Vem cometa brilhante aí! Prepare seu Stellarium!

O cometa C/2021 A1 Leonard, ao lados planetas Vênus, Júpiter e Saturno na última quinzena de dezembro de 2021, após o pôr do Sol. [Simulação: Stellarium]

O ano de 2021 promete terminar bem melhor do que começou! Além da esperança trazida pela aprovação das vacinas contra o nefasto coronavírus, o céu também nos dá a esperança de terminarmos 2021 contemplando uma luz no horizonte: o brilho do recém descoberto cometa C/2021 A1 Leonard deve atingir magnitude 0 na última quinzena de dezembro.

Projeção da evolução do brilho do cometa C/2021 A1 Leonard [Crédito: TheSkyLive ]

A escala de magnitudes é invertida e números menores significam brilhos maiores. Conseguimos ver a olho nu objetos com magnitude abaixo de 6, desde que estejamos em locais escuros, longe da poluição luminosa das áreas urbanas. Magnitude 0 é equivalente ao brilho da estrela Vega, a mais brilhante da constelação de Lira – e isso significa que, caso a previsão se confirme, o cometa será 250 vezes mais brilhante que o limite de visibilidade a olho nu, ou seja, vamos conseguir vê-lo até dentro das cidades!

No segundo semestre de 2020, o cometa C/2020 F3 Neowise ganhou grande atenção do público e da mídia, mas sua visualização não era favorecida no hemisfério sul.

Mas cometas em geral são corpos bem imprevisíveis e podemos ter essas projeções frustradas ao longo do ano. O bom é continuar acompanhando a evolução do Leonard pelos próximos meses, enquanto ele se aproxima do Sol, para ter uma ideia de como sua curva de brilho se comportará realmente.

Enquanto isso, adicione-o ao banco de objetos do Stellarium [disponível gratuitamente em www.stellarium.org] para seguir sua trajetória ao longo do ano. O procedimento é simples. Basta seguir estes passos:

Janela principal do Stellarium.

Utilizando o menu lateral ou a tecla de função F2, acesse o menu de configurações do Stellarium.

Janela de Plugins

Na tela de configurações, acesse o plugin Solar System Editor e clique em configurar.

Na aba Sistema Solar, clique em importar elementos orbitais no formato MPC.

Na aba de busca online, digite a designação do cometa: C/2021 A1

Você verá o resultado C/2021 A1 (Leonard) na tela seguinte. Selecione a caixa ao lado do nome do cometa e a opçnao atualizar apenas os elementos orbitais e clique em <Adicionar objetos>.

Pronto! O promissor cometa Leonard estará disponível no catálogo de objetos do Stellarium e pode ser procurado utilizando a janela de busca (tecla de função F3).

Marte encontra Urano!

Um mês após o espetáculo exuberante da Grande Conjunção de Júpiter e Saturno em dezembro de 2020, uma dupla bem mais discreta se forma nos céu de janeiro, especialmente entre os dias 18 e 21: Marte e o distante Urano se alinham no céu noturno e oferecem uma excelente oportunidade para observação com binóculos ou pequenos telescópios.

Quando em oposição, Urano atinge magnitude 5.5, o que o coloca dentro do limite de visibilidade a olho nu para observadores em regiões muito escuras, longe da poluição luminosa das áreas urbanas. Mas isto não o torna um alvo fácil. Seu discreto tamanho angular não torna fácil diferenciá-lo das estrelas observadas no mesmo campo. Apenas o tom azul esverdeado o denuncia. Então, a presença de um objeto de referência, como Marte, torna mais fácil o trabalho de localizá-lo no céu, sobretudo para iniciantes.

Então vamos às dicas: a máxima aproximação acontece na noite do dia 20/01, quando os planetas estarão separados por pouco mais de 1,5º na esfera celeste. Isso corresponde a 6 vezes o diâmetro aparente da Lua Cheia.

