Anuário Astronômico 2020

Março
01
02Lua – Quarto Crescente16h57
03
04
05
06
07
08
09Lua Cheia14h48
10
11
12
13
14
15
16Lua – Quarto Minguante06h34
17
18Lua em conjunção com Marte (1° N) e Júpiter (2° N) ao amanhecer.5h
19
20Equinócio de Outono
Marte em conjunção (1° S) com Júpiter
0h50
3h
21
22
23 Mercúrio em máxima elongação oeste (27°) 23h
24Lua Nova
Vênus em máxima elongação leste (45°)
06h28
19h
25
26
27
28
29
30
31Marte em conjunção (1° S) de Saturno9h

Tupi e Guarani: Os Mais Brasileiros dos Astros

A lista de planetas descobertos orbitando outras estrelas já contabiliza mais de 4000 objetos. Muitos deles são batizados apenas com um número de catálogo ou com o acréscimo de uma letra ao nome da estrela central do sistema. Assim, o planeta 51 Pegasi b, é o objeto descoberto em órbita da estrela 51 da constelação de Pegasus. Outros objetos possuem apenas uma designação numérica, como a estrela HD 23079, na constelação do Retículo.

Quem regulamenta a nomenclatura desses objetos é a IAU (União Astronômica Internacional), órgão que congrega astrônomos de todo o mundo e que foi responsável, por exemplo, por definir as 88 constelações modernas e seus limites e por estabelecer os critérios para que um corpo celeste seja classificado como planeta (como consequência desses critérios, Plutão acabou sendo rebaixado à categoria de Planeta Anão em 2006).

Como parte das comemorações do seu centenário em 2019, a IAU lançou a campanha #NameExoWorlds convidando as populações de 112 países a nomear 112 sistemas planetários, escolhendo o nome da estrela e de seu respectivo planeta. A campanha teve a adesão de 780 000 pessoas e teve seu resultado divulgado nesta terça-feira (17/12).

Os nomes escolhidos pelo Brasil e aprovados pela IAU para nomear a estrela HD 23079 e seu planeta são Tupi e Guarani, estabelecendo como tema os nomes de populações indígenas do Brasil para nomear futuros objetos que venham a ser descobertos no mesmo sistema. Foram 977 sugestões e 7060 votantes.

Localização de Tupi e Guarani, às 23h00 do dia 17/12 na latitude de São José dos Campos. É importante informar a latitude porque observadores mais ao norte verão a estrela mais próxima do horizonte sul. Observadores mais ao sul, verão a estrela mais alta no céu. consequências de uma Terra esférica. 😉 [imagem gerada no Stellarium versão 0.19.1]

Ficou curioso e quer observar nossa estrela no céu? Nós te mostramos como encontrá-la. Você precisará de binóculos ou de um pequeno telescópio. Com magnitude 7.1, na constelação de Retículo, Tupi está bem além do limite de visibilidade a olho nu, mesmo para observadores afastados da poluição luminosa das áreas urbanas. Olhe na direção do ponto cardeal SUL entre após as 21h e localize as estrelas mais brilhantes naquela direção: Canopus (Alfa Carinae) e Achernar (Alfa Eridani). Tupi se localiza na região entre ambas.

Diagrama detalhado da região do céu ao redor de HD 23079 – Tupi.

Nossos vizinhos no Paraguai escolheram como tema as divindades da mitologia Guarani e batizaram a estrela HD 108147 e seu companheiro como Tupã e Tumearandu .

O Uruguai se voltou para a flora e elegeu as árvores nativas Ceibo e Ibirapitá para nomear o sistema HD 63454.

A lista completa com os nomes escolhidos está disponível na página da IAU: http://www.nameexoworlds.iau.org/final-results

Saturno e Júpiter coroam o entardecer de Setembro.

Júpiter e Saturno já não aparecem tão brilhantes quanto há alguns meses, quando atingiram a posição e estavam mais próximos da Terra, mas seguem proporcionando um espetáculo para observadores a olho nu ou munidos de telescópios.

Céu na latitude de São José dos Campos por volta das 19h00 do dia 14 de setembro. A Lua cheia surge no horizonte enquanto Saturno e Júpiter estão altos no céu. [imagem: Stellarium]

A imagem acima representa o céu na latitude de São José dos Campos por volta das 19h00 do dia 14 de setembro (2019). A Lua cheia surge no horizonte leste enquanto, no alto, Saturno e Júpiter reinam imponentes.
É tempo de aproveitar para observar estes gigantes gasosos que começam a se por cada vez mais cedo.

