Astronomia Cidadã #PelaCienciaBrasileira.

Divulgar ciência nas redes é necessário, mas também são imprescindíveis as iniciativas de divulgação e educação científica off-line. Além de gerar e divulgar conteúdo científico para os canais digitais, o projeto Céu Profundo também se propões a levar a astronomia às ruas, parques, escolas e museus.

Em nossa mais recente iniciativa coordenamos em parceria com o Museu Interativo de Ciências de São José dos Campos o curso Astronomia Amadora – Ciência Cidadã, contando com aulas ministradas por astrônomos amadores experientes e por profissionais da Divisão de Astrofísica do INPE, do Observatório de Astronomia e Física Espacial da UNIVAP e do Laboratório de Registro de Imagens (LRIM) do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

O curso, iniciado no dia 13/08 ofereceu 40 vagas, divididas entre professores da rede municipal de ensino (20 vagas) e entusiastas da astronomia amadora (20 vagas). A demanda foi forte e as vagas esgotaram-se em 24h.

Astronomia Amadora – Ciência Cidadã. Um curso oferecido para professores da rede municipal de ensino de São José dos Campos e para entusiastas amadores da astronomia.

Na primeiro dia de aula, o vasto campo de atuação disponível para a atuação de astrônomos amadores foi apresentado por Wandeclayt Melo (Céu Profundo/IAE). Observação e fotometria de estrelas variáveis, observação de ocultação de estrelas pela Lua e por asteróides e o monitoramento de asteróides e objetos próximos à Terra (NEOs – Near Earth Objects) são alguns dos programas observacionais que podem ser conduzidos por amadores e cujos dados são de grande valor para a ciência profissional.

No segundo dia de aula, o Dr. Alexandre Wuensche da Divisão de Astrofísica do INPE traçou um panorama da astronomia profissional no Brasil, apresentando as principais instituições e os caminhos acadêmicos para quem deseja seguir o caminho da profissionalização. Os principais programas de pós-graduação e a realidade do mercado de trabalho foram apresentados, mostrando que além da atuação no meio acadêmico, o astrônomo é um profissional com habilidades valiosas para o mercado.

Sessão de observação remota com o telescópio Argus. Um telescópio Schmidt-Cassegrain robótico de 11 polegadas disponibilizado para uso educacional através do programa Telescópios na Escola.

O terceiro dia de aula iniciou o ciclo de atividades práticas, com observação telescópica da Lua, de Júpiter e Saturno e de aglomerados estelares. Após a observação dos principais satélites de Júpiter, um exercício mostrou como é possível a partir da observação do movimento destas luas determinar a massa de Júpiter.

Imagem da galáxia peculiar NGC 5128/Centaurus A, capturada durante o curso em sessão de observação remota utilizando o telescópio robótico Argus no Observatório Abrahão de Moraes (Valinhos – SP).

Para encerrar a semana, em uma sessão de observação remota com o telescópio Argus de 11 polegadas do Observatório Abrahão de Moraes (Valinhos – SP) foram capturadas imagens da galáxia NGC 5128 (Centaurus A) e da nebulosa M20 (Trífida), demonstrando as potencialidades do projeto Telescópios na Escola.

Em sua segunda semana o curso seguirá mesclando apresentações teóricas e atividades práticas, com aulas do Dr. Francisco Jablonski (DAS/INPE), do Dr. Alexandre Oliveira (UNIVAP), Suzanne de Paula (Exoss) e Wandeclayt Melo (Céu Profundo/IAE).

O objetivo do curso é apresentar o alto nível da astronomia profissional brasileira, mostrando que a ciência no Brasil faz muito por cada um de nós e mostrar que na condição de astrônomos amadores/cientistas cidadãos, cada um dos professores e entusiastas matriculados podem também fazer muito #PelaCienciaBrasileira.

Astrônomos Amadores – Cientistas Cidadãos.

