Extensão Universitária: Introdução à Astronomia e Astrofísica (IAG USP) – 2019

A edição 2019 do tradicional curso de extensão universitária Introdução à Astronomia e Astrofísica do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP) atraiu quase uma centena alunos, para uma introdução em grande estilo às principais áreas da astronomia contemporânea.

Com aulas ministradas por importantes pesquisadores de cada uma das áreas apresentadas, o curso varre desde os princípios de astrofísica, passando pela astrobiologia, pelos exoplanetas e chegando até às fronteiras da cosmologia, como o desafio da detecção de matéria e energia escura.

Prof. Dr. Laerte Sodré (Matéria Escura e as Estruturas do Universo).
Prof. Dr. Rodrigo Nemmen (Buracos Negros e Ondas Gravitacionais).
Professora Dra. Silvia Rossi (Estrelas)

O curso inclui ainda uma visita ao Observatório Abrahão de Moraes (OAM), em Valinhos, que abriga o histórico Círculo Meridiano, um importante instrumento utilizado na determinação de posições de objetos celestes antes da era dos satélites de astrometria. Hoje o observatório possui instrumentos dedicados ao monitoramento de satélites artificiais em parceria com a China e realiza atividades de divulgação da astronomia junto à comunidade. O OAM disponibiliza um de seus telescópios para o programa Telescópios na Escola, para uso remoto, via internet, por escolas cadastradas no programa.

Aglomerado Globular M12, capturado pelo telescópio de 11 polegadas Argus, durante a visita ao OAM. O telescópio Argus está disponível para observação remota através do programa Telescópios na Escola.

Os alunos são principalmente graduandos e graduados nas áreas de física, matemática e engenharias, mas egressos da medicina, jornalismo e ciências humanas não se intimidaram com o conteúdo ou com o necessário, porem hermético, jargão astrofisiquês tão habitual aos pesquisadores da área.

Uma noite sob a Via Láctea.

O céu das metrópoles, contaminado por poluição luminosa e atmosférica, esconde de nós os grandiosos tesouros que o céu noturno abriga.
A cintilante faixa da Via Láctea, que cruza a esfera celeste de ponta a ponta é invisível dentro das grandes cidades. Nebulosas, aglomerados estelares e galáxias estão escondidos dos olhos dos observadores urbanos.
Para revelar estas jóias noturnas, o portal Céu Profundo está organizando no dia 03/08 uma expedição de caça aos tesouros celestes!

São apenas 12 vagas disponíveis, com transporte, lanche noturno, café, chá e chocolate quente e café da manhã incluídos. Alunos e ex-alunos da Oficina de Introdução à Observação Astronômica do Projeto Ciência no Parque pagam valor promocional.

Sairemos de São José dos Campos às 21h, em direção às montanhas da Serra Mantiqueira no distrito de São Francisco Xavier, longe das luzes da cidade e onde poderemos, ao longo da noite observar a olho nu e através de binóculos e do telescópio, as Nuvens de Magalhães, objetos do catálogo Messier como nebulosas planetárias, galáxias, remanescentes de supernovas, aglomerados abertos e globulares e nebulosas. O sítio de observação oferece toda a estrutura para uma noite confortável sobre as estrelas, com local para descanso, banheiros e copa disponível para uso.

As inscrições podem ser feitas a partir do dia 29/07 no link: Explorando o Universo I.

Sob a Sombra da Lua.

Um século depois de um eclipse solar total sobre a América do Sul fornecer dados para a confirmação experimental da Teoria Geral da Relatividade, mais um eclipse sobre nosso continente promete entrar para a história.

O eclipse de 1919 foi observado por uma expedição britânica e por uma comitiva do Observatório Nacional na cidade de Sobral (CE). Ao mesmo tempo, uma expedição liderada pelo astrônomo Arthur Eddington tinha dificuldades para registrar o fenômeno na costa ocidental da África, devido ao mau tempo. Ainda assim, apesar de não ter tido sucesso na observação do eclipse, Eddington conseguiu utilizar os dados coletados no Brasil para validar as previsões da Teoria da Relatividade Geral de Einstein.

