Delta Aquáridas do Sul 2020

O radiante da chuva Delta Aquáridas do Sul sobre a Serra Mantiqueira (SP) enquanto Marte surge no horizonte leste, em 27/07/2020 [imagem: Wandeclayt M./Céu Profundo]

Ao longo de sua órbita, a Terra atravessa regiões do Sistema Solar onde cometas deixaram detritos. São esses detritos que ao entrar em nossa atmosfera tornam-se incandescentes e criam o espetáculo das chuvas de meteoros.

Chuva talvez seja um nome exagerado, considerando que, no melhor dos casos, observamos no máximo algumas dezenas de meteoros por hora. E isso se estivermos em locais realmente escuros e com o radiante (calma, a gente explica daqui a pouco o que é o radiante) bem em cima de nossas cabeças.

Acontece que nem todas as famosas chuvas de meteoros anuais podem ser bem observadas aqui no Brasil, por isso a chuva Delta Aquáridas do Sul merece atenção especial. Os meteoros associados à essa chuva parecem se originar em um ponto na direção das estrela delta da constelação de Aquário (esse ponto é o que chamamos de radiante!) que aparece bem alto no céu para observadores no Brasil, facilitando nossa observação!

Seu pico de atividade acontece nas noites de 28 e 29 de julho. A “chuva” será visível das 21h ao amanhecer, atingindo sua maior intensidade entre 1h e 3h da madrugada, quando a constelação de Aquário estiver em seu ponto mais alto no céu.

Como observar?

Não são necessários instrumentos como telescópio ou binóculos. Como meteoros são fenômenos rápidos e imprevisíveis, a melhor experiência para esse tipo de evento é obtida a olho nu – basta reservar um tempo para observar o céu.

É recomendável deixar o ambiente o mais escuro possível, evitando inclusive o uso de celulares e outros aparelhos luminosos durante a observação. Se precisar de uma lanterna, tente usar uma com luz vermelha ou usar papel celofane vermelho como filtro em uma lanterna de luz branca. Se possível, aguarde até que a Lua se ponha no horizonte.

Você não precisa olhar para o radiante. O meteoros podem surgir em qualquer parte do céu, mas sua trajetória vai parecer ter origem ali perto da delta de Aquário. Se parecer vir de outra direção, é um meteoro esporádico, que não pertence à chuva.

O que esperar?

Como dissemos, as “chuvas” de meteoro talvez se pareçam mais com uma lenta goteira. Num céu limpo e longe de poluição luminosa, a Delta Aquáridas do Sul pode produzir cerca de 16 meteoros por hora. Dentro das cidades, a iluminação pode tornar a observação completamente inviável! Portanto, é preciso tempo e céus escuros para conseguir ver uma quantidade razoável de meteoros.

O que NÃO esperar?

Imagens como essa mostrando vários meteoros são lindas e válidas, mas não representam uma chuva de meteoros vista a olho nu. Elas são fruto de horas de exposição e várias fotografias sobrepostas.

Imagem mostrando um céu escuro com parte da Via Láctea e vários rastros deixados por meteoros.
(Crédito: NASA)

E se nublar?

Esta é uma chuva que perdura até meados de agosto. Se na data do pico estiver nublado na sua região, ainda é possível tentar observá-la nas próximas noites.

Como toda observação astronômica, esse é um exercício de paciência e calma. Desejamos céus limpos e uma boa observação =)

Muito além do NEOWISE.

Cometa NEOWISE registrado no sertão de Pernambuco
Cometa NEOWISE registrado sobre o sertão pernambucano em 23-jul-2020 pela astrofotógrafa Alycia Monteiro.