Lua, Marte e Urano no dia 20/01/2021 [Simulação: Stellarium]

Na mesma data (20/01), a Lua também se junta à composição, passando a pouco menos de 7º ao Sul da dupla de planetas.

Lua, Marte e Urano no dia 20/01/2021 [Simulação: Stellarium]
Céu sobre o horizonte noroeste às 20h do dia 20/01/2021 em São José dos Campos (SP) [simulação: Stellarium]

Para encontrar esses astros reunidos, olhe na direção noroeste por volta das 20h. Marte é o objeto mais brilhante e avermelhado nesta direção. Mas cuidado para não confundir: um pouco mais ao Norte, um outro astro vermelho pode chamar a atenção – Aldebaran, a estrela mais brilhante na constelação do Touro. A configuração não muda muito durante a semana e a única diferença significativa é a presença da Lua no dia 20.

Efemérides de janeiro de 2021

Feliz 2021 pessoal!

Que seja um ano de céus limpos e escuros pra todos nós!

Vamos às efemérides de janeiro? A maior parte dos planetas estão próximos ao Sol, quando visto da Terra, então temos poucas conjunções com boa visibilidade. Eclipses e chuvas de meteoros significativas pro observador iniciante também não dão as caras, infelizmente. Mas janeiro é um mês chuvoso e de muitas nuvens, então menos mal, né? E como sempre, vamos observar a Lua!

Disclaimer: todos os fenômenos listados podem ser observados a olho nu. Os horários são aproximados e estão na hora oficial de Brasília e se referem ao momento a partir do qual a observação é possível, e não necessariamente do pico do fenômeno em si (a menos quando informado). O horário exato e qualidade da observação dependem da latitude do observador. 

06 de janeiro – Lua em quarto minguante visível durante a madrugada a partir do horizonte leste

09 até 12 de janeiro – Conjunção entre os planetas Mercúrio, Júpiter e Saturno logo após o por do Sol, no horizonte oeste. Atenção: os astros vão estar bem próximos ao horizonte e com o céu ainda claro, então a visibilidade fica muito prejudicada. Vale tentar!

Conjunção entre Mercúrio, Júpiter e Saturno entre os dias 09 e 12 de janeiro
Simulação: Stellarium

13 de janeiro – Lua nova, não visível no céu noturno

13 e 14 de janeiro – Conjunção entre Lua (menos de 1% iluminada, só aquele filetinho) e os planetas Mercúrio, Júpiter e Saturno logo após o por do Sol, no horizonte oeste. Vale o mesmo que dissemos acima: os astros vão estar bem próximos ao horizonte e com o céu ainda claro, então a visibilidade fica muito prejudicada.

Conjunção entre a Lua e os planetas Mercúrio, Júpiter e Saturno entre os dias 03 e 14 de janeiro
Simulação: Stellarium

20 de janeiro – Lua em quarto crescente, visível após o por do Sol na direção do horizonte oeste

20 de janeiro – Conjunção entre o planeta Marte e a Lua crescente ao anoitecer

Conjunção entre a Lua e o planeta Marte no dia 20 de janeiro
Simulação: Stellarium

23 de janeiro – Mercúrio em máxima elongação (max. distância angular aparente de um planeta em relação ao Sol)

28 de janeiro – Lua cheia visível no céu ao longo de toda a noite e madrugada

Observe o fenômeno da luz cinérea da Lua minguante entre os dias 07 e 11, do início da madrugada até o amanhecer, e da Lua crescente entre os dias 14 e 18, ao anoitecer.

Mercúrio, Júpiter e Saturno podem ser observados brevemente ao anoitecer, ainda com o céu claro. Visualização difícil.

Marte pode ser visto ao anoitecer até cerca de meia noite. Procure pelo ponto mais brilhante do céu, de cor avermelhada.

Vênus é visível nascendo no horizonte leste após as 04:00 da madrugada.

Boas observações a todos – e que venha a vacina!

Viajando com uma balança pelo Sistema Solar.

