O NEOWISE não aparece no meu Stellarium (desktop)! E agora?

Visibilidade do Cometa NEOWISE – Latitude 25ºS

O Cometa C/2020 F3 (NEOWISE) está visível em quase todo o Brasil, mas ele não aparece na biblioteca da sua amada versão desktop do Stellarium?
É fácil resolver isso! Acompanhe passo a passo!

  1. Acesse a janela de configurações no painel direito ou diretamente clicando F2. Na aba “Complementos” (“Plugins“) selecione “Editor do sistema solar” (“Solar System Editor“) e clique no botão “Configurar” (“Configure“).
  2. Selecione a aba “Sistema Solar” ( “Solar System” ) e clique no botão “Importar elementos orbitais no formato MPC” (“Import orbital elements in MPC format“).
  3. Você terá acesso à janela “Importar dados” (“Import data“). Nela, selecione o tipo “Cometas” (“Comets“) e “Baixar uma lista de objetos da internet” (“Download a list of objects from the internet“). Na lista, escolha “MPC’s list of observable comets“. Clique em “Obter elementos orbitais” (“Get orbital elements“). O Stellarium começará a baixar os dados de cometas, pode levar alguns segundos.
  4. Uma nova janela aparecerá. Nela, selecione as opções “Atualizar objetos existentes” (“Update existing objects“) e “Atualizar apenas os elementos orbitais” (“Update only the orbital elements“). Digite o nome do comenta na janela de busca “C/2020 F3” (sem as aspas). Selecione-o na lista exibida e clique no botão “Adicionar Objetos” (“Add objects“).
  5. Feche o editor e a janela de configuração. Reinicie o Stellarium.
  6. Você agora poderá localizar o cometa C/2020 F3 NEOWISE na janela de busca no painel esquerdo (ou clicando diretamente F3).
Passo 1.
Passo 2.
Passo 4.

Dois é demais! Imagens diretas de dois exoplanetas ao redor de estrela análoga ao Sol.

TYC 8998-760-1b e c, gigantes gasosos em torno de uma estrela jovem de massa similar ao Sol. [imagem: Alexander J. Bohn, et al.]

O trabalho liderado por Alexander J. Bohn (Observatório de Leiden, Holanda) submetido ao periódico Astrophysical Journal Letters confirma a presença de um sistema multiplanetário em torno de uma estrela de massa equivalente a do Sol, através de imagens diretas. Apesar da similaridade de massa, a estrela de idade estimada em 17 milhões de anos é muito mais jovem que o nosso Sol, uma estrela de meia idade curtindo o esplendor de seus 5 bilhões de anos.

Uma nova geração de instrumentos e técnicas de processamento capazes de reduzir as distorções atmosféricas nas observações de grandes telescópios em terra tem aumentado a resolução das imagens e permitido o imageamento direto de planetas extrassolares, mas até o momento apenas dois sistemas com mais de um planeta haviam sido confirmados por imagens diretas.

O novo estudo confirmou a presença de mais um planeta gigante ao redor da estrela TYC 8998-760-1, com massa aproximadamente 6 vezes maior que a de Júpiter orbitando a estrela a 320 vezes a distância da Terra ao Sol (Vamos facilitar a vida e concordar em chamar a distância da Terra ao Sol de Unidade Astronômica (UA)? Afinal é essa mesmo a definição de Unidade Astronômica), somando-se a um planeta já conhecido, de 14 vezes a massa de Júpiter com órbita de 162 UA. Essas distâncias são bem grandes para um sistema planetário. 162 UA é mais que 3 vezes a distância de Plutão ao Sol (48 UA é a distância de Plutão no afélio) e a questão aberta é “Como eles chegaram lá?”. A resposta para esta questão pode vir de observações feitas pelo ansiosamente aguardado James Webb Space Telescope, o próximo grande telescópio espacial a ser lançado pela NASA.

O estudo faz parte do levantamento YSES (Young Suns Exoplanet Survey), um censo que analisa um grupo de 70 estrelas jovens de massa similar a do Sol, numa região do céu austral a 300 anos luz de distância. Os dados vem do instrumento SPHERE (Spectro-Polarimetric High-contrast Exoplanet REsearch) instalado no monumental complexo de telescópios VLT (Very Large Telescope) do European Southern Observatory (ESO) no Deserto do Atacama (Chile).