Após a aproximação máxima com o Sol em 2 de Julho, o cometa C/2020 F3 (NEOWISE) cruzou o ponto de sua órbita mais próximo da Terra no dia 23 de Julho. A partir de agora, com o cometa se afastando da Terra e do Sol, menos gás e poeira são produzidos pela sublimação do gelo em seu núcleo, refletindo menos luz solar e diminuindo seu brilho aparente. Isso dificulta sua visualização, sobretudo para os observadores nas regiões Sul e Sudeste, onde o cometa aparece mais baixo sobre o horizonte noroeste ao longo dos próximos dias. Observadores no Norte, Nordeste e Centro-oeste seguirão com condições mais favoráveis para visualização e para fotografia do NEOWISE. Se precisa de ajuda para localizar o cometa, consulte nosso guia AQUI, com orientações para todo o Brasil.

Evolução do brilho do cometa NEOWISE após a passagem pelo periélio. [crédito: Comet Observation Database]

Os dados de luminosidade do cometa enviados ao Comet Observation Database (COBS) até a noite do dia 23/07 apontavam brilho ao redor de magnitude 4. Valor que torna-o um alvo difícil (impossível se você não estiver numa região escura, afastado da poluição luminosa) para observação a olho nu. Binóculos são o instrumento ideal para observação, produzindo uma imagem brilhante e com um campo grande o suficiente para exibir a longa cauda (onde o céu for escuro o suficiente).

Registro do Cometa NEOWISE em São José dos Campos (SP) em 23.jul.2020. A pequena elevação do cometa sobre o horizonte nesta primeira noite e seu baixo brilho impediram a observação a olho nu ou com binóculos para observadores no Sudeste. [imagem: Céu Profundo / Observatório da UNIVAP / NOA]

Mas o cometa NEOWISE não é a única atração no céu do entardecer deste fim de semana. A leste, Júpiter surge radiante e é um excelente alvo para os binóculos que já estarão a postos em busca do cometa. Ele é o astro mais brilhante nascendo no horizonte leste após o pôr do Sol. Os quatro satélites de Júpiter descobertos por Galileu Galilei são facilmente encontrados com pequenos instrumentos.

A oeste, uma delgada Lua também enfeita o início da noite e merece ser investigada por binóculos, telescópios e teleobjetivas.

A Lua também adorna o Céu sobre o horizonte oeste ao entardecer deste fim de semana. Imagem de 23/07/2020.
Aproveite a ocasião para se familiarizar com o céu e para explorar regiões celestes densamente estreladas, como esta área do plano da Via Láctea ao redor do Cruzeiro do Sul, rica em nebulosidade e abundante em aglomerados estelares. Binóculos revelarão verdadeiros tesouros nesta área.

E se a busca pelo NEOWISE lhe parecer um desafio desanimador, lembre-se que o universo é um lugar bem grande e abriga muito mais belezas no céu noturno esperando para fascinar os observadores. Aproveite a oportunidade. Explore, descubra, fascine-se. O único risco é se apaixonar pelo céu e pela observação. Mas esse é um risco que recomendamos que todos corram! 😉

Dois é demais! Imagens diretas de dois exoplanetas ao redor de estrela análoga ao Sol.

TYC 8998-760-1b e c, gigantes gasosos em torno de uma estrela jovem de massa similar ao Sol. [imagem: Alexander J. Bohn, et al.]

O trabalho liderado por Alexander J. Bohn (Observatório de Leiden, Holanda) submetido ao periódico Astrophysical Journal Letters confirma a presença de um sistema multiplanetário em torno de uma estrela de massa equivalente a do Sol, através de imagens diretas. Apesar da similaridade de massa, a estrela de idade estimada em 17 milhões de anos é muito mais jovem que o nosso Sol, uma estrela de meia idade curtindo o esplendor de seus 5 bilhões de anos.

Uma nova geração de instrumentos e técnicas de processamento capazes de reduzir as distorções atmosféricas nas observações de grandes telescópios em terra tem aumentado a resolução das imagens e permitido o imageamento direto de planetas extrassolares, mas até o momento apenas dois sistemas com mais de um planeta haviam sido confirmados por imagens diretas.

