Cometa I2/Borisov – Hubble observa o visitante interestelar.

Cometa I2/Borisov. Primeiro cometa observado com origem em outro sistema solar. [imagem: NASA/ESA/STScI/D. Jewitt (UCLA)]

O telescópio espacial Hubble obteve as melhores imagens até o momento do cometa 2I/Borisov. A imagem capturada no dia 12/out/2019 pelo Hubble revela a região de concentração de poeira em torno do núcleo cometário.

A trajetória e a velocidade do 2I/Borisov indicam que o cometa teve origem fora do sistema solar, em outro sistema planetário, fazendo dele o segundo objeto interestelar a ser observado cruzando o sistema solar.

Time lapse de 7h de observação do cometa I2/Borisov [imagem: NASA/ESA/STScI/D Jewitt (UCLA)]

Em 2017, o asteróide batizado oficialmente como ‘Oumuamua, chegou a menos de 40 milhões de km do Sol, vindo de fora do sistema solar, tornando-se o primeiro objeto interestelar detectado em nossas vizinhanças. ‘Oumuama aparentava ser um corpo rochoso, enquando I2/Borisov apresenta um núcleo com atividade, assemelhando-se aos cometas com origem em nosso sistema solar.

Trajetória do cometa I2/Borisov [NASA/ESA/D Jewitt (UCLA)]

O cometa foi descoberto na Criméia pelo astrônomo amador Gennady Borisov no dia 30 de agosto e é o oitavo na lista de descobertas de Borisov. Após uma semana de observações por astrônomos profissionais e amadores, o Minor Planet Center da União Astronômica Internacional (IAU) e o Center for Near-Earth Object Studies [Centro para Estudos de Objetos Próximos à Terra] no JPL/NASA computaram sua trajetória, confirmando sua origem no espaço interestelar.

I2/Borisov atingirá o periélio – o ponto de sua órbita mais próximo ao Sol – em dezembro, chegando a uma distância mínima do Sol de aproximadamente 2 UA (Unidades Astronômicas) – duas vezes a distância da Terra ao Sol. Essa distância também é maior que a distância média de Marte ao Sol (1.52 UA).

Hoje, o cometa se encontra na direção da constelação de Leão, com magnitude 16.9 (fora do alcance de pequenos telescópios, sobretudo em céus urbanos) e espera-se que se torne até 2 magnitudes mais brilhante em Janeiro de 2020 – ainda fora do alcance da maioria dos telescópios amadores.

Mas cometas são corpos surpreendentes e podem evoluir de maneira imprevisível, com rupturas e aumentos inesperados de brilho que podem trazê-lo para o alcance de telescópios mais modestos. Mas se isso não acontecer, imagens mais detalhadas do I2/Borisov estão garantidas: novas observações do Hubble para o cometa estão planejadas para Janeiro de 2020 e novas propostas de observação estão sendo submetidas.

Até agora, todos os cometas catalogados tinham origem num cinturão de objetos gelados na periferia de nosso Sistema Solar, chamado Cinturão de Kuiper ou na Nuvem de Oort – uma hipotética nuvem de cometas envolvendo o Sistema Solar a cerca de um ano-luz de distância.


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