cometa tornou-se visível a olho nu ao longo do mês de junho, atingindo o pico de luminosidade nas primeiras semanas de julho, após sua passagem pelo periélio (em 03/07/2020). Uma brilhante cauda de poeira se desenvolveu, acompanhada pela longa e tênue cauda iônica, registrada apenas nas fotografias.

Esta imagem de 19 de Julho do planetarista e astrofotógrafo Dave Eagle (www.star-gazing.co.uk) revela toda a anatomia do cometa C/2020 F3 (NEOWISE): A cauda de poeira amarelada, refletindo a luz do Sol, a cabeleira esverdeada e a longa cauda azulada de gás ionizado. [crédito da imagem: Dave Eagle]

A medida que se afasta do Sol, o brilho do cometa NEOWISE segue decaindo, mas permanece ao alcance de binóculos e pequenos telescópios e pode inclusive ser visto a olho nu de locais escuros, menos sujeitos à poluição luminosa e atmosférica. Apesar da queda esperada no brilho, o NEOWISE terá sua aproximação máxima da Terra no dia 23 de julho, o que pode compensar a queda de luminosidade.

Observadores mais ao norte terão melhores condições de observação, com o cometa aparecendo mais alto sobre o horizonte.

Os diagramas abaixo mostram onde encontrá-lo após o pôr do Sol para diversas latitudes no Brasil. Encontre o mapa com latitude mais próxima à sua localização e escolha de preferência um local escuro e com vista desobstruída do horizonte na direção noroeste. Obstáculos na paisagem, poluição atmosférica e luminosa e nuvens prejudicarão a observação.

Apesar de serem representados como objetos rápidos, o movimento aparente dos cometas pelo céu é lento, perceptível apenas ao longo de dias. Em observações amadoras, procure por objetos que estejam fixos em relação às estrelas.

O instrumento ideal para observação de cometas são os binóculos. A imagem destes instrumentos são brilhantes e cobrem um grande campo, permitindo observar a grande extensão da cauda.

Antes de observar, procure reconhecer o céu com seu aplicativo preferido. As estrelas Spica (na constelação de Virgem), Arcturus (em Boötes) e Regulus (em Leão) circulam a região a ser observada e são boas referência para encontrar direção onde o NEOWISE pode ser encontrado durante os próximos dias.

O cometa NEOWISE vem aí! Você está pronto para observá-lo?

Cometa C/2020 F3 (NEOWISE) sobre Utah (EUA) em 09/07/2020 [créditos: NASA/Bill Dunford]

Um cometa descoberto em 27 de março de 2020 em imagens do telescópio espacial infravermelho NEOWISE tem impressionado observadores no hemisfério norte. É impossível garantir que ele continue visível a olho nu pelas próximas semanas, mas a partir de 24 de julho ele vai estar alto o suficiente no céu após o pôr do Sol para permitir que, no pior dos casos, seja visto através de binóculos no hemisfério sul.

O cometa C/2020 F3 NEOWISE evoluiu de maneira impressionante a partir do final do mês de junho e se tornou um objeto visível a olho nu pouco antes do nascer do Sol (para observadores no hemisfério norte). Sua exuberante cauda amarela formada pela poeira refletindo a luz do Sol tem proporcionado um verdadeiro espetáculo no mês de julho e uma cauda iônica tem sido registrada fotograficamente. Mas antes do fim de julho sua posição é desfavorável para observadores ao sul da linha do equador, permanecendo ofuscado no brilho do Sol nascente.

Cometa C/2020 F3 NEOWISE observado pelo telescópio espacial Parker Solar Probe em 05/07/2020. [Créditos: NASA/Johns Hopkins APL/Naval Research Lab/Parker Solar Probe/Brendan Gallagher]

Apenas na última semana de julho as condições passam a favorecer os observadores no hemisfério austral, quando o C/2020 F3 se posiciona sobre o horizonte noroeste após o pôr do Sol. Apesar do NEOWISE já estar se afastando do Sol, sua máxima aproximação com a Terra acontece no dia 23 de julho o que alimenta esperanças de que ele ainda possa ser visto a olho nu. Mas mesmo no pior caso, teremos um cometa observável com binóculos e pequenos telescópios e vamos mostrar onde você pode encontrá-lo!