O novo estudo confirmou a presença de mais um planeta gigante ao redor da estrela TYC 8998-760-1, com massa aproximadamente 6 vezes maior que a de Júpiter orbitando a estrela a 320 vezes a distância da Terra ao Sol (Vamos facilitar a vida e concordar em chamar a distância da Terra ao Sol de Unidade Astronômica (UA)? Afinal é essa mesmo a definição de Unidade Astronômica), somando-se a um planeta já conhecido, de 14 vezes a massa de Júpiter com órbita de 162 UA. Essas distâncias são bem grandes para um sistema planetário. 162 UA é mais que 3 vezes a distância de Plutão ao Sol (48 UA é a distância de Plutão no afélio) e a questão aberta é “Como eles chegaram lá?”. A resposta para esta questão pode vir de observações feitas pelo ansiosamente aguardado James Webb Space Telescope, o próximo grande telescópio espacial a ser lançado pela NASA.

O estudo faz parte do levantamento YSES (Young Suns Exoplanet Survey), um censo que analisa um grupo de 70 estrelas jovens de massa similar a do Sol, numa região do céu austral a 300 anos luz de distância. Os dados vem do instrumento SPHERE (Spectro-Polarimetric High-contrast Exoplanet REsearch) instalado no monumental complexo de telescópios VLT (Very Large Telescope) do European Southern Observatory (ESO) no Deserto do Atacama (Chile).

O conjunto de telescópios de 8.2m de diâmetro Very Large Telescope (VLT) no Cerro Paranal (Chile). O laser visível na imagem cria uma estrela artificial de calibração a uma altitude de 90km na mesosfera. O laser é parte do sistema que permite compensar os efeitos da turbulência atmosférica, produzindo imagens com resolução similar as de um telescópio no espaço.
[Crédito da imagem: ESO/Serge Brunier]

Mercúrio no céu matutino.

A proximidade de Mercúrio ao Sol torna desafiadora a tarefa de observar o menor planeta do Sistema Solar. Quase sempre perdido em meio ao clarão da aurora ou do entardecer, o pequeno Mercúrio dificulta a vida de seus observadores, que precisam esperar pelas ocasiões em que o planeta atinge seu máximo afastamento do Sol.

Vênus e Mercúrio antecedendo a aurora na manhã de 23/07/2020.
[simulação: Stellarium v 0.20.0]

Mas o rápido movimento orbital de Mercúrio, que completa uma órbita em torno do Sol em apenas 88 dias, faz com que sejam breves esses períodos favoráveis à sua observação. A semana de 19 a 26 de julho (2020) é um destes períodos, com Mercúrio surgindo no horizonte leste pouco antes do nascer do Sol. Aproveite a ocasião para ver Mercúrio acompanhado de Vênus antecedendo os primeiros raios da aurora. Mas se não conseguimos convencer você a acordar antes do nascer do Sol neste inverno, a próxima janela favorável à observação é mais confortável: ao redor do dia 1º de outubro, quando o planeta estará no horizonte oeste ao pôr do Sol.

Enquanto isso, aproveite para buscar o cometa C/2020 F3 NEOWISE após o pôr do Sol. Publicamos um guia completo para você não perder nada aqui.

Cometa Neowise: Um guia para observadores no Brasil.

O cometa C/2020 F3 (NEOWISE) já é o evento astronômico do ano no hemisfério norte e agora se ergue sobre o horizonte noroeste logo após o pôr do Sol para observadores ao sul da linha do equador.

Descoberto em 27 de março através de imagens do telescópio espacial infravermelho NEOWISE (Near-Earth Object Wide-field Infrared Survey Explorer), o cometa tornou-se visível a olho nu ao longo do mês de junho, atingindo o pico de luminosidade nas primeiras semanas de julho, após sua passagem pelo periélio (em 03/07/2020). Uma brilhante cauda de poeira se desenvolveu, acompanhada pela longa e tênue cauda iônica, registrada apenas nas fotografias.