Ter assistido a um documentário sobre astronomia não nos torna astrônomos amadores, assim como assistir a uma final de copa do mundo não nos torna jogadores de futebol. Possuir um telescópio também não é o suficiente para nos definir como astrônomos amadores, tanto quanto possuir uma guitarra e ter assistido a um show do Eric Clapton não nos torna guitarristas.

Para ser jogador é preciso entrar em campo. E jogar. Para ser um guitarrista é preciso estudar. E tocar. Para ser um astrônomo amador, também é preciso ir além da condição de mero espectador. O astrônomo amador é aquele que conhece o céu e o OBSERVA.

Se você não é um médico profissional, não recomendamos que tente se tornar um neurocirurgião amador. Mas se esse era seu sonho de infância, e você estiver determinado a perseguir seu sonho, certamente o veremos se tornar célebre estampando manchetes policiais por exercício ilegal da profissão.

Mas temos um cenário muito diferente aguardando aqueles que gostariam de contribuir de forma não profissional com a ASTRONOMIA.

Quando descobriu Urano, em 1871, utilizando um telescópio construído por ele mesmo, William Herschel era um astrônomo amador.

A contribuição dos amadores tem sido fundamental ao avanço da Astronomia e importantes descobertas são creditadas a observadores que tinham a Astronomia como hobby. O quão relevantes são as contribuições dos amadores? Que tal uma pequena lista?

  • Urano – William Herschel tornou-se um célebre astrônomo profissional, mas quando descobriu o planeta Urano, em 1781, trabalhava como músico e tinha a fabricação de telescópios e a observação astronômica como hobbies.
  • Telescópio Dobsoniano – John Dobson simplificou a estrutura dos telescópios refletores, desenvolvendo um telescópio de baixo custo e fácil manuseio. Além de desenvolver o telescópio que hoje conhecemos como dobsoniano, Dobson ensinava a construir telescópios e fundou em 1967 uma associação de astrônomos que levava telescópios às ruas de São Francisco (EUA) dando ao grande público a oportunidade de observar o céu através de instrumentos de grande porte.
  • Cometas – A observação constante e o conhecimento do céu, garantiu que um vasto número de cometas fosse descoberto por amadores. Cometas famosos com o Hale-Bopp, que foi visível a olho nu por 18 meses entre 1996 e 1997, e o cometa Shoemaker-Levy 9, que colidiu com Júpiter em 1994 são exemplos de descobertas realizadas por amadores.
  • Supernovas – Mais uma vez, o olhar atento dos amadores é valioso na descoberta de fênomenos celestes. As violentas explosões estelares conhecidas como supernovas são importantes para determinar parâmetros que ajudam a calibrar as distâncias extragalácticas. Com frequência, amadores detectam e reportam estas explosões. Um caso recente é o do amador argentino Vitor Buso, que em setembro de 2016 detectou o exato momento da explosão de uma supernova na galáxia NGC613. Seus dados ajudaram os profissionais a modelar a evolução da curva de luminosidade da supernova.

Mas a contribuição dos amadores vai além das grandes descobertas. Ao contrário de nosso bem comportado Sol, há estrelas que variam intrinsecamente sua luminosidade. Há estrelas que variam de brilha devido a pulsações constantes que as fazem variar de tamanho. Há estrelas que variam de brilho devido a eclipses causados por uma estrela companheira em sua órbita. Além das variáveis explosivas como as novas e supernovas.

Monitorar a variação do brilho dessa vastidão de estrelas é uma tarefa que não pode prescindir da contribuição do exército de observadores amadores.

A AAVSO (American Association of Variable Stars Observers) compila os dados de fotometria de estrelas variáveis produzidos por amadores e os disponibiliza um vasto banco de dados.

Outro tipo de monitoramento realizado por amadores espalhados pelo mundo é a cronometragem de ocultações de estrelas pela Lua. Mais raros, mas ainda mais importantes, são as ocultações de estrelas por asteróides. Estas observações fornecem dados que podem, por exemplo, revelar a geometria ou a presença de aneis ou de satélites em torno de asteróides.