Faixa da Totalidade do Eclipse de 2 de Julho de 2019 passa pelo sul do Deserto do Atacama (Chile), região onde estão instalados alguns dos principais observatórios astronômicos do mundo. [imagem: Xavier M. Jubier ]

No dia 2 de Julho de 2019, 100 anos após as observações de Sobral, um eclipse total será pela primeira vez observável a partir de um dos sítios astronômicos mais importantes do planeta: a estreita faixa do Deserto do Atacama (Chile) que se encontra no caminho da totalidade do eclipse abriga alguns dos principais instrumentos astronômicos em operação atualmente, incluindo o Observatório Europeu do Sul (European Southern Observatory – ESO) e o Observatório Interamericano de Cerro Tololo (CTIO) – Este último abrigando os telescópios Gemini e SOAR, com participação brasileira.

Simulação do Eclipse de 2 de Julho de 2019, sobre o Cerro La Silla (ESO). O Sol estará baixo sobre o horizonte oeste e os planetas Venus, Mercúrio e Marte estarão visíveis [imagem: ESO]

Cidades sob a faixa da totalidade estarão repletas de turistas, astrônomos amadores e imprensa. Se você não é um destes afortunados observadores, fique de olho na transmissão online do eclipse no site do ESO: https://www.eso.org/public/live/

Fique atento ao horário: a fase total do eclipse inicia às 17h39min (horário de Brasília).

A totalidade menos de 2 minutos para observadores na região. Mas certamente estes 111 segundos ficarão registrados como uma das mais fascinantes visões tesmenhadas por cada um dos observadores que se encontrarão sob a sombra da Lua neste dia 2 de Julho.

Encontros Celestes: Saturno e Lua? Deu Match!

Na noite de 18 para 19 de junho, Saturno surgiu no horizonte leste em companhia da Lua. Um belo espetáculo que se tornou ainda mais belo quando, próximo à meia noite, os astros atingiram a separação mínima.

Lua e Saturno sobre o horizonte leste no início da noite de 18 de junho (2019). [imagem: Stellarium]

O fenômeno é observável a olho nu ou com binóculos, mas observadores que apontaram seus telescópios para a dupla foram recompensados com a impressionante visão de Saturno e da Lua aparecendo juntos no mesmo campo da ocular.

O movimento de rotação da Terra em torno de seu próprio eixo faz com que vejamos o Sol, a Lua, as estrelas e os planetas deslocando-se no céu diariamente de leste para oeste. O movimento diurno dos astros em torno da Terra é apenas aparente: é a Terra quem está girando. Mas a Lua tem também seu movimento próprio: circulando a Terra de oeste para leste, completando uma órbita a cada 27,3 dias.

Lua aproximando-se da conjunção com Saturno na noite de 18 de junho (2019).
[imagem: Wandeclayt M/Céu Profundo – Telescópio de 203mm F=1200mm, Canon EOS 7D no foco primário.]

Devido a este movimento, a Lua desloca-se mais lentamente que os demais astros ao cruzar o céu diariamente. É este atraso que nos permite ver a Lua emparelhando com diversas estrelas brilhantes e planetas ao longo de sua trajetória. É o que chamamos de CONJUNÇÃO.

Para observadores próximos da linha do Trópico de Capricórnio (Latitude 23.5º S) a separação entre Saturno e a Lua foi de menos de 0.5º no instante da conjunção.
[imagem: Wandeclayt M/Céu Profundo – Telescópio de 203mm F=1200mm, Canon EOS 7D projeção de ocular.]

Dependendo da posição do observador estes eventos podem ser vistos como uma ocultação, com a Lua passando pela frente do astro mais distante. Observadores na Argentina e no sul do Chile puderam ver a Lua ocultar Saturno na conjunção do dia 18/06.

Mas vale lembrar que a proximidade é apenas aparente. Enquanto a Lua se encontra a uma distância média de 384 mil km da Terra, o gigante Saturno e nos acena com seus anéis de uma distância de 1 bilhão e 400 milhões de km (pouco mais de 9 vezes a distância da Terra ao Sol).

Se você perdeu este espetáculo e quer deixar marcada na agenda a próxima oportunidade, tome nota: Lua e Saturno voltam a se encontrar na madrugada do dia 16 de julho. E continue acompanhado o portal Céu Profundo aqui, no twitter, no instagram ou no facebook para ficar por dentro dos próximos encontros celestes, com diagramas e dicas de observação.

Projeto de Divulgação Científica Oferece Oficina de Observação Astronômica em São José dos Campos.