Esta imagem de 19 de Julho do planetarista e astrofotógrafo Dave Eagle (www.star-gazing.co.uk) revela toda a anatomia do cometa C/2020 F3 (NEOWISE): A cauda de poeira amarelada, refletindo a luz do Sol, a cabeleira esverdeada e a longa cauda azulada de gás ionizado. [crédito da imagem: Dave Eagle]

A medida que se afasta do Sol, o brilho do cometa NEOWISE segue decaindo, mas permanece ao alcance de binóculos e pequenos telescópios e pode inclusive ser visto a olho nu de locais escuros, menos sujeitos à poluição luminosa e atmosférica. Apesar da queda esperada no brilho, o NEOWISE terá sua aproximação máxima da Terra no dia 23 de julho, o que pode compensar a queda de luminosidade.

Observadores mais ao norte terão melhores condições de observação, com o cometa aparecendo mais alto sobre o horizonte.

Os diagramas abaixo mostram onde encontrá-lo após o pôr do Sol para diversas latitudes no Brasil. Encontre o mapa com latitude mais próxima à sua localização e escolha de preferência um local escuro e com vista desobstruída do horizonte na direção noroeste. Obstáculos na paisagem, poluição atmosférica e luminosa e nuvens prejudicarão a observação.

Apesar de serem representados como objetos rápidos, o movimento aparente dos cometas pelo céu é lento, perceptível apenas ao longo de dias. Em observações amadoras, procure por objetos que estejam fixos em relação às estrelas.

O instrumento ideal para observação de cometas são os binóculos. A imagem destes instrumentos são brilhantes e cobrem um grande campo, permitindo observar a grande extensão da cauda.

Antes de observar, procure reconhecer o céu com seu aplicativo preferido. As estrelas Spica (na constelação de Virgem), Arcturus (em Boötes) e Regulus (em Leão) circulam a região a ser observada e são boas referência para encontrar direção onde o NEOWISE pode ser encontrado durante os próximos dias.

O cometa NEOWISE vem aí! Você está pronto para observá-lo?

Cometa C/2020 F3 (NEOWISE) sobre Utah (EUA) em 09/07/2020 [créditos: NASA/Bill Dunford]

Um cometa descoberto em 27 de março de 2020 em imagens do telescópio espacial infravermelho NEOWISE tem impressionado observadores no hemisfério norte. É impossível garantir que ele continue visível a olho nu pelas próximas semanas, mas a partir de 24 de julho ele vai estar alto o suficiente no céu após o pôr do Sol para permitir que, no pior dos casos, seja visto através de binóculos no hemisfério sul.

O cometa C/2020 F3 NEOWISE evoluiu de maneira impressionante a partir do final do mês de junho e se tornou um objeto visível a olho nu pouco antes do nascer do Sol (para observadores no hemisfério norte). Sua exuberante cauda amarela formada pela poeira refletindo a luz do Sol tem proporcionado um verdadeiro espetáculo no mês de julho e uma cauda iônica tem sido registrada fotograficamente. Mas antes do fim de julho sua posição é desfavorável para observadores ao sul da linha do equador, permanecendo ofuscado no brilho do Sol nascente.

Cometa C/2020 F3 NEOWISE observado pelo telescópio espacial Parker Solar Probe em 05/07/2020. [Créditos: NASA/Johns Hopkins APL/Naval Research Lab/Parker Solar Probe/Brendan Gallagher]

Apenas na última semana de julho as condições passam a favorecer os observadores no hemisfério austral, quando o C/2020 F3 se posiciona sobre o horizonte noroeste após o pôr do Sol. Apesar do NEOWISE já estar se afastando do Sol, sua máxima aproximação com a Terra acontece no dia 23 de julho o que alimenta esperanças de que ele ainda possa ser visto a olho nu. Mas mesmo no pior caso, teremos um cometa observável com binóculos e pequenos telescópios e vamos mostrar onde você pode encontrá-lo!