[Arte: Wandeclayt M./Céu Profundo sobre imagem do Hubble/STScI/NASA/ESA]

Vamos ser um pouquinho rigorosos com os termos aqui. O peso é a força com que você e todos os objetos ao seu redor são atraídos para o centro da Terra. É um efeito da gravidade e portanto é de se esperar que em outros planetas, sob o efeito de acelerações gravitacionais diferentes da experimentada na superfície da Terra, o seu peso mude. A unidade de medida de força no Sistema Internacional de Unidades (SI) é o newton (e seu símbolo é o N). Como o peso é uma força, a rigor, deve ser medido em newtons.

Por outro lado, a quantidade de matéria que compõe um corpo – a sua massa – não varia se levado para a superfície de outro planeta ou satélite. A unidade de massa no SI é o quilograma (kg). Um corpo com massa de um 1 kg levado para a superfície da Lua parecerá seis vezes mais leve que na superfície da Terra, mas sua massa permanece constante: 1 kg.

Apesar das escalas das balanças que usamos no dia a dia estarem calibradas em gramas ou quilogramas (unidades de massa), o que elas medem diretamente não é a massa, mas sim o peso. Se não forem recalibradas, essas balanças dariam indicações bem diferentes de sua massa em diferentes corpos do Sistema Solar.

Bateu a curiosidade? Você pode testar abaixo o que a balança indicaria se você estivesse em outros objetos do Sistema Solar e vai se surpreender ao ver quer talvez nem precise se esforçar tanto na academia! Basta ir para Vênus pra sumir com o peso que a gente ganhou durante a quarentena (a temperatura de 480ºC e a atmosfera tóxica podem não ser muito agradáveis, mas pelo menos não precisaremos ir à academia durante a quarentena)!

Outra coisa a se levar em conta é que Júpiter, Saturno, Urano e Netuno são gasosos. Eles não possuem uma superfície definida como a Terra e os outros planetas rochosos. Para os planetas gasosos, usamos a aceleração da gravidade no topo da atmosfera.

Digite seu ‘peso’ no planeta Terra: kg

Planetas
Mercúriokg
Vênus kg
Terra kg
Marte kg
Júpiter kg
Saturno kg
Urano kg
Netuno kg
Satélites Naturais
Lua (Terra) kg
Europa (Júpiter) kg
Titã (Saturno) kg
Tritão (Netuno) kg
Titania (Urano) kg
Planetas-anões
Ceres kg
Haumea kg
MakeMake kg
Eris kg
Plutão kg

A exceção aqui é para as balanças de prato, que funcionam comparando duas massas e para as balanças que usam massas deslizando sobre uma haste, comuns em consultórios médicos e pediátricos.

Observando o Eclipse Solar: Todas as Dicas.

Eclipse solar do dia 02 de Julho de 2019 em Vicuña, no Chile. [Wandeclayt Melo/Céu Profundo].

Um eclipse total do Sol costuma atrair multidões para a estreita faixa onde a totalidade é visível. Foi assim no dia 2 de julho de 2019, quando uma das mais privilegiadas regiões do mundo para a astronomia foi presenteada com um eclipse total. Mais de 280 mil pessoas, de todo o mundo, concentraram-se na região de Coquimbo, no norte do Chile, para testemunhar pouco mais de dois minutos de escuridão em pleno dia. A região é famosa por abrigar grandes telescópios em observatórios famosos como o Observatório Interamericano de Cerro Tololo, ESO – Cerro La Silla, Gemini Sul e SOAR.

O “anel de diamante” é uma das mais belas fases de um eclipse total, formado instantes antes da totalidade. Imagem registrada em 2 de julho de 2019, em Vicuña (Chile). [Wandeclayt Melo/Céu Profundo].

Nesta segunda (14/12), o Chile é novamente agraciado com um eclipse total do Sol, desta vez cobrindo a bela região de lagos e vulcões ao Sul do país, passando pelas cidades de Pucón e Villarrica. Infelizmente, o cenário é bem diferente daquele do já distante julho de 2019. Em meio à pandemia da COVID-19, as multidões de caçadores de eclipses não poderão seguir sua peregrinação em busca da sombra da Lua. Mas mesmo sem poder viajar para observar a totalidade do eclipse, observadores em grande parte do Brasil poderão testemunhar parte do fenômeno.