O projeto Ciência no Parque é uma iniciativa de divulgação e popularização da ciência conduzida por voluntários no Parque Vicentina Aranha em São José dos Campos (SP). O projeto mostra a ciência de maneira lúdica e descontraída nas manhãs de domingo para o público frequentador de um dos parques mais movimentados da cidade do Vale do Paraíba. As exposições acontecem em domingos alternados e recebem centenas de visitantes a cada edição. O projeto é também responsável por coordenar um ciclo de palestras mensais, ministradas por pesquisadores da Divisão de Astrofísica do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), sempre seguidas por uma sessão de observação astronômica, que atrai em média 300 pessoas por noite. O sucesso de público das palestras e a demanda pela observação através dos telescópios motivaram a criação de mais uma atividade pelo projeto Ciência no Parque: a Oficina de Introdução à Observação Astronômica.

A oficina é ministrada em parceria com o portal Céu Profundo e abrange tópicos como identificação de constelações, leitura e interpretação de cartas celestes, localização e identificação de objetos como planetas, galáxias, aglomerados estelares e nebulosas, compreensão dos movimentos dos astros na esfera celeste e familiarização com o manuseio de telescópios. O objetivo da oficina é introduzir o aluno à prática observacional, mostrando que a observação astronômica está ao alcance de todos, seja a olho nu ou através de instrumentos como binóculos e telescópios. A quarta edição da oficina tem início na terça-feira 18/06, às 19h30, e as inscrições estão abertas na secretaria do Parque Vicentina Aranha. Informações pelo telefone (012) 3911-7090.

100 Anos do Eclipse de Sobral. Primeira Confirmação Experimental da Teoria da Relatividade Geral.

Há 100 anos, no dia 29 de maio de 1919, uma cidade no interior do Ceará entrava para a história ao receber uma expedição de astrônomos que confirmaria experimentalmente, pela primeira vez, uma das previsões da então recém publicada Teoria da Relatividade Geral.

Einstein e Eddington em Cambridge (1930) [foto atribuída a Winifred Eddington ]

A Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein, publicada em 1915 é uma sucessora da teoria da gravitação desenvolvida por Isaac Newton no séc. XVII. Entre os méritos imediatos da Relatividade Geral estavam a correta previsão da precessão da órbita do planeta Mercúrio, que não era satisfatoriamente explicada pela teoria newtoniana. A teoria de Einstein previu também a existência de ondas gravitacionais além de um desvio da luz causado pelo campo gravitacional do Sol, que não podia ser totalmente explicado pela teoria de Newton.

Na busca por confirmações observacionais do desvio da luz previsto na teoria de Einstein, o britânico Frank Dyson, Astrônomo Real e diretor do Observatório Real de Greenwich previu que o eclipse total de maio de 1919 seria uma grande oportunidade de confirmar o desvio da luz nas proximidades do disco solar a partir da medida na distorção da posição aparente das estrelas, com o Sol cruzando um rico campo estelar no aglomerado das Híades, na constelação de Touro. Uma expedição com astrônomos dos observatórios de Cambridge e de Greenwich foi montada para a observação do fenômeno a partir de Sobral, no Brasil, e do arquipélago de São Tomé e Príncipe, na costa africana.

Trajetória da totalidade no eclipse de maio de 1919, cruzando a América do Sul, o Oceano Atlântico e o continente africano.

O mau tempo prejudicou as observações na costa africana, mas as imagens obtidas a partir do Brasil garantiram os resultados buscados. O deslocamento aparente das estrelas nas proximidades do disco solar eclipsado eram consistentes com a previsão da Relatividade Geral consistindo em uma grande vitória experimental que deu grande credibilidade e promoveu a ampla aceitação da teoria.

Placas fotográficas originais do Eclipse de 1919 estão conservadas no acervo do Observatório Nacional.

Vários eventos estão programados para celebrar o centenário. Em São José dos Campos, o projeto Ciência no Parque promove no dia 21/05 às 19h30 no Parque Vicentina Aranha, em parceria com o Departamento de Astrofísica do INPE, palestra com o professor Luis Carlos Bassalo Crispino (UFPA). Além do histórico eclipse, a palestra abordará temas recentes relacionados à Relatividade Geral, como os buracos negros e a detecção de ondas gravitacionais, 100 anos após sua previsão pela teoria.