A IOTA (International Occultation Timing Association) é um grupo formado em 1983 para congregar os observadores de ocultações, fornecendo previsões de eventos de ocultação e compilando os dados registrados pelos observadores.

A observação de meteoros também é uma atividade que conta com voluntários amadores ao redor do globo monitorando as principais chuvas periódicas ou registrando imagens em estações domésticas de monitoramento. A rede EXOSS reúne estações de monitoramento amadoras e profissionais alimentando um banco de dados único no hemisfério Sul.

A rede IMO (International Meteor Organization) compila dados de observação visual de chuvas de meteoros. Seu banco de dados é fonte importante para a previsão da atividade das chuvas periódicas ao longo do ano.

Traremos outras opções de atividades para Astrônomos Amadores nesta série de artigos. Mas em todas elas o importante papel do amador como cientista cidadão torna-se evidente. A ciência pode fazer muito pelo cidadão não-cientista, mas estes cidadãos também podem contribuir de maneira decisiva para o progresso da ciência.

Mini Curso: Astronomia Amadora – Ciência Cidadã

O portal Céu Profundo e o projeto Ciência no Parque, em colaboração com o Museu Interativo de Ciências de São José dos Campos, apresenta neste minicurso vários caminhos para os amantes da astronomia que desejam se iniciar na atividade observacional.

Supernovas, cometas e asteróides são alguns dos objetos astronômicos que constantemente são noticiados como descobertas de astrônomos amadores. O olhar treinado e a dedicação constante à observação dos céus, capacita a comunidade de entusiastas amadores da astronomia a detectar e identificar estes objetos e outros fenômenos transientes de grande interesse científico.

Mais recentemente, a astronomia profissional tem disponibilizado dados de grandes levantamentos observacionais para análise pública, abrindo mais uma porta à contribuição dos cientistas cidadãos: é possível ajudar a classificar dados que ajudam na detecção de exoplanetas, na determinação da morfologia de galáxias ou no estudo da superfície marciana.

O curso com carga horária total de 12h inicia no dia 13/08, com aulas às 19h30, tem como público-alvo professores, astrônomos amadores iniciantes e estudantes com interesse na astronomia e apresenta algumas das principais atividades observacionais que podem ser sistematicamente conduzidas por astrônomos amadores. Certificados de participação serão concedidos aos alunos com 80% de frequência.

Informações pelo telefone (012) 3922-0004.

INSCRIÇÃO: https://www.sympla.com.br/mini-curso-astronomia-amadora—ciencia-cidada-wwwceuprofundocom__607530

  • 13/08 – Astronomia Amadora – O universo ao alcance do cientista cidadão [Wandeclayt Melo (IAE/DCTA, Projeto Céu Profundo)] ;
  • 14/08 – Astronomia Profissional – Um panorama da ciência no Brasil. [Dr. Carlos Alexandre Wuensche (DAS/INPE)];
  • 15/08 – Prática Observacional – Observação da Lua, Júpiter, Saturno e aglomerados estelares com telescópio refletor de 8″. [Wandeclayt Melo (IAE/DCTA, Projeto Céu Profundo)];
  • 15/08 – Determinação da Massa de Júpiter a partir da observação do movimento orbital dos satélites galileanos. [Wandeclayt Melo (IAE/DCTA, Projeto Céu Profundo)];
  • 16/08 – Prática Observacional – Observação remota com o telescópio Argus do Observatório Abrahão de Moraes e Fotografia Lunar [Wandeclayt Melo ( IAE/DCTA, Projeto Céu Profundo ) / Messias Fidêncio (OAM/USP)];
  • 20/08 – Imagens Astronômicas – Técnicas e Ferramentas [Dr. Francisco José Jablonski (DAS/INPE)];
  • 21/08 – Os Grandes Telescópios Brasileiros na Fronteira da Astronomia [Dr. Alexandre Soares de Oliveira (UNIVAP)] ;
  • 22/08 – Prática Observacional – Observação remota com o telescópio Argus do Observatório Abrahão de Moraes. [Wandeclayt Melo( IAE/DCTA, Projeto Céu Profundo ) / Messias Fidêncio (OAM/USP)].
  • 22/08 – Prática Computacional: Leis de Kepler e Espectros na Astronomia. [Wandeclayt Melo (IAE/DCTA, Projeto Céu Profundo)];