O conjunto de telescópios de 8.2m de diâmetro Very Large Telescope (VLT) no Cerro Paranal (Chile). O laser visível na imagem cria uma estrela artificial de calibração a uma altitude de 90km na mesosfera. O laser é parte do sistema que permite compensar os efeitos da turbulência atmosférica, produzindo imagens com resolução similar as de um telescópio no espaço.
[Crédito da imagem: ESO/Serge Brunier]

Mercúrio no céu matutino.

A proximidade de Mercúrio ao Sol torna desafiadora a tarefa de observar o menor planeta do Sistema Solar. Quase sempre perdido em meio ao clarão da aurora ou do entardecer, o pequeno Mercúrio dificulta a vida de seus observadores, que precisam esperar pelas ocasiões em que o planeta atinge seu máximo afastamento do Sol.

Vênus e Mercúrio antecedendo a aurora na manhã de 23/07/2020.
[simulação: Stellarium v 0.20.0]

Mas o rápido movimento orbital de Mercúrio, que completa uma órbita em torno do Sol em apenas 88 dias, faz com que sejam breves esses períodos favoráveis à sua observação. A semana de 19 a 26 de julho (2020) é um destes períodos, com Mercúrio surgindo no horizonte leste pouco antes do nascer do Sol. Aproveite a ocasião para ver Mercúrio acompanhado de Vênus antecedendo os primeiros raios da aurora. Mas se não conseguimos convencer você a acordar antes do nascer do Sol neste inverno, a próxima janela favorável à observação é mais confortável: ao redor do dia 1º de outubro, quando o planeta estará no horizonte oeste ao pôr do Sol.

Enquanto isso, aproveite para buscar o cometa C/2020 F3 NEOWISE após o pôr do Sol. Publicamos um guia completo para você não perder nada aqui.

Cometa Neowise: Um guia para observadores no Brasil.

O cometa C/2020 F3 (NEOWISE) já é o evento astronômico do ano no hemisfério norte e agora se ergue sobre o horizonte noroeste logo após o pôr do Sol para observadores ao sul da linha do equador.

Descoberto em 27 de março através de imagens do telescópio espacial infravermelho NEOWISE (Near-Earth Object Wide-field Infrared Survey Explorer), o cometa tornou-se visível a olho nu ao longo do mês de junho, atingindo o pico de luminosidade nas primeiras semanas de julho, após sua passagem pelo periélio (em 03/07/2020). Uma brilhante cauda de poeira se desenvolveu, acompanhada pela longa e tênue cauda iônica, registrada apenas nas fotografias.

Esta imagem de 19 de Julho do planetarista e astrofotógrafo Dave Eagle (www.star-gazing.co.uk) revela toda a anatomia do cometa C/2020 F3 (NEOWISE): A cauda de poeira amarelada, refletindo a luz do Sol, a cabeleira esverdeada e a longa cauda azulada de gás ionizado. [crédito da imagem: Dave Eagle]

A medida que se afasta do Sol, o brilho do cometa NEOWISE segue decaindo, mas permanece ao alcance de binóculos e pequenos telescópios e pode inclusive ser visto a olho nu de locais escuros, menos sujeitos à poluição luminosa e atmosférica. Apesar da queda esperada no brilho, o NEOWISE terá sua aproximação máxima da Terra no dia 23 de julho, o que pode compensar a queda de luminosidade.

Observadores mais ao norte terão melhores condições de observação, com o cometa aparecendo mais alto sobre o horizonte.

Os diagramas abaixo mostram onde encontrá-lo após o pôr do Sol para diversas latitudes no Brasil. Encontre o mapa com latitude mais próxima à sua localização e escolha de preferência um local escuro e com vista desobstruída do horizonte na direção noroeste. Obstáculos na paisagem, poluição atmosférica e luminosa e nuvens prejudicarão a observação.

Apesar de serem representados como objetos rápidos, o movimento aparente dos cometas pelo céu é lento, perceptível apenas ao longo de dias. Em observações amadoras, procure por objetos que estejam fixos em relação às estrelas.

O instrumento ideal para observação de cometas são os binóculos. A imagem destes instrumentos são brilhantes e cobrem um grande campo, permitindo observar a grande extensão da cauda.

Antes de observar, procure reconhecer o céu com seu aplicativo preferido. As estrelas Spica (na constelação de Virgem), Arcturus (em Boötes) e Regulus (em Leão) circulam a região a ser observada e são boas referência para encontrar direção onde o NEOWISE pode ser encontrado durante os próximos dias.