O Céu de Abril – 2019

Órion começa a se despedir e se põe cada vez mais próximo do início da noite. São as últimas oportunidades para apontar binóculos e telescópios para a exuberante M42 – a Grande Nebulosa de Órion – antes de seu ressurgimento no céu de verão.

Aproveite também para observar as Plêiades e as Híades, na constelação de Touro. Asterismos facilmente reconhecíveis à vista desarmada mas que também são excelentes alvos para binóculos.

Lua

FaseDiaHora
Nova0505h50
Crescente1216h06
Cheia1908h12
Minguante2619h18

A lua minguante inicia o mês compondo um trio espetacular ao amanhecer. No dia 2 de abril, nosso satélite estará 3° ao sul do exuberante planeta Vênus. Mercúrio completa o quadro, mas sua visualização pode ser difícil em áreas urbanas com maior poluição atmosférica.

No anoitecer do dia 09/04, o espetáculo tem lugar no horizonte oposto. Na constelação de Touro, Marte é emoldurado pela Lua e pelos aglomerados abertos Híades e Plêiades. Olhe na direçao noroeste logo após o pôr do Sol.

Júpiter e Saturno.

Júpiter e Saturno seguem vísiveis após a meia-noite e ao longo de toda a madrugada durante o mês de Abril. E na noite de 24 para 25/04 cruzam o céu escoltando a Lua.

Projeto Eratóstenes 2019 – Resultados

No último dia 20 de Março, mais de 600 alunos de escolas públicas, além de professores e voluntários nas escolas e em institutos de pesquisa nos estados de São Paulo, Pernambuco e Maranhão, juntaram-se para reproduzir o célebre experimento realizado por Eratóstenes no séc. III a.C.

O experimento de Eratóstenes foi a primeira tentativa conhecida de se estimar a circunferência da Terra. A simplicidade do método, a exatidão do resultado encontrado e o fato do experimento constituir um dos primeiros passos na direção do método científico como o conhecemos hoje tornam a iniciativa de Eratóstenes um divisor de águas na história da ciência. A reprodução do experimento oferece uma oportunidade interdisciplinar única, fundindo história, ciência, geografia e matemática numa atividade ao alcance de alunos da educação básica.

O experimento de Eratóstenes consiste em medir o ângulo de incidência dos raios solares em dois pontos separados ao longo do mesmo meridiano e, conhecendo a diferença entre estes ângulos e a distância entre os pontos, estimar o comprimento da circunferência terrestre. O experimento baseia-se em três hipóteses:

  1. A Terra é uma esfera perfeita.
  2. Os pontos estão localizados no mesmo meridiano.
  3. Os raios do Sol chegam paralelos à superfície da Terra.
Distância entre São José dos Campos (SP) e São Luís (MA). [imagem: Google Maps]

Entre as cidades participantes, São José dos Campos (SP), São Paulo (SP), São Luís (MA) e Santa Rita (MA) localizam-se aproximadamente sobre o mesmo meridiano e constituem um bom conjunto de pontos para realização do experimento.

A distância entre São José dos Campos e São Luís é de 2304 km.

O valor da circunferência equatorial da Terra, medido por métodos contemporâneos é de 40075 km.

Raios solares incidindo sobre o equador e sobre São José dos Campos (SP) e São Lúis (MA) ao meio-dia no dia do equinócio. [imagem: Google Maps]

Utilizando a diferença de latitude entre São José dos Campos e São Luís (23.21º – 2.55º = 20.66°) e a distância entre as cidades (2304 km), encontramos:

(360°/20.7°)*2304 km = 40147 km.

Este é o valor esperado para o nosso experimento.

Na prática, a média dos valores de latitude medidos para São José dos Campos foi de 24.2º (um desvio de +1º do valor real).

Em São Luís, mediu-se 1.8º (desvio de -0.7º do valor esperado).

Resultando em uma diferença de 24.2º-1.8º=22.4º entre as latitudes das cidades.

A circunferência da Terra, computada a partir dos dados do experimento fica então:

C=(360º/22.4º)*2304 km = 37028.6 km.

Divergindo por menos de 8% do valor esperado. Este é o valor baseado na média de todos os valores obtidos em São José dos Campos. Considerando resultados individuais, há resultados que se aproximam muito mais do valor esperado.