Posição do Cometa c/2020 F3 (NEOWISE) após o pôr do Sol de 23 a 31 de Julho, para a latitude de São Paulo. [arte: Natália Palivanas/Céu Profundo, sobre simulação do Stellarium]

Para encontrar o NEOWISE, olhe na direção NOROESTE após o pôr do Sol. Nos dias 23 e 24, com o cometa ainda muito próximo ao horizonte, a observação pode ser bastante desafiadora. As chances de encontrá-lo aumentam a partir do dia 25, quando, apesar de se esperar que seu brilho comece a decair, o NEOWISE permanecerá mais tempo no céu após o pôr do Sol. Binóculos são os instrumentos ideais para a busca de objetos difusos como os cometas. Seu campo de visão é grande e as imagens proporcionadas são brilhantes. Caso tenha um à disposição, não deixe de usá-lo.

O diagrama acima mostra a posição aparente do cometa em relação as estrelas. Se não estiver familiarizado com as constelações, use seu aplicativo preferido para se localizar. Identifique primeiro a constelação de Leão e a partir dela siga as indicações em nosso mapa.

Ao longo da semana atualizaremos esse post com informações sobre a evolução do cometa e a variação de seu brilho. Fique de olho aqui e em nossas redes sociais e não perca nenhuma novidade sobre o cometa C/2020 F3 (NEOWISE)!

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www.instagram.com/ceuprofundo

ATUALIZAÇÃO (19/jul/2020): O brilho do cometa segue caindo. A magnitude estimada é 3 (ainda visível a olho nu de locais escuros). Recomendamos enfaticamente o uso de binóculos.

Lirídeos 2020 – Como observar.

Radiante da chuva de meteoros Lirídeos na noite de 21 para 22 de abril de 2020, às 4h00. [gráfico gerado no Stellarium v 0.20.0]

Tentar observar uma chuva de meteoros é uma atividade potencialmente frustrante para observadores menos experientes. Primeiro é preciso saber exatamente quando e para onde olhar. Segundo é preciso entender como variáveis ambientais como localização e poluição luminosa podem interferir em sua experiência.

Os Lirídeos são detritos do cometa C/1861 G1 Thatcher e há registros de sua observação desde o ano 687 a.C.

Aqui vão algumas dicas para garantir uma experiência minimamente recompensadora para você:

  1. O pico de atividade desta chuva ocorre entre os dias 20 e 22 de abril.
  2. A taxa horária zenital observada nos últimos anos estava em torno de 18 meteoros por hora. Isso significa que, se você conseguisse observar todo o céu e se o radiante estivesse diretamente acima da sua cabeça (no zênite), poderiam ser observados 18 meteoros em 1 hora (ou aproximadamente um meteoro a cada 3 minutos).
  3. Se você está no Brasil o radiante não vai estar sobre sua cabeça e se você estiver em uma área urbana, com poluição luminosa, não vai conseguir observar os meteoros menos brilhantes. Além disso, você não conseguirá observar todo o céu ao mesmo tempo. Então, na prática, nada de 18 meteoros por hora.
  4. O radiante culmina (culminação é o instante em que o ponto vai estar mais alto em relação ao horizonte) às 4 da manhã. É nesse horário que você deve observar o maior número de meteoros.
  5. O radiante fica próximo a Vega (alfa da constelação de Lira), a estrela mais brilhante naquela direção. Mas a dica é não olhar diretamente para o radiante. Os meteoros podem ser vistos em qualquer direção do céu e aparentam vir do ponto marcado pelo radiante, mas ao redor desse ponto os meteoros traçam trilhas menores. Olhando para outras direções do céu veremos rastros mais longos.
  6. A luz da Lua também costuma ser um obstáculo à observação de meteoros. Mas desta vez, com a Lua nova, teremos um obstáculo a menos.

A International Meteor Organization (IMO) oferece dados em tempo real, fornecidos por observadores espalhados pelo mundo. Consulte aqui.

Anuário Astronômico 2020

Março
01
02Lua – Quarto Crescente16h57
03
04
05
06
07
08
09Lua Cheia14h48
10
11
12
13
14
15
16Lua – Quarto Minguante06h34
17
18Lua em conjunção com Marte (1° N) e Júpiter (2° N) ao amanhecer.5h
19
20Equinócio de Outono
Marte em conjunção (1° S) com Júpiter
0h50
3h
21
22
23 Mercúrio em máxima elongação oeste (27°) 23h
24Lua Nova
Vênus em máxima elongação leste (45°)
06h28
19h
25
26
27
28
29
30
31Marte em conjunção (1° S) de Saturno9h

Tupi e Guarani: Os Mais Brasileiros dos Astros

A lista de planetas descobertos orbitando outras estrelas já contabiliza mais de 4000 objetos. Muitos deles são batizados apenas com um número de catálogo ou com o acréscimo de uma letra ao nome da estrela central do sistema. Assim, o planeta 51 Pegasi b, é o objeto descoberto em órbita da estrela 51 da constelação de Pegasus. Outros objetos possuem apenas uma designação numérica, como a estrela HD 23079, na constelação do Retículo.

Quem regulamenta a nomenclatura desses objetos é a IAU (União Astronômica Internacional), órgão que congrega astrônomos de todo o mundo e que foi responsável, por exemplo, por definir as 88 constelações modernas e seus limites e por estabelecer os critérios para que um corpo celeste seja classificado como planeta (como consequência desses critérios, Plutão acabou sendo rebaixado à categoria de Planeta Anão em 2006).

Como parte das comemorações do seu centenário em 2019, a IAU lançou a campanha #NameExoWorlds convidando as populações de 112 países a nomear 112 sistemas planetários, escolhendo o nome da estrela e de seu respectivo planeta. A campanha teve a adesão de 780 000 pessoas e teve seu resultado divulgado nesta terça-feira (17/12).

Os nomes escolhidos pelo Brasil e aprovados pela IAU para nomear a estrela HD 23079 e seu planeta são Tupi e Guarani, estabelecendo como tema os nomes de populações indígenas do Brasil para nomear futuros objetos que venham a ser descobertos no mesmo sistema. Foram 977 sugestões e 7060 votantes.

Localização de Tupi e Guarani, às 23h00 do dia 17/12 na latitude de São José dos Campos. É importante informar a latitude porque observadores mais ao norte verão a estrela mais próxima do horizonte sul. Observadores mais ao sul, verão a estrela mais alta no céu. consequências de uma Terra esférica. 😉 [imagem gerada no Stellarium versão 0.19.1]

Ficou curioso e quer observar nossa estrela no céu? Nós te mostramos como encontrá-la. Você precisará de binóculos ou de um pequeno telescópio. Com magnitude 7.1, na constelação de Retículo, Tupi está bem além do limite de visibilidade a olho nu, mesmo para observadores afastados da poluição luminosa das áreas urbanas. Olhe na direção do ponto cardeal SUL entre após as 21h e localize as estrelas mais brilhantes naquela direção: Canopus (Alfa Carinae) e Achernar (Alfa Eridani). Tupi se localiza na região entre ambas.

Diagrama detalhado da região do céu ao redor de HD 23079 – Tupi.

Nossos vizinhos no Paraguai escolheram como tema as divindades da mitologia Guarani e batizaram a estrela HD 108147 e seu companheiro como Tupã e Tumearandu .

O Uruguai se voltou para a flora e elegeu as árvores nativas Ceibo e Ibirapitá para nomear o sistema HD 63454.

A lista completa com os nomes escolhidos está disponível na página da IAU: http://www.nameexoworlds.iau.org/final-results

Saturno e Júpiter coroam o entardecer de Setembro.

Júpiter e Saturno já não aparecem tão brilhantes quanto há alguns meses, quando atingiram a posição e estavam mais próximos da Terra, mas seguem proporcionando um espetáculo para observadores a olho nu ou munidos de telescópios.

Céu na latitude de São José dos Campos por volta das 19h00 do dia 14 de setembro. A Lua cheia surge no horizonte enquanto Saturno e Júpiter estão altos no céu. [imagem: Stellarium]

A imagem acima representa o céu na latitude de São José dos Campos por volta das 19h00 do dia 14 de setembro (2019). A Lua cheia surge no horizonte leste enquanto, no alto, Saturno e Júpiter reinam imponentes.
É tempo de aproveitar para observar estes gigantes gasosos que começam a se por cada vez mais cedo.

Visão telescópica de Júpiter e seus satélites às 19h00 do dia 14 de setembro de 2019. [simulação: Stellarium]
Visão telescópica de Saturno e seus satélites às 19h00 do dia 14 de setembro de 2019. [simulação: Stellarium]

Mesmo em pequenos telescópios é possível distinguir detalhes nos planetas e identificar suas maiores luas. Use as imagens acima para identificá-las.

Cruzeiro do Sul (Crux). Identifique a constelação no entardecer das noites de setembro.
Escorpião – Identifique a constelação a partir da posição de Júpiter, o astro mais brilhante no céu antes do nascer da Lua.

Se você está começando a conhecer o céu agora, aproveite para tentar reconhecer algumas constelações. O Escorpião e o Cruzeiro do Sul são alguns dos asterismos mais fáceis de identificar. Procure também Rigil Kent (Alpha Centauri) e Hadar (Beta Centauri), entre Escorpião e Cruzeiro do Sul.
Siga observando em dias sucessivos e perceba que a posição relativa entre as estrelas não muda, mas que a cada dia elas se põem 4 minutos mais cedo.

Conhecer o céu não é uma tarefa mais complicada do que conhecer as ruas da sua cidade. Comece identificando uma ou duas constelações e observando sua vizinhança. Logo você reconhecerá mais padrões e montará um mapa mental do céu. Continue nos acompanhando e seguindo as dicas de observação. O universo é vasto, mas observar o céu está ao alcance de todos.


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Astronomia Cidadã #PelaCienciaBrasileira.

Divulgar ciência nas redes é necessário, mas também são imprescindíveis as iniciativas de divulgação e educação científica off-line. Além de gerar e divulgar conteúdo científico para os canais digitais, o projeto Céu Profundo também se propões a levar a astronomia às ruas, parques, escolas e museus.

Em nossa mais recente iniciativa coordenamos em parceria com o Museu Interativo de Ciências de São José dos Campos o curso Astronomia Amadora – Ciência Cidadã, contando com aulas ministradas por astrônomos amadores experientes e por profissionais da Divisão de Astrofísica do INPE, do Observatório de Astronomia e Física Espacial da UNIVAP e do Laboratório de Registro de Imagens (LRIM) do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

O curso, iniciado no dia 13/08 ofereceu 40 vagas, divididas entre professores da rede municipal de ensino (20 vagas) e entusiastas da astronomia amadora (20 vagas). A demanda foi forte e as vagas esgotaram-se em 24h.

Astronomia Amadora – Ciência Cidadã. Um curso oferecido para professores da rede municipal de ensino de São José dos Campos e para entusiastas amadores da astronomia.

Na primeiro dia de aula, o vasto campo de atuação disponível para a atuação de astrônomos amadores foi apresentado por Wandeclayt Melo (Céu Profundo/IAE). Observação e fotometria de estrelas variáveis, observação de ocultação de estrelas pela Lua e por asteróides e o monitoramento de asteróides e objetos próximos à Terra (NEOs – Near Earth Objects) são alguns dos programas observacionais que podem ser conduzidos por amadores e cujos dados são de grande valor para a ciência profissional.

No segundo dia de aula, o Dr. Alexandre Wuensche da Divisão de Astrofísica do INPE traçou um panorama da astronomia profissional no Brasil, apresentando as principais instituições e os caminhos acadêmicos para quem deseja seguir o caminho da profissionalização. Os principais programas de pós-graduação e a realidade do mercado de trabalho foram apresentados, mostrando que além da atuação no meio acadêmico, o astrônomo é um profissional com habilidades valiosas para o mercado.

Sessão de observação remota com o telescópio Argus. Um telescópio Schmidt-Cassegrain robótico de 11 polegadas disponibilizado para uso educacional através do programa Telescópios na Escola.

O terceiro dia de aula iniciou o ciclo de atividades práticas, com observação telescópica da Lua, de Júpiter e Saturno e de aglomerados estelares. Após a observação dos principais satélites de Júpiter, um exercício mostrou como é possível a partir da observação do movimento destas luas determinar a massa de Júpiter.

Imagem da galáxia peculiar NGC 5128/Centaurus A, capturada durante o curso em sessão de observação remota utilizando o telescópio robótico Argus no Observatório Abrahão de Moraes (Valinhos – SP).

Para encerrar a semana, em uma sessão de observação remota com o telescópio Argus de 11 polegadas do Observatório Abrahão de Moraes (Valinhos – SP) foram capturadas imagens da galáxia NGC 5128 (Centaurus A) e da nebulosa M20 (Trífida), demonstrando as potencialidades do projeto Telescópios na Escola.

Em sua segunda semana o curso seguirá mesclando apresentações teóricas e atividades práticas, com aulas do Dr. Francisco Jablonski (DAS/INPE), do Dr. Alexandre Oliveira (UNIVAP), Suzanne de Paula (Exoss) e Wandeclayt Melo (Céu Profundo/IAE).

O objetivo do curso é apresentar o alto nível da astronomia profissional brasileira, mostrando que a ciência no Brasil faz muito por cada um de nós e mostrar que na condição de astrônomos amadores/cientistas cidadãos, cada um dos professores e entusiastas matriculados podem também fazer muito #PelaCienciaBrasileira.