Carta Celeste “Céu Profundo”

Aplicativos de celular que ajudam o usuário a localizar e identificar planetas, estrelas e constelações são talvez o mais popular recurso para o reconhecimento e a observação do céu. No entanto, apesar de toda a praticidade e diversão que proporcionam, acreditamos que este deveria ser apenas um recurso complementar e somos fortes defensores da ideia de que um grande mapa de todo o céu, permitindo a visualização de toda a esfera celeste, seja a melhor maneira de familiarizar o observador com o céu noturno.

Ter todo o céu exposto ao mesmo tempo em um mapa permite fazer associações – Ah! Quando o Escorpião surge no horizonte, Órion se põe no horizonte oposto! – que não seriam possíveis vendo apenas um recorte do céu em uma pequena tela.

Mas onde encontrar um mapa celeste? Talvez um bem grande, mostrando também a posição de objetos de céu profundo como galáxias, nebulosas e aglomerados? É… pode não ser muito fácil encontrar um desses.

Para resolver essa carência, desenvolvemos (e distribuimos gratuitamente) um script que constrói, a partir de catálogos estelares e de objetos do céu profundo, uma carta celeste que pode ser impressa e utilizada como ferramenta de planejamento na observação do céu, como recurso pedagógico em salas de aula ou mesmo transformada em pôster.

O catálogo estelar utilizado é o Bright Star Catalog 5th Edition, Preliminary (BSC5P) com estrelas até magnitude 6,5. Os objetos de céu profundo incluem os catálogos Messier e Caldwell, populares entre amadores e observáveis através de instrumentos modestos. Esta escolha de catálogos torna estas cartas particularmente interessantes para astrônomos amadores com pequenos telescópios (ou mesmo instrumentos mais robustos) que desejem explorar objetos mais desafiadores que a Lua e os Planetas. Alguns objetos dos catálogos utilizados podem ser visíveis a olho nu em regiões de pouca ou nenhuma poluição luminosa.

A principal apresentação das cartas é em forma de um mapa duplo, com os hemisférios celestes sul e norte em gráficos polares. Os hemisférios também podem ser gerados individualmente em forma polar ou em apresentação retangular limitada entre as declinações +65º e -65º.

Os arquivos gerados são salvos em formato PDF por padrão e, opcionalmente, em formato PNG.

Esta é uma versão inicial do código, mais funções e aperfeiçoamentos estão sendo pensados e serão implementados no futuro.
Esperamos que a ferramenta seja útil para a comunidade de educadores, divulgadores científicos, astrônomos e entusiastas. Por isso, estamos abertos a todas as sugestões e informes de erros para aprimoramento da ferramenta, e faremos o possível para sanar dúvidas sobre o funcionamento e utilização do programa.

O conjunto de mapas, bem como o código e as instruções para sua criação está disponível em: https://github.com/masterhit/CeuProfundo

Contato: socialceuprofundo@gmail.com

A Temporada de Cometas 2020 continua! C/2019 U6 (Lemmon)

Cometa C/2019 U6 (Lemmon) na direção da constelação de Lepus em 2020-05-17 [imagem: Wandeclayt M./N Palivanas. Siding Spring Observatory/Céu Profundo]

O ano de 2020 já tornou ilustres dois visitantes dos confins do Sistema Solar: O cometa C/2019 Y4 (ATLAS) chegava com a promessa de se tornar uma espetacular visão a olho nu, mas seu núcleo se fragmentou e junto com ele fragmentaram-se as esperanças de ver o ATLAS entregando o show que todos esperavam. Em seguida, o C/2020 F8 (SWAN) surpreendeu, ganhando brilho rapidamente e tornando-se visível nas madrugadas em pequenos binóculos ou a olho nu para observadores em céus livres de poluição luminosa. O SWAN atigirá o periélio (a posição mais próxima do Sol) no fim de maio, mas sua localização no céu já não favorece os observadores no hemisfério sul.

Mas parece que o melhor ainda está por vir. Nas últimas semanas o C/2019 U6 (Lemmon) tem ganhado brilho rapidamente e continuará em uma posição favorável para observadores em todo o Brasil pelos próximos meses, sendo visível a oeste logo após o pôr do Sol. O objeto foi inicialmente designado como A/2019 U6, antes que características cometárias fossem observadas no final de 2019.

Imagens tomadas no dia 17 de maio mostram uma cabeleira evidente e a presença de uma cauda iônica. Com um ganho de 2 magnitudes (correspondendo a um aumento de mais de 6 vezes em seu brilho) nos últimos 15 dias, é inevitável alimentar a expectativa de que este seja o cometa do ano!