Formação de professores para realização do experimento de Eratóstenes em São José dos Campos (SP). [imagem: Wandeclayt M./Céu Profundo]

Em São José dos Campos (SP) a preparação para o experimento incluiu a formação de 80 professores das áreas de ciências e geografia da Rede Municipal de Ensino, onde foram abordados, além dos aspectos técnicos da realização do experimento, temas de astronomia presentes na nova Base Nacional Comum Curricular, incorporando-os ao repertório dos educadores. A atividade foi ministrada por Natália Palivanas (USP São Carlos) e Wandeclayt Melo (Instituto de Aeronáutica e Espaço) sob coordenação de Kêmeli Mamud (Orientadora de Ciências da Rede Municipal de Ensino) e Daniele Carvalho (Orientadora de Geografia).

Formação de professores para realização do experimento de Eratóstenes em São José dos Campos (SP). [imagem: Wandeclayt M./Céu Profundo]

Dados Experimentais

  • São José dos Campos – SP (Latitude: S 23.2. Longitude W 45.9)
h (cm)l (cm)ângulo (°)
EMEF Profa Maria Amélia Wakamatsu208.623.27
EMEF Elza Regina Bevilacqua23.39.822.81
EMEF Prof. Lúcia Pereira Rodrigues22.3 11.326.87
Instituto de Aeronáutica e Espaço23.49.822.72
EMEF Profa Sebastiana Cobra 19.18.323.49
EMEF Profa. Therezinha do Menino Jesus Soares do Nascimento2410.5 23.63
EMEF Profª Mariana Teixeira Cornélio23.210.223.73
EMEF Maria Antonieta Ferreira Payar23.19.722.78
EMEF Hélio Walter Bevilacqua23.410.423.96
EMEF Áurea Cantinho Rodrigues17.5 9.1527.60
EMEF Norma De Conti Simão 23.510.724.48
EMEF Ildete Mendonça Barbosa18823.96
EMEF Maria Nazareth de Moura Veronese23.51227.05
EMEF Antonio Palma Sobrinho23.5 9.221.38
EMEF Profa. Sônia Maria Pereira Da Silva22.812.127.96
EMEF Dosulina C C Andrade23.29.522.27
EMEF Prof. Leonor Pereira Nunes Galvão23 10.223.92
EMEF Luiz Leite22.310.525.21
EMEF Prof. Maria Ofélia Veneziani Pedrosa229.523.36
  • São Luís – MA (Latitude: S 2.6 Longitude W 44.2)
h (cm)l (cm) ângulo (°)
Centro de Ensino Estadual Pio XII 15.80.51.81
  • Santa Rita – MA (Latitude: S 3.1. Longitude W 44.4)
h (cm)l (cm) ângulo (°)
Escola Municipal Presidente Vargas1726.71
  • São Paulo – SP (Latitude: S 23.6. Longitude W 46.7)
h (cm)l (cm) ângulo (°)
Instituto Astronômico e Geofísico984424.2

Não obtiveram dados por mau tempo.

  • Praia Grande – SP (Latitude: S 24.0. Longitude W 46.4)
h (cm)l (cm) ângulo (°)
E.E. Reverendo Augusto Paes D’Ávila
  • Cabo de Santo Agostinho – PE (Latitude: S 8.3. Longitude W 35.0)
h (cm)l (cm) ângulo (°)
E.M. Dr. marivaldo Burégio de Lima

Projeto Eratóstenes – Resultados: Equinócio de Outono 2019

No último dia 20 de Março, mais de 600 alunos de escolas públicas, além de professores e voluntários nas escolas e em institutos de pesquisa nos estados de São Paulo, Pernambuco e Maranhão, juntaram-se para reproduzir o célebre experimento realizado por Eratóstenes no séc. III a.C.

O experimento de Eratóstenes foi a primeira tentativa conhecida de se estimar a circunferência da Terra. A simplicidade do método, a exatidão do resultado encontrado e o fato do experimento constituir um dos primeiros passos na direção do método científico como o conhecemos hoje tornam a iniciativa de Eratóstenes um divisor de águas na história da ciência. A reprodução do experimento oferece uma oportunidade interdisciplinar única, fundindo história, ciência, geografia e matemática numa atividade ao alcance de alunos da educação básica.