Faixas de visibilidade do eclipse solar do dia 14 de dezembro de 2020. [gráfico: timeanddate.com]

Segurança em primeiro lugar!

Mas antes de tudo, três regras fundamentais:

  • Jamais olhe diretamente para o Sol!
  • Jamais olhe diretamente para o Sol!
  • E nunca é demais repetir: Jamais olhe diretamente para o Sol!


Use filtros apropriados para observação solar e na ausência desses, use filtros para solda elétrica Nº 14 (Você pode encontrá-los em lojas de ferragens ou de materiais de construção). Olhar diretamente para o Sol pode causar danos irreversíveis à visão.

Agora que você já memorizou essas três importantes regras podemos seguir adiante!

Quando e onde observar?

Observadores no Rio Grande do Sul observarão a Lua ocultando entre 50% e 60% do Sol e à medida que nos afastamos para o norte veremos uma fração progressivamente menor do Sol ser encoberta pela Lua. O eclipse não é observável no Amazonas, Roraima, Pará, Maranhão, norte do Tocantins, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

Fique de olho nos horários do máximo do eclipse (no fuso horário local) e na porção do Sol encoberta pela Lua em sua cidade:

Pelotas – Máximo do eclipse 13:47h (61% Eclipsado)
Porto Alegre – Máximo do eclipse 13:51h (54% Eclipsado)
Santa Maria – Máximo do eclipse 13:43h (53% Eclipsado)
Florianópolis – Máximo do eclipse 13:58h (45% Eclipsado)
Curitiba – Máximo do eclipse 13:57h (37% Eclipsado)
Londrina – Máximo do eclipse 13:51h (30% Eclipsado)
São Paulo – Máximo do eclipse 14:05h (31% Eclipsado)
São José dos Campos – Máximo do eclipse 14:07h (31% Eclipsado)
Campinas – Máximo do eclipse 14:04h (29% Eclipsado)
São José do Rio Preto – Máximo do eclipse 13:57h (22% Eclipsado)
Rio de Janeiro – Máximo do eclipse 14:14h (31% Eclipsado)
Vitória – Máximo do eclipse 14:22h (24% Eclipsado)
Belo Horizonte – Máximo do eclipse 14:13h (21% Eclipsado)
Uberlândia – Máximo do eclipse 14:02h (19% Eclipsado)
Campo Grande – Máximo do eclipse 12:39h (21% Eclipsado)
Cuiabá – Máximo do eclipse 12:32h (8% Eclipsado)
Brasília – Máximo do eclipse 14:03h (8% Eclipsado)
Salvador – Máximo do eclipse 14:30h (6% Eclipsado)
Aracaju – Máximo do eclipse 14:34h (3% Eclipsado)
Maceió – Máximo do eclipse 14:37h (2% Eclipsado)
Recife – Máximo do eclipse 14:39h (0,5% Eclipsado)

Para outras localidades, consulte o serviço www.timeanddate.com

E a meteorologia?

Cobertura de nuvens de grande altitude durante o eclipse. [Windy.com]

A meteorologia não está com grande disposição para ajudar os observadores deste eclipse. Nuvens de grande altitude cobrem a maior parte do território brasileiro, comprometendo nossa observação. Se serve de consolo, para a região de Pucón e Villarrica, no Chile, o prognóstico também não é muito favorável e seria ainda mais frustrante estar lá e não conseguir observar. 🙁

A grande conjunção de 2020

Nas últimas semanas surgiram várias matérias na imprensa e posts em redes sociais chamando a atenção para a rara aproximação entre os planetas Júpiter e Saturno no dia 21/12/2020: é que chamamos de uma GRANDE CONJUNÇÃO.