Posição do cometa C/2019 U6 (Lemmon) em 18 de maio de 2020 (18h30), na região de São José dos Campos (SP) [imagem gerada no software Stellarium 0.20.0]

Vale lembrar que o comportamento do brilho dos cometas é imprevisível, uma vez que este depende de fatores complexos de serem estimados ainda sem dados, como a composição do seu núcleo. Observadores do céu são habituados com surpresas e frustrações, mas seguiremos acompanhando esperançosamente o Lemmon pelos próximos dias, na torcida por uma confirmação na tendência de ganho de brilho. Quem sabe uma longa cauda não estará ornando o horizonte oeste em nossas noites até o final do Outono?

Adicione o Cometa C/2020 F8 (SWAN) ao Stellarium

Cometa SWAN observado de região urbana na madrugada do dia 30/04/2020 em São José dos Campos.

Descoberto pela câmera SWAN, do observatório orbital solar SOHO (Solar and Heliospheric Observatory) no dia 25 de março de 2020, o cometa C/2020 F8 (SWAN) tem surpreendido os observadores e crescido rapidamente em brilho, tornando-se observável a olho nu na última semana de abril. Imagens telescópicas revelam uma exuberante cauda estendendo-se por 10 graus.

Cometa SWAN. Imagem de Luiz R. Silveira em 03/05/2020.

Se você é usuário do programa Stellarium, pode usá-lo para encontrar a posição do cometa SWAN e planejar suas observações. Mas por se tratar de objeto de descoberta recente, você não o encontrará na base de dados instalada com programa e não poderá visualizá-lo sem incluir manualmente seus parâmetros orbitais.

Mas essa é uma tarefa simples e vamos mostrar aqui como fazê-la.

  1. Acesse a janela de configurações no painel direito ou diretamente clicando F2. Na aba “Plugins” selecione “Solar System Editor” e clique no botão “Configure“.
  2. Selecione a aba “Solar System” e clique no botão “Import orbital elements in MPC format“.
  3. Você terá acesso à janela “import data”. Na aba “Lists” marque a o tipo de objeto “Comets”, selecione a fonte “MPC’s list of observable comets” e clique no botão “Get orbital elements“.
  4. Uma lista de objetos será exibida. Procure e marque na lista o objeto “C/2020 F8 (SWAN)” e clique no botão “Add objects“.
  5. Feche o editor e a janela de configuração.
  6. Você agora poderá localizar o cometa SWAN na janela de busca no painel direito (ou clicando diretamente F3).
Etapa 1: Janela de configurações e aba “plugins“.
Etapa 2: Aba “Solar System“.
Etapa 3: Janela “Import data“, aba “Lists“.
Etapa 4: Seleção e inclusão dos elementos orbitais do objeto na base de dados.
Etapa 6: Objeto disponível na janela de busca.

Lirídeos 2020 – Como observar.

Radiante da chuva de meteoros Lirídeos na noite de 21 para 22 de abril de 2020, às 4h00. [gráfico gerado no Stellarium v 0.20.0]

Tentar observar uma chuva de meteoros é uma atividade potencialmente frustrante para observadores menos experientes. Primeiro é preciso saber exatamente quando e para onde olhar. Segundo é preciso entender como variáveis ambientais como localização e poluição luminosa podem interferir em sua experiência.

Os Lirídeos são detritos do cometa C/1861 G1 Thatcher e há registros de sua observação desde o ano 687 a.C.

Aqui vão algumas dicas para garantir uma experiência minimamente recompensadora para você:

  1. O pico de atividade desta chuva ocorre entre os dias 20 e 22 de abril.
  2. A taxa horária zenital observada nos últimos anos estava em torno de 18 meteoros por hora. Isso significa que, se você conseguisse observar todo o céu e se o radiante estivesse diretamente acima da sua cabeça (no zênite), poderiam ser observados 18 meteoros em 1 hora (ou aproximadamente um meteoro a cada 3 minutos).
  3. Se você está no Brasil o radiante não vai estar sobre sua cabeça e se você estiver em uma área urbana, com poluição luminosa, não vai conseguir observar os meteoros menos brilhantes. Além disso, você não conseguirá observar todo o céu ao mesmo tempo. Então, na prática, nada de 18 meteoros por hora.
  4. O radiante culmina (culminação é o instante em que o ponto vai estar mais alto em relação ao horizonte) às 4 da manhã. É nesse horário que você deve observar o maior número de meteoros.
  5. O radiante fica próximo a Vega (alfa da constelação de Lira), a estrela mais brilhante naquela direção. Mas a dica é não olhar diretamente para o radiante. Os meteoros podem ser vistos em qualquer direção do céu e aparentam vir do ponto marcado pelo radiante, mas ao redor desse ponto os meteoros traçam trilhas menores. Olhando para outras direções do céu veremos rastros mais longos.
  6. A luz da Lua também costuma ser um obstáculo à observação de meteoros. Mas desta vez, com a Lua nova, teremos um obstáculo a menos.