O experimento de Eratóstenes consiste em medir o ângulo de incidência dos raios solares em dois pontos separados ao longo do mesmo meridiano e, conhecendo a diferença entre estes ângulos e a distância entre os pontos, estimar o comprimento da circunferência terrestre. O experimento baseia-se em três hipóteses:

  1. A Terra é uma esfera perfeita.
  2. Os pontos estão localizados no mesmo meridiano.
  3. Os raios do Sol chegam paralelos à superfície da Terra.
Distância entre São José dos Campos (SP) e São Luís (MA). [imagem: Google Maps]

Entre as cidades participantes, São José dos Campos (SP), São Paulo (SP), São Luís (MA) e Santa Rita (MA) localizam-se aproximadamente sobre o mesmo meridiano e constituem um bom conjunto de pontos para realização do experimento.

A distância entre São José dos Campos e São Luís é de 2304 km.

O valor da circunferência equatorial da Terra, medido por métodos contemporâneos é de 40075 km.

Raios solares incidindo sobre o equador e sobre São José dos Campos (SP) e São Lúis (MA) ao meio-dia no dia do equinócio. [imagem: Google Maps]

Utilizando a diferença de latitude entre São José dos Campos e São Luís (23.21º – 2.55º = 20.66°) e a distância entre as cidades (2304 km), encontramos:

(360°/20.7°)*2304 km = 40147 km.

Este é o valor esperado para o nosso experimento.

Na prática, a média dos valores de latitude medidos para São José dos Campos foi de 24.2º (um desvio de +1º do valor real).

Em São Luís, mediu-se 1.8º (desvio de -0.7º do valor esperado).

Resultando em uma diferença de 24.2º-1.8º=22.4º entre as latitudes das cidades.

A circunferência da Terra, computada a partir dos dados do experimento fica então:

C=(360º/22.4º)*2304 km = 37028.6 km.

Divergindo por menos de 8% do valor esperado. Este é o valor baseado na média de todos os valores obtidos em São José dos Campos. Considerando resultados individuais, há resultados que se aproximam muito mais do valor esperado.

Em São José dos Campos (SP) a preparação para o experimento incluiu a formação de 80 professores das áreas de ciências e geografia da Rede Municipal de Ensino, onde foram abordados, além dos aspectos técnicos da realização do experimento, temas de astronomia presentes na nova Base Nacional Comum Curricular, incorporando-os ao repertório dos educadores. A atividade foi ministrada por Natália Palivanas (USP São Carlos) e Wandeclayt Melo (Instituto de Aeronáutica e Espaço) sob coordenação de Kêmeli Mamud (Orientadora de Ciências da Rede Municipal de Ensino) e Daniele Carvalho (Orientadora de Geografia).

Após a realização do experimento, a formação prossegue e passa a incluir os professores de matemática que trabalharão com os alunos na interpretação e tratamento dos dados e no desenvolvimento dos conceitos geométricos e algébricos envolvidos na atividade.

Dados Experimentais

  • São José dos Campos – SP (Latitude: S 23.2. Longitude W 45.9)
h (cm)l (cm)ângulo (°)
EMEF Profa Maria Amélia Wakamatsu208.623.27
EMEF Elza Regina Bevilacqua23.39.822.81
EMEF Prof. Lúcia Pereira Rodrigues22.3 11.326.87
Instituto de Aeronáutica e Espaço23.49.822.72
EMEF Profa Sebastiana Cobra 19.18.323.49
EMEF Profa. Therezinha do Menino Jesus Soares do Nascimento2410.5 23.63
EMEF Profª Mariana Teixeira Cornélio23.210.223.73
EMEF Maria Antonieta Ferreira Payar23.19.722.78
EMEF Hélio Walter Bevilacqua23.410.423.96
EMEF Áurea Cantinho Rodrigues17.5 9.1527.60
EMEF Norma De Conti Simão 23.510.724.48
EMEF Ildete Mendonça Barbosa18823.96
EMEF Maria Nazareth de Moura Veronese23.51227.05
EMEF Antonio Palma Sobrinho23.5 9.221.38
EMEF Profa. Sônia Maria Pereira Da Silva22.812.127.96
EMEF Dosulina C C Andrade23.29.522.27
EMEF Prof. Leonor Pereira Nunes Galvão23 10.223.92
EMEF Luiz Leite22.310.525.21
EMEF Prof. Maria Ofélia Veneziani Pedrosa229.523.36
  • São Luís – MA (Latitude: S 2.6 Longitude W 44.2)
h (cm)l (cm) ângulo (°)
Centro de Ensino Estadual Pio XII 15.80.51.81
  • Santa Rita – MA (Latitude: S 3.1. Longitude W 44.4)
h (cm)l (cm) ângulo (°)
Escola Municipal Presidente Vargas1726.71
  • São Paulo – SP (Latitude: S 23.6. Longitude W 46.7)
h (cm)l (cm) ângulo (°)
Instituto Astronômico e Geofísico (IAG-USP)984424.2