A visão a olho nu será mesmo espetacular, e pra quem tem um telescópio o evento fica ainda mais fabuloso: vai ser possível ver os dois os planetas ao mesmo tempo pela ocular! (Já estamos esperando as imagens fantásticas.)

A separação entre os dois vai ser de apenas 1/5 do diâmetro aparente da Lua.

Júpiter e Saturno observados no telescópio com aumento de 80x no dia 21/12/2020 [Simulação: Stellarium]
A dois dias da grande conjunção Júpiter e Saturno aparecem com apenas 13 minutos de arco de separação nesta imagem registrada com teleobjetiva de 200mm em São José dos Campos – SP. (Wandeclayt Melo/Ceu Profundo)
Um registro raro: Júpiter e Saturno juntos no campo da ocular do telescópio em 19/12/2020. SkyWatcher Dobsoniano de200mm de diâmetro, F/6. Canon EOS 7D no foco principal. (Wandeclayt Melo/Ceu Profundo).

Onde? Quando? Como?

Para ter a real dimensão do que está acontecendo é só começar a observar hoje e seguir observando os dois planetas logo após o pôr do Sol até o início de janeiro. Vai ser notável que cada dia os planetas parecerão mais próximos, até o grande encontro do dia 21, e em seguido voltarão a se afastar.

O fenômeno é visível em todo o Brasil logo após o pôr do Sol, olhando na direção do horizonte oeste. Mas dura pouco: após as 20:30 eles já estão desaparecendo na mesma região em que o Sol desapareceu. Lembrando que Júpiter e Saturno são brilhantes o suficiente para serem observados a olho nu mesmo nos céus contaminados pela poluição luminosa das grandes cidades.

Esse é um evento raro?

Júpiter completa uma volta em torno do Sol aproximadamente a cada 12 anos, enquanto Saturno leva um pouco mais de 29 anos para completar sua órbita. Observando esses movimentos combinados aqui da Terra, vemos esses planetas de encontrando aproximadamente a cada 20 anos. Então as Grandes Conjunções não são eventos assim tão raros, mas em geral a aproximação não é tão dramática. O mais comum é que os planetas permaneçam separados por mais de 1º. Na Grande Conjunção de 2020, teremos apenas 0,1º de separação! A olho nu vai ser um desafio separar os dois planetas!

A última vez que tivemos uma Grande Conjunção como essa visível foi em plena Idade Média! No dia 5 de Março de 1226, Júpiter e Saturno se cruzaram com apenas 0,02º de separação.

Júpiter e Saturno na Grande Conjunção de 2020, com 6 minutos de arco (0,1º) de separação.
[Simulação: Stellarium]
Júpiter e Saturno na Grande Conjunção de 1226, com 2 minutos de arco (0,02º) de separação.
[Simulação: Stellarium]

Mas essa vai ser uma oportunidade única, porque outra Grande Conjunção em que os dois planetas vão estar a menos de 1º de separação (e portanto quase parecendo um só) vai acontecer apenas em 14 de março de 2080. Ou seja, vai demorar um pouquinho.

E vale ressaltar: a aproximação entre eles se dá por um efeito de perspectiva. Eles não estão realmente próximos! As órbitas dos planetas do Sistema Solar são estáveis e vão permanecer assim por muito tempo. No momento, Júpiter e Saturno estão a mais de 730 milhões de km de distância um do outro, quase 5 vezes a distância entre a Terra e o Sol.

Júpiter e Saturno aparentam estar muito próximos apenas quando vistos por um observador na Terra. [Simulação: theskylive.com]

Coincidentemente nesse mesmo dia temos mais dois fenômenos astronômicos: a Lua vai estar em seu quarto crescente, exatamente 50% iluminada (visível ao anoitecer também), e é dia de Solstício de Verão aqui no hemisfério sul, mais precisamente às 07h02 da manhã.

Agora é torcer pro tempo colaborar e o céu ficar limpo!

Boas observações!

20 Anos de Ocupação Contínua da Estação Espacial Internacional

Estacão Espacial Internacional.