Projeto de Divulgação Científica Oferece Oficina de Observação Astronômica em São José dos Campos.

O projeto Ciência no Parque é uma iniciativa de divulgação e popularização da ciência conduzida por voluntários no Parque Vicentina Aranha em São José dos Campos (SP). O projeto mostra a ciência de maneira lúdica e descontraída nas manhãs de domingo para o público frequentador de um dos parques mais movimentados da cidade do Vale do Paraíba. As exposições acontecem em domingos alternados e recebem centenas de visitantes a cada edição. O projeto é também responsável por coordenar um ciclo de palestras mensais, ministradas por pesquisadores da Divisão de Astrofísica do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), sempre seguidas por uma sessão de observação astronômica, que atrai em média 300 pessoas por noite. O sucesso de público das palestras e a demanda pela observação através dos telescópios motivaram a criação de mais uma atividade pelo projeto Ciência no Parque: a Oficina de Introdução à Observação Astronômica.

A oficina é ministrada em parceria com o portal Céu Profundo e abrange tópicos como identificação de constelações, leitura e interpretação de cartas celestes, localização e identificação de objetos como planetas, galáxias, aglomerados estelares e nebulosas, compreensão dos movimentos dos astros na esfera celeste e familiarização com o manuseio de telescópios. O objetivo da oficina é introduzir o aluno à prática observacional, mostrando que a observação astronômica está ao alcance de todos, seja a olho nu ou através de instrumentos como binóculos e telescópios. A quarta edição da oficina tem início na terça-feira 18/06, às 19h30, e as inscrições estão abertas na secretaria do Parque Vicentina Aranha. Informações pelo telefone (012) 3911-7090.

Ferramentas úteis na astronomia observacional

Um compilado de aplicativos, sites e vídeos que podem auxiliar bastante com a observação do céu, seja com telescópios ou a olho nu.

Cartes du Ciel/Sky Charts – Um poderoso software de simulação gratuito e com código aberto.

Programas para Windows, Linux e MacOS

  • Stellarium: Simula o céu de acordo com local, data e hora fornecidos pelo usuário. Leve, fácil de usar e gratuito, contém informações sobre inúmeros corpos celestes. Tem versão paga para aparelhos móveis.
  • Cartes du Ciel: Mapa celeste interativo, produzido a partir das configurações do usuário. Mostra também informações sobre os corpos celestes.
Stellarium – Um planetário gratuito para seu desktop.

Dispositivos móveis: céu em tempo real

Aplicativos gratuitos mobile que mostram o mapa do céu baseado na localização do usuário. Úteis para identificar objetos e constelações, basta apontar o aparelho para o céu.

Cartas Celestes

Mapas do céu para baixar e imprimir.

Cartas celestes interativas

Criadas de acordo com as coordenadas geográficas fornecidas pelo usuário.

Planisférios celestes

Poliedro celeste

Vídeos

Sites em português

Sites em inglês

Condição do céu

Livros

  • Atlas Celeste – Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (Editora Vozes, 2000).
  • Uranografia – Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (Editora Francisco Alves S.A., 1989).
  • Reconhecimento do Céu – Paulo Gomes Varella (Editora UNB).
  • Aprendendo a Ler o Céu. Pequeno Guia Prático Para a Astronomia Observacional – Rodolfo Langhi (Editora Livraria da Física).
  • The Cambridge Star Atlas 4th Edition – Wil Tirion.