Não obtiveram dados por mau tempo.

  • Praia Grande – SP (Latitude: S 24.0. Longitude W 46.4)
h (cm)l (cm) ângulo (°)
E.E. Reverendo Augusto Paes D’Ávila
  • Cabo de Santo Agostinho – PE (Latitude: S 8.3. Longitude W 35.0)
h (cm)l (cm) ângulo (°)
E.M. Dr. Marivaldo Burégio de Lima

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Projeto Eratóstenes – Equinócio de Outono 2019

Em 2019, o outono do hemisfério sul (primavera no hemisfério norte) se inicia no dia 20 de Março, às 18h58 (horário de Brasília).

Nesta data o Sol se encontra em uma posição muito particular: na intersecção entre o plano da órbita terrestre — a eclíptica — e o plano do equador. Um observador situado ao longo da linha do equador verá neste dia o Sol cruzar o meridiano passando exatamente sobre sua cabeça. Ao meio dia solar local, o Sol estará exatamente no zênite, os raios do Sol incidirão perpendicularmente sobre a superfície e uma haste vertical não projetará sombra.

Observadores em qualquer outra posição sobre a superfície do planeta não verão o Sol passando sobre suas cabeças. Ao meio dia solar, estes observadores verão o Sol, mais ao sul ou mais ao norte, conforme sua posição. E os raios solares chegarão à superfície formando um ângulo com a vertical que corresponde à latitude do observador.

Incidência dos raios solares no momento do Equinócio.

Medir o ângulo de incidência dos raios solares em dois pontos diferentes da Terra foi o método utilizado por volta do ano 240 a.C. por Eratóstenes para medir pela primeira vez a circunferência de nosso planeta. Eratóstenes comparou os ângulos de incidência dos raios solares sobre as cidades de Alexandria e Siena, situadas ao longo do Rio Nilo, no Egito, e encontrou um valor para a circunferência terrestre muito próximo ao que conhecemos hoje (~40 mil km).

E que tal reproduzir com seu grupo de alunos o experimento de Eratóstenes?

Roteiro

  • Consultando a tabela abaixo, anote o horário da passagem meridiana do Sol. A medida deve ser realizada neste horário.
  • Monte o experimento com antecedência em um local com incidência direta da luz solar.
  • No dia e hora marcados, observe a sombra projetada pela haste sobre o aparato. Marque com lápis ou caneta onde termina a sombra.
  • Meça e anote o comprimento da sombra (l) até a haste, a altura da haste (h) a partir da base e o horário em que a medida foi feita.
  • Na calculadora abaixo, digite os valores anotados de l e h e clique em Calcular. Anote o valor de latitude.
  • Preencha o formulário de respostas com os valores de l, h, latitude, horário e data da medida, e informações sobre local e escola.
  • Caso chova em sua cidade no dia 20/03, faça a medida no dia seguinte, lembrando de anotar a data correta no formulário de respostas.

Horário da Passagem Meridiana do Sol (horário local)

  • Axixá – MA – 12h04m33s
  • Cabo de Santo Agostinho – PE – 11h28m09s
  • Macapá – AP – 12h32m13s
  • Natal – RN – 11h28m45s
  • Praia Grande – SP – 12h15m33s
  • Recife – PE – 11h27m33s
  • Santa Rita – MA – 12h05m21s
  • São José dos Campos – SP – 12h11m05s
  • São Luís – MA – 12h04m45s
  • São Paulo – SP – 12h13m57s

Calculadora

h: cm
l: cm
latitude:

Formulário

Formulário de respostas:
https://goo.gl/forms/Vcodw8S5GX50HDjy2 

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