A cada 24h um laboratório científico, permanentemente tripulado, em órbita a 400 km de altitude, dá 16 voltas ao redor da Terra. Viajando a 27600 km/h, sua tripulação vê o Sol nascer e se pôr a cada 90 minutos enquanto conduz experimentos em microgravidade. Estamos falando da ISS, sigla em inglês da Estação Espacial Internacional, um ambicioso projeto de cooperação tecnológica, científica e política, envolvendo as agências espaciais dos EUA (NASA), da Europa (ESA), da Rússia (ROSCOSMOS), do Japão (JAXA) e do Canadá (CSA).

O módulo Zarya (Functional Cargo Block) foi o primeiro componente da ISS, lançado em 20/11/98 a bordo de um foguete russo Proton-K (imagem: NASA/ROSCOSMOS).

A ISS é a maior e mais complexa estrutura já colocada em órbita e é composta de módulos interligados, compondo um colossal laboratório espacial do tamanho de um campo de futebol que pode ser visto a olho nu da Terra!
Para enviar seus principais componentes ao espaço, foram necessários 37 voos dos ônibus espaciais norte-americanos e 5 voos dos foguetes russos Proton/Soyuz.

O início

Sua montagem se inicia com o lançamento do módulo Zarya em 20/11/98, por um foguete russo Proton-K, seguido pelo lançamento do módulo de conexão Unity em 04/12/98. Mas A construção passa a ser permanentemente habitável apenas no ano 2000, com o lançamento e instalação do módulo de serviço Zvezda, que forneceu acomodação, banheiros, áreas para exercícios e refeições, sistemas de armazenagem de comida e de reciclagem de água e canais de comando remoto e comunicação para dados, voz e vídeo para os centros de controle nos EUA e na Rússia.

A primeira configuração habitável da ISS. Da esquerda para a direita: 0s módulo de serviço Zvezda, o módulo Zarya (Functional Cargo Block/FGB) e a unidade de acoplamento Unity, em imagem registrada pela tripulação do ônibus espacial Endeavour em dezembro de 2000. À esquerda da imagem a espaçonave russa Soyuz aparece acoplada ao modulo Zvezda. (NASA)

E o Brasil?

Em 1997 o Brasil foi convidado a cooperar com o projeto, fornecendo componentes para a NASA. Como contrapartida, o Brasil teria acesso aos laboratórios em órbita e poderia enviar astronautas à Estação. O acordo bilateral previa a construção dos seguintes componentes (conforme o Diário Oficial da União de 07/11/1998):

  • – Instalação para Experimentos Tecnológicos (TEF)
  • – Janela de Observação para Pesquisa – Bloco 2 (WORF-2)
  • – Palete Expresso para Experimentos na Estação Espacial (EXPRESS)
  • – Container Despressurizado para Logística (ULC)
  • – Adaptador de Interface para Manuseio de Carga (CHIA)
  • – Sistema de Anexação ZI-ULC (ZI-ULC-AS)
O palete EXPRESS seria o principal componente fornecido pela indústria brasileira através da AEB (Agência Espacial Brasileira). O componente permite a conexão de cargas úteis ao exterior da ISS, compartilhando redes elétricas e de dados.

Após sucessivos atrasos e cortes no orçamento, pela parte do Brasil, ficou claro que não teríamos condições de honrar o acordo. E acabamos ficando de fora do consórcio de países com acesso à Estação. Sem cumprir o acordo com a NASA, a alternativa para enviar um brasileiro à ISS como parte da Missão Centenário – em celebração aos 100 anos do voo de Santos Dumont com o 14 Bis – foi pagar por uma vaga na espaçonave russa Soyuz em 2006.

Completando o Quebra-Cabeças.