A International Meteor Organization (IMO) oferece dados em tempo real, fornecidos por observadores espalhados pelo mundo. Consulte aqui.

Anuário Astronômico 2020

Março
01
02Lua – Quarto Crescente16h57
03
04
05
06
07
08
09Lua Cheia14h48
10
11
12
13
14
15
16Lua – Quarto Minguante06h34
17
18Lua em conjunção com Marte (1° N) e Júpiter (2° N) ao amanhecer.5h
19
20Equinócio de Outono
Marte em conjunção (1° S) com Júpiter
0h50
3h
21
22
23 Mercúrio em máxima elongação oeste (27°) 23h
24Lua Nova
Vênus em máxima elongação leste (45°)
06h28
19h
25
26
27
28
29
30
31Marte em conjunção (1° S) de Saturno9h

Tupi e Guarani: Os Mais Brasileiros dos Astros

A lista de planetas descobertos orbitando outras estrelas já contabiliza mais de 4000 objetos. Muitos deles são batizados apenas com um número de catálogo ou com o acréscimo de uma letra ao nome da estrela central do sistema. Assim, o planeta 51 Pegasi b, é o objeto descoberto em órbita da estrela 51 da constelação de Pegasus. Outros objetos possuem apenas uma designação numérica, como a estrela HD 23079, na constelação do Retículo.

Quem regulamenta a nomenclatura desses objetos é a IAU (União Astronômica Internacional), órgão que congrega astrônomos de todo o mundo e que foi responsável, por exemplo, por definir as 88 constelações modernas e seus limites e por estabelecer os critérios para que um corpo celeste seja classificado como planeta (como consequência desses critérios, Plutão acabou sendo rebaixado à categoria de Planeta Anão em 2006).

Como parte das comemorações do seu centenário em 2019, a IAU lançou a campanha #NameExoWorlds convidando as populações de 112 países a nomear 112 sistemas planetários, escolhendo o nome da estrela e de seu respectivo planeta. A campanha teve a adesão de 780 000 pessoas e teve seu resultado divulgado nesta terça-feira (17/12).

Os nomes escolhidos pelo Brasil e aprovados pela IAU para nomear a estrela HD 23079 e seu planeta são Tupi e Guarani, estabelecendo como tema os nomes de populações indígenas do Brasil para nomear futuros objetos que venham a ser descobertos no mesmo sistema. Foram 977 sugestões e 7060 votantes.

Localização de Tupi e Guarani, às 23h00 do dia 17/12 na latitude de São José dos Campos. É importante informar a latitude porque observadores mais ao norte verão a estrela mais próxima do horizonte sul. Observadores mais ao sul, verão a estrela mais alta no céu. consequências de uma Terra esférica. 😉 [imagem gerada no Stellarium versão 0.19.1]

Ficou curioso e quer observar nossa estrela no céu? Nós te mostramos como encontrá-la. Você precisará de binóculos ou de um pequeno telescópio. Com magnitude 7.1, na constelação de Retículo, Tupi está bem além do limite de visibilidade a olho nu, mesmo para observadores afastados da poluição luminosa das áreas urbanas. Olhe na direção do ponto cardeal SUL entre após as 21h e localize as estrelas mais brilhantes naquela direção: Canopus (Alfa Carinae) e Achernar (Alfa Eridani). Tupi se localiza na região entre ambas.

Diagrama detalhado da região do céu ao redor de HD 23079 – Tupi.

Nossos vizinhos no Paraguai escolheram como tema as divindades da mitologia Guarani e batizaram a estrela HD 108147 e seu companheiro como Tupã e Tumearandu .

O Uruguai se voltou para a flora e elegeu as árvores nativas Ceibo e Ibirapitá para nomear o sistema HD 63454.

A lista completa com os nomes escolhidos está disponível na página da IAU: http://www.nameexoworlds.iau.org/final-results