Visão telescópica de Júpiter e seus satélites às 19h00 do dia 14 de setembro de 2019. [simulação: Stellarium]
Visão telescópica de Saturno e seus satélites às 19h00 do dia 14 de setembro de 2019. [simulação: Stellarium]

Mesmo em pequenos telescópios é possível distinguir detalhes nos planetas e identificar suas maiores luas. Use as imagens acima para identificá-las.

Cruzeiro do Sul (Crux). Identifique a constelação no entardecer das noites de setembro.
Escorpião – Identifique a constelação a partir da posição de Júpiter, o astro mais brilhante no céu antes do nascer da Lua.

Se você está começando a conhecer o céu agora, aproveite para tentar reconhecer algumas constelações. O Escorpião e o Cruzeiro do Sul são alguns dos asterismos mais fáceis de identificar. Procure também Rigil Kent (Alpha Centauri) e Hadar (Beta Centauri), entre Escorpião e Cruzeiro do Sul.
Siga observando em dias sucessivos e perceba que a posição relativa entre as estrelas não muda, mas que a cada dia elas se põem 4 minutos mais cedo.

Conhecer o céu não é uma tarefa mais complicada do que conhecer as ruas da sua cidade. Comece identificando uma ou duas constelações e observando sua vizinhança. Logo você reconhecerá mais padrões e montará um mapa mental do céu. Continue nos acompanhando e seguindo as dicas de observação. O universo é vasto, mas observar o céu está ao alcance de todos.


Leia também

Astronomia Cidadã #PelaCienciaBrasileira.

Divulgar ciência nas redes é necessário, mas também são imprescindíveis as iniciativas de divulgação e educação científica off-line. Além de gerar e divulgar conteúdo científico para os canais digitais, o projeto Céu Profundo também se propões a levar a astronomia às ruas, parques, escolas e museus.

Em nossa mais recente iniciativa coordenamos em parceria com o Museu Interativo de Ciências de São José dos Campos o curso Astronomia Amadora – Ciência Cidadã, contando com aulas ministradas por astrônomos amadores experientes e por profissionais da Divisão de Astrofísica do INPE, do Observatório de Astronomia e Física Espacial da UNIVAP e do Laboratório de Registro de Imagens (LRIM) do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

O curso, iniciado no dia 13/08 ofereceu 40 vagas, divididas entre professores da rede municipal de ensino (20 vagas) e entusiastas da astronomia amadora (20 vagas). A demanda foi forte e as vagas esgotaram-se em 24h.

Astronomia Amadora – Ciência Cidadã. Um curso oferecido para professores da rede municipal de ensino de São José dos Campos e para entusiastas amadores da astronomia.

Na primeiro dia de aula, o vasto campo de atuação disponível para a atuação de astrônomos amadores foi apresentado por Wandeclayt Melo (Céu Profundo/IAE). Observação e fotometria de estrelas variáveis, observação de ocultação de estrelas pela Lua e por asteróides e o monitoramento de asteróides e objetos próximos à Terra (NEOs – Near Earth Objects) são alguns dos programas observacionais que podem ser conduzidos por amadores e cujos dados são de grande valor para a ciência profissional.

No segundo dia de aula, o Dr. Alexandre Wuensche da Divisão de Astrofísica do INPE traçou um panorama da astronomia profissional no Brasil, apresentando as principais instituições e os caminhos acadêmicos para quem deseja seguir o caminho da profissionalização. Os principais programas de pós-graduação e a realidade do mercado de trabalho foram apresentados, mostrando que além da atuação no meio acadêmico, o astrônomo é um profissional com habilidades valiosas para o mercado.

Sessão de observação remota com o telescópio Argus. Um telescópio Schmidt-Cassegrain robótico de 11 polegadas disponibilizado para uso educacional através do programa Telescópios na Escola.

O terceiro dia de aula iniciou o ciclo de atividades práticas, com observação telescópica da Lua, de Júpiter e Saturno e de aglomerados estelares. Após a observação dos principais satélites de Júpiter, um exercício mostrou como é possível a partir da observação do movimento destas luas determinar a massa de Júpiter.

Imagem da galáxia peculiar NGC 5128/Centaurus A, capturada durante o curso em sessão de observação remota utilizando o telescópio robótico Argus no Observatório Abrahão de Moraes (Valinhos – SP).