Posição do Cometa c/2020 F3 (NEOWISE) após o pôr do Sol de 23 a 31 de Julho, para a latitude de São Paulo. [arte: Natália Palivanas/Céu Profundo, sobre simulação do Stellarium]

Para encontrar o NEOWISE, olhe na direção NOROESTE após o pôr do Sol. Nos dias 23 e 24, com o cometa ainda muito próximo ao horizonte, a observação pode ser bastante desafiadora. As chances de encontrá-lo aumentam a partir do dia 25, quando, apesar de se esperar que seu brilho comece a decair, o NEOWISE permanecerá mais tempo no céu após o pôr do Sol. Binóculos são os instrumentos ideais para a busca de objetos difusos como os cometas. Seu campo de visão é grande e as imagens proporcionadas são brilhantes. Caso tenha um à disposição, não deixe de usá-lo.

O diagrama acima mostra a posição aparente do cometa em relação as estrelas. Se não estiver familiarizado com as constelações, use seu aplicativo preferido para se localizar. Identifique primeiro a constelação de Leão e a partir dela siga as indicações em nosso mapa.

Ao longo da semana atualizaremos esse post com informações sobre a evolução do cometa e a variação de seu brilho. Fique de olho aqui e em nossas redes sociais e não perca nenhuma novidade sobre o cometa C/2020 F3 (NEOWISE)!

www.twitter.com/ceuprofundo

www.instagram.com/ceuprofundo

ATUALIZAÇÃO (19/jul/2020): O brilho do cometa segue caindo. A magnitude estimada é 3 (ainda visível a olho nu de locais escuros). Recomendamos enfaticamente o uso de binóculos.

A Temporada de Cometas 2020 continua! C/2019 U6 (Lemmon)

Cometa C/2019 U6 (Lemmon) na direção da constelação de Lepus em 2020-05-17 [imagem: Wandeclayt M./N Palivanas. Siding Spring Observatory/Céu Profundo]

O ano de 2020 já tornou ilustres dois visitantes dos confins do Sistema Solar: O cometa C/2019 Y4 (ATLAS) chegava com a promessa de se tornar uma espetacular visão a olho nu, mas seu núcleo se fragmentou e junto com ele fragmentaram-se as esperanças de ver o ATLAS entregando o show que todos esperavam. Em seguida, o C/2020 F8 (SWAN) surpreendeu, ganhando brilho rapidamente e tornando-se visível nas madrugadas em pequenos binóculos ou a olho nu para observadores em céus livres de poluição luminosa. O SWAN atigirá o periélio (a posição mais próxima do Sol) no fim de maio, mas sua localização no céu já não favorece os observadores no hemisfério sul.

Mas parece que o melhor ainda está por vir. Nas últimas semanas o C/2019 U6 (Lemmon) tem ganhado brilho rapidamente e continuará em uma posição favorável para observadores em todo o Brasil pelos próximos meses, sendo visível a oeste logo após o pôr do Sol. O objeto foi inicialmente designado como A/2019 U6, antes que características cometárias fossem observadas no final de 2019.

Imagens tomadas no dia 17 de maio mostram uma cabeleira evidente e a presença de uma cauda iônica. Com um ganho de 2 magnitudes (correspondendo a um aumento de mais de 6 vezes em seu brilho) nos últimos 15 dias, é inevitável alimentar a expectativa de que este seja o cometa do ano!

Posição do cometa C/2019 U6 (Lemmon) em 18 de maio de 2020 (18h30), na região de São José dos Campos (SP) [imagem gerada no software Stellarium 0.20.0]

Vale lembrar que o comportamento do brilho dos cometas é imprevisível, uma vez que este depende de fatores complexos de serem estimados ainda sem dados, como a composição do seu núcleo. Observadores do céu são habituados com surpresas e frustrações, mas seguiremos acompanhando esperançosamente o Lemmon pelos próximos dias, na torcida por uma confirmação na tendência de ganho de brilho. Quem sabe uma longa cauda não estará ornando o horizonte oeste em nossas noites até o final do Outono?

Adicione o Cometa C/2020 F8 (SWAN) ao Stellarium

Cometa SWAN observado de região urbana na madrugada do dia 30/04/2020 em São José dos Campos.