A montagem da ISS foi interrompida após o desastre do ônibus espacial Columbia, em fevereiro de 2003. Com a frota de ônibus espaciais da NASA parada para revisões de segurança, o transporte de carga, passageiros e dos componentes da Estação passou a depender exclusivamente dos veículos russos Progress e Soyuz pelos dois anos e meio seguintes ao acidente. A catastrófica destruição da Columbia matando seus 7 tripulantes durante a reentrada na atmosfera aconteceu após uma missão sem relação com a ISS, mas seu impacto foi sentido no cronograma e na rotina da Estação. Além dos atrasos na conclusão da montagem, a tripulação permanente foi reduzida de 3 para 2 pessoas.

ISS em 2011, com todos os principais componentes integrados. (NASA)

A atual configuração da ISS foi completada em 2011, mas componentes menores continuaram sendo adicionados e modernizados.

Observando a ISS

Com seus atuais 109m de comprimento e seus vastos painéis solares é possível ver a olho nu a ISS cruzando os céus. É possível ver a localização em tempo real ou consultar a previsão de passagem da ISS sobre sua cidade acessando serviços como Spot the Station e Heavens-Above. A olho nu, sua aparência é de uma estrela brilhante, atravessando céu pouco após o pôr do Sol ou pouco antes do amanhecer, lembrando que o que vemos, é o reflexo da luz do Sol na Estação. Bem mais complicado é observar e registrar sua passagem através do telescópio, mas é um desafio que atrai astrofotógrafos e amadores da astronomia em todo o mundo e já fizemos também nossas tentativas. A imagem abaixo é nossa registro da passagem da ISS sobre São José dos Campos (SP) em 09/09/2020.

Celebração

A ISS não é o primeiro laboratório orbital tripulado. Os EUA converteram o último estágio de um dos foguetes Saturn V herdado do cancelamento das últimas missões Apollo na estação Skylab ainda nos anos 1970. A Rússia também acumulava décadas de experiência com suas estações Salyut e MIR.
Também não é novidade a cooperação entre estados normalmente antagonistas em outras questões: também nos anos 1970 a missão Apollo-Soyuz uniu norte-americanos e soviéticos no espaço.
Mas a escala de integração, o número de nações participantes e as perspectivas de longo prazo colocam a ISS além de todas as iniciativas anteriores!

Celebrar os 20 anos de ocupação da ISS é celebrar o sucesso de uma iniciativa de incomparável sucesso no uso pacífico e sustentável do espaço. É celebrar a cooperação internacional e o progresso da ciência. E como parte de nossa celebração montaremos ao vivo o kit comemorativo LEGO IDEAS da ISS em nosso canal do Youtube. Se você também vê motivos para comemoração, junte-se a nós!

https://www.youtube.com/watch?v=gYEyKvlbmRI

Planetário Virtual na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Numa parceria com o Centro de Estudos Astronômicos (CEA) transmitiremos dentro da programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia sessões diárias de planetário virtual e de observação telescópica em nosso canal do Youtube.
As atividades acontecem de segunda a sexta (19 a 23/10) e terão participação de astrônomos convidados, professores e divulgadores da astronomia.
Acompanhe:

Segunda 19/10
10:00h – Observação Solar: https://youtu.be/yklEpZP_mTQ
15:00h – Planetário Virtual: https://youtu.be/bEJIGogZKDQ
20:00h – Observação de Júpiter: https://youtu.be/WX_OcNIcXx0

Terça 20/10

9:00h – Planetário Virtual: https://youtu.be/XbKD1eJu4xQ
20:00h – Observação de Saturno: https://youtu.be/kdjoux14gtE

Quarta 21/10

10:15h – Observação Solar: https://youtu.be/V4-g1Bn2ZwE
15:00h – Planetário Virtual: https://youtu.be/XGRtM3QD7-8
20:00h – Observação de Marte: https://youtu.be/Urb1yUXE5u0

Quinta 22/10

20:00h – Observação Lunar: Observação Cancelada (Meteorologia)

Sexta 23/10

13:30h – Planetário Virtual: https://youtu.be/pGzmf–VktA
15:00h – Observação Solar: https://youtu.be/nr579-eq3OY
20:00h – Observação Lunar: https://youtu.be/C2UnazyrMK4