Para encerrar a semana, em uma sessão de observação remota com o telescópio Argus de 11 polegadas do Observatório Abrahão de Moraes (Valinhos – SP) foram capturadas imagens da galáxia NGC 5128 (Centaurus A) e da nebulosa M20 (Trífida), demonstrando as potencialidades do projeto Telescópios na Escola.

Em sua segunda semana o curso seguirá mesclando apresentações teóricas e atividades práticas, com aulas do Dr. Francisco Jablonski (DAS/INPE), do Dr. Alexandre Oliveira (UNIVAP), Suzanne de Paula (Exoss) e Wandeclayt Melo (Céu Profundo/IAE).

O objetivo do curso é apresentar o alto nível da astronomia profissional brasileira, mostrando que a ciência no Brasil faz muito por cada um de nós e mostrar que na condição de astrônomos amadores/cientistas cidadãos, cada um dos professores e entusiastas matriculados podem também fazer muito #PelaCienciaBrasileira.

O Céu de Abril – 2019

Órion começa a se despedir e se põe cada vez mais próximo do início da noite. São as últimas oportunidades para apontar binóculos e telescópios para a exuberante M42 – a Grande Nebulosa de Órion – antes de seu ressurgimento no céu de verão.

Aproveite também para observar as Plêiades e as Híades, na constelação de Touro. Asterismos facilmente reconhecíveis à vista desarmada mas que também são excelentes alvos para binóculos.

Lua

FaseDiaHora
Nova0505h50
Crescente1216h06
Cheia1908h12
Minguante2619h18

A lua minguante inicia o mês compondo um trio espetacular ao amanhecer. No dia 2 de abril, nosso satélite estará 3° ao sul do exuberante planeta Vênus. Mercúrio completa o quadro, mas sua visualização pode ser difícil em áreas urbanas com maior poluição atmosférica.

No anoitecer do dia 09/04, o espetáculo tem lugar no horizonte oposto. Na constelação de Touro, Marte é emoldurado pela Lua e pelos aglomerados abertos Híades e Plêiades. Olhe na direçao noroeste logo após o pôr do Sol.

Júpiter e Saturno.

Júpiter e Saturno seguem vísiveis após a meia-noite e ao longo de toda a madrugada durante o mês de Abril. E na noite de 24 para 25/04 cruzam o céu escoltando a Lua.

Rede de detecção de ondas gravitacionais ganha reforço japonês.

Detector japonês KAGRA entrará em operação em 2019.

A edição de 3 de janeiro do periódico científico Nature traz uma notícia promissora para o ramo mais jovem da astrofísica contemporânea: O detector de ondas gravitacionais KAGRA (Kamioka Gravitational Wave Detector) entrará em operação ainda em 2019, somando-se a uma rede de detectores que inclui os projetos LIGO (com dois detectores em território norte-americano) e VIRGO (situado na Itália).

O Prêmio Nobel de 2017 premiou o trabalho de Rainer Weiss (MIT), Barry Barish e Kip Thorne (CALTECH) no projeto LIGO, responsável pela primeira detecção da radiação gravitacional prevista por Einstein em sua Teoria da Relatividade Geral.

O sinal pioneiro detectado pelo LIGO em setembro de 2015 teve origem numa colisão de buracos negros a 1.3 bilhão de anos-luz da Terra. Novas detecções associadas a colisões de buracos negros ocorreram em dezembro de 2015 e em janeiro e agosto de 2017. Mas o evento mais marcante desta nova era da astronomia observacional foi a detecção da colisão de duas estrelas de nêutrons em 17 de agosto de 2017. Além da observação das ondas gravitacionais pelos detectores LIGO e VIRGO, na posição do evento foram observadas emissões em várias faixas do espectro eletromagnético (Infravermelho, óptico, raios-x e rádio) inaugurando a era da astronomia multi-mensageiro.

Kamioka Gravitational Wave Detector (KAGRA).

O KAGRA se junta a esse time vitorioso trazendo dois novos e importantes aprimoramentos que podem se tornar vitais para o futuro da astronomia de ondas gravitacionais: É o primeiro detector subterrâneo, construído sob o Monte Ikenoyama, próximo à costa Norte do Japão. A construção subterrânea garante ruídos sísmicos duas ordens de grandeza abaixo dos experimentados na superfície. E utiliza em seu interferômetro espelhos resfriados a 20 K (-253° C), reduzindo o ruído térmico, equanto LIGO e VIRGO utilizam espelhos a temperatura ambiente.