Descoberto pela câmera SWAN, do observatório orbital solar SOHO (Solar and Heliospheric Observatory) no dia 25 de março de 2020, o cometa C/2020 F8 (SWAN) tem surpreendido os observadores e crescido rapidamente em brilho, tornando-se observável a olho nu na última semana de abril. Imagens telescópicas revelam uma exuberante cauda estendendo-se por 10 graus.

Cometa SWAN. Imagem de Luiz R. Silveira em 03/05/2020.

Se você é usuário do programa Stellarium, pode usá-lo para encontrar a posição do cometa SWAN e planejar suas observações. Mas por se tratar de objeto de descoberta recente, você não o encontrará na base de dados instalada com programa e não poderá visualizá-lo sem incluir manualmente seus parâmetros orbitais.

Mas essa é uma tarefa simples e vamos mostrar aqui como fazê-la.

  1. Acesse a janela de configurações no painel direito ou diretamente clicando F2. Na aba “Plugins” selecione “Solar System Editor” e clique no botão “Configure“.
  2. Selecione a aba “Solar System” e clique no botão “Import orbital elements in MPC format“.
  3. Você terá acesso à janela “import data”. Na aba “Lists” marque a o tipo de objeto “Comets”, selecione a fonte “MPC’s list of observable comets” e clique no botão “Get orbital elements“.
  4. Uma lista de objetos será exibida. Procure e marque na lista o objeto “C/2020 F8 (SWAN)” e clique no botão “Add objects“.
  5. Feche o editor e a janela de configuração.
  6. Você agora poderá localizar o cometa SWAN na janela de busca no painel direito (ou clicando diretamente F3).
Etapa 1: Janela de configurações e aba “plugins“.
Etapa 2: Aba “Solar System“.
Etapa 3: Janela “Import data“, aba “Lists“.
Etapa 4: Seleção e inclusão dos elementos orbitais do objeto na base de dados.
Etapa 6: Objeto disponível na janela de busca.

Tupi e Guarani: Os Mais Brasileiros dos Astros

A lista de planetas descobertos orbitando outras estrelas já contabiliza mais de 4000 objetos. Muitos deles são batizados apenas com um número de catálogo ou com o acréscimo de uma letra ao nome da estrela central do sistema. Assim, o planeta 51 Pegasi b, é o objeto descoberto em órbita da estrela 51 da constelação de Pegasus. Outros objetos possuem apenas uma designação numérica, como a estrela HD 23079, na constelação do Retículo.

Quem regulamenta a nomenclatura desses objetos é a IAU (União Astronômica Internacional), órgão que congrega astrônomos de todo o mundo e que foi responsável, por exemplo, por definir as 88 constelações modernas e seus limites e por estabelecer os critérios para que um corpo celeste seja classificado como planeta (como consequência desses critérios, Plutão acabou sendo rebaixado à categoria de Planeta Anão em 2006).

Como parte das comemorações do seu centenário em 2019, a IAU lançou a campanha #NameExoWorlds convidando as populações de 112 países a nomear 112 sistemas planetários, escolhendo o nome da estrela e de seu respectivo planeta. A campanha teve a adesão de 780 000 pessoas e teve seu resultado divulgado nesta terça-feira (17/12).

Os nomes escolhidos pelo Brasil e aprovados pela IAU para nomear a estrela HD 23079 e seu planeta são Tupi e Guarani, estabelecendo como tema os nomes de populações indígenas do Brasil para nomear futuros objetos que venham a ser descobertos no mesmo sistema. Foram 977 sugestões e 7060 votantes.

Localização de Tupi e Guarani, às 23h00 do dia 17/12 na latitude de São José dos Campos. É importante informar a latitude porque observadores mais ao norte verão a estrela mais próxima do horizonte sul. Observadores mais ao sul, verão a estrela mais alta no céu. consequências de uma Terra esférica. 😉 [imagem gerada no Stellarium versão 0.19.1]

Ficou curioso e quer observar nossa estrela no céu? Nós te mostramos como encontrá-la. Você precisará de binóculos ou de um pequeno telescópio. Com magnitude 7.1, na constelação de Retículo, Tupi está bem além do limite de visibilidade a olho nu, mesmo para observadores afastados da poluição luminosa das áreas urbanas. Olhe na direção do ponto cardeal SUL entre após as 21h e localize as estrelas mais brilhantes naquela direção: Canopus (Alfa Carinae) e Achernar (Alfa Eridani). Tupi se localiza na região entre ambas.

Diagrama detalhado da região do céu ao redor de HD 23079 – Tupi.

Nossos vizinhos no Paraguai escolheram como tema as divindades da mitologia Guarani e batizaram a estrela HD 108147 e seu companheiro como Tupã e Tumearandu .

O Uruguai se voltou para a flora e elegeu as árvores nativas Ceibo e Ibirapitá para nomear o sistema HD 63454.

A lista completa com os nomes escolhidos está disponível na página da IAU: http://www.nameexoworlds.iau.org/final-results

Cometa I2/Borisov – Hubble observa o visitante interestelar.

Cometa I2/Borisov. Primeiro cometa observado com origem em outro sistema solar. [imagem: NASA/ESA/STScI/D. Jewitt (UCLA)]

O telescópio espacial Hubble obteve as melhores imagens até o momento do cometa 2I/Borisov. A imagem capturada no dia 12/out/2019 pelo Hubble revela a região de concentração de poeira em torno do núcleo cometário.

A trajetória e a velocidade do 2I/Borisov indicam que o cometa teve origem fora do sistema solar, em outro sistema planetário, fazendo dele o segundo objeto interestelar a ser observado cruzando o sistema solar.

Time lapse de 7h de observação do cometa I2/Borisov [imagem: NASA/ESA/STScI/D Jewitt (UCLA)]

Em 2017, o asteróide batizado oficialmente como ‘Oumuamua, chegou a menos de 40 milhões de km do Sol, vindo de fora do sistema solar, tornando-se o primeiro objeto interestelar detectado em nossas vizinhanças. ‘Oumuama aparentava ser um corpo rochoso, enquando I2/Borisov apresenta um núcleo com atividade, assemelhando-se aos cometas com origem em nosso sistema solar.

Trajetória do cometa I2/Borisov [NASA/ESA/D Jewitt (UCLA)]

O cometa foi descoberto na Criméia pelo astrônomo amador Gennady Borisov no dia 30 de agosto e é o oitavo na lista de descobertas de Borisov. Após uma semana de observações por astrônomos profissionais e amadores, o Minor Planet Center da União Astronômica Internacional (IAU) e o Center for Near-Earth Object Studies [Centro para Estudos de Objetos Próximos à Terra] no JPL/NASA computaram sua trajetória, confirmando sua origem no espaço interestelar.

I2/Borisov atingirá o periélio – o ponto de sua órbita mais próximo ao Sol – em dezembro, chegando a uma distância mínima do Sol de aproximadamente 2 UA (Unidades Astronômicas) – duas vezes a distância da Terra ao Sol. Essa distância também é maior que a distância média de Marte ao Sol (1.52 UA).

Hoje, o cometa se encontra na direção da constelação de Leão, com magnitude 16.9 (fora do alcance de pequenos telescópios, sobretudo em céus urbanos) e espera-se que se torne até 2 magnitudes mais brilhante em Janeiro de 2020 – ainda fora do alcance da maioria dos telescópios amadores.

Mas cometas são corpos surpreendentes e podem evoluir de maneira imprevisível, com rupturas e aumentos inesperados de brilho que podem trazê-lo para o alcance de telescópios mais modestos. Mas se isso não acontecer, imagens mais detalhadas do I2/Borisov estão garantidas: novas observações do Hubble para o cometa estão planejadas para Janeiro de 2020 e novas propostas de observação estão sendo submetidas.

Até agora, todos os cometas catalogados tinham origem num cinturão de objetos gelados na periferia de nosso Sistema Solar, chamado Cinturão de Kuiper ou na Nuvem de Oort – uma hipotética nuvem de cometas envolvendo o Sistema Solar a cerca de um ano-luz